Collin*Quando acordou no dia seguinte, a neve ainda caía com força, mas a tempestade havia cessado. A camiseta de Liam ainda envolvia seu corpo, aquecendo mais do que apenas sua pele — aquecendo uma parte do seu peito que ela fingia ignorar. Collin puxou a gola até o rosto, inalando fundo. O cheiro dele. Quente, forte... masculino. Fechou os olhos por um segundo, sentindo-se estúpida por desejar tanto algo que só lhe causava dor.Ela se levantou lentamente, os olhos percorrendo o interior gélido da caverna. Mal teve tempo de pensar quando Liam surgiu pela entrada, seus cabelos molhados de neve, o peito subindo e descendo com a respiração acelerada. Ele sacudiu os fios, a neve caindo em flocos pesados no chão de pedra.— Onde estava? — perguntou em alerta.— Fui verificar nossa localização. A nevasca apagou todos os rastros. Não tem cheiro, não tem pegada. Colen se apagou da floresta — respondeu ele, recostando-se contra a parede, os olhos a avaliando de cima a baixo.Collin caminhou
ATENÇÃO esse capítulo contém cenas que podem despertar gatilhos em algumas pessoas!! Collin*Ela corria atrás da irmã, o frio cortando a pele como lâminas. As casas destruídas pareciam fantasmas daquilo que um dia foi lar. E no meio daquele cenário apocalíptico, Collin sentiu aquela dor parir seus estômago novamente. Parou por um instante, arfando. A dor repentina atravessou seu ventre como uma punhalada. Seu corpo tremeu.Virou-se instintivamente.Liam.Ela o viu ao longe, cercado por seus lupinos, mergulhados em combate. Eles tinham conseguido alcançá-la. Mas isso não bastava.Ela se recompôs e continuou a perseguir Colen, a irmã amaldiçoada, o coração batendo como um tambor desesperado. O som do choro do bebê, que antes a guiava, cessou de forma abrupta.— COLEN! — gritou, a voz ecoando entre as paredes quebradas.Nada.— Aparece, sua covarde de merda!O silêncio era cortado apenas pelos uivos e os gritos de batalha.— Sua
Collin*Antes mesmo que aqueles infelizes pudessem ter qualquer reação, Damon saltou contra eles como uma fera descontrolada. O som da carne rasgando, ossos sendo esmagados e gritos de agonia encheram o ar. Ele matou um de cada vez. Da forma mais brutal possível. Seus olhos ardiam em fúria, e sua boca estava suja de sangue.Colen, como o covarde que era, fugiu pelas portas do fundo.— Damon... Damon, me desamarra — Collin arfou, a voz falha, desesperada.O lupino se voltou para ela com rapidez, e num instante, as cordas que prendiam seus pulsos estavam soltas. Ela não perdeu tempo. Seus joelhos quase cederam quando correu até Liam. Ele estava caído no chão, com os olhos entreabertos, o corpo imóvel. Collin caiu de joelhos ao seu lado, o coração apertado como se estivesse sendo esmagado por dentro. Ela não conseguiu conter o choro. Aquilo era mais do que dor — era desespero.Ela tocou seu rosto com cuidado, com as mãos tremendo, tentando secar aquelas lágrimas que pareciam não parar d
Collin e Colen nasceram na mesma tarde fria de inverno. As duas tinham cabelos vermelhos esvoaçantes e rostos belos, mas os olhos as diferenciavam. Colen herdara dois pares de olhos verdes reluzentes, enquanto Collin tinha um verde e outro amarelo, algo que sempre a fizera sentir-se... errada. Apesar disso, Collin amava a irmã, vendo nela uma heroína e protetora, mesmo que a recíproca nem sempre fosse verdadeira.A vida na aldeia montanhosa de Rovina era dura, mas para Collin parecia ainda mais cruel. Seus pais claramente preferiam Colen, enchendo-a de elogios e mimos, enquanto Collin recebia apenas trabalho e indiferença. "Ande mais rápido, Collin!", a mãe gritava, ignorando o fato de que a jovem carregava dois pesados baldes de maçãs enquanto Colen segurava apenas um quase vazio.À noite, Collin só jantava depois de regar a horta, e a comida já estava fria e sem gosto. Quando finalmente se deitava, exausta, o cheiro de suor impregnava seu travesseiro, pois não tinha energia sequer p
Collin não sabia quando havia dormido ou desmaiado nos ombros do líder, apenas despertou com um sobressalto horas depois, seu corpo frio e dolorido. A floresta ao seu redor era silenciosa, exceto pelo crepitar de uma fogueira próxima. Um casaco pesado cobria seus ombros, mas a sensação de desconforto permanecia. Tentando manter a calma, ela ergueu a cabeça devagar, observando os homens ao redor. Alguns dormiam, outros permaneciam em vigília perto do fogo. Seus olhos procuraram instintivamente pelo líder, mas ele estava ausente.Seu coração martelava. Se eu conseguir fugir agora, posso escapar desse pesadelo.— Está com fome? — uma voz masculina quebrou o silêncio.Collin congelou, não ousando responder.— Eu sei que está acordada — insistiu a voz, um tom de diversão mesclado à firmeza.Relutante, ela abriu os olhos, encontrando o homem negro de cabelos grisalhos sentado próximo. Ele segurava um prato com um pedaço de carne assada.— Sou Damon Stons — apresentou-se. — Você deveria come
Quando chegaram ao acampamento, o alfa convocou os demais para informar que passariam a noite ali. Precisavam descansar antes de retomar a viagem pela amanhã. Collin estava sentada sob uma árvore, próxima a fogueira, mas ainda afastada dos outros. Ela tentava manter-se invisível, mas logo notou a aproximação do alfa. Ele caminhava com passos decididos, os olhos fixos nela. Quando parou á sua frente, agachou-se sem esforço e lhe estendeu um prato de comida. — Damon disse que você não comeu. — não quero nada. — ela virou o rosto irritada e frustada. O movimento dele foi imediato. A mão grande segurou seu queixo, obrigadando-a encará-lo. — eu não pedi para que você comesse. Eu ordenei. — eu não sou sua escrava para receber ordens! — não, você não é minha escrava. — a voz dele era fria, cortante. Os olhos verdes brilhavam intensos, carregados de algo que a fez engolir em seco. — mas você é minha. E fará o que eu mandar. Collin tentou se mover, ele a manteve presa sob seu olhar. —
Collin, sem fôlego, colocou a mão trêmula sobre o ferimento em sua perna. O alfa se aproximou rapidamente, a pegou nos braços e começou a caminhar de volta em direção ao acampamento. A dor em sua perna era intensa, queimando e ardendo como fogo.— Está ardendo muito... — ela sussurrou, a voz tremida. Ele apenas franziu a testa e apertou o maxilar, seu olhar fixo no horizonte, como se a dor dela fosse um peso insuportável.— Eu vou morrer? — A pergunta saiu com um tom de desespero, mas Collin não sabia exatamente o que temia mais: a dor ou o fato de que o que estava acontecendo com ela era algo desconhecido. Na sua aldeia, os lupinos eram meros rumores, algo distante, e as histórias sobre os vampiros eram evitadas, escondidas em sussurros. Ela sabia o suficiente para entender que, se estivesse sendo atacada por uma dessas criaturas, o tempo dela estava se esgotando. Mas ele não respondeu, e isso a fez sentir um nó apertado no peito. Aquilo não era bom. Nada disso era bom.Após algum te
Collin tremia. Calafrios sacudiam seu corpo enquanto pesadelos e alucinações horríveis tomavam conta de sua mente. Cada parte dela doía, e até respirar parecia um esforço insuportável. De repente, seus olhos se abriram. Tudo ao redor era escuridão, embaçado e opressivo. Tossiu, sentindo o gosto metálico de sangue. — não... Não... Não. — susssurrou para si mesma. Collin não sabia o que era real. Queria apenas voltar para casa, para perto de sua irmã. Apesar de tudo. — apesar da traição —, desejava estar em casa. Uma luz fraca interrompeu a escuridão. Era uma tocha. Seu olhar se ajustou e percebeu estar em uma caverna cercada de ossos. O cheiro pútrido quase a fez vomitar. — ela acordou. — uma voz baixa ecuou ao longe. — tem certeza? — claro que sim! — a outra voz respondeu irritada. Tudo voltou á sua mente num golpe cruel. Ela havia sido sequestrada por vampiros. Sua perna latejou, como se queimasse por dentro. Desesperada, tentou tocar o ferimento, mas a dor era insuportável. —