Após escapar, Florence não teve coragem de se hospedar em um hotel próximo à universidade. Decidiu ir diretamente para um hotel mais perto do estúdio. Antes de entrar no carro, ela se virou para olhar para a esquina. Uma luxuosa SUV preta parou ali, e Lucian, vestido inteiramente de preto, saiu da penumbra e entrou no veículo. Logo depois, o vidro do carro desceu alguns centímetros, revelando um par de olhos negros e intensos que a observavam. No contraste da noite, aquele olhar parecia uma ameaça silenciosa, como se dissesse que ela não tinha para onde fugir. Um arrepio percorreu as costas de Florence. Sem olhar para trás, ela entrou no carro e ordenou ao motorista que saísse imediatamente. ... Do outro lado. Cláudio entrou no carro e fechou a porta com cuidado antes de relatar: — Sr. Lucian, Florence denunciou os homens por estarem dirigindo alcoolizados e ainda deu o nome da Rosana. Lucian estava sentado no banco traseiro, girando lentamente o anel no dedo. Ele arque
Nesse momento, Daphne chegou, perguntando rapidamente o que havia acontecido. Ela franziu o cenho, visivelmente contrariada, e lançou um olhar de desaprovação para Rosana. Aquela idiota... Nem para lidar com uma situação simples sem se complicar. Florence, ao ver que todos os envolvidos já estavam presentes, decidiu encerrar a situação com estilo. Ela imitou o tom de voz que Rosana usava no passado, adotando uma falsa preocupação: — Rosana, é melhor você pedir desculpas logo. Se isso chegar aos ouvidos da Valentina, vai ser ruim tanto para você quanto para o estúdio. Afinal, foi você quem saiu para jantar e beber com o marido dela, né? Não acha, Daphne? Florence jogou a questão diretamente para Daphne, que agora era o centro das atenções. Na vida passada, as duas haviam se unido inúmeras vezes para prejudicá-la. Agora, Florence queria que elas provassem do próprio veneno. Todos os olhares se voltaram para Daphne, que, como noiva de Lucian, tinha naturalmente mais peso em suas
O som estridente de um tapa ecoou pelo ambiente, e o canto da boca de Rosana começou a sangrar. Daphne segurou firmemente o pescoço de Rosana, com os olhos gelados e cheios de desprezo: — Nem isso você consegue fazer direito? Todos esses anos te dando benefícios foram um desperdício! Se não fosse por mim, você acha que teria sequer colocado um pé dentro deste prédio? Rosana, se escolheu ser um cachorro, então seja um cachorro obediente e faça o que mando! Dizendo isso, Daphne, cheia de raiva, empurrou Rosana com força para o lado. Rosana, que já estava fraca depois de ter sido humilhada pela outra mulher, perdeu o equilíbrio. Seu corpo bateu na parede e ela caiu no chão, completamente sem forças. Daphne, com um par de saltos altos de couro de carneiro, caminhou lentamente em direção a Rosana. A ponta do salto afiado pressionou o rosto machucado da mulher caída. — Hoje à tarde vamos até a Oásis do Chá para encontrar Lavínia. Vou dar um jeito de levar você junto. Invente algo
Lucian cruzava as pernas com elegância, o dedo indicador repousando levemente contra a testa. Ele observava Florence com um olhar divertido, como se estivesse analisando cada um de seus movimentos. Florence, desconfortável com a atenção, abaixou a cabeça e começou a procurar freneticamente o botão para girar o assento na direção do motorista. No entanto, acabou pressionando o botão errado, ativando o modo de massagem do banco. Um som contínuo de vibração preencheu o silêncio da cabine, deixando-a completamente sem graça. Enquanto ela tentava, atrapalhada, corrigir o erro, uma mão masculina pousou casualmente no apoio de braço do assento dela. O corpo de Lucian se inclinou ligeiramente em sua direção, trazendo consigo seu perfume fresco e marcante. Florence imediatamente se recostou para trás, tentando evitar a proximidade, mas não conseguiu impedir o inevitável confronto visual. Seus olhos se encontraram, e ela desviou rapidamente o olhar. Lucian, por outro lado, abaixou os olh
Quando sentiu algo tocar seu pé, Florence parou por um instante com a xícara de café nas mãos. Ela abaixou o olhar e viu um sapato masculino encostando no seu salto alto. O tamanho do sapato dela era 33, pequeno e discreto, mas, ao lado do sapato masculino, parecia quase um brinquedo. Seu olhar seguiu o sapato masculino até as pernas longas envoltas em uma calça social preta impecável. O tecido ajustado destacava o caimento perfeito, e o vinco bem alinhado conferia uma austeridade que exalava uma certa sobriedade irresistível. Florence desviou o olhar rapidamente, achando que o toque tinha sido acidental. Com discrição, ela moveu o pé, tentando afastá-lo. Mas, no momento seguinte, o motorista freou subitamente. O corpo de Florence foi lançado para frente, e seus pés, sem querer, se moveram novamente, deslizando contra a perna de Lucian. Quando ela finalmente se recompôs no assento, percebeu, horrorizada, que havia deixado marcas de sapato na calça dele. Não apenas isso: seu m
Ele não se moveu! Florence teve a estranha sensação de que, nas profundezas dos olhos sombrios de Lucian, algo brilhou por um instante, como se fosse... Diversão. Antes que a luz do túnel começasse a inundar o carro, ela sentiu um aperto firme em seu ombro. Foi então que percebeu que havia esquecido de colocar o cinto de segurança. Quando o carro saiu do túnel, o interior foi iluminado novamente. Lucian estava sentado no mesmo lugar, com as pernas cruzadas, a postura impecável, como se nada tivesse acontecido. Até mesmo a respiração descompassada que Florence tinha ouvido parecia agora uma invenção da sua mente. Sentindo a necessidade de se acalmar, ela levou a xícara de café aos lábios. Mas, ao olhar para o conteúdo, percebeu que a xícara estava cheia novamente, embora parte do café tivesse derramado antes. “Quando isso aconteceu?” Florence pensou, confusa, e então levantou os olhos para encarar Lucian. Ele estava relaxado, segurando sua própria xícara de café, que levava
Ao olhar para a figura parada ao lado das flores, Lavínia arqueou levemente uma sobrancelha, já entendendo a situação. Quando estava prestes a dizer algo, Daphne avançou na sua direção e estendeu a mão com um sorriso educado: — Sra. Lavínia, olá. Sou Daphne, noiva do Lucian. Lavínia olhou para Daphne e para a mão estendida, então sorriu de forma leve, quase desdenhosa: — Desculpe, Daphne. Acabei de podar algumas flores, minhas mãos estão muito sujas. Daphne ficou com a mão suspensa por alguns segundos, antes de abaixá-la com um sorriso desconfortável. Assim que ela recuou a mão, Lavínia pegou uma toalha das mãos de uma funcionária e limpou as próprias mãos com tranquilidade. Depois, ignorando completamente Daphne, aproximou-se de Lucian e sentou-se ao lado dele, como se a presença da noiva fosse irrelevante. Enquanto servia chá para Lucian, Lavínia olhou para os outros com um sorriso sutil: — Sentem-se. Valentina já me enviou os perfis de vocês, então não precisam se es
Depois de ouvir as palavras, Lavínia soltou uma risada ainda mais alta e descontraída. Isadora, que estava prestes a se levantar, foi interrompida por Florence, que estendeu a mão para impedi-la, sinalizando para que ela não se apressasse. No entanto, Isadora ignorou o gesto de Florence, levantou-se e, sem querer ficar para trás, declarou: — Eu também acho que a camélia combina mais com a Sra. Lavínia. O fato de haver camélias por toda parte mostra o quanto a senhora aprecia e valoriza essas flores. Lavínia, ainda sorrindo, girou o anel em seu dedo, sem revelar o que estava pensando. Nesse momento, Rosana se levantou também. Com um tom de humildade, mas carregado de cálculo, ela disse: — Sra. Lavínia, embora eu saiba que minha opinião não é tão qualificada quanto a delas, acredito que o anel de padparadscha combina mais com a senhora. Uma mulher forte, confiante e brilhante como você merece algo que reflita todo esse brilho. Lavínia voltou seu olhar para Rosana e, apoiand