Depois de ouvir as palavras, Lavínia soltou uma risada ainda mais alta e descontraída. Isadora, que estava prestes a se levantar, foi interrompida por Florence, que estendeu a mão para impedi-la, sinalizando para que ela não se apressasse. No entanto, Isadora ignorou o gesto de Florence, levantou-se e, sem querer ficar para trás, declarou: — Eu também acho que a camélia combina mais com a Sra. Lavínia. O fato de haver camélias por toda parte mostra o quanto a senhora aprecia e valoriza essas flores. Lavínia, ainda sorrindo, girou o anel em seu dedo, sem revelar o que estava pensando. Nesse momento, Rosana se levantou também. Com um tom de humildade, mas carregado de cálculo, ela disse: — Sra. Lavínia, embora eu saiba que minha opinião não é tão qualificada quanto a delas, acredito que o anel de padparadscha combina mais com a senhora. Uma mulher forte, confiante e brilhante como você merece algo que reflita todo esse brilho. Lavínia voltou seu olhar para Rosana e, apoiand
Ao ver o sorriso aparentemente inofensivo de Rosana, Florence imediatamente percebeu que ela e Daphne estavam inquietas. Era óbvio que essas duas não deixariam Florence brilhar na frente de Lavínia. Mas, em vez de impedir que elas agissem pelas costas, Florence decidiu lhes dar a chance de atacar. Afinal, ela já estava preparada para lidar com cada um de seus movimentos. No caminho para o banheiro, Rosana lançava olhares furtivos para Florence, como se estivesse calculando algo. Quando finalmente abriu a boca, sua voz carregava um tom de insinuação: — Flor, por que você não me impediu quando eu falei? Florence já sabia que Rosana viria com esse tipo de questionamento, então tinha preparado a resposta com antecedência. Ela segurou a mão de Rosana com uma expressão de falsa preocupação e disse: — Rosana, eu achei que você estava aqui só para entregar o presente. Como eu poderia imaginar que você fosse tentar se destacar? Você nem me avisou! Como eu iria te impedir? — Eu não
Lavínia estava prestes a discutir os detalhes do contrato quando ouviu gritos ao longe. — Fogo! Está pegando fogo! Socorro! Lucian lançou um olhar rápido em direção ao pavilhão e, sem hesitar, virou-se e correu para fora. Lavínia apagou o cigarro com calma e soltou um suspiro divertido: — Faz anos que não acontece nada tão animado na minha propriedade. ... A propriedade de Lavínia ficava próxima a uma montanha, e com o outono trazendo folhas secas que constantemente eram sopradas pelo vento, o cuidado com incêndios era redobrado. Felizmente, o fogo foi controlado rapidamente pelos funcionários da propriedade. No entanto, o pequeno jardim especial sofreu o pior. As camélias, antes tão vibrantes e delicadas, agora não passavam de um amontoado de flores queimadas e irreconhecíveis. Quando Florence ouviu os gritos, ela saiu apressada do banheiro e imediatamente avistou Lucian correndo em direção ao local do incêndio. Antes que ele chegasse ao banheiro, uma figura apareceu
Rosana foi puxada para fora pelos funcionários da propriedade. — Me soltem, me soltem! — Rosana se debatia enquanto era levada para onde todos estavam reunidos. Lavínia lançou um olhar frio para Rosana, avaliando-a de cima a baixo. — Por que você estava escondida ali? Foi você quem causou o incêndio? Rosana caiu no chão, paralisada pelo medo. Ela sacudiu a cabeça com força e respondeu com uma voz embargada de desespero: — Lavínia, não fui eu! Eu juro que não fui eu! Eu só saí com a Flor para ir ao banheiro, mas depois não a encontrei do lado de fora. Resolvi dar uma volta aqui perto e acabei me perdendo. Foi um dos funcionários que me trouxe de volta. Rosana apontou para um dos funcionários que estava no canto. O funcionário olhou para Lavínia e confirmou com um aceno de cabeça: — É verdade, Sra. Lavínia. Eu encontrei Rosana perdida e a trouxe para cá. Lavínia ouviu a explicação e estreitou os olhos, lançando um olhar afiado para Florence e Daphne. — Então, das três
— Oh? — O olhar de Lavínia mudou, e o tom brincalhão em sua voz desapareceu, dando lugar a uma frieza calculada. — Explique. — O anel de camélia está no seu dedo mínimo. Nenhum outro anel está em um dedo associado ao amor. Dez anos atrás, seu marido recém-casado morreu em um acidente de carro. Mas ele não estava sozinho naquele carro. Havia uma amante, uma mulher que adorava camélias. Quando ela morreu, estava segurando uma flor que ele deu de presente, uma camélia. Até mesmo o Oásis do Chá foi algo que ele comprou com o dinheiro da senhora para presenteá-la. Agora, este lugar é o seu troféu. Enquanto falava, Florence caminhou até o pequeno jardim destruído pelo fogo e olhou diretamente para Lavínia, que agora tinha uma expressão sombria e perigosa. Com um sorriso leve, mas enigmático, Florence disse em voz baixa: — Sra. Lavínia, esse pedaço de jardim florescia melhor do que qualquer outro.Lavínia respondeu com frieza: — Claro que está bonito, afinal, recebeu cuidados especi
Ao ouvir que dividiria o quarto com Lucian, Daphne ficou visivelmente envergonhada e se aproximou dele, corando.— Sra. Lavínia, isso me deixa um pouco sem jeito... — Disse Daphne com uma voz baixa.Lavínia arqueou uma sobrancelha e sorriu de canto, como quem já antecipava aquela reação:— Se está com vergonha, posso providenciar outro quarto para você. Não é nenhum problema.Com essas palavras, Lavínia levantou a mão, como se fosse chamar o mordomo. Daphne, no entanto, rapidamente interveio:— Sra. Lavínia, a senhora é muito engraçada... Obrigada, mas não precisa.Lavínia a olhou com um sorriso cheio de malícia e significado. Daphne sabia que, diante dela, não adiantava fingir inocência. Lavínia enxergava através de qualquer máscara.Florence, ao ouvir que havia a possibilidade de trocar de quarto, tentou encontrar uma desculpa para isso. Porém, antes que pudesse abrir a boca, Lavínia foi interrompida por uma ligação e precisou sair às pressas. Sem outra opção, Florence dirigiu-se ao
— Srta. Florence, sou eu, Cláudio. — A voz do homem do outro lado da porta soou educada, mas firme.— O que foi? — Florence perguntou, tentando disfarçar a dor.— O Sr. Lucian pediu que a senhora fosse até ele.Ir até ele? Para quê? Para assistir ao espetáculo pós-intimidade dele com Daphne? Florence sentiu o sangue ferver e respondeu sem pensar:— Já estou descansando. Diga a ele que, se tiver tempo para me chamar, é melhor cuidar dele mesmo e se fortalecer mais da próxima vez.Com essas palavras, ela se jogou de volta na cama, ignorando qualquer outra possibilidade de conversa.Do lado de fora, Cláudio, confuso com a recusa, balançou a cabeça e foi até o escritório improvisado que Lavínia tinha preparado para Lucian.— Sr. Lucian, Florence disse que já foi descansar.Lucian, sentado em uma cadeira de madeira maciça junto à janela, cruzou as longas pernas, apoiou o queixo na mão e continuou a folhear os contratos que segurava com a outra mão. Ele ergueu o olhar, cético.— Você acredit
— Ai, meu Deus… Estou com tanto medo! Eu tenho pavor do escuro… Não consigo enxergar nada… Ah! — Rosana soltou um grito abafado, e Florence ouviu os passos dela tropeçando, como se tivesse perdido o equilíbrio.Pelo som, Florence percebeu que Rosana estava vindo em sua direção. O problema? Bem à sua frente estava Lucian. Rosana sabia usar as circunstâncias a seu favor.Logo em seguida, o som de corpos se chocando confirmou suas suspeitas. Rosana realmente conseguiu o que queria. Florence estava prestes a soltar um riso sarcástico, mas, antes que pudesse reagir, uma sombra se colocou à sua frente.Ela parou, surpresa, sem tempo de processar o que estava acontecendo. A respiração quente e firme de alguém a envolveu, e, sem aviso, Florence sentiu os lábios daquele homem sobre os seus. O beijo a pegou completamente desprevenida, e ela ficou imóvel, incapaz de resistir ou reagir.O cheiro dele era um misto de ar frio de inverno com o calor suave de um sol tímido. O toque não era urgente com