O som estridente de um tapa ecoou pelo ambiente, e o canto da boca de Rosana começou a sangrar. Daphne segurou firmemente o pescoço de Rosana, com os olhos gelados e cheios de desprezo: — Nem isso você consegue fazer direito? Todos esses anos te dando benefícios foram um desperdício! Se não fosse por mim, você acha que teria sequer colocado um pé dentro deste prédio? Rosana, se escolheu ser um cachorro, então seja um cachorro obediente e faça o que mando! Dizendo isso, Daphne, cheia de raiva, empurrou Rosana com força para o lado. Rosana, que já estava fraca depois de ter sido humilhada pela outra mulher, perdeu o equilíbrio. Seu corpo bateu na parede e ela caiu no chão, completamente sem forças. Daphne, com um par de saltos altos de couro de carneiro, caminhou lentamente em direção a Rosana. A ponta do salto afiado pressionou o rosto machucado da mulher caída. — Hoje à tarde vamos até a Oásis do Chá para encontrar Lavínia. Vou dar um jeito de levar você junto. Invente algo
Lucian cruzava as pernas com elegância, o dedo indicador repousando levemente contra a testa. Ele observava Florence com um olhar divertido, como se estivesse analisando cada um de seus movimentos. Florence, desconfortável com a atenção, abaixou a cabeça e começou a procurar freneticamente o botão para girar o assento na direção do motorista. No entanto, acabou pressionando o botão errado, ativando o modo de massagem do banco. Um som contínuo de vibração preencheu o silêncio da cabine, deixando-a completamente sem graça. Enquanto ela tentava, atrapalhada, corrigir o erro, uma mão masculina pousou casualmente no apoio de braço do assento dela. O corpo de Lucian se inclinou ligeiramente em sua direção, trazendo consigo seu perfume fresco e marcante. Florence imediatamente se recostou para trás, tentando evitar a proximidade, mas não conseguiu impedir o inevitável confronto visual. Seus olhos se encontraram, e ela desviou rapidamente o olhar. Lucian, por outro lado, abaixou os olh
Quando sentiu algo tocar seu pé, Florence parou por um instante com a xícara de café nas mãos. Ela abaixou o olhar e viu um sapato masculino encostando no seu salto alto. O tamanho do sapato dela era 33, pequeno e discreto, mas, ao lado do sapato masculino, parecia quase um brinquedo. Seu olhar seguiu o sapato masculino até as pernas longas envoltas em uma calça social preta impecável. O tecido ajustado destacava o caimento perfeito, e o vinco bem alinhado conferia uma austeridade que exalava uma certa sobriedade irresistível. Florence desviou o olhar rapidamente, achando que o toque tinha sido acidental. Com discrição, ela moveu o pé, tentando afastá-lo. Mas, no momento seguinte, o motorista freou subitamente. O corpo de Florence foi lançado para frente, e seus pés, sem querer, se moveram novamente, deslizando contra a perna de Lucian. Quando ela finalmente se recompôs no assento, percebeu, horrorizada, que havia deixado marcas de sapato na calça dele. Não apenas isso: seu m
Ele não se moveu! Florence teve a estranha sensação de que, nas profundezas dos olhos sombrios de Lucian, algo brilhou por um instante, como se fosse... Diversão. Antes que a luz do túnel começasse a inundar o carro, ela sentiu um aperto firme em seu ombro. Foi então que percebeu que havia esquecido de colocar o cinto de segurança. Quando o carro saiu do túnel, o interior foi iluminado novamente. Lucian estava sentado no mesmo lugar, com as pernas cruzadas, a postura impecável, como se nada tivesse acontecido. Até mesmo a respiração descompassada que Florence tinha ouvido parecia agora uma invenção da sua mente. Sentindo a necessidade de se acalmar, ela levou a xícara de café aos lábios. Mas, ao olhar para o conteúdo, percebeu que a xícara estava cheia novamente, embora parte do café tivesse derramado antes. “Quando isso aconteceu?” Florence pensou, confusa, e então levantou os olhos para encarar Lucian. Ele estava relaxado, segurando sua própria xícara de café, que levava
Ao olhar para a figura parada ao lado das flores, Lavínia arqueou levemente uma sobrancelha, já entendendo a situação. Quando estava prestes a dizer algo, Daphne avançou na sua direção e estendeu a mão com um sorriso educado: — Sra. Lavínia, olá. Sou Daphne, noiva do Lucian. Lavínia olhou para Daphne e para a mão estendida, então sorriu de forma leve, quase desdenhosa: — Desculpe, Daphne. Acabei de podar algumas flores, minhas mãos estão muito sujas. Daphne ficou com a mão suspensa por alguns segundos, antes de abaixá-la com um sorriso desconfortável. Assim que ela recuou a mão, Lavínia pegou uma toalha das mãos de uma funcionária e limpou as próprias mãos com tranquilidade. Depois, ignorando completamente Daphne, aproximou-se de Lucian e sentou-se ao lado dele, como se a presença da noiva fosse irrelevante. Enquanto servia chá para Lucian, Lavínia olhou para os outros com um sorriso sutil: — Sentem-se. Valentina já me enviou os perfis de vocês, então não precisam se es
Depois de ouvir as palavras, Lavínia soltou uma risada ainda mais alta e descontraída. Isadora, que estava prestes a se levantar, foi interrompida por Florence, que estendeu a mão para impedi-la, sinalizando para que ela não se apressasse. No entanto, Isadora ignorou o gesto de Florence, levantou-se e, sem querer ficar para trás, declarou: — Eu também acho que a camélia combina mais com a Sra. Lavínia. O fato de haver camélias por toda parte mostra o quanto a senhora aprecia e valoriza essas flores. Lavínia, ainda sorrindo, girou o anel em seu dedo, sem revelar o que estava pensando. Nesse momento, Rosana se levantou também. Com um tom de humildade, mas carregado de cálculo, ela disse: — Sra. Lavínia, embora eu saiba que minha opinião não é tão qualificada quanto a delas, acredito que o anel de padparadscha combina mais com a senhora. Uma mulher forte, confiante e brilhante como você merece algo que reflita todo esse brilho. Lavínia voltou seu olhar para Rosana e, apoiand
Ao ver o sorriso aparentemente inofensivo de Rosana, Florence imediatamente percebeu que ela e Daphne estavam inquietas. Era óbvio que essas duas não deixariam Florence brilhar na frente de Lavínia. Mas, em vez de impedir que elas agissem pelas costas, Florence decidiu lhes dar a chance de atacar. Afinal, ela já estava preparada para lidar com cada um de seus movimentos. No caminho para o banheiro, Rosana lançava olhares furtivos para Florence, como se estivesse calculando algo. Quando finalmente abriu a boca, sua voz carregava um tom de insinuação: — Flor, por que você não me impediu quando eu falei? Florence já sabia que Rosana viria com esse tipo de questionamento, então tinha preparado a resposta com antecedência. Ela segurou a mão de Rosana com uma expressão de falsa preocupação e disse: — Rosana, eu achei que você estava aqui só para entregar o presente. Como eu poderia imaginar que você fosse tentar se destacar? Você nem me avisou! Como eu iria te impedir? — Eu não
Lavínia estava prestes a discutir os detalhes do contrato quando ouviu gritos ao longe. — Fogo! Está pegando fogo! Socorro! Lucian lançou um olhar rápido em direção ao pavilhão e, sem hesitar, virou-se e correu para fora. Lavínia apagou o cigarro com calma e soltou um suspiro divertido: — Faz anos que não acontece nada tão animado na minha propriedade. ... A propriedade de Lavínia ficava próxima a uma montanha, e com o outono trazendo folhas secas que constantemente eram sopradas pelo vento, o cuidado com incêndios era redobrado. Felizmente, o fogo foi controlado rapidamente pelos funcionários da propriedade. No entanto, o pequeno jardim especial sofreu o pior. As camélias, antes tão vibrantes e delicadas, agora não passavam de um amontoado de flores queimadas e irreconhecíveis. Quando Florence ouviu os gritos, ela saiu apressada do banheiro e imediatamente avistou Lucian correndo em direção ao local do incêndio. Antes que ele chegasse ao banheiro, uma figura apareceu