Depois de falar, Florence seguiu direto para o quarto de hóspedes. Lucian, por sua vez, permaneceu na sala. Ele tragou o cigarro com calma, enquanto servia mais uma xícara de café para si mesmo. Ao dar o primeiro gole, franziu as sobrancelhas. Pegou o pote de grãos de café que estava ao lado e ficou olhando para ele, pensativo. …No meio da noite, Florence acordou com uma crise de tosse. Sua garganta estava seca e irritada, e, quando tentou se levantar, sentiu o quarto girar. Ela se apoiou na parede, caminhando devagar até a cozinha para pegar um pouco de água. Depois de muito esforço, conseguiu beber, mas sua cabeça parecia ainda mais pesada. Ela tentou dar mais alguns passos, mas as pernas fraquejaram. Antes de tocar o chão, sentiu um par de braços firmes segurá-la, levantando-a no ar. — Como você pode ter um corpo tão fraco assim? A voz familiar a fez congelar. Florence, carregando as memórias de sua vida passada, começou a tremer. — Não… Não me toque… Eu errei… Eu err
Florence, finalmente conseguindo respirar, estava coberta de suor frio. Sua voz saiu entrecortada: — Eu… Minha mão… Lucian parou de repente, ofegante. Os músculos de seu pescoço pulsavam visivelmente enquanto ele se apoiava para erguer a mão dela e inspecioná-la. Florence, no entanto, aproveitou o momento para virar-se de repente e se enrolar completamente no cobertor, criando uma barreira entre eles. Lucian ficou parado por um instante, mas não demonstrou irritação. Em vez disso, deitou-se ao lado dela, ainda enrolada no cobertor, e, com um movimento firme, a puxou para mais perto, junto com o tecido. Ele apoiou a cabeça na mão, inclinando-se para que sua voz rouca soasse diretamente no ouvido dela: — Quantas vezes você acha que pode fugir? Florence queria responder, mas seu corpo não permitia. Apenas aquele breve conflito havia drenado o restante de suas forças. Ela ouviu a voz de Lucian parecer cada vez mais distante, até que sua consciência foi engolida pela escuridão
— Lucian? Lucian! — A voz de Daphne ficou cada vez mais próxima do lado de fora. O corpo de Florence ficou tenso, e uma fina camada de suor surgiu em sua testa. Só de imaginar Daphne entrando e vendo os dois naquela situação, ela se sentiu completamente apavorada. Daphne era astuta, dissimulada e sabia manipular qualquer situação. Se ela testemunhasse aquilo, jamais deixaria Florence em paz. E o pior: Lucian sempre a defendia. Ele era incapaz de ir contra Daphne. Diante disso, Florence sentia que não tinha a menor chance. Ela segurou o braço que Lucian usava para explorar seu corpo, tentando detê-lo. Sua voz saiu em um tom urgente e suplicante: — Tio, por favor, pare. Você ama a Daphne. Florence esperava que aquilo fosse suficiente para trazer Lucian de volta à razão. Mas, para sua surpresa, ele não apenas ignorou suas palavras como intensificou seus movimentos. Sua mão deslizou para dentro da roupa dela, e a ponta de seus dedos traçou caminhos que enviaram ondas de arrepio p
Florence apertou os lábios, e, antes que ele pudesse avançar, ela se colocou na ponta dos pés e mordeu o local onde já havia uma marca anterior. Seus dentes cravaram novamente na mesma cicatriz. Lucian não demonstrou sentir dor, mas soltou um leve som de reprovação, como se tivesse sido interrompido. Mesmo com o ferimento recém-curado começando a sangrar novamente, ele parecia indiferente. Só quando Florence deixou de morder e começou a sugar o local, os olhos dele escureceram visivelmente. Ela soltou o pescoço dele, com uma fúria contida, e murmurou: — Tio, acho melhor você pensar em como vai explicar isso para Daphne. Lucian virou a cabeça em direção ao espelho e observou o reflexo. A marca dos dentes agora estava misturada a um leve hematoma. Ele arqueou uma sobrancelha, com um toque de sarcasmo: — Você é um cachorro? Florence desviou o rosto, evitando encará-lo. Seus cílios estavam úmidos, e as pequenas gotas de água penduradas davam a seus olhos uma aparência teimosa e
— Lucian, seu pescoço... — Daphne finalmente não conseguiu se segurar e perguntou, a voz carregada de expectativa. Ao ouvir isso, Florence sentiu um interesse repentino. Ela queria muito ver como Lucian reagiria sendo questionado pela mulher que ele tanto dizia amar. Florence espiou pela fresta da porta e, para sua surpresa, seus olhos foram diretamente capturados por um par de olhos negros e profundos, carregados de algo que parecia perigoso e invasivo. Lucian a encarava, mas não parecia nem um pouco desconcertado. Ele deslizou os dedos lentamente pelo hematoma no pescoço e respondeu, com uma calma quase provocativa: — Foi uma batida. Florence, nervosa, rapidamente fechou a porta. Encostada nela, tentou recuperar o fôlego, o coração acelerado. Do lado de fora, Daphne ficou chocada. Era a primeira vez que Lucian lhe respondia de forma tão indiferente. — Algum problema? — Lucian perguntou, com os olhos semicerrados, enquanto seus cabelos levemente bagunçados caíam sobre a te
Florence mal havia retornado à escola quando recebeu uma mensagem do coordenador pedindo que entregasse o design da competição. Sem escolha, ela foi direto para a sala dele. Para sua surpresa, além dos outros participantes de diferentes turmas, Daphne também estava lá. Cada ano deveria ter apenas um representante na competição, mas a turma deles, prestes a se formar, tinha dois. Tudo graças à influência de Lucian, que sempre conseguia o que queria. Florence caminhou até a frente da sala, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, o coordenador já começou a repreendê-la: — Florence, só falta você entregar o projeto. Pare de atrasar a equipe! A Daphne foi a primeira a entregar o dela. Daphne esboçou um sorriso humilde, como se não tivesse nada a ver com o comentário. Florence conhecia bem as táticas de Daphne. Se ela tentasse argumentar agora, Daphne certamente faria um show, bancando a vítima e atraindo a simpatia de todos. Florence não estava disposta a participar desse teat
No caminho de volta para o alojamento, Florence foi interceptada por alguém. Cláudio estava parado à sua frente, mantendo a postura sempre educada: — Srta. Florence, o Sr. Lucian está esperando por você no carro. Ele pediu para que você fosse fazer a revisão da sua mão. Florence soltou uma risada fria: — Minha mão está estragada, não é? Isso é perfeito. Assim não preciso incomodar o Sr. Lucian com tanto esforço e posso sair da competição de uma vez. Cláudio hesitou, parecendo confuso, mas respondeu em um tom baixo: — Srta. Florence, o Sr. Lucian... — O Sr. Lucian deveria passar mais tempo com a namorada dele. Não quero atrapalhar o relacionamento perfeito deles. Tenho outras coisas para fazer. Florence desviou dele e tentou seguir em frente, mas Cláudio foi rápido e bloqueou seu caminho novamente. — Srta. Florence, o Sr. Lucian está esperando. O tom de Cláudio era firme, com um claro aviso embutido. Florence percebeu que, enquanto não fosse ao carro, ele não a deixa
Lucian caminhou até a janela, abriu-a e jogou um cigarro para Fernando, enquanto acendia o próprio com uma mão, protegendo a chama do isqueiro. Fernando segurou o cigarro, mas não acendeu. Ele observou Lucian por entre a fumaça, com uma expressão intrigada: — Quem é essa mulher, afinal? Para você acompanhá-la pessoalmente? Quando a Daphne se machucou, você nem passou uma noite com ela. Naquela manhã, vi você saindo de outro quarto no hospital… Não era o quarto dela, era? — Era. — Respondeu Lucian, direto. Fernando quase perdeu o equilíbrio com a resposta. Ele se apressou em ficar cara a cara com Lucian, e foi então que notou algo no colarinho dele. Ele precisou olhar duas vezes para acreditar no que via. Havia marcas de mordidas e beijos no pescoço de Lucian. Por um momento, Fernando ficou paralisado. Era impossível. Lucian com marcas de beijo? Ele conhecia Lucian há anos. Fazia três anos que ele estava com Daphne, e, durante todo esse tempo, nunca o tinha visto sequer segu