— Lucian? Lucian! — A voz de Daphne ficou cada vez mais próxima do lado de fora. O corpo de Florence ficou tenso, e uma fina camada de suor surgiu em sua testa. Só de imaginar Daphne entrando e vendo os dois naquela situação, ela se sentiu completamente apavorada. Daphne era astuta, dissimulada e sabia manipular qualquer situação. Se ela testemunhasse aquilo, jamais deixaria Florence em paz. E o pior: Lucian sempre a defendia. Ele era incapaz de ir contra Daphne. Diante disso, Florence sentia que não tinha a menor chance. Ela segurou o braço que Lucian usava para explorar seu corpo, tentando detê-lo. Sua voz saiu em um tom urgente e suplicante: — Tio, por favor, pare. Você ama a Daphne. Florence esperava que aquilo fosse suficiente para trazer Lucian de volta à razão. Mas, para sua surpresa, ele não apenas ignorou suas palavras como intensificou seus movimentos. Sua mão deslizou para dentro da roupa dela, e a ponta de seus dedos traçou caminhos que enviaram ondas de arrepio p
Florence apertou os lábios, e, antes que ele pudesse avançar, ela se colocou na ponta dos pés e mordeu o local onde já havia uma marca anterior. Seus dentes cravaram novamente na mesma cicatriz. Lucian não demonstrou sentir dor, mas soltou um leve som de reprovação, como se tivesse sido interrompido. Mesmo com o ferimento recém-curado começando a sangrar novamente, ele parecia indiferente. Só quando Florence deixou de morder e começou a sugar o local, os olhos dele escureceram visivelmente. Ela soltou o pescoço dele, com uma fúria contida, e murmurou: — Tio, acho melhor você pensar em como vai explicar isso para Daphne. Lucian virou a cabeça em direção ao espelho e observou o reflexo. A marca dos dentes agora estava misturada a um leve hematoma. Ele arqueou uma sobrancelha, com um toque de sarcasmo: — Você é um cachorro? Florence desviou o rosto, evitando encará-lo. Seus cílios estavam úmidos, e as pequenas gotas de água penduradas davam a seus olhos uma aparência teimosa e
— Lucian, seu pescoço... — Daphne finalmente não conseguiu se segurar e perguntou, a voz carregada de expectativa. Ao ouvir isso, Florence sentiu um interesse repentino. Ela queria muito ver como Lucian reagiria sendo questionado pela mulher que ele tanto dizia amar. Florence espiou pela fresta da porta e, para sua surpresa, seus olhos foram diretamente capturados por um par de olhos negros e profundos, carregados de algo que parecia perigoso e invasivo. Lucian a encarava, mas não parecia nem um pouco desconcertado. Ele deslizou os dedos lentamente pelo hematoma no pescoço e respondeu, com uma calma quase provocativa: — Foi uma batida. Florence, nervosa, rapidamente fechou a porta. Encostada nela, tentou recuperar o fôlego, o coração acelerado. Do lado de fora, Daphne ficou chocada. Era a primeira vez que Lucian lhe respondia de forma tão indiferente. — Algum problema? — Lucian perguntou, com os olhos semicerrados, enquanto seus cabelos levemente bagunçados caíam sobre a te
Florence mal havia retornado à escola quando recebeu uma mensagem do coordenador pedindo que entregasse o design da competição. Sem escolha, ela foi direto para a sala dele. Para sua surpresa, além dos outros participantes de diferentes turmas, Daphne também estava lá. Cada ano deveria ter apenas um representante na competição, mas a turma deles, prestes a se formar, tinha dois. Tudo graças à influência de Lucian, que sempre conseguia o que queria. Florence caminhou até a frente da sala, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, o coordenador já começou a repreendê-la: — Florence, só falta você entregar o projeto. Pare de atrasar a equipe! A Daphne foi a primeira a entregar o dela. Daphne esboçou um sorriso humilde, como se não tivesse nada a ver com o comentário. Florence conhecia bem as táticas de Daphne. Se ela tentasse argumentar agora, Daphne certamente faria um show, bancando a vítima e atraindo a simpatia de todos. Florence não estava disposta a participar desse teat
No caminho de volta para o alojamento, Florence foi interceptada por alguém. Cláudio estava parado à sua frente, mantendo a postura sempre educada: — Srta. Florence, o Sr. Lucian está esperando por você no carro. Ele pediu para que você fosse fazer a revisão da sua mão. Florence soltou uma risada fria: — Minha mão está estragada, não é? Isso é perfeito. Assim não preciso incomodar o Sr. Lucian com tanto esforço e posso sair da competição de uma vez. Cláudio hesitou, parecendo confuso, mas respondeu em um tom baixo: — Srta. Florence, o Sr. Lucian... — O Sr. Lucian deveria passar mais tempo com a namorada dele. Não quero atrapalhar o relacionamento perfeito deles. Tenho outras coisas para fazer. Florence desviou dele e tentou seguir em frente, mas Cláudio foi rápido e bloqueou seu caminho novamente. — Srta. Florence, o Sr. Lucian está esperando. O tom de Cláudio era firme, com um claro aviso embutido. Florence percebeu que, enquanto não fosse ao carro, ele não a deixa
Lucian caminhou até a janela, abriu-a e jogou um cigarro para Fernando, enquanto acendia o próprio com uma mão, protegendo a chama do isqueiro. Fernando segurou o cigarro, mas não acendeu. Ele observou Lucian por entre a fumaça, com uma expressão intrigada: — Quem é essa mulher, afinal? Para você acompanhá-la pessoalmente? Quando a Daphne se machucou, você nem passou uma noite com ela. Naquela manhã, vi você saindo de outro quarto no hospital… Não era o quarto dela, era? — Era. — Respondeu Lucian, direto. Fernando quase perdeu o equilíbrio com a resposta. Ele se apressou em ficar cara a cara com Lucian, e foi então que notou algo no colarinho dele. Ele precisou olhar duas vezes para acreditar no que via. Havia marcas de mordidas e beijos no pescoço de Lucian. Por um momento, Fernando ficou paralisado. Era impossível. Lucian com marcas de beijo? Ele conhecia Lucian há anos. Fazia três anos que ele estava com Daphne, e, durante todo esse tempo, nunca o tinha visto sequer segu
Daphne olhou para Florence com os olhos cheios de lágrimas: — Desculpa, Flor. Você pode ir primeiro. Eu aguento. Ela mordeu o lábio com força, enquanto as lágrimas escorriam sem parar, caindo uma após a outra, e seus olhos se voltavam de tempos em tempos para Lucian, em busca de atenção. Florence apertou os lábios e deu um passo à frente. No entanto, uma mão pesada pousou em seu ombro, impedindo-a de continuar. O anel vermelho no dedo de Lucian parecia brilhar como sangue, exalando uma aura perigosa. — Daphne entra primeiro. — Disse ele, frio, sem qualquer hesitação. Florence virou-se bruscamente, encarando Lucian com incredulidade. Daphne, com a voz suave e trêmula, lançou-lhe um olhar cheio de emoção e disse: — Obrigada, Lucian. Eu... Eu não consigo me mexer direito agora. Você pode me ajudar? Lucian não respondeu. Ele simplesmente avançou, pegou Daphne nos braços e a levou para dentro da sala de exames. Florence ficou parada, assistindo a porta se fechar lentamente,
— Que tal vocês apertarem minhas bochechas? — Sugeriu Florence, com as bochechas infladas enquanto mastigava um pedaço de costela. Uma das colegas quase estendeu a mão, mas foi rapidamente puxada por outra, que a repreendeu. — Florence, obrigada por ter vindo. Nosso alojamento nunca conseguia reunir todo mundo. Sempre ficávamos com inveja de como outros grupos eram unidos. — Pois é. E você sempre estava com a Rosana... Embora ela... Ai! — Nada disso. Vamos comer. — A colega que tentou remediar a situação riu, mudando de assunto. Florence olhou para elas, sorrindo: — Vocês podem falar o que quiserem. Eu já sei de tudo. Na verdade, sou eu que deveria agradecer. — Agradecer? Por quê? — Perguntou a colega mais ingênua, confusa. — Porque, depois de tanto tempo acreditando na pessoa errada, vocês ainda me chamaram para comer com vocês. De verdade, obrigada. Florence também agradecia pelo que elas fizeram por ela em sua vida passada. — O importante é que você enxergou a ve