Enquanto via o arroz cozinhando, com a poção que agora parecia temperos, Eleonore pensava no dia em que havia se confessado para o marido. Naquela época, havia feito uma simpatia boba para ficar com ele, submergindo um papel com seu nome no leite adocicado. E agora, estava fazendo isso novamente. Voltou sua atenção à carne de frango que estava quase pronta e lembrando das palavras da xamã, pegou algumas vagens, retirou-as da casca e levou cada uma delas à boca, deixando sua saliva antes de colocá-las dentro da panela, desligando o fogo depois de um tempo.Com o jantar pronto, se banhou e colocou o vestido que havia ganhado, soltou seus cabelos, que escorreram por seus ombros em forma de cascatas ruivas e sorriu satisfeita com o reflexo que via de si mesma.Ouviu um barulho na porta e sentiu seu coração acelerar ao olhar naquela direção e se deparar com o marido irrompendo por ela, estava um tanto inquieto e parecia ter bebido bastante. Ao vê-la, esboçou uma expressão apaixonada, ra
Rosely conseguiu respirar aliviada quando percebeu que seu “casal favorito” estava bem novamente e, inclusive, pareciam ainda mais unidos. Tendo uma remeça de queijo e lã para ser entregue em Dublin, iniciaram a viagem cedo, chegando à cidade ainda com o sol nascendo, e enquanto Millan fazia o serviço, Rosely aproveitou para caminhar um pouco pela cidade. Foi quando seus olhos se focaram numa livraria e, instintivamente, entrou no local, procurando por um livro sobre folclore nas prateleiras. Saiu de lá satisfeita e sentou num café para ler seu novo livro.“Isso, sim, combina com a senhorita!”, uma voz masculina e familiar disse, soando a alguns centímetros de distância. E ao ouvir isso, ela ergueu a cabeça, se deparand
Depois daqueles estranhos acontecimentos, Rosely viu-se sofrendo com uma constante frieza que, não importava o quão quentes fossem suas roupas, nunca passava, deixando sua pele constantemente fria como a de um cadáv*r. E para piorar, o inverno estava se aproximando e os dias ficavam cada vez mais frios e sombrios.Naquela manhã, alguns poucos raios solares irrompiam por entre as nuvens, iluminando a sala através da janela. Vendo isso, Rosely recostou seu corpo contra o vidro aquecido, fechando os olhos enquanto tentava absorver um pouco daquele calor.– Senhora, seu seafood chowder está pronto.A voz de Charlotte soou às suas costas e a mulher virou o pescoço para olhá-la por sobre o ombro, encontrando a moça diante da mesa de jantar, arruma
– O que você está caçando? – Rosely perguntou enquanto se afastavam da caverna a marcha lenta.– Um trol, muito provavelmente – Eslen explicou dando uma olhada por sobre o ombro, para garantir que não seriam surpreendidos. – Esses diabinhos estão atacando o gado de Johan.E como Rosely apenas ouvia, ele continuou:– Você o conhece, é aquele idiota que quase foi morto por um chupa-cabra.– Não fala assim, eu achei que ele morreria – Rosely murmurou, balançando a cabeça negativamente. – Esses goblins são da mesma família dos trasgos?– Algo assim… – Eslen resmungou, dando de ombros, porém, arqueou uma sobrancelha enquanto virava-se para olhá-la. – Mas, me surpreende que eles te deixaram vê-los. Charlotte acordou cedo naquela manhã, caminhou pela casa com uma expressão de confusão, principalmente ao ver as manchas vermelhas no chão. Havia praticamente apagado em sua cama na noite anterior, então, não fazia ideia do que havia acontecido.Mas tentou não pensar nisso, pois enfim, era seu dia de folga e por isso, continuou se preparando para sair. Tendo cuidado para não fazer barulho, segurou seus sapatos na mão e caminhou pelo corredor, passando pelos quartos de hóspedes, foi quando se surpreendeu ao dar de cara com Eslen sem camisa. A moça corou violentamente ao vê-lo e então, apressou o passo, fugindo enquanto escondia o rosto entre as mãos.Mal colocou os pés na varanda, e pôde ver suas amigas acenando na estrada, já esperando-a. Sorriu, acenando de volta e correu para encontrá-las.– Que cara é essa? – Jul15 Jogo perigoso
Rosely nem sequer queria pensar no que passava pela cabeça de Charlotte depois de ver aquele homem que, para piorar, amanheceu o dia sem camisa em sua casa. Havia sido uma situação tão desconcertante que até esqueceu por um momento sobre a banshee, mas logo, isso retornou aos seus pensamentos quando, subitamente, o clima mudou e uma chuva fina começou a cair, como um cortejo fúnebre.Parecia inverno, mesmo que ainda fosse o início do outono.– O que acontecerá hoje? – Eslen perguntou assim que a viu na sala.– Não sei – ela respondeu, genuinamente surpresa e então, notou do que ele falava.Os trabalhadores da fazenda pareciam agitados, vestiam roupas brancas e
Deixaram a fazenda ao cair da noite. Adentrando a floresta sombria, tendo como iluminação somente as lamparinas. Rosely fez um grande esforço para não dormir, o que, de fato, não aconteceu, principalmente depois que percebeu que um vulto passava por eles, sempre reaparecendo, e na terceira vez, conseguia ver o que realmente era.Era uma mulher, vestida num longo vestido branco, esvoaçante, assim como seus cabelos pretos como a noite.– Siga em frente! – Eslen praticamente gritou para o cocheiro, que não parava de olhar para a mulher.Algo parecia ser sussurrado pelo vento, que inicialmente não conseguiam reconhecer, mas que logo foi entendido como “me leve para casa”, em palavras sussurradas numa voz feminina.<
Enfim, a xamã aceitou encontrar Rosely.Parou em frente à mulher por longos minutos, como se pudesse ver através de seu corpo com seus olhos cinzentos e então, com um gesto, pediu que a seguisse para a sala nos fundos, atravessando antes um corredor escuro.Era um ambiente pequeno, com estantes cobrindo as paredes ao redor – cheias de livros e poções –, e ao centro, uma pequena piscina rústica, revestida de azulejos e com degraus que iam até o fundo.– Entre na piscina – sussurrou a xamã, apontando o local com seu dedo enrugado.Rosely não questionou, retirou seus sapatos e segurou o vestido de tecido negro, descendo lentamente os degraus até a &