Depois disso, uma espécie de calmaria se instalou no vilarejo. Os caçadores seguiram seu caminho, com os bolsos cheios de moedas de ouro, e os moradores tentaram retomar suas vidas também, afinal, havia muito trabalho a ser feito para reparar a destruição deixada por aquela criatura.E no fim, tirando o pássaro que insistia em destruir o telhado do casarão, Rosely conseguiu enfim, ter uma boa noite de sono.Naquela manhã, enquanto descia a escadaria de pedra, observou os trabalhadores ocupados na produção dos queijos e retirada da lã. Não era segredo para ninguém que precisava fazer uma boa venda para recuperar todo o dinheiro gasto para contratar os caçadores. Contudo, foi tirada de seus devaneios quando viu Millan se aproximando.– Estive em Dublin e aproveitei para checar o correio – ele explicou, entregando um bolo de cartas à mulher.Ela as aceitou e começou a ler o conteúdo enquanto caminhavam pela fazenda, parando a poucos metros do penhasco que dava para o oceano, sentindo o
Depois daquela conversa, alguns dias se passaram e a tão temida visita dos pais de Rosely realmente aconteceu. Na verdade, sua mãe foi a única a aparecer, acompanhada de suas damas de companhia, e a cada passo dado, desde que passou pela porta, seus olhos fitavam tudo, cheia de julgamento.Ela nunca havia gostado de interiores, logo sua reprovação era evidente.Sentou-se diante da filha, esboçando em seu rosto uma expressão irritada ao vê-la usando calças, mas tentou manter sua postura enquanto provava o chá servido pela empregada.– Pensei que a essa altura você já teria desistido da ideia estúpida de deixar seu noivo – ela disse depois de um tempo, erguendo seus olhos em direção à filha. E ao ouvir isso, o espanto no rosto de Rosely foi claro. – Eu jamais voltarei para ele! – ela exclamou firme, o rancor claro em seus olhos.– Mas, Rosely… – a mãe tentou argumentar, mas foi interrompida pela filha.– Já chega. Não vamos mais falar sobre isso – Rosely pediu num tom mais ameno, mes
Enquanto via o arroz cozinhando, com a poção que agora parecia temperos, Eleonore pensava no dia em que havia se confessado para o marido. Naquela época, havia feito uma simpatia boba para ficar com ele, submergindo um papel com seu nome no leite adocicado. E agora, estava fazendo isso novamente. Voltou sua atenção à carne de frango que estava quase pronta e lembrando das palavras da xamã, pegou algumas vagens, retirou-as da casca e levou cada uma delas à boca, deixando sua saliva antes de colocá-las dentro da panela, desligando o fogo depois de um tempo.Com o jantar pronto, se banhou e colocou o vestido que havia ganhado, soltou seus cabelos, que escorreram por seus ombros em forma de cascatas ruivas e sorriu satisfeita com o reflexo que via de si mesma.Ouviu um barulho na porta e sentiu seu coração acelerar ao olhar naquela direção e se deparar com o marido irrompendo por ela, estava um tanto inquieto e parecia ter bebido bastante. Ao vê-la, esboçou uma expressão apaixonada, ra
Rosely conseguiu respirar aliviada quando percebeu que seu “casal favorito” estava bem novamente e, inclusive, pareciam ainda mais unidos. Tendo uma remeça de queijo e lã para ser entregue em Dublin, iniciaram a viagem cedo, chegando à cidade ainda com o sol nascendo, e enquanto Millan fazia o serviço, Rosely aproveitou para caminhar um pouco pela cidade. Foi quando seus olhos se focaram numa livraria e, instintivamente, entrou no local, procurando por um livro sobre folclore nas prateleiras. Saiu de lá satisfeita e sentou num café para ler seu novo livro.“Isso, sim, combina com a senhorita!”, uma voz masculina e familiar disse, soando a alguns centímetros de distância. E ao ouvir isso, ela ergueu a cabeça, se deparand
Depois daqueles estranhos acontecimentos, Rosely viu-se sofrendo com uma constante frieza que, não importava o quão quentes fossem suas roupas, nunca passava, deixando sua pele constantemente fria como a de um cadáv*r. E para piorar, o inverno estava se aproximando e os dias ficavam cada vez mais frios e sombrios.Naquela manhã, alguns poucos raios solares irrompiam por entre as nuvens, iluminando a sala através da janela. Vendo isso, Rosely recostou seu corpo contra o vidro aquecido, fechando os olhos enquanto tentava absorver um pouco daquele calor.– Senhora, seu seafood chowder está pronto.A voz de Charlotte soou às suas costas e a mulher virou o pescoço para olhá-la por sobre o ombro, encontrando a moça diante da mesa de jantar, arruma
– O que você está caçando? – Rosely perguntou enquanto se afastavam da caverna a marcha lenta.– Um trol, muito provavelmente – Eslen explicou dando uma olhada por sobre o ombro, para garantir que não seriam surpreendidos. – Esses diabinhos estão atacando o gado de Johan.E como Rosely apenas ouvia, ele continuou:– Você o conhece, é aquele idiota que quase foi morto por um chupa-cabra.– Não fala assim, eu achei que ele morreria – Rosely murmurou, balançando a cabeça negativamente. – Esses goblins são da mesma família dos trasgos?– Algo assim… – Eslen resmungou, dando de ombros, porém, arqueou uma sobrancelha enquanto virava-se para olhá-la. – Mas, me surpreende que eles te deixaram vê-los. Charlotte acordou cedo naquela manhã, caminhou pela casa com uma expressão de confusão, principalmente ao ver as manchas vermelhas no chão. Havia praticamente apagado em sua cama na noite anterior, então, não fazia ideia do que havia acontecido.Mas tentou não pensar nisso, pois enfim, era seu dia de folga e por isso, continuou se preparando para sair. Tendo cuidado para não fazer barulho, segurou seus sapatos na mão e caminhou pelo corredor, passando pelos quartos de hóspedes, foi quando se surpreendeu ao dar de cara com Eslen sem camisa. A moça corou violentamente ao vê-lo e então, apressou o passo, fugindo enquanto escondia o rosto entre as mãos.Mal colocou os pés na varanda, e pôde ver suas amigas acenando na estrada, já esperando-a. Sorriu, acenando de volta e correu para encontrá-las.– Que cara é essa? – Jul15 Jogo perigoso
Rosely nem sequer queria pensar no que passava pela cabeça de Charlotte depois de ver aquele homem que, para piorar, amanheceu o dia sem camisa em sua casa. Havia sido uma situação tão desconcertante que até esqueceu por um momento sobre a banshee, mas logo, isso retornou aos seus pensamentos quando, subitamente, o clima mudou e uma chuva fina começou a cair, como um cortejo fúnebre.Parecia inverno, mesmo que ainda fosse o início do outono.– O que acontecerá hoje? – Eslen perguntou assim que a viu na sala.– Não sei – ela respondeu, genuinamente surpresa e então, notou do que ele falava.Os trabalhadores da fazenda pareciam agitados, vestiam roupas brancas e