6

Flávia

Meia hora de evento…

A música eletrônica dita os passos firmes e, simultaneamente, graciosos das modelos, que exibem os novos passos da moda. Há uma onda gigante de flashes, inundando a todos no evento e eu só consigo pensar que em algumas horas estarei dentro da Voguel, com um belo par de olhos azuis anis e nem sei se tiro uma lasquinha dele, ou se ele tirará de mim… Ou se alguém fará isso por mim. Pai do céu, e se eu não gostar da troca? Sou desperta por um burburinho agitado no meio da multidão e olho imediatamente para o alto do palco. Agnes… Entro em pânico quando a vejo caída ao chão de madeira branca, lustrosa e imediatamente passo um rádio para os seguranças, seguindo apressada para o palco.

— Ponham ela aqui — peço, apontando para o sofá que fica por trás das cortinas. — Wall, continue com o evento, eu cuido da Agnes — peço para a assistente de palco. Ela me mataria se soubesse que não levaram o evento adiante.

— Ok.

***

— Senhorita Agnes Ferraço — O médico diz, enquanto olha alguns papéis em suas mãos. Por um segundo ele olha de mim para a minha amiga e volta para os papéis. — Vejo que tem um problema com sua alimentação.

— Como assim? — perguntamos juntas.

— Suas taxas estão baixas demais — fala de um modo completamente profissional. Agnes sorri, ela parece aliviada.

— Então está me dizendo que não tenho nenhum problema? Quer dizer, uma anemia não é nada de mais, certo? — O médico suspira, eu suspiro e ambos a encaramos.

— A coisa é bem mais séria do isso, senhorita. Está propensa a ter um diabetes, a glicemia está baixa além do normal, sem falar no seu colesterol. O que anda comendo? — Agnes dá de ombros.

— Não sei, o que der. Sou uma pessoa bastante ocupada, doutor Prado. Não tenho tempo para avaliar minhas refeições! — resmunga. O médico larga os papéis em cima da cama de hospital e encara sua paciente seriamente.

— Tenho uma coisa para lhe dizer, senhorita Ferraço. Se continuar dessa forma, acho melhor comprar logo o seu caixão.

— O meu o quê? — Ela quase grita a pergunta.

— Do jeito que está indo, pode ter um infarto a qualquer momento. Então, se não quiser correr esse risco, sugiro que arrume "tempo" para uma boa alimentação. — Noto um pouco de rispidez em sua resposta, mas está valendo. Agnes realmente precisa cair na real.

— Viu o que ele disse? — Ela pergunta em um tom irritado, me olhando. Dou de ombros.

— Você mereceu! — retruco e ela me lança um olhar possesso.

— Não vem não, Flávia, eu não preciso ouvir isso de você também!

— Então não pergunta!

— E agora? — indaga

— Agora, penso que vamos para casa. — A mulher solta um suspiro audível, pulando imediatamente da cama.

— Ainda bem, odeio hospitais! — resmunga, colocando seus sapatos. Rolo os olhos com impaciência.

***

 — E a chefa, não quis vir? — Ana pergunta assim que entro no carro. Bufo de modo audível. É claro que não! Definitivamente Agnes parou de viver, no instante em Adam terminou com ela e isso já tem o quê, quase cinco anos? Meu Deus, o mundo não acabou não garota! Mas, fazer o que, né? A mulher está irredutível.

— Nem a chamo mais — retruco com um tom sério. Eu realmente queria tirá-la de dentro desse mundinho só dela e trazê-la de volta a realidade nua e crua, mas desde que o casamento acabou, tudo se resume ao trabalho. Agnes é uma mulher jovem e muito bonita e ela merece uma segunda chance na vida. Se não for ao amor, que seja com uma boa trepada casual. O carro para em frente a uma danceteria muito conhecida por mim. Não, não é a Voguel e não, definitivamente o encontro não rolou, e não sei dizer se digo; “Obrigada Deus!” ou se lamento para o resto da minha vida. Vai que eu goste do movimento. Ana paga o táxi e nós seguimos imediatamente para dentro do prédio. O lugar está super lotado e não vejo uma mesa disponível para nós duas.

— Eu me contento com um banquinho no bar e você? — Ana pergunta, olhando minuciosamente em todas as direções.

— Por mim tudo bem, não vim assistir nada de camarote mesmo. Quero é encontrar um nego lindo, me esfregar nele a noite toda, beber o meu drink e dançar até as pernas ficarem bambas. — Ana abre um largo sorriso.

— Sei como as suas pernas vão ficar bambas — comenta, cheia de insinuações. Pisco um olho e estalo a língua, abrindo um sorriso presunçoso.

— Você me conhece.

Uma hora depois de esquentar o banco perto do balcão, decido ir dançar. A música do momento é eletrizante e ela é tudo o que eu preciso para me soltar. Qual é, é sábado à noite e eu quero beber e curtir cada minuto!  Enquanto jogo os meus braços para cima e mexo o meu corpo, deixo as ondas sonoras me levarem para onde elas quiserem. Vocês não fazem ideia de para onde elas me levaram. Um esbarrão forte me jogou para frente e automaticamente um braço musculoso alcançou a minha cintura, me impedindo que eu quebrasse a cara no chão, no meio da multidão. Ele me virou de frente e eu encarei a barba cheia e bem feita, e um par de olhos escuros me encararam com diversão. Suspirei. Sério, eu precisei suspirar.

— Adonis? — digo, recuperando os meus sentidos. Tá! Vocês devem estar pensando, é uma vadia mesmo! Mas, caiam nos braços de Adonis para vocês verem. Quero só ver se não vão ficar amolecidas como eu fiquei. Não, vocês precisam sentir a pegada desse homem.

— Está me seguindo, dona Flávia? — pergunta com tom de brincadeira. Sorrio. Só queria.

— Oi! Pra você também! E não, estou aqui para me divertir.

— Adonis, encontrei uma mesa — Alguém grita atrás dele. Adonis se afasta para falar com seu amigo, me dando uma bela visão do moreno, de porte atlético e com um olhar negro, dominador. Olho de um para o outro. Deus do céu, os anjos da guerrilha desceram até aqui, só para mostrarem o quão gostosos eles são?! O que há com o Adonis, resolveu pegar todos os amigos delícias do mundo só para ele?! Eu hein, vai ser lindo, delicioso e gostoso assim lá no inferno! Resmungo internamente. Sinto as mãos do Adonis abandonar a minha cintura e fazer um gesto para o amigo, que me olha rapidamente e faz um gesto sutil com a cabeça, se afastando.

— Preciso ir maluquinha, está sozinha? — Faço não com a cabeça.

— Estou com uma amiga. — Ele sorri. Faz isso não Deus grego! Suplico internamente.

— Porque você e sua amiga não vem para nossa mesa? Tem um carinha da nossa época que você vai gostar de ver. — Sorrio ainda mais amplo.

— Na verdade, estou interessada em conhecer aquele que ainda não conheço. — Solto a insinuação.

— O Oliver? — Arqueio as sobrancelhas.

— Oliver? Ui! Até o nome é uma delícia! — falo e Adonis rir, inclinando a cabeça para trás.

— Você é mesmo uma maluquinha, sabia? — Ok, ok, algo que esqueci de mencionar para vocês. Flávia Simões não tem filtro, ela diz o que quer e o que pensa também. Mas, acredito que vocês já perceberam isso. 

Sigue leyendo en Buenovela
Escanea el código para descargar la APP

Capítulos relacionados

Último capítulo

Escanea el código para leer en la APP