PAISANA.
— Dave Dobrowolski — anunciou à ninguém e como um estranho no ninho, puxou o lençol para verificar tudo o que um dia fora uma face comum.
— Você não tem autorização para estar aqui — rompeu o silêncio e por estar abaixada, levantou — Além do mais: Daniel Kubisz.
Hanna fechou a gaveta e o mandou sentar próximo à uma das macas de metal. Se prestasse atenção, poderia imaginar todos os corpos que ali haviam passado, todo o sangue que escorreu e toda a putrefação. O cheiro esguio de morte e podridão.
— Apesar da face desconfigurada e as digitais totalmente retiradas — então ela retirou um arquivo de fotos e os espalhou sobre a maca de metal — Conseguimos a identidade graças às arca dentária. Esse é na verdade, Daniel Kubisz residente em u
O VIAJANTE.Não era o fim do mundo, mas toda a extensão do céu mantinha um tom sólido de ardósia misturado à escuridão que as nuvens carregadas traziam. O mundo estava se transformando para chegada de uma nova frente fria de fevereiroe os habitantes estavam ocupados com festivais.A grande praça principal havia se tornado um ponto conhecido por cada turista durante os decênios que seguiam e a cada nova Lua os festivais se tornavam maiores. Era um grande amontoado de barracas bem separadas por cores onde talvez um milhar de pessoas comiam sopas e espetos de carneiro, onde o cheiro constante de Erva Vermelha flutuava por cada narina desatenta.Não houveram canções ou apresentações, apenas uma música distante demais para ser de verdade e o murmúrios de tantas almas à falar sobre tudo. Naquela ocasião vestia um pes
HENRY.Não era um bom começo de manhã, mas o tom de vermelho misturado ao laranja era uma lembrança comum. Naquela parte do mundo, o Sol brilhava e o céu era aberto deixando todos os tons de azul claro aparecendo tão bem. Não era verão.As ruas eram iluminadas por placas decorativas brilhantes, o asfalto era sempre renovado e a neve ia se espalhando gradualmente, sumindo em outras ocasiões. Enquanto olhava para cima, sempre para cima, conseguia vislumbrar parte do futuro.— Porque depois que as pessoas morrem, elas viram estrelas — havia lhe dito certa vez.“Quando as pessoas morrem, elas morrem”, quis dizer, mas nunca o diria. Não naquela ocasião.Então estava acima do mundo em um dos castelos mais altos e conservados de todo o país. Observavam as aves voando acima de todos, as sequoias mantinha seu tom de marrom escu
NADIA.Estava deitada acima do carpete duplamente forrado, os olhos eram fixos e o coração batia devagar, como se estivesse pronto para entregar as pontas.— Você tem que ter um bom motivo para estar largada no meio da sala.— Eles negaram — ainda com o olhar tão fixo no vazio, Nadia sentiu os passos se aproximando — “Não há ligação forte o suficiente com Pássaro à dois Corações, lamento”, foi o que Rybarski me disse. Acho que estão mais preocupados com a menina assassina.— Você realmente acha que ele poderia boicotar como antes?— seus cabelos foram presos em um coque apressado.Sentou sentindo a coluna estalar pelo esforço. Nadia suspirou.— Aconteceu antes, não foi? Muito antes dele ser o dono da divisão especial. Agora são nos termos que el
DAMA DAS FLORES.— Você poderia me contar como o dia está lá fora? Se está chovendo? Como o posicionamento das nuvens influenciaram na claridade do Sol?O homem limitou-se a encará-la em seus grandes olhos negros e parcialmente cegos pela diabetes. Recolheu sua bolsa azulada e entregou a grande capa de inverno para ela vestir em silêncio.— Não temos tempo para conversas hoje, você entende? Temos que agir e agora.Mas agirera uma palavra estranha para Liara. Passara metade da vida dentro daquele quarto, correndo em cinco metros quadrados, pulando da cama para o chão, tentando nadar em uma banheira pequena o bastante para mal aguenta-lá em um banho. Ele havia combinado os detalhes consigo há sete dias, quando entregou um livro onde escondeu instruções de como agir, de como arrumar suas coisas sem ninguém saber. Liara te
PERDIDA NA FLORESTA.Esteve ali em sua fragilidade com o corpo tão transparente como uma grande pedra de gelo. Ela havia sido encontrada na floresta, despida e observada por olhos grandes e negros como uma noite de terror. Havia sido carregada pelos corredores largos e vazios, arrastada contra a vontade para um mundo novo e miserável. Ali todas as pessoas eram doentes e brancas, exceto uma. Todas as pessoas fingiam que nada acontecia durante as noites de terror, que tudo era bom enquanto estivessem debaixo de um manto quente.Sentiu a dor crescendo para o pulso esquerdo onde todo seu peso fora apoiado durante muito tempo. Cat sentia um buraco onde estivera o coração, um ermo tão maior agora do que jamais fora um dia. Nem o sentia bater tão bem, nem mesmo nos dias de desespero. Seu corpo estava mole como geleia e toda sua força para pensar estava esvaindo, era como se aquela sala tão escura e esque
MAGNUS. A noite era escura e preenchida por terror noturno. Se encarasse ao redor, poderia sentir todo o mundo se tornando cada vez menos branco, ganhando um tom levemente esverdeado e marrom. A troca de estação estava se tornando real.Magnus sentia os pés tremerem pelo frio constante, os dentes rangendo de vez em quando, mas não o impediu. Continuou caminhando e em seu sonho de lobo, ele era rápido. Percorreu o vale das colinas e a floresta de inverno, observou a lua e chamou por seus irmãos, mas não havia ninguém para responder. Nunca houve.Poderia se lembrar perfeitamente de todas as ocasiões em que brincou junto a alguém da sua idade, de todas as vezes que subiu na casa da árvore e acabou brincando de boneca com Teresa. Magdalena o batia em todas as ocasiões, dizia que era coisa de garota. Ele não se importava. Gostava de ter alguém para brin
DEXTRA.Em algumas ocasiões sentia como se pudesse voar para longe de seu corpo e observa-lo de cima, onde tudo parecia tão mais simples. Em algumas outras, sentia como se tivesse morrido e fosse seu espírito a vagar pelo mundo, agindo como se ainda estivesse vivo, enganando cada ser humano ao redor. Era um pensamento terrível.Seus olhos estavam perdidos sobre o teto levemente manchado de uma tinta mal passada, tão antiga quanto a própria casa que residia. Os braços estavam esticados e a cabeça reta, como o corpo em um caixão de molas e almofadas confortáveis. Seu manto poderia ser a condenação.Dextra sentia como se pudesse voltar no tempo e impedir seu nascimento, mas o que seria de suas doces meninas? O corpo parecia enjoado.Sempre que fechava os olhos, conseguia ver onde um dia estivera, acima de tudo e ao mesmo tempo tão abaixo. Cansada e per
A GAROTA NO PONTO DE ÔNIBUS.O mundo era escuro e cheio de terror noturno. Quando olhava para baixo, onde toda a cidade residia tão pequena sob seus pés, ele sentia-se novo outra vez. Como se não houvesse passado tanto tempo preso dentro de uma casca viva parcialmente. Como se fosse liberto pelo desejo. Mesmo tão de longe ele conseguia farejar o odor de homem, o cheiro tênue de chá vermelho e a lavanda. Era sempre lavanda, como sendo mundo fosse um banheiro de bar.Estava cansado. Sentia o peso sobre as pernas, mas mesmo assim o arrastou até onde pôde, sua força estava esvaindo e a fome começava a surgir em um salivar incomum. Diante da presa, ele rasgou parte de sua carne, sentiu o gosto metálico, porém frio, a carne estava apodrecendo sobre seus dentes e o gosto era terrível, mas ainda sim, empurrou tudo para dentro. Não havia uma boa colheita em ano