Lucian cruzava as pernas com elegância, o dedo indicador repousando levemente contra a testa. Ele observava Florence com um olhar divertido, como se estivesse analisando cada um de seus movimentos. Florence, desconfortável com a atenção, abaixou a cabeça e começou a procurar freneticamente o botão para girar o assento na direção do motorista. No entanto, acabou pressionando o botão errado, ativando o modo de massagem do banco. Um som contínuo de vibração preencheu o silêncio da cabine, deixando-a completamente sem graça. Enquanto ela tentava, atrapalhada, corrigir o erro, uma mão masculina pousou casualmente no apoio de braço do assento dela. O corpo de Lucian se inclinou ligeiramente em sua direção, trazendo consigo seu perfume fresco e marcante. Florence imediatamente se recostou para trás, tentando evitar a proximidade, mas não conseguiu impedir o inevitável confronto visual. Seus olhos se encontraram, e ela desviou rapidamente o olhar. Lucian, por outro lado, abaixou os olh
Quando sentiu algo tocar seu pé, Florence parou por um instante com a xícara de café nas mãos. Ela abaixou o olhar e viu um sapato masculino encostando no seu salto alto. O tamanho do sapato dela era 33, pequeno e discreto, mas, ao lado do sapato masculino, parecia quase um brinquedo. Seu olhar seguiu o sapato masculino até as pernas longas envoltas em uma calça social preta impecável. O tecido ajustado destacava o caimento perfeito, e o vinco bem alinhado conferia uma austeridade que exalava uma certa sobriedade irresistível. Florence desviou o olhar rapidamente, achando que o toque tinha sido acidental. Com discrição, ela moveu o pé, tentando afastá-lo. Mas, no momento seguinte, o motorista freou subitamente. O corpo de Florence foi lançado para frente, e seus pés, sem querer, se moveram novamente, deslizando contra a perna de Lucian. Quando ela finalmente se recompôs no assento, percebeu, horrorizada, que havia deixado marcas de sapato na calça dele. Não apenas isso: seu m
Ele não se moveu! Florence teve a estranha sensação de que, nas profundezas dos olhos sombrios de Lucian, algo brilhou por um instante, como se fosse... Diversão. Antes que a luz do túnel começasse a inundar o carro, ela sentiu um aperto firme em seu ombro. Foi então que percebeu que havia esquecido de colocar o cinto de segurança. Quando o carro saiu do túnel, o interior foi iluminado novamente. Lucian estava sentado no mesmo lugar, com as pernas cruzadas, a postura impecável, como se nada tivesse acontecido. Até mesmo a respiração descompassada que Florence tinha ouvido parecia agora uma invenção da sua mente. Sentindo a necessidade de se acalmar, ela levou a xícara de café aos lábios. Mas, ao olhar para o conteúdo, percebeu que a xícara estava cheia novamente, embora parte do café tivesse derramado antes. “Quando isso aconteceu?” Florence pensou, confusa, e então levantou os olhos para encarar Lucian. Ele estava relaxado, segurando sua própria xícara de café, que levava
Ao olhar para a figura parada ao lado das flores, Lavínia arqueou levemente uma sobrancelha, já entendendo a situação. Quando estava prestes a dizer algo, Daphne avançou na sua direção e estendeu a mão com um sorriso educado: — Sra. Lavínia, olá. Sou Daphne, noiva do Lucian. Lavínia olhou para Daphne e para a mão estendida, então sorriu de forma leve, quase desdenhosa: — Desculpe, Daphne. Acabei de podar algumas flores, minhas mãos estão muito sujas. Daphne ficou com a mão suspensa por alguns segundos, antes de abaixá-la com um sorriso desconfortável. Assim que ela recuou a mão, Lavínia pegou uma toalha das mãos de uma funcionária e limpou as próprias mãos com tranquilidade. Depois, ignorando completamente Daphne, aproximou-se de Lucian e sentou-se ao lado dele, como se a presença da noiva fosse irrelevante. Enquanto servia chá para Lucian, Lavínia olhou para os outros com um sorriso sutil: — Sentem-se. Valentina já me enviou os perfis de vocês, então não precisam se es
Depois de ouvir as palavras, Lavínia soltou uma risada ainda mais alta e descontraída. Isadora, que estava prestes a se levantar, foi interrompida por Florence, que estendeu a mão para impedi-la, sinalizando para que ela não se apressasse. No entanto, Isadora ignorou o gesto de Florence, levantou-se e, sem querer ficar para trás, declarou: — Eu também acho que a camélia combina mais com a Sra. Lavínia. O fato de haver camélias por toda parte mostra o quanto a senhora aprecia e valoriza essas flores. Lavínia, ainda sorrindo, girou o anel em seu dedo, sem revelar o que estava pensando. Nesse momento, Rosana se levantou também. Com um tom de humildade, mas carregado de cálculo, ela disse: — Sra. Lavínia, embora eu saiba que minha opinião não é tão qualificada quanto a delas, acredito que o anel de padparadscha combina mais com a senhora. Uma mulher forte, confiante e brilhante como você merece algo que reflita todo esse brilho. Lavínia voltou seu olhar para Rosana e, apoiand
Ao ver o sorriso aparentemente inofensivo de Rosana, Florence imediatamente percebeu que ela e Daphne estavam inquietas. Era óbvio que essas duas não deixariam Florence brilhar na frente de Lavínia. Mas, em vez de impedir que elas agissem pelas costas, Florence decidiu lhes dar a chance de atacar. Afinal, ela já estava preparada para lidar com cada um de seus movimentos. No caminho para o banheiro, Rosana lançava olhares furtivos para Florence, como se estivesse calculando algo. Quando finalmente abriu a boca, sua voz carregava um tom de insinuação: — Flor, por que você não me impediu quando eu falei? Florence já sabia que Rosana viria com esse tipo de questionamento, então tinha preparado a resposta com antecedência. Ela segurou a mão de Rosana com uma expressão de falsa preocupação e disse: — Rosana, eu achei que você estava aqui só para entregar o presente. Como eu poderia imaginar que você fosse tentar se destacar? Você nem me avisou! Como eu iria te impedir? — Eu não
Lavínia estava prestes a discutir os detalhes do contrato quando ouviu gritos ao longe. — Fogo! Está pegando fogo! Socorro! Lucian lançou um olhar rápido em direção ao pavilhão e, sem hesitar, virou-se e correu para fora. Lavínia apagou o cigarro com calma e soltou um suspiro divertido: — Faz anos que não acontece nada tão animado na minha propriedade. ... A propriedade de Lavínia ficava próxima a uma montanha, e com o outono trazendo folhas secas que constantemente eram sopradas pelo vento, o cuidado com incêndios era redobrado. Felizmente, o fogo foi controlado rapidamente pelos funcionários da propriedade. No entanto, o pequeno jardim especial sofreu o pior. As camélias, antes tão vibrantes e delicadas, agora não passavam de um amontoado de flores queimadas e irreconhecíveis. Quando Florence ouviu os gritos, ela saiu apressada do banheiro e imediatamente avistou Lucian correndo em direção ao local do incêndio. Antes que ele chegasse ao banheiro, uma figura apareceu
Rosana foi puxada para fora pelos funcionários da propriedade. — Me soltem, me soltem! — Rosana se debatia enquanto era levada para onde todos estavam reunidos. Lavínia lançou um olhar frio para Rosana, avaliando-a de cima a baixo. — Por que você estava escondida ali? Foi você quem causou o incêndio? Rosana caiu no chão, paralisada pelo medo. Ela sacudiu a cabeça com força e respondeu com uma voz embargada de desespero: — Lavínia, não fui eu! Eu juro que não fui eu! Eu só saí com a Flor para ir ao banheiro, mas depois não a encontrei do lado de fora. Resolvi dar uma volta aqui perto e acabei me perdendo. Foi um dos funcionários que me trouxe de volta. Rosana apontou para um dos funcionários que estava no canto. O funcionário olhou para Lavínia e confirmou com um aceno de cabeça: — É verdade, Sra. Lavínia. Eu encontrei Rosana perdida e a trouxe para cá. Lavínia ouviu a explicação e estreitou os olhos, lançando um olhar afiado para Florence e Daphne. — Então, das três