Valentina chegou e, ao ver a bagunça no chão e os desenhos sujos de Daphne e Florence, franziu a testa. Antes que alguém pudesse dizer algo, Rosana se apressou, com uma expressão de indignação, e apontou para Isadora. — Diretora Valentina, a Isadora derramou café nos desenhos da Daphne e da Flor! O rosto de Valentina escureceu. Ela virou-se para olhar Isadora, que estava claramente nervosa. Isadora, com as bochechas coradas, tentou se explicar: — Diretora Valentina, foi sem querer. Eu faço isso todos os dias, nunca cometi um erro. Todo mundo aqui pode confirmar. Alguns colegas, que já haviam recebido favores de Isadora, prontamente a defenderam. — Diretora Valentina, a Isadora sempre é a primeira a chegar e preparar o café para todos. Ela é muito cuidadosa. Nunca aconteceu nada parecido antes. Deve ter sido um acidente. — É verdade, Isadora é uma das mais dedicadas e nunca reclama de nada. Ela não é o tipo de pessoa que faria algo de propósito. As vozes em defesa de I
Daphne apertava o pendrive com força. No fim, seu objetivo já tinha sido alcançado, e o processo não importava tanto. — Da próxima vez, tenha mais cuidado! Fui eu que te coloquei aqui, mas você não consegue nem ser melhor que a Isadora. Pelo menos ela tem colegas que a defendem. Saiu como vítima e ainda ganhou moral. E você? Olha pra sua situação... — Desculpa. — Rosana abaixou a cabeça, falando de forma submissa. Daphne perdeu a paciência e simplesmente passou por ela, entrando direto no escritório. Rosana permaneceu ali por alguns segundos, até que ergueu os olhos lentamente. Em seu olhar havia um brilho venenoso, como se fossem espinhos afiados. Quando ela se virou para sair, quase trombou com Isadora. Isadora não disse nada. Apenas passou direto, mas, no meio do caminho, parou e olhou para trás, lançando um sorriso inesperado para Rosana. Rosana sentiu o coração apertar por um instante. Quando tentou confirmar o que havia visto, Isadora já estava longe. Será que era a
As palavras de Daphne, cheias de insinuações, fizeram com que os colegas ao redor da mesa de reuniões começassem a olhar para Florence. Muitos deles, claramente, estavam prontos para assistir a um espetáculo.Florence apoiou-se na mesa e levantou-se lentamente.— Desculpem, minha perna estava um pouco dormente. Daphne, obrigada pela preocupação, mas, assim como você, também preparei uma versão digital do meu design.Assim que terminou de falar, o rosto de Daphne endureceu por um instante. Ela olhou fixamente enquanto Florence pegava o pendrive. Comparado à surpresa de Daphne, a expressão de Isadora era bem mais enigmática. Ela parecia calma, mas havia algo por trás de seu olhar. Afinal, Isadora havia se apropriado da ideia de Florence e apresentado seu design primeiro. A menos que Florence tivesse tido uma explosão de criatividade no último hora, não havia como ela apresentar algo melhor. Quando o design de Florence apareceu na tela, porém, Isadora ficou paralisada. Seus olhos se a
— Sim, Sra. Lavínia, eu com certeza não vou decepcioná-la. — Daphne levantou-se devagar, inclinando levemente a cabeça em um gesto quase teatral, enquanto um sorriso carregado de sarcasmo se formava em seus lábios. Ela já sabia que Lavínia só poderia escolher seu design. Usar joias que simbolizavam o amante do marido falecido em eventos sociais importantes? Lavínia devia estar furiosa por dentro. Mas e daí? Daphne era a mulher de Lucian. Saber que conseguira virar o jogo depois da humilhação no Oásis do Chá só aumentava sua satisfação. Isadora, ao ouvir o resultado, não conseguiu conter sua indignação: — Isso é impossível! Sra. Lavínia, como a senhora pode escolher o design dela? Ela claramente... Lavínia a interrompeu com um olhar frio: — O quê? Você está questionando minha decisão? Isadora congelou por um momento, então balançou a cabeça rapidamente: — Não, claro que não. Eu só achei que a senhora fosse escolher o design de Flor. Florence, vendo como Isadora tentava
Alguns dias depois, enquanto Daphne continuava suas provocações contra Isadora, Florence, de maneira discreta, finalizou seu próprio design. Com receio de que algo saísse errado, ela mesma levou a peça até a empresa de Lavínia. Lavínia analisava o design com satisfação, passando os dedos pelas joias com delicadeza. Ela ergueu as sobrancelhas e lançou um olhar direto para Florence: — Você não quer saber por que eu decidi encomendar também o seu design? Florence, ciente de sua posição, sabia que algumas perguntas simplesmente não deveriam ser feitas. Com um sorriso leve, respondeu: — O importante é que a senhora gostou. Lavínia apoiou o queixo na mão, com um brilho sugestivo nos olhos, e comentou: — Alguém está gastando uma fortuna. — Perdão? Como assim? — Florence perguntou, confusa, encarando Lavínia. Mas, antes que Lavínia respondesse, ela mudou de assunto: — Como você veio? Florence hesitou por um instante e respondeu: — De táxi. Lavínia sorriu, com um olhar
De acordo com as regras, ninguém da família podia assistir à cremação no crematório. Florence Winters, no entanto, pagou o que foi necessário. Com passos lentos, ela empurrou a maca de ferro gelada para dentro da sala de cremação. O ar tinha um cheiro metálico de queimado, e no feixe de luz que atravessava a janela, partículas de cinza flutuavam no ar. Talvez fossem restos de ossos. Em breve, sua querida filha também se tornaria isso. Vestida com um longo vestido preto, Florence parecia ainda menor do que era. Nem mesmo o menor tamanho escondia sua silhueta magra e abatida. Seus olhos, inchados e vermelhos de tanto chorar, estavam agora estranhamente serenos. Ela passou a mão pelo lençol branco que cobria o corpo imóvel e pálido da filha e, cuidadosamente, colocou na palma da mão fria da menina duas estrelas de papel cor-de-rosa. — Estela, espera a mamãe. Quando o tempo acabou, um funcionário aproximou-se e puxou Florence gentilmente para o lado. Ele ergueu o lençol, re
Ela tinha voltado à vida! Florence havia ressuscitado!Ignorando os olhares incrédulos ao seu redor, ela cravou as unhas em seu braço, apertando com força. A dor aguda percorreu-lhe o corpo, e seus olhos logo se encheram de lágrimas.— Chorando por quê? — Uma voz grave e autoritária ecoou pelo salão. — Quem deveria pedir desculpas aqui é você, não a nossa família Avery!Florence voltou a si e ergueu o olhar, encontrando os olhos frios e impacientes de Theo Avery, o patriarca da família.Imediatamente, ela baixou a cabeça, assumindo a postura submissa de sempre. Mas, por dentro, seu corpo tremia, não de medo, mas de excitação.Ao redor, ouviam-se risinhos abafados e cochichos venenosos.— Jovem desse jeito e já com coragem de drogar o próprio tio para seduzi-lo? Fez a maior confusão na cidade só para tentar obrigar o Lucian a assumir responsabilidade. E agora finge que nada aconteceu! Quem educou essa garota?— Isso não é coisa de gente da nossa família. A família Avery nunca criaria al
Daphne Gonçalves era filha de uma família tradicional, mas em decadência.Três anos atrás, Lucian surpreendeu a todos ao anunciar publicamente seu relacionamento com ela. Mesmo sob forte oposição de Theo, ele organizou um luxuoso jantar de noivado.Daphne, de um dia para o outro, tornou-se a mulher mais invejada de Cidade do Sol. Todos a admiravam: uma mulher linda, bondosa e elegante.Mas Florence sabia a verdade. Daphne não era nada disso. Se não fosse designer, certamente seria uma atriz de primeira linha. Ela era a melhor quando o assunto era fingir.E Daphne, com toda a sua esperteza, sabia exatamente o que Florence queria dizer ao apontar o dedo para ela. O casamento com Lucian já havia sido adiado por três anos, e Daphne não podia mais esperar para oficializar a união.Como esperado, Daphne deu um passo à frente. Sem hesitar, ajoelhou-se na mesma posição em que Florence estava antes e curvou a cabeça em uma demonstração teatral de humildade.— Vovô, fui eu! — Disse Daphne, com a