O quarto estava silencioso, preenchido apenas pelo som suave da televisão que passava um desenho animado qualquer. Joshua, ainda um pouco abatido pela febre, repousava contra os travesseiros fofos da cama dos avós. Ele piscava devagar, os olhos fixos na tela, mas sua atenção estava longe dali.
Ao seu lado, Katerina deslizava os dedos pelos cabelos macios do neto, num carinho automático, algo que fazia desde que ele era pequeno. Ela sempre dizia que esse toque podia curar qualquer dor, mas nem todo carinho do mundo poderia afastar a tempestade que se aproximava.
O som do celular vibrando quebrou a calmaria, chamando a atenção do menino. Joshua pegou o aparelho rapidamente e ao ver o nome que brilhava na tela, um sorriso iluminou seu rosto pálido.
Joshua havia adormecido nos braços da avó, seu corpinho pequeno aconchegado a ela, a respiração suave e ritmada denunciando o sono profundo. Katerina acariciava os cabelos dourados do neto, o coração transbordando de amor e ao mesmo tempo de uma dor silenciosa. Ele era tão frágil, tão inocente… não merecia passar por tudo isso.A porta do quarto foi aberta com suavidade e Ethan entrou carregando uma bandeja. O cheiro de chá quente e pão recém-tostado inundou o ambiente.— Trouxe um lanche para você — disse baixinho, com um sorriso cúmplice, aproximando-se da esposa.Katerina sorriu, seus olhos agradecendo antes mesmo de suas palavras.
Jacob Alexander LancasterSaio do restaurante sentindo um peso no peito, algo entre cansaço e frustração. O ar da noite é frio, mas não o suficiente para apagar a sensação amarga que a conversa com Samantha deixou em mim. Eu deveria ter esperado por isso.Eu rio de mim mesmo, um som curto e seco, enquanto balançava a cabeça. Por que diabos eu achei que ela se importaria? Samantha nunca foi a mãe que Joshua precisava. Por que se importaria agora?Paro na calçada olhando o movimento da rua e puxo a manga do casaco para checar o relógio. Meu filho está seguro com meus pais esta noite. Pelo menos, eu não preciso me preocupar. Respiro fundo e caminho até meu carro. O plano era ir direto para meu apart hotel, abrir um
O restaurante estava elegantemente iluminado, com um aroma suave de especiarias no ar e um burburinho discreto das conversas ao redor. Samantha sentou-se à mesa de frente para Jacob, um sorriso satisfeito nos lábios, enquanto alisava o tecido do vestido vermelho que escolheu exclusivamente para ele. Ela se produziu como nos velhos tempos, com maquiagem impecável, joias delicadas e um perfume envolvente. Queria agradá-lo, reacendendo a chama que acreditava existir dentro dele.Não entregaria seu marido de bandeja para outra mulher. Lutaria até seu último suspiro.Diferente do que ela acreditava, Jacob não via nada disso. Apesar do seu olhar estar fixo nela, não era um olhar de desejo… era de frieza. Ele a analisava com clareza, tudo agora fazia sentido.<
A chuva castigava Londres naquela noite, transformando as ruas em espelhos d’água que refletiam o brilho frio dos relâmpagos. Os trovões ressoavam como um aviso sombrio, como se o próprio universo tentasse alertar sobre o que estava prestes a acontecer.Dentro da maternidade, os corredores estavam agitados. Médicos entravam e saíam das salas de parto, enfermeiras corriam para lá e para cá, os gritos de mulheres em trabalho de parto se misturavam ao som da tempestade.Naquele hospital, duas mulheres estavam prestes a dar à luz. Duas mães, dois destinos… e um segredo que jamais poderia ser revelado.Luna HarrisonO grito escapou dos meus lábios assim que outra contração intensa rasgou meu corpo. Eu me contorcia na maca, segurando o lençol com força enquanto as enfermeiras me levavam às pressas para a sala de parto.— Respire, Luna. Está indo bem, logo seus bebês estarão nos seus braços. — disse o médico ao meu lado, tentando manter a calma.Mas eu não conseguia. Era cedo demais, muito ce
Dizem que na vida só temos a certeza da morte. Mas eu tinha outra: A de que meu destino havia mudado para sempre. Um ano e três meses atrás...— Ele abusou de mim, pai. Eu… eu…PlaftSinto o rosto arder pelo tapa que levei no rosto, mas nada se compara a dor que sinto dentro do peito. Meu pai, aquele que deveria me proteger das mazelas do mundo, cuidar de mim, não acreditava no que eu dizia. — Você é uma dissimulada e mentirosa como sua mãe. Thomás jamais faria isso com você, Luna. Como você pode… saia da minha casa, a partir de hoje não é mais minha filha! Encaro a figura alta bem diante de mim. O homem de cabelos loiros iguais aos meus, seus olhos verdes sempre me lembravam um par de esmeraldas. Não consigo exteriorizar a dor dilacerante que corta minha alma. Sem dizer uma única palavra, dei às costas e saí daquela casa. A casa que pertenceu à minha mãe, onde fui feliz até meus oito anos, depois disso o destino cruel levou a levou, vítima de câncer de mama. Eu saí sem levar nad
Existe um ditado que diz “Palavras confortam a mais profunda dor”. Eu discordo, acredito que um abraço envolvente,sincero, vale mais que mil palavras. Saio da ponte de Westminster correndo e deixo o homem que acabou de me impedir de fazer uma burrada para trás. “Meu Deus, o que eu ia fazer?”Não posso dar fim à minha vida, preciso ser forte e sobreviver a tudo isso, não por mim, mas pela memória de minha mãe! Fecho o sobretudo no meu corpo e vou para o único lugar onde sei que serei acolhida: a casa da minha melhor amiga, Kate. Desde pequena somos melhores amigas, apesar das tentativas da minha madrasta de nos afastar. Segundo ela, Kate não era do meu “nível social”, tolice. Sempre duvidei dos verdadeiros sentimentos de Ingrid em relação ao meu pai. Não que fossemos ricos mas, comparado a ela, tínhamos uma condição de vida muito superior. Depois da morte da minha mãe, passados seis meses, ela chegou na nossa casa. Quando a vi, pensei que pudesse amá-la como uma mãe, mas a decepção
Jacob Alexander LancasterÉ incrível como sua vida é capaz de mudar de uma hora para outra, em fração de segundos, principalmente quando existe dinheiro envolvido. O relógio marcava sete da noite, mas eu ainda estava preso na minha sala, encarando a cidade iluminada pela vista panorâmica do meu escritório. Meu maxilar ainda estava tenso, e a caneta em minha mão girava entre os dedos em um movimento automático.Eu estava puto.As palavras do meu pai ainda ecoavam na minha mente, irritantes e constantes, como uma maldita martelada. “Você tem que pensar na imagem da empresa, Jacob. Você precisa de estabilidade. Precisa de uma esposa.”Soltei uma risada seca, amarga e repeti:--- Precisa de uma esposa.Como se casamento fosse uma maldita estratégia de marketing.Fechei os olhos, respirando fundo. Meu pai e seu sócio estavam determinados a forçar essa união para promover minha imagem no mercado internacional. Investidores tradicionais valorizavam líderes com “vida pessoal estável”, e, ap
Jacob Alexander Lancaster O néon vermelho e azul piscava incessantemente, refletindo nas paredes escuras do clube exclusivo onde minha despedida de solteiro estava acontecendo. O ar cheirava a whisky caro, perfume doce e tentação.A música pulsava em um ritmo lento e sensual, enquanto dançarinas se moviam nos palcos com uma desenvoltura calculada. Era exatamente o tipo de festa que meus amigos achavam que eu queria.Eles não me conhecem, na verdade, eu odiava.— Vamos lá, Jacob, só um showzinho particular… nada demais! — dizia Kaleb, um dos meus melhores amigos e o mais insistente, enquanto me empurrava em direção a um canto mais reservado, onde um grupo de strippers nos olhava como predadoras famintas.Rolei os olhos.— Não estou interessado.— Não seja um puritano, cara! É sua última noite de liberdade!— Liberdade? --- soltei uma risada seca. — Apenas serei um homem realmente livre daqui três anos. — Cara, pelo menos é a Samantha, e se fosse outra mulher?— A Samantha… pode casa