Enquanto corria Ivy ainda conseguia enxergar aquela cena terrível girando em sua mente; agora com mais clareza.Ela relembra perfeitamente tudo que ocorreu antes do momento que ela começou a fugir.Ivy aperta os punhos enquanto, ainda de longe, observava os dois no pequeno quarto. Lucian estava de costas para a porta, mas Flora o encarava com um olhar carregado de intenções.A postura dela era relaxada, quase casual, mas havia algo no sorriso dela que Ivy achou insuportavelmente familiar — o mesmo sorriso que ela já vira em várias ocasiões quando alguém estava tentando conquistar o alfa.A voz de Flora era suave, mas afiada, como uma lâmina envolta em seda.A de Lucian era baixa, mas firme o suficiente para mostrar que Flora o afetava.Antes que Ivy pudesse assistir tudo que estava ocorrendo entre eles, o rangido da porta ecoou pelo quarto, revelando-a.E naquele instante, o mundo de Ivy pareceu parar quando seus olhos focaram a cena à sua frente. O riso suave de Flora parecia ecoar
Ivy não olhou para trás.Em vez disso, subiu no carro ao lado de Alaric, o coração disparado, ainda que tomada pela determinação.Enquanto se jogava no assento do passageiro, fechou a porta com um baque decisivo. Sua respiração vinha em arfadas curtas, e seu coração disparava. Alaric a observou por um instante antes de virar a chave na ignição. O motor rugiu, ecoando na floresta silenciosa.– Tem certeza disso? – perguntou, a voz baixa, mas carregada de preocupação.Ivy assentiu, olhando pela janela para a silhueta de Lucian que começava a emergir ao longe. – Não pare. Só... vá.Alaric pressionou o acelerador, e o carro saiu em disparada pela trilha estreita. A aflição entre Alaric e Ivy era notável enquanto o carro avançava pelas estradas escuras. O cheiro de terra úmida e madeira invadia o interior, mas Ivy sentia algo ainda mais sufocante no ar: culpa misturada com alívio.– Eu imaginei que acabaria assim, sabia? – Alaric quebrou o silêncio, mantendo os olhos na estrada. – Tão rá
A aflição no quarto parecia insuportável enquanto Ivy ouvia cada palavra da conversa entre Alaric e Lucian. O tom ameaçador de Lucian soava como uma corrente invisível tentando puxá-la de volta ao que mais temia.Ela não conseguia mais suportar ficar ali, esperando passivamente.Respirou fundo e saiu do quarto, movendo-se silenciosamente pelo corredor até encontrar Alaric de costas, ainda segurando o telefone com força, os ombros tensos.– Eu não vou negociar com você, Lucian. Acabou – dizia ele, a voz baixa mas carregada de determinação.Sem hesitar, Ivy deu um passo à frente, os olhos fixos no telefone.– Me dá isso – ordenou, a voz firme.Alaric girou, surpreso, mas não teve tempo de responder antes que Ivy simplesmente arrancasse o aparelho da mão dele. Ele tentou segurá-la pelo braço, mas sua determinação o paralisou por um instante.– Ivy, não... – Alaric começou, mas era tarde demais.Ivy pressionou o telefone contra o ouvido e falou com a intensidade de um trovão.– Lucian, sou
O vento soprava frio através da janela quando Alaric, com expressão séria, encarou Ivy depois do aviso do sentinela.– Fique aqui, Ivy. Vou ver o que está acontecendo. – Ele mal tinha terminado a frase quando já se virou para sair.– Não. – A voz dela foi firme, uma ordem mais do que uma resposta.Alaric parou e olhou para ela por sobre o ombro, uma mistura de cansaço e impaciência.– Não é um pedido. É mais seguro você ficar aqui.– Estou farta de ouvir isso! – Ivy retrucou, aproximando-se dele, os olhos brilhando de frustração. – Farta de ser tratada como se fosse fraca ou inútil. Se isso tem algo a ver com Lucian, eu preciso estar lá.Ele cruzou os braços, o tom baixo, mas intenso.– Você não entende o que está em jogo, Ivy. Minha prioridade agora é proteger você.– E minha prioridade é sobreviver e lutar, Alaric! – Ivy rebateu, sua voz cortante como uma lâmina. – Se eu for ficar parada e esperando por proteção o tempo todo, quem vai enfrentar os monstros da minha própria vida?Alar
Os olhos de Alaric se estreitaram, seu corpo inteiro parecia tenso como uma corda prestes a partir.– Se você tocou naquele baú, Ivy, você precisa me dizer exatamente o que fez. Agora. Alaric não respondeu a pergunta anterior de Ivy, e ela olhava para ele com o terror tomando conta de sua expressão.– Por que isso importa? Por que ele mexe tanto comigo? E como diabos você sabe sobre isso? – Ivy gritou, a dor em sua cabeça ainda a consumindo. Alaric virou-se abruptamente, socando a parede com tanta força que ela recuou, assustada. Ele respirou fundo, mas sua voz saiu afiada como uma lâmina.– Porque se o baú escolheu você, isso significa que não estamos lidando apenas com Lucian ou os rebeldes. Estamos lidando com algo muito pior.Ivy segurou a borda da mesa, os dedos tensos como se aquilo pudesse conter a tempestade de emoções em sua mente.Alaric estava parado à sua frente, sombrio, o olhar fixo em algum ponto indefinido no chão.– Você vai me contar tudo o que sabe, Alaric. – Sua
Ivy sentia seu corpo imóvel, seus braços ainda entrelaçados em torno do peito de Alaric enquanto tentava controlar a tempestade de emoções dentro dela.O cheiro dele parecia envolver seus sentidos, perturbando-a mais do que ela estava disposta a admitir. Não era como o vínculo que ela compartilhava com Lucian, mas algo igualmente potente, arrebatador de maneiras que ela não conseguia compreender.Ela deu um passo para trás, afastando-se abruptamente de Alaric, tentando esconder o rubor que queimava em suas bochechas. Mas ele percebeu.– Ivy. – A voz de Alaric era baixa, mas carregada de intensidade. Ele inclinou a cabeça, os olhos fixos nela. – Você também sente isso... não sente?O coração de Ivy deu um salto no peito. Ela abriu a boca para responder, mas nada saiu no início.O calor da proximidade de Alaric envolvia Ivy como uma chama branda, provocando e ao mesmo tempo confortando. Seus sentidos pareciam divididos: o som da chuva, o murmúrio distante do trovão, o cheiro amadeirado
Alaric ainda estava incrivelmente próximo quando, lá fora, a tempestade pareceu rugir como um lembrete cruel de que a realidade ainda estava lá, esperando para quebrar aquele momento de vulnerabilidade.O trovão ressoou pela casa, quebrando o momento carregado de tensão entre Ivy e Alaric. Ambos recuaram, os olhares ainda fixos, a respiração entrecortada.Era como se o som tivesse arrancado o fôlego de ambos, trazendo-os de volta à realidade cruel.Ivy foi a primeira a desviar os olhos, cruzando os braços como se tentasse proteger a si mesma.– Eu... vou para o meu quarto. Preciso... descansar – disse, a voz trêmula, sem convicção.Antes que Alaric pudesse responder, ela girou nos calcanhares e saiu apressada, sem olhar para trás. Caminhou pelos corredores mal iluminados da casa, o som da chuva acompanhando seus passos apressados.Seu coração estava pesado, dividido entre o presente e as sombras do passado.Assim que entrou no quarto, Ivy trancou a porta e deslizou até o chão, abraçan
O celular de Ivy caiu de suas mãos trêmulas, o brilho da tela iluminando o quarto escuro.Ela leu a mensagem mais uma vez, tentando entender as camadas de ameaça e súplica escondidas nas palavras de Lucian. Por mais que quisesse ignorar o aviso, sabia que ele sempre cumpria suas promessas – para o bem ou para o mal.Com a respiração acelerada, levantou-se da cama, incapaz de permanecer imóvel.Caminhou pelo quarto, tentando clarear os pensamentos. A culpa, o medo e uma faísca de algo que ela se recusava a admitir — preocupação? — a consumiam."Você foi minha salvação uma vez..."As palavras ecoavam em sua mente, trazendo lembranças de momentos que ela preferia esquecer. Lucian não era um monstro, pelo menos não sempre. Mas ele também nunca fora livre de sombras.Ivy decide sair do quarto e caminha até a cozinha da alcateia, há silêncio e escuridão por toda parte. Exceto em um corredor que antecedia a sala de jantar, lá existia uma luz, ainda que tímida.– Ivy. – uma voz grave quebra