17 anos atrás.
Sei que deveria ter parado com o caso Smith como foi ordenado, mas não gastei mais de um ano da minha vida à toa. Não poderia simplesmente abandonar tudo como Diones queria, por isso, continuei meu trabalho em segredo e descobri que Jacob receberá uma carga de narcóticos hoje em um dos seus galpões.
Não posso perder essa oportunidade, preciso ver pessoalmente o que estão planejando e o que farão. Eu poderia contar com a ajuda dos meus parceiros, mas sei que não terei nenhum apoio e mesmo sabendo que é arriscado agirei sozinho.
Seria realmente um desperdício deixar essa oportunidade escapar.
***
Odeio mentir para Lana, mas nesse caso foi extremamente necessário. Não posso envolvê-la em algo tão perigoso como o caso de Jacob.
Disse a ela que teria uma reunião de emergência na delegacia, por isso chegaria mais tarde do que o previsto. Ela não precisa saber que estou colocando minha vida em risco para conseguir informações cruciais a fim de desmascarar Smith.
Com muito custo consegui entrar no barracão sem ser visto pelos seus seguranças, mas sinceramente estou decepcionado com o baixo número de homens que encontrei. Eu realmente esperava uma segurança mais elaborada e isso me deixa em alerta.
Apesar de sentir que tem algo errado acontecendo aqui, continuo escondido nos fundos, próximo a algumas caixas de madeira armazenadas em pilhas — ao que tudo indica são armas — ligo meu celular para deixar que grave o momento exato da entrega dos narcóticos para Jacob.
O silêncio ainda predomina no ambiente abafado, eu não deveria estar tão nervoso, mas minha respiração pesada me preocupa. Tirando os homens armados que andam de um lado para o outro conferindo a localidade, não há mais ninguém por aqui.
Minhas mãos suam e a ansiedade domina meus pensamentos, preciso ser rápido e não posso deixar que notem minha presença. Tudo está quieto e estranho demais, pelas informações que recebi o carregamento já deveria ter chegado.
Impaciente continuo em meu lugar esperando que algum caminhão apareça, e finalmente depois de horas de campana, vejo uma van escura entrar no barracão com pressa e estacionar.
Jacob sai de uma porta que nem mesmo sabia que existia e aproveito para flagrar seu rosto com minha câmera. A imagem não é boa, mas são provas suficientes para colocá-lo atrás das grades.
Do lugar em que estou não consegui ver muito bem onde a van parou, mas consigo ouvir os murmurinhos de conversa e os barulhos aumentam gradativamente à minha volta.
— Vocês demoraram. — Jacob diz impaciente.
— Tivemos um contratempo, foi mais difícil do que imaginamos. — Meu coração acelera ao perceber que conhecia aquela voz.
Me estico entre as caixas para conseguir ver aquilo que acreditava ser uma peça pregada pelos meus ouvidos, mas minhas suspeitas são confirmadas ao ver Brendo ainda fardado diante dos meus olhos.
Isso só pode ser brincadeira.
Sorrio irônico para mim mesmo e tenho vontade de vomitar.
Como policiais podem se juntar a um homem tão inescrupuloso como Jacob Smith?
— Trouxe a encomenda? — O sorriso se estende pelos lábios de Jacob.
— Mas é claro, não sou um incompetente. — Apoia a mão na arma em sua cintura com um grande sorriso no rosto.
— Sempre confie em você. — Jacob b**e em seu ombro.
Aquilo estava ficando pior do que eu poderia imaginar.
Como meus amigos tão íntimos poderiam trabalhar com um homem daqueles? Isso é impossível, não aceitaria aquilo de bom grado, eles realmente teriam que se explicar e pagariam por seus atos.
— As informações foram entregues como planejado? — Jacob pergunta.
— Tudo conforme os planos. — Diz despreocupado.
— Então provavelmente já está aqui? — Diz com excitação evidente.
— Como tudo indica, sim, só precisamos da encomenda e tudo sairá como esperamos.
— Traga. — Jacob ordena.
— Bernardo, traga a encomenda. — Brendo pede para o irmão com voz autoritária.
Não consigo ver o que Bernardo busca, mas filmo tudo o que consigo para ter provas o suficiente para incriminá-los, porém sinto todo o meu corpo baquear e se desestabilizar ao ter Bernardo em meu campo de visão jogando Lana aos pés de Jacob, com as mãos amarradas e a boca amordaçada.
— Lana... — Sussurro sem acreditar no que vejo.
Seu corpo pequeno treme de medo enquanto Jacob agacha a sua altura segurando seus cabelos com força.
Ela protesta de dor e lágrimas escorrem de seus lindos olhos que agora se encontram extremamente assustados.
— Seu marido se envolveu em assuntos muito perigosos e quem pagará será você, com seu lindo corpo. — Ele desfere um tapa forte em seu rosto a fazendo gemer.
Guardo o celular no bolso interno do meu casaco escuro sacando minha arma pronto para atirar, mas um baque em minha nuca me deixa atordoado e outro baque faz minha visão se apagar.
***
Abro os olhos sentindo meus ombros e pulsos doerem, respiro com dificuldade sem saber ao certo onde estou, me remexo e sinto algo prender meus pulsos fortemente me causando dor. Com certo esforço fixo meus olhos no que há em minha frente e vejo minha doce mulher completamente machucada.
— Lana... Lana, minha querida. — Meus olhos se enchem de lágrimas ao ver seu pequeno corpo cansado dependurado.
— Durval... — Ela sussurra.
— Não me chame assim, minha querida. Não agora. — Falo ofegante.
— Eles vão te matar. — Ela chora copiosamente.
Forço as mãos nas correntes tentando me soltar. Eu preciso salvá-la. Preciso tirá-la desse lugar imundo o mais rápido possível.
Se é a mim que eles querem me entregarei de bom grado, mas não permitirei que façam mal a minha esposa. Eles não podem machucá-la, não mais, ela não merece passar por isso, não merece sentir dor.
— Shii querida, eles vão perceber que você acordou. — Sinto meus olhos queimarem com as lágrimas que ameaçam cair. — Me desculpe, você não merece passar por isso. — Me sinto completamente incapaz diante daquela situação.
Minha esposa amarrada e dependurada pelos braços, totalmente ferida, com marcas de sangue e hematomas pelo corpo, manchas roxas pelo rosto e cortes profundos de uma possível tortura enquanto eu estava apagado. Suas delicadas roupas agora estão rasgadas mostrando a parte superior de seus seios.
— Minha querida, me perdoe. — Me balanço tentando me soltar, mas meus pulsos estavam presos por algemas apertadas.
Todo o arrependimento cai sobre mim de uma só vez. Eu deveria ter escutado Diones, deveria ter seguido suas ordens estritamente sem dúvidas e incertezas, por teimosia minha esposa está pagando pelos meus erros.
— Eu te amo. — Ela sorri fraca com os olhos cheios de amor e esperança.
— Lana... — Meu coração se parte em mil pedaços por ser incapaz de ajudá-la.
— Eles matarão a mim ou a você, não suportaria viver sem você, Durval, meu amor. — Seu sorriso sincero faz com que as lágrimas escorram pelo meu rosto.
— Lana, por favor. — Suplico para que ela não faça nada inconsequente. — Eu te amo demais, me perdoe querida, a culpa é minha.
— Não se culpe meu amor, você é um policial incrível e o melhor homem do universo, você é o marido perfeito. — Ela sorri abertamente. — Sempre será o meu Durval.
Durval, eu nunca gostei desse apelido antigo, porém meu avô insistia em me chamar assim, nome de origem germânica que significa "sacerdote de Thor" o deus do trovão.
O apelido foi dado devido a uma história antiga que ele costumava contar sobre um touro.
Ele dizia que existia um touro chamado Durval, era o mais cobiçado, o maior da ninhada, o mais bravo e poderoso. Ele não se curvava diante de ninguém, não obedecia a comandos ou regras e levava consigo um olhar puro e intenso. Era um verdadeiro espírito livre.
Meu avô dizia que eu era como Durval – El T**o, por causa das muitas desavenças e brigas que causei entre os meus colegas. Sempre fui o menino sem controle e que jamais abaixava a cabeça para as pessoas a sua volta e assim fiquei conhecido como Durval, pois jamais podemos amansar um espírito livre que nasceu para se destacar.
Bom, era isso que o meu avô dizia, porém atualmente não gosto desse apelido, não gosto de me lembrar da criança petulante que fui, mas Lana conhece a história pois meu avô insistia em contar todas as vezes que ela ia em sua casa.
Um baque na porta faz com que minha atenção se volte para o homem ao meu lado. Jacob segura uma arma apontada para mim enquanto caminha em minha direção com um grande sorriso nos lábios, mais especificamente ele segura a minha arma.
— Finalmente acordado. — Agradeço aos céus por sua atenção estar voltada a mim e não a Lana.
Opto pelo silêncio e o encaro.
— Não queria me pegar? Aqui estou! Você mexeu com a pessoa errada, querido Nikolay, o policial do momento. — Recebo um soco no maxilar que me faz gemer.— Faça o que quiser comigo só deixe minha esposa ir embora. — Suplico sem nenhuma vergonha, pois faria qualquer coisa por ela.— Não teria graça se as coisas fossem assim, não é mesmo? Eu perdi muito mais do que 15 homens há um ano atrás, você só perderá sua esposa. — Desfere tapas pesados em meu rosto.— Mate-me, ela não tem nada a ver com o meu trabalho, é apenas uma mulher inocente, eu farei o que quiser, mas deixe-a ir. — Tento ao máximo convencê-lo.— Não, eu não nasci para ser bondoso. — Desfere um soco em minhas costelas fazendo o ar dos meus pulmões faltarem. — Deveria ter pensado antes de mexer co
10 anos atrás.Observo os homens que recrutei depois de quatro anos de treino pesado em todas as artes marciais que consegui participar. Sim, dediquei os últimos quatro anos da minha vida em treinamentos pesados para realizar a minha tão sonhada e desejada vingança.Utilizei todo o dinheiro que havia reservado no banco para me manter sem que eu precisasse trabalhar e vendi minha casa para manter um dinheiro extra. Mudei de nome, de endereço e de vida, me demiti, mudei meu círculo de amigos e cresci, literalmente cresci.Sendo policial a facilidade de apreender as técnicas passadas a mim pelos meus instrutores era de grande ajuda. Em pouco tempo fui o melhor aluno de artes marciais, porém isso não bastou eu realmente precisava de um mestre para me ajudar a crescer além do que eu já havia crescido.Então eu sumi completamente, apaguei minha vid
Dias atuais.Estou concentrado nas novas informações que recebi a respeito de Diones, pelo que encontrei até agora ele está escondido em outro país, mais especificamente na Itália.Um grande covarde que ao perceber que seus companheiros estavam sendo mortos fugiu sem a mínima preocupação, porém agora eu finalmente o encontrei e caçá-lo em outro país faz a adrenalina pulsar em minhas veias. Entretanto, os murmurinhos no andar de baixo estão começando a me irritar e tirar minha concentração do que estou fazendo.Não compreendo o porquê de tanta falação quando não fui informado de nenhuma desordem em meu território. Isso realmente está começando a me chatear, além disso, já deixei avisado que não quero meus homens dentro dessa casa e pelos barulhos, h&aacut
Assim que passo pelas portas, a coloco sentada sobre a cama e ela se assusta ao tocar o colchão macio, ela abraça o próprio corpo na tentativa de se cobrir.Retiro a venda de seus olhos e piscando incontáveis vezes ela fixa seus lindos e intensos olhos castanhos escuros em mim, embora eles estejam cheios de medo e insegurança.Inclino levemente minha cabeça para o lado observando aquele mar de águas escuras em minha frente.Algo neles me intriga.Quando fixo meus olhos dentro dos seus os vejo refletir a minha alma em uma furiosa tempestade.Aquilo de certa forma me assusta, mas tomado pelo impulso levo minha mão para tocar sua testa machucado e em resposta ela se encolhe se afastando.— Não! — Grita em desespero. — Eu não quero... por favor, não! — Se encolhe ainda mais tentando esconder seu corpo pequeno e desnutrido com os braços.
DurvalDormir, foi algo impossível...O resto da noite foi uma completa perda de tempo, não consegui me concentrar na minha busca por Diones e nem mesmo terminar as planilhas dos novos armamentos que chegariam em poucos dias, minha mente está no meu quarto, ou melhor dizendo, em uma jovem inesperada.Como uma garota tão jovem veio parar em um lugar como esses? Não compreendo os motivos para ela estar naquele beco, isso está tirando minha paz.Suspiro pesadamente rolando meu charuto entre os dedos, fumo com calma, observando o sol adentrar meu escritório a cada segundo que se passa.Meus pensamentos voam tentando compreender como Alfie a abordou. Meu sangue corre mais rápido em minhas veias ao imaginar aquele corpo pequeno e magro tremer de medo e chorar em desespero.Solto uma lufada de fumaça, tamborilando meus dedos sobre a mesa com certa impaciência.
— Sente-se e coma, criança. — Falo com calma.Ela senta à minha frente e começa a comer com tranquilidade o seu café da manhã.— Poderia parar de me chamar de criança? — Ela franze as sobrancelhas ao fixar seus olhos nos meus.— E como devo lhe chamar? Pulamos as apresentações ontem. — Tomo o café para aliviar a sensação maçante do meu peito.— Pode me chamar de Lexy, não gosto muito do meu nome, ele tem um significado estranho do tipo defensora da humanidade ou ajudante, meus pais poderiam ter escolhido algo melhor. — Ela suspira comendo um pedaço de seu bacon com vontade.— E qual é seu nome verdadeiro? — Pergunto um tanto curioso.— Alexia, Alexia Leroy. — Faz uma careta ao falar.— Gostei, é diferente e único, você é a prime
DurvalSe consegui me concentrar no trabalho e nas coisas que deveria fazer? A resposta é: OBVIAMENTE NÃO.Estou irritado, com uma dor de cabeça dos infernos e com vontade de matar alguém para ver se a adrenalina que corre em minhas veias diminui.Já fiz um treinamento pesado na academia com todos os tipos de exercícios desgastante existente e mesmo assim meu corpo parece estar disposto a correr uma maratona.Alexia, não sai da porra da minha cabeça.Estou inquieto e meu sexto sentido me diz que por trás de todo aquele atrevimento e petulância ela esconde algo importante.Pedi a Matheo — um dos meus braços direito — que a seguisse de longe. Não confio completamente nela. Acabo rindo de mim mesmo com a desculpa descabível que acabei de inventar. A verdade é que pouco me importo se confio ou não nela, estou mesmo
— Durval... — Ela me chama receosa.Finjo que não a escutei e agradeço por ela ficar quieta. Geralmente a pessoa que faz as perguntas sou eu e não estou acostumado a ter que responder nenhum tipo de questionamento, além de estar quebrando uma das promessas primordiais que fiz a Lana, mas creio que ela me perdoará, já que eu não podia deixar essa criança na rua.— Vá tomar um banho e se esquentar, porém dessa vez estarei esperando aqui fora para conversarmos. — Entro no quarto e pego uma troca de roupa para ela.Me sento na poltrona cruzando as pernas enquanto a observo.— Vai mesmo ficar aqui? — Pergunta desconfiada.— Sim, aqui quietinho lhe esperando. — Tamborilo os dedos na minha própria perna a esperando.— Ok! — Ela franze as sobrancelhas se virando caminhando em direção ao banheiro, mas