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Capítulo 04 – A Despedida de Solteiro

Jacob Alexander Lancaster

O néon vermelho e azul piscava incessantemente, refletindo nas paredes escuras do clube exclusivo onde minha despedida de solteiro estava acontecendo. O ar cheirava a whisky caro, perfume doce e tentação.

A música pulsava em um ritmo lento e sensual, enquanto dançarinas se moviam nos palcos com uma desenvoltura calculada. Era exatamente o tipo de festa que meus amigos achavam que eu queria.

Eles não me conhecem, na verdade, eu odiava.

Vamos lá, Jacob, só um showzinho particular… nada demais! — dizia Kaleb, um dos meus melhores amigos e o mais insistente, enquanto me empurrava em direção a um canto mais reservado, onde um grupo de strippers nos olhava como predadoras famintas.

Rolei os olhos.

Não estou interessado.

— Não seja um puritano, cara! É sua última noite de liberdade!

— Liberdade? --- soltei uma risada seca. — Apenas serei um homem realmente livre daqui três anos. 

— Cara, pelo menos é a Samantha, e se fosse outra mulher?

— A Samantha… pode casar com ela se quiser — nós dois rimos. 

Aproveitei um momento de distração e escapei, desviando das mulheres que tentavam se enroscar em mim, até finalmente alcançar o banco do bar.

Suspirei fundo, passei as mãos pelos cabelos e pedi um drink.

Parece que está fugindo de alguém.

A voz feminina soou divertida ao meu lado e quando levantei os olhos, fui surpreendido.

Uma mulher de olhos azuis profundos e cabelo loiro preso num coque bagunçado me encarava com um sorriso nos lábios. Ela estava de avental, provavelmente uma das bartender do lugar , e me olhava com uma expressão que misturava diversão e curiosidade.

Está tão evidente assim? — perguntei sorrindo de canto.

Totalmente — ela respondeu inclinando a cabeça.

Rimos juntos e, por um momento, a atmosfera pesada da festa desapareceu. 

“Quem é essa garota?”

Antes que eu perguntasse, ela pegou uma garrafa e começou a preparar um drink com uma habilidade que eu nunca tinha visto. Movimentos rápidos, precisos, como se fosse um espetáculo particular.

Nossa, você é muito boa mesmo — comentei, observando o líquido âmbar escorrer no copo perfeitamente decorado.

Eu sei — ela deu um sorrisinho convencido.

Eu ri, pegando a bebida.

E aí, bartender misteriosa… você também veio para essa despedida de solteiro ou só está de passagem?

Ela revirou os olhos.

Definitivamente só de passagem. Na verdade, estou quebrando um galho para uma amiga — suspirou, olhando ao redor com tédio. — Não entendo essa ostentação toda. Quem é que precisa de tanto exagero só porque vai se casar?

Eu arqueei uma sobrancelha.

Por que isso te incomoda? — fiquei curioso.

Ela deu de ombros.

Não me incomoda. Só acho engraçado como os ricos adoram dar festas absurdas para qualquer coisa. — pegou um guardanapo e limpou o balcão distraidamente. — Dizem que essa é para um herdeiro mimado que vive às custas dos pais.

Eu quase engasguei no drink.

— Herdeiro mimado? É mesmo? — perguntei, segurando o riso.

Ela assentiu, inocente.

Sim. Um riquinho sem cérebro que está se casando por conveniência. Ouvi dizer que os pais estão organizando o casamento porque ele não consegue conquistar uma garota.

Não brinca — agora eu estava me divertindo.

É sério.

— Como você sabe disso tudo?

Ela deu de ombros novamente

As pessoas falam… e eu escuto.

Cruzei os braços, fingindo curiosidade.

O que mais dizem sobre esse “herdeiro mimado”?

Ela girou o copo que estava limpando e sorriu de canto.

— Que ele deve ser um chato. Provavelmente, um daqueles caras calvos e barrigudos que passam horas na frente do computador jogando ou entrando em sites proibidos. 

Eu soltei uma gargalhada alta, chamando a atenção de algumas pessoas ao redor e ela me olhou confusa.

— O que foi?

Inclinei-me um pouco mais na direção dela. 

Sou o melhor amigo do noivo — sussurrei com um sorriso travesso nos lábios.

O silêncio que se seguiu foi puro ouro. 

A garota ficou pálida, congelou no lugar, os olhos azuis arregalados, como se tivesse acabado de perceber que estava no meio de uma armadilha. Sua boca se abriu uma vez, depois outra, sem que nenhuma palavra saísse.

Eu aproveitei.

Apoiei os cotovelos no balcão, um sorriso presunçoso brincando nos meus lábios.

O que foi? Ficou sem palavras? — provoquei, me divertindo com seu constrangimento.

Ela piscou rapidamente e tentou se recompor, ajeitando o avental e cruzando os braços como se quisesse recuperar a dignidade.

Você está brincando?

— Gostaria que estivesse?

A incredulidade no rosto dela era hilária.

Então… Você é o melhor amigo do “herdeiro mimado”? — ela arqueou a sobrancelha.

Eu dei um gole no drink que ela mesma preparou e assenti, sem desviar o olhar.

O próprio.

Ela prendeu a respiração e, por um instante, achei que fosse se afundar no chão de tanta vergonha, porém, algo inesperado aconteceu.

Ela sorriu.

Não um sorriso educado, mas um sorriso travesso, quase desafiador.

Ainda acho que essa festa é um exagero ridículo.

Eu ri alto, genuinamente surpreso com a falta de filtro dela.

— Sério? Depois dessa revelação toda, você ainda mantém sua opinião?

Ela ergueu um dos ombros com uma expressão inocente demais para ser real.

A verdade não muda só porque você é rico. 

— Kaleb. 

— Como?

— Meu nome é Kaleb. 

Algo no jeito dela, na forma como falava sem medo, me intrigou. Não era sempre que eu encontrava alguém que não pisava em ovos ao falar comigo. Inclinei-me um pouco mais sobre o balcão, a analisando de perto.

Qual é o seu nome, bartender atrevida?

Ela hesitou por um segundo, como se estivesse decidindo se deveria me contar ou não. Ergueu o queixo e respondeu:

Luna.

— Luna… — repeti.

O nome caiu suavemente dos lábios dela e ecoou na minha mente de um jeito estranho. Eu estreitei os olhos, memorizando cada detalhe dela.

Cabelos loiros, presos num coque bagunçado, alguns fios escapando, a pele clara, os olhos que pareciam refletir mil segredos.

“Quem diabos era essa garota?”

Antes que eu pudesse perguntar mais alguma coisa, a voz irritante de Kaleb ecoou pelo clube.

Ei, seu desgraçado, achei você!

Suspirei pesadamente.

Luna olhou para o homem que se aproximava com um sorriso idiota no rosto e depois voltou os olhos para mim.

Vejo que está fugindo dos seus amigos, posso sugerir um lugar mais discreto do que o bar?

Sorri, me inclinando ainda mais perto dela.

— O que você sugere?

Atrás dele — ela deu um tapinha leve no balcão.

Soltei uma risada curta e me levantei.

Se eu não voltar em cinco minutos, chame a polícia. 

Ela riu e piscou para mim.

Talvez eu avise, talvez não. Depende de como for a gorjeta.

Dei um último gole no drink e entreguei uma nota dobrada para ela.

— Gostei do seu estilo, Luna.

— E eu ainda acho que você é como o seu amigo, um riquinho mimado.

Foi assim que desapareci pelos fundos do bar, antes que Kaleb me agarrasse pelo colarinho.

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