Theo nunca esteve completamente satisfeito com a origem de Daphne. Porém, a imagem pública dela sempre fora impecável, e acompanhá-la ao lado de Lucian ainda era uma escolha melhor do que aquelas mulheres problemáticas de fora.Mas, depois da última coletiva de imprensa, Daphne tinha sido uma decepção.Lucian, como sempre, manteve o semblante inabalável. Sua resposta foi breve e fria, a ponto de ser assustadora.— Hum.A conversa terminou e os dois seguiram juntos para longe dali.Pouco depois, Daphne saiu de trás de uma formação rochosa do jardim. Suas mãos, trêmulas de nervosismo, torciam o tecido da saia com tanta força que parecia prestes a rasgá-lo. Por dentro, ela gritava consigo mesma: “Eu preciso vencer. Eu vou vencer!”…Lyra sugeriu que Florence passasse a noite na mansão, mas Florence recusou.Para ela, não havia nada de bom para recordar na casa da família Avery. Estar ali fazia com que se lembrasse do desprezo de todos na sua vida passada e da sua filha perdida. Por isso
No meio do caminho, Ronaldo recebeu uma ligação de casa. Disseram que Melissa estava com uma crise de reumatismo.Desde que o marido havia falecido, Melissa passava praticamente todos os dias na igreja, rezando. Era sua forma de encontrar conforto, mas o hábito de ajoelhar acabou prejudicando seus joelhos. Nos dias de chuva, as dores eram tão intensas que ela mal conseguia dormir.Florence apontou para a esquina à frente.— Irmão, pode me deixar ali. Eu consigo pegar o metrô sozinha para voltar à faculdade. Só vou precisar pegar emprestado o seu casaco.— Flor… — Ronaldo olhou para ela, um pouco culpado.— Irmão, eu já sou adulta, tenho mais de vinte anos. Tá tudo bem. A Sra. Melissa deve estar sofrendo agora. Volta logo pra ficar com ela.— Tudo bem.Ronaldo estacionou o carro e puxou o casaco que havia colocado sobre os ombros dela, ajustando-o com cuidado. Ele pediu que ela tomasse cuidado e Florence apenas assentiu antes de sair do carro.Ela ficou parada por um momento, observando
Florence passou a mão pelo paletó que acabara de vestir e, ao apertá-lo um pouco, conseguiu espremer água. Mas ela tinha acabado de colocá-lo! Como poderia estar tão molhado?Ela virou o rosto para Lucian e percebeu que o lado esquerdo dele estava completamente encharcado. A camisa branca estava grudada em seu corpo, revelando as linhas perfeitas e atraentes de seus músculos. “O que tinha acontecido?” Ela se perguntou, confusa.No trajeto, Lucian pediu ao motorista que aumentasse o aquecimento do carro. Em seguida, ele bateu duas vezes no painel traseiro, indicando algo ao motorista.O corpo de Florence, que estava gelado, começou a sentir o calor vindo de todas as direções. Até o banco onde ela estava sentada parecia aquecido. Mesmo assim, ela abaixou a cabeça, sem conseguir entender qual era o verdadeiro propósito de Lucian.Depois de rodar por algum tempo, o carro finalmente parou. Florence percebeu, com um nó na garganta, que ele havia a levado de volta ao apartamento onde tudo ti
Florence ficou paralisada por um instante, inevitavelmente corando. O que ela não sabia era que, através da pequena fresta da porta, seu reflexo no espelho podia ser visto com clareza. Seus cabelos longos caíam sobre as costas claras, enquanto seus braços tentavam cobrir o peito. No entanto, seus movimentos desajeitados davam a impressão de que, a qualquer momento, tudo sairia de controle. Lucian apertou o anel em seu polegar, um gesto que parecia conter o turbilhão de pensamentos que passava por sua mente.Florence tentou fechar a porta, mas a força dele a impediu por um instante. Por fim, ela conseguiu empurrá-la e, com o coração acelerado, olhou para as roupas masculinas em suas mãos. Sem alternativa, vestiu a camisa e a calça que ele lhe entregara. Quando saiu do banheiro, encontrou Lucian sentado no sofá, com uma xícara de café na mão. O aroma forte e envolvente preenchia a sala, trazendo uma tranquilidade ilusória. Florence caminhou até ele. Não sabia se era pela temperatu
Depois de falar, Florence seguiu direto para o quarto de hóspedes. Lucian, por sua vez, permaneceu na sala. Ele tragou o cigarro com calma, enquanto servia mais uma xícara de café para si mesmo. Ao dar o primeiro gole, franziu as sobrancelhas. Pegou o pote de grãos de café que estava ao lado e ficou olhando para ele, pensativo. …No meio da noite, Florence acordou com uma crise de tosse. Sua garganta estava seca e irritada, e, quando tentou se levantar, sentiu o quarto girar. Ela se apoiou na parede, caminhando devagar até a cozinha para pegar um pouco de água. Depois de muito esforço, conseguiu beber, mas sua cabeça parecia ainda mais pesada. Ela tentou dar mais alguns passos, mas as pernas fraquejaram. Antes de tocar o chão, sentiu um par de braços firmes segurá-la, levantando-a no ar. — Como você pode ter um corpo tão fraco assim? A voz familiar a fez congelar. Florence, carregando as memórias de sua vida passada, começou a tremer. — Não… Não me toque… Eu errei… Eu err
Florence, finalmente conseguindo respirar, estava coberta de suor frio. Sua voz saiu entrecortada: — Eu… Minha mão… Lucian parou de repente, ofegante. Os músculos de seu pescoço pulsavam visivelmente enquanto ele se apoiava para erguer a mão dela e inspecioná-la. Florence, no entanto, aproveitou o momento para virar-se de repente e se enrolar completamente no cobertor, criando uma barreira entre eles. Lucian ficou parado por um instante, mas não demonstrou irritação. Em vez disso, deitou-se ao lado dela, ainda enrolada no cobertor, e, com um movimento firme, a puxou para mais perto, junto com o tecido. Ele apoiou a cabeça na mão, inclinando-se para que sua voz rouca soasse diretamente no ouvido dela: — Quantas vezes você acha que pode fugir? Florence queria responder, mas seu corpo não permitia. Apenas aquele breve conflito havia drenado o restante de suas forças. Ela ouviu a voz de Lucian parecer cada vez mais distante, até que sua consciência foi engolida pela escuridão
— Lucian? Lucian! — A voz de Daphne ficou cada vez mais próxima do lado de fora. O corpo de Florence ficou tenso, e uma fina camada de suor surgiu em sua testa. Só de imaginar Daphne entrando e vendo os dois naquela situação, ela se sentiu completamente apavorada. Daphne era astuta, dissimulada e sabia manipular qualquer situação. Se ela testemunhasse aquilo, jamais deixaria Florence em paz. E o pior: Lucian sempre a defendia. Ele era incapaz de ir contra Daphne. Diante disso, Florence sentia que não tinha a menor chance. Ela segurou o braço que Lucian usava para explorar seu corpo, tentando detê-lo. Sua voz saiu em um tom urgente e suplicante: — Tio, por favor, pare. Você ama a Daphne. Florence esperava que aquilo fosse suficiente para trazer Lucian de volta à razão. Mas, para sua surpresa, ele não apenas ignorou suas palavras como intensificou seus movimentos. Sua mão deslizou para dentro da roupa dela, e a ponta de seus dedos traçou caminhos que enviaram ondas de arrepio p
Florence apertou os lábios, e, antes que ele pudesse avançar, ela se colocou na ponta dos pés e mordeu o local onde já havia uma marca anterior. Seus dentes cravaram novamente na mesma cicatriz. Lucian não demonstrou sentir dor, mas soltou um leve som de reprovação, como se tivesse sido interrompido. Mesmo com o ferimento recém-curado começando a sangrar novamente, ele parecia indiferente. Só quando Florence deixou de morder e começou a sugar o local, os olhos dele escureceram visivelmente. Ela soltou o pescoço dele, com uma fúria contida, e murmurou: — Tio, acho melhor você pensar em como vai explicar isso para Daphne. Lucian virou a cabeça em direção ao espelho e observou o reflexo. A marca dos dentes agora estava misturada a um leve hematoma. Ele arqueou uma sobrancelha, com um toque de sarcasmo: — Você é um cachorro? Florence desviou o rosto, evitando encará-lo. Seus cílios estavam úmidos, e as pequenas gotas de água penduradas davam a seus olhos uma aparência teimosa e