Dois dias haviam se passado desde aquele ocorrido, mas para Liam parecia que o tempo havia se esticado, arrastando-se dolorosamente. O peso da revelação ainda estava afundado em seu peito como uma lâmina enterrada na carne. Ele fixou o olhar na tenda onde Colen estava presa, sua mente girando em um turbilhão de emoções contraditórias. Raiva. Culpa. Nojo. Desejo de vingança.Damon se aproximou, silencioso como sempre, e lhe entregou uma caneca quente. O vapor subia em espirais, mas Liam não sentia qualquer conforto. Apenas um vazio crescente.— Já foi falar com ela? — Damon perguntou, quebrando o silêncio cortante.Liam negou de imediato, sua voz rouca pelo pouco que havia dormido.— Eu estive... pensando nesses dois dias. Pensando demais, e acabei não chegando a lugar nenhum.Damon bufou, encarando-o de esguelha.— Preciso perguntar. Você já sabia?Liam desviou o olhar, encarando o líquido na caneca como se a resposta estivesse ali.— Não. Foi uma surpresa para mim também. — Passou a
Collin*O dia havia nascido novamente, e Collin sentou-se na beira da cama, sentindo o vazio ao seu lado. Liam não dormia mais ali há dois dias, e a ausência dele era como um corte profundo que não cicatrizava. O peito dela doía com a incerteza. Talvez tivesse acabado para sempre. Talvez, no fim, nunca tivesse importado. Colen estava ali, e por mais que a irmã fosse uma cobra, Liam se importava com a profecia.Sem demora, Eve adentrou na tenda segurando o pequeno Eric. Collin abriu um sorriso e se apressou para segurá-lo.— Olá, lindinho. Você já está enorme.— Ah... Lupinos crescem rápido demais. Mal vou ter tempo de aproveitar essa fase pequena. - Eve sorriu, mas seus olhos estavam atentos.Collin ninou o pequeno em seus braços, mas logo sentiu o olhar de Eve queimando sobre si.— E Liam? — Eu não sei. Ele resolveu se afastar, então fiz o mesmo. Não quero insistir. — Mas, Collin, o que vocês sentem um pelo outro é real. — Eu sei que é. Mas também sei que Liam lutou por essa prof
Collin*De repente, uma semana se passou. E com ela, o inverno chegou.A neve cobria o acampamento como um manto branco e silencioso. O ar estava gélido, mas o incômodo não era o suficiente para Collin. Não comparado à tempestade que se formava dentro dela. Os outros lupinos se aconchegavam em suas tendas, tentando manter-se aquecidos. Collin estava na grande tenda, envolta no vapor de um chá quente entre as mãos. Várias conversas ecoavam ao redor, mas sua mente estava distante. Até que uma presença pesada e quente se fez ao seu lado.Liam.Sentou-se com a mesma naturalidade de quem sabia o poder que tinha sobre ela. Collin o fitou de esguelha. Sua barba estava por fazer, dando-lhe um ar ainda mais selvagem. Os cabelos, um pouco mais longos, caíam desalinhados sobre a testa. Ele parecia um furacão prestes a se libertar.— Olá — murmurou, como se não tivessem passado dias sendo estranhos, como se seu silêncio não tivesse a dilacerado.— Olá — respondeu, tentando não transparecer o calo
Eve*Seu corpo arqueava como se buscasse escapar e, ao mesmo tempo, implorasse por mais. A língua de Damon se movia com precisão cruel entre suas pernas, provocando nela um prazer avassalador. Os lençóis estavam amassados sob seus dedos trêmulos, e cada gemido que escapava de sua boca era um grito abafado de puro desejo.Graças aos deuses, Collin estava com o bebê. Porque Eve não conseguiria conter os sons selvagens que estavam emergindo de sua garganta.— Damon... eu... — tentou avisar, mas ele ergueu o rosto apenas o suficiente para sussurrar com a voz rouca, carregada de malícia:— Não... ainda não.O roçar quente da voz dele contra sua pele a fez estremecer ainda mais. A língua voltou ao seu trabalho implacável, e Eve perdeu qualquer controle sobre os próprios quadris, que agora se moviam contra ele em um ritmo involuntário e faminto. Damon rosnou em aprovação, seus dedos cravando com força nas coxas dela. A sensação era insuportável... deliciosa... devastadora.— Damon... — foi t
Liam*Correu como se sua alma estivesse em chamas. A cada passo, o coração parecia prestes a arrebentar o peito. Collin vinha logo atrás, os olhos arregalados de desespero. Quando adentraram a tenda, o vazio os esmagou como um soco no estômago.Ela havia sumido.E Eric também.— Merda! — Collin gritou, revirando cada canto da tenda com as mãos trêmulas. — Não, não, não!— Porra! — Liam levou as mãos à cabeça, sentindo o mundo desabar sob seus pés.— Você não viu que não era eu?! — ela gritou, a voz embargada pela culpa.— Ela estava de costas, Collin! Trocou de roupa! Eu... eu só vi os cabelos. — ele respondeu, a voz falhando, o desespero crescendo como uma maré.— E por que ela levaria o bebê?! — Collin caiu de joelhos, os olhos vidrados. — Por quê?— Vantagem. Ela sabe que não vamos atacá-la se estiver com Eric nos braços. É cruel... mas inteligente.— Deuses... — murmurou Collin, enterrando o rosto nas mãos. — Eve nunca vai me perdoar. Eu... eu deixei Eric dormindo só por um momen
Collin e Colen nasceram na mesma tarde fria de inverno. As duas tinham cabelos vermelhos esvoaçantes e rostos belos, mas os olhos as diferenciavam. Colen herdara dois pares de olhos verdes reluzentes, enquanto Collin tinha um verde e outro amarelo, algo que sempre a fizera sentir-se... errada. Apesar disso, Collin amava a irmã, vendo nela uma heroína e protetora, mesmo que a recíproca nem sempre fosse verdadeira.A vida na aldeia montanhosa de Rovina era dura, mas para Collin parecia ainda mais cruel. Seus pais claramente preferiam Colen, enchendo-a de elogios e mimos, enquanto Collin recebia apenas trabalho e indiferença. "Ande mais rápido, Collin!", a mãe gritava, ignorando o fato de que a jovem carregava dois pesados baldes de maçãs enquanto Colen segurava apenas um quase vazio.À noite, Collin só jantava depois de regar a horta, e a comida já estava fria e sem gosto. Quando finalmente se deitava, exausta, o cheiro de suor impregnava seu travesseiro, pois não tinha energia sequer p
Collin não sabia quando havia dormido ou desmaiado nos ombros do líder, apenas despertou com um sobressalto horas depois, seu corpo frio e dolorido. A floresta ao seu redor era silenciosa, exceto pelo crepitar de uma fogueira próxima. Um casaco pesado cobria seus ombros, mas a sensação de desconforto permanecia. Tentando manter a calma, ela ergueu a cabeça devagar, observando os homens ao redor. Alguns dormiam, outros permaneciam em vigília perto do fogo. Seus olhos procuraram instintivamente pelo líder, mas ele estava ausente.Seu coração martelava. Se eu conseguir fugir agora, posso escapar desse pesadelo.— Está com fome? — uma voz masculina quebrou o silêncio.Collin congelou, não ousando responder.— Eu sei que está acordada — insistiu a voz, um tom de diversão mesclado à firmeza.Relutante, ela abriu os olhos, encontrando o homem negro de cabelos grisalhos sentado próximo. Ele segurava um prato com um pedaço de carne assada.— Sou Damon Stons — apresentou-se. — Você deveria come
Quando chegaram ao acampamento, o alfa convocou os demais para informar que passariam a noite ali. Precisavam descansar antes de retomar a viagem pela amanhã. Collin estava sentada sob uma árvore, próxima a fogueira, mas ainda afastada dos outros. Ela tentava manter-se invisível, mas logo notou a aproximação do alfa. Ele caminhava com passos decididos, os olhos fixos nela. Quando parou á sua frente, agachou-se sem esforço e lhe estendeu um prato de comida. — Damon disse que você não comeu. — não quero nada. — ela virou o rosto irritada e frustada. O movimento dele foi imediato. A mão grande segurou seu queixo, obrigadando-a encará-lo. — eu não pedi para que você comesse. Eu ordenei. — eu não sou sua escrava para receber ordens! — não, você não é minha escrava. — a voz dele era fria, cortante. Os olhos verdes brilhavam intensos, carregados de algo que a fez engolir em seco. — mas você é minha. E fará o que eu mandar. Collin tentou se mover, ele a manteve presa sob seu olhar. —