Lucian caminhou até a janela, abriu-a e jogou um cigarro para Fernando, enquanto acendia o próprio com uma mão, protegendo a chama do isqueiro. Fernando segurou o cigarro, mas não acendeu. Ele observou Lucian por entre a fumaça, com uma expressão intrigada: — Quem é essa mulher, afinal? Para você acompanhá-la pessoalmente? Quando a Daphne se machucou, você nem passou uma noite com ela. Naquela manhã, vi você saindo de outro quarto no hospital… Não era o quarto dela, era? — Era. — Respondeu Lucian, direto. Fernando quase perdeu o equilíbrio com a resposta. Ele se apressou em ficar cara a cara com Lucian, e foi então que notou algo no colarinho dele. Ele precisou olhar duas vezes para acreditar no que via. Havia marcas de mordidas e beijos no pescoço de Lucian. Por um momento, Fernando ficou paralisado. Era impossível. Lucian com marcas de beijo? Ele conhecia Lucian há anos. Fazia três anos que ele estava com Daphne, e, durante todo esse tempo, nunca o tinha visto sequer segu
Daphne olhou para Florence com os olhos cheios de lágrimas: — Desculpa, Flor. Você pode ir primeiro. Eu aguento. Ela mordeu o lábio com força, enquanto as lágrimas escorriam sem parar, caindo uma após a outra, e seus olhos se voltavam de tempos em tempos para Lucian, em busca de atenção. Florence apertou os lábios e deu um passo à frente. No entanto, uma mão pesada pousou em seu ombro, impedindo-a de continuar. O anel vermelho no dedo de Lucian parecia brilhar como sangue, exalando uma aura perigosa. — Daphne entra primeiro. — Disse ele, frio, sem qualquer hesitação. Florence virou-se bruscamente, encarando Lucian com incredulidade. Daphne, com a voz suave e trêmula, lançou-lhe um olhar cheio de emoção e disse: — Obrigada, Lucian. Eu... Eu não consigo me mexer direito agora. Você pode me ajudar? Lucian não respondeu. Ele simplesmente avançou, pegou Daphne nos braços e a levou para dentro da sala de exames. Florence ficou parada, assistindo a porta se fechar lentamente,
— Que tal vocês apertarem minhas bochechas? — Sugeriu Florence, com as bochechas infladas enquanto mastigava um pedaço de costela. Uma das colegas quase estendeu a mão, mas foi rapidamente puxada por outra, que a repreendeu. — Florence, obrigada por ter vindo. Nosso alojamento nunca conseguia reunir todo mundo. Sempre ficávamos com inveja de como outros grupos eram unidos. — Pois é. E você sempre estava com a Rosana... Embora ela... Ai! — Nada disso. Vamos comer. — A colega que tentou remediar a situação riu, mudando de assunto. Florence olhou para elas, sorrindo: — Vocês podem falar o que quiserem. Eu já sei de tudo. Na verdade, sou eu que deveria agradecer. — Agradecer? Por quê? — Perguntou a colega mais ingênua, confusa. — Porque, depois de tanto tempo acreditando na pessoa errada, vocês ainda me chamaram para comer com vocês. De verdade, obrigada. Florence também agradecia pelo que elas fizeram por ela em sua vida passada. — O importante é que você enxergou a ve
Florence olhou para a última colega de quarto, que, nervosa, balançou as mãos e gaguejou: — Eu... Eu não preciso voltar pra casa também, né? Não é possível! Florence, com a cabeça rodando de leve por causa da bebida, respondeu: — Faz o que quiser. E então, com um movimento brusco, Florence deixou a cabeça cair sobre a mesa. Estava definitivamente bêbada. As três colegas caíram na risada. — Quem diria que a Florence, além de linda, podia ser tão fofa? — Se não fosse a língua venenosa da Rosana espalhando coisa ruim por aí, como que a Daphne teria se tornado a "rainha da escola"? Isso era pra ser da Florence. — Ei, já são oito e meia! Melhor a gente voltar pro alojamento. As três levantaram Florence com cuidado, rindo e conversando animadas enquanto caminhavam de volta. Florence apoiava-se nas colegas, sentindo-se finalmente em paz. Não estava tão bêbada a ponto de perder a consciência, mas pela primeira vez em muito tempo, sentia algo que poderia chamar de segurança.
Florence segurou a mão de Rosana com firmeza e disse: — É claro que eu te perdoo. Eu sei que você não teve escolha. Eu confio em você. Ela sorria com aquele leve cheiro de álcool no ar, um sorriso caloroso, tão genuíno que era impossível duvidar. Rosana assentiu vigorosamente, mas, por dentro, deu um sorriso frio e debochado: “Que idiota. Ainda lembra dessas pequenas gentilezas? Merece ser enganada.” Rosana rapidamente mudou sua expressão para algo mais preocupado e disse: — Flor, ouvi dizer que você vai desistir da competição? Olha, não tem problema. A gente pode procurar um emprego tranquilo. Não precisa ficar se desgastando à toa. — Rosana, como minha melhor amiga, você não deveria me incentivar? — Florence perguntou, com uma leve provocação no tom. — Eu… Eu só estou preocupada que você possa estar se sobrecarregando. Foi só por isso que comentei. Não tem outro motivo. — Rosana respondeu, visivelmente desconfortável. — Entendi. Já que você tocou no assunto da competi
Lyra e Bryan nunca foram do tipo que escondem as coisas. Florence sabia que, se contasse a data da competição, eles provavelmente fariam questão de aparecer e criar uma cena, então preferiu não dizer nada. Isso deixava apenas uma possibilidade: Ronaldo. Na noite anterior, ele tinha ligado desejando boa sorte, mas Florence não esperava que ele fosse preparar uma surpresa tão grandiosa logo no dia seguinte. As colegas de quarto, animadas, abriram o pacote sem pensar duas vezes. Dentro, encontraram um vestido longo de seda cinza-arroxeado. O decote era adornado por pérolas costuradas à mão, em tamanhos variados, que refletiam a luz de forma suave e delicada. A cintura marcava perfeitamente, e, a partir dali, desciam duas camadas de seda fina, uma mais escura e outra mais clara, criando um efeito translúcido e quase etéreo. — Uau. Esse vestido brilha até com a iluminação tosca do nosso quarto. Imagina no palco, então. Vai parecer que você está flutuando! — Comentou uma das colegas,
Rosana observou Florence pegar o leite e, sem conseguir esconder a ansiedade, ergueu a sua garrafinha para brindar.— Saúde!No momento em que Rosana levou o leite à boca, Florence, com um movimento rápido, pegou a garrafinha da mão dela.— Esse leite tem vários sabores, né? Deixa eu ver qual eu gosto mais. Ah! Rosana, você comprou o mesmo sabor que o meu?Por um instante, Rosana ficou visivelmente nervosa. Seus olhos fixaram-se na mão de Florence, enquanto forçava um sorriso.— Nós temos gostos parecidos, então comprei o mesmo pra gente.Sem esperar, Rosana agarrou a garrafinha da mão esquerda de Florence e tomou um longo gole, como se estivesse tentando impedir qualquer troca de garrafinhas.Florence também tomou um gole do leite que tinha em mãos, mantendo a expressão calma.— Obrigada pela gentileza.Rosana observou atentamente Florence beber o leite com o canudo, e, ao ver o líquido desaparecer, abriu um sorriso radiante.— Não precisa agradecer. Fico feliz que você tenha gostado.
Todos voltaram os olhos para o anel em exibição sobre o pedestal. Era evidente que, para destacar a enorme pedra de rubi no centro da flor, o design havia sido exagerado, perdendo a harmonia natural que as outras peças, como o colar e os brincos, possuíam. O rosto de Daphne ficou tenso por um instante. Ela segurou o microfone com força, mas se esforçou para manter a expressão elegante e educada. — Agradeço muito pelo feedback, professora. Vou continuar me dedicando para melhorar. Valentina parecia satisfeita com a postura de Daphne e passou a observá-la com ainda mais atenção. — Daphne, com o nível do seu design, você superou muito as minhas expectativas para esta competição. Gostaria de saber se há algum participante em especial com quem você gostaria de competir. Com a pergunta, o público imediatamente se animou. Aquilo era muito mais interessante do que simplesmente assistir às apresentações uma por uma. Daphne fez uma pausa, como se estivesse pensando, e então sorriu de