Theo chamou o mordomo, apontando para a lixeira com uma expressão de desagrado. — Leve esse lixo para bem longe. Não suporto ver isso. — Sim, senhor. — O mordomo, sob o olhar impassível de Lucian, pegou os papéis amassados da lixeira, rasgou-os em pedaços menores e os pressionou dentro de um saco de lixo preto antes de sair do escritório. Theo pegou sua xícara de café e soprou levemente antes de acrescentar, com um tom grave: — Essa parceria é importante. Não quero problemas. Daphne é sua noiva, e a imagem dela reflete diretamente na sua. Não deixe que usem isso contra você. — Entendido. — Lucian respondeu com frieza, levantando-se e saindo sem olhar para trás. …Florence, ao voltar para casa, dormiu a tarde inteira. Após o jantar, começou a trabalhar em seus esboços de design. Enquanto ela desenhava, Lyra entrou no quarto com uma bandeja de frutas. Ela pegou um garfo e o levou aos lábios da filha, ao mesmo tempo em que exibia orgulhosamente o grande anel de rubi em seu d
— O que a Daphne tem de tão especial? Você e o Lucian claramente… — Mãe! Não diga essas coisas! Eu tenho muito trabalho para fazer. Vai descansar, por favor. — Florence lançou um olhar de advertência para Lyra. Lyra mordeu o lábio, soltou um suspiro pesado e saiu do quarto, visivelmente contrariada. Florence abaixou a cabeça e voltou a se concentrar em seu desenho, mas sua mente parecia completamente em branco. Após um tempo, ela desistiu e foi até a janela, onde ficou olhando fixamente para o céu. …Três dias depois, Florence finalmente conseguiu criar um design de joia que a deixou satisfeita. Naquele dia, Lavínia iria ao estúdio para aprovar o projeto. Seria o primeiro cliente oficial de Florence, e ela estava dividida entre a animação e o nervosismo. Assim que entrou no estúdio, Rosana a seguiu apressada até o escritório. — Flor, você está tão animada! Pelo visto, você está confiante no design para Lavínia, né? — Rosana falou em voz alta, atraindo a atenção de vários
Valentina chegou e, ao ver a bagunça no chão e os desenhos sujos de Daphne e Florence, franziu a testa. Antes que alguém pudesse dizer algo, Rosana se apressou, com uma expressão de indignação, e apontou para Isadora. — Diretora Valentina, a Isadora derramou café nos desenhos da Daphne e da Flor! O rosto de Valentina escureceu. Ela virou-se para olhar Isadora, que estava claramente nervosa. Isadora, com as bochechas coradas, tentou se explicar: — Diretora Valentina, foi sem querer. Eu faço isso todos os dias, nunca cometi um erro. Todo mundo aqui pode confirmar. Alguns colegas, que já haviam recebido favores de Isadora, prontamente a defenderam. — Diretora Valentina, a Isadora sempre é a primeira a chegar e preparar o café para todos. Ela é muito cuidadosa. Nunca aconteceu nada parecido antes. Deve ter sido um acidente. — É verdade, Isadora é uma das mais dedicadas e nunca reclama de nada. Ela não é o tipo de pessoa que faria algo de propósito. As vozes em defesa de I
Daphne apertava o pendrive com força. No fim, seu objetivo já tinha sido alcançado, e o processo não importava tanto. — Da próxima vez, tenha mais cuidado! Fui eu que te coloquei aqui, mas você não consegue nem ser melhor que a Isadora. Pelo menos ela tem colegas que a defendem. Saiu como vítima e ainda ganhou moral. E você? Olha pra sua situação... — Desculpa. — Rosana abaixou a cabeça, falando de forma submissa. Daphne perdeu a paciência e simplesmente passou por ela, entrando direto no escritório. Rosana permaneceu ali por alguns segundos, até que ergueu os olhos lentamente. Em seu olhar havia um brilho venenoso, como se fossem espinhos afiados. Quando ela se virou para sair, quase trombou com Isadora. Isadora não disse nada. Apenas passou direto, mas, no meio do caminho, parou e olhou para trás, lançando um sorriso inesperado para Rosana. Rosana sentiu o coração apertar por um instante. Quando tentou confirmar o que havia visto, Isadora já estava longe. Será que era a
As palavras de Daphne, cheias de insinuações, fizeram com que os colegas ao redor da mesa de reuniões começassem a olhar para Florence. Muitos deles, claramente, estavam prontos para assistir a um espetáculo.Florence apoiou-se na mesa e levantou-se lentamente.— Desculpem, minha perna estava um pouco dormente. Daphne, obrigada pela preocupação, mas, assim como você, também preparei uma versão digital do meu design.Assim que terminou de falar, o rosto de Daphne endureceu por um instante. Ela olhou fixamente enquanto Florence pegava o pendrive. Comparado à surpresa de Daphne, a expressão de Isadora era bem mais enigmática. Ela parecia calma, mas havia algo por trás de seu olhar. Afinal, Isadora havia se apropriado da ideia de Florence e apresentado seu design primeiro. A menos que Florence tivesse tido uma explosão de criatividade no último hora, não havia como ela apresentar algo melhor. Quando o design de Florence apareceu na tela, porém, Isadora ficou paralisada. Seus olhos se a
— Sim, Sra. Lavínia, eu com certeza não vou decepcioná-la. — Daphne levantou-se devagar, inclinando levemente a cabeça em um gesto quase teatral, enquanto um sorriso carregado de sarcasmo se formava em seus lábios. Ela já sabia que Lavínia só poderia escolher seu design. Usar joias que simbolizavam o amante do marido falecido em eventos sociais importantes? Lavínia devia estar furiosa por dentro. Mas e daí? Daphne era a mulher de Lucian. Saber que conseguira virar o jogo depois da humilhação no Oásis do Chá só aumentava sua satisfação. Isadora, ao ouvir o resultado, não conseguiu conter sua indignação: — Isso é impossível! Sra. Lavínia, como a senhora pode escolher o design dela? Ela claramente... Lavínia a interrompeu com um olhar frio: — O quê? Você está questionando minha decisão? Isadora congelou por um momento, então balançou a cabeça rapidamente: — Não, claro que não. Eu só achei que a senhora fosse escolher o design de Flor. Florence, vendo como Isadora tentava
Alguns dias depois, enquanto Daphne continuava suas provocações contra Isadora, Florence, de maneira discreta, finalizou seu próprio design. Com receio de que algo saísse errado, ela mesma levou a peça até a empresa de Lavínia. Lavínia analisava o design com satisfação, passando os dedos pelas joias com delicadeza. Ela ergueu as sobrancelhas e lançou um olhar direto para Florence: — Você não quer saber por que eu decidi encomendar também o seu design? Florence, ciente de sua posição, sabia que algumas perguntas simplesmente não deveriam ser feitas. Com um sorriso leve, respondeu: — O importante é que a senhora gostou. Lavínia apoiou o queixo na mão, com um brilho sugestivo nos olhos, e comentou: — Alguém está gastando uma fortuna. — Perdão? Como assim? — Florence perguntou, confusa, encarando Lavínia. Mas, antes que Lavínia respondesse, ela mudou de assunto: — Como você veio? Florence hesitou por um instante e respondeu: — De táxi. Lavínia sorriu, com um olhar
De acordo com as regras, ninguém da família podia assistir à cremação no crematório. Florence Winters, no entanto, pagou o que foi necessário. Com passos lentos, ela empurrou a maca de ferro gelada para dentro da sala de cremação. O ar tinha um cheiro metálico de queimado, e no feixe de luz que atravessava a janela, partículas de cinza flutuavam no ar. Talvez fossem restos de ossos. Em breve, sua querida filha também se tornaria isso. Vestida com um longo vestido preto, Florence parecia ainda menor do que era. Nem mesmo o menor tamanho escondia sua silhueta magra e abatida. Seus olhos, inchados e vermelhos de tanto chorar, estavam agora estranhamente serenos. Ela passou a mão pelo lençol branco que cobria o corpo imóvel e pálido da filha e, cuidadosamente, colocou na palma da mão fria da menina duas estrelas de papel cor-de-rosa. — Estela, espera a mamãe. Quando o tempo acabou, um funcionário aproximou-se e puxou Florence gentilmente para o lado. Ele ergueu o lençol, re