A aflição no quarto parecia insuportável enquanto Ivy ouvia cada palavra da conversa entre Alaric e Lucian. O tom ameaçador de Lucian soava como uma corrente invisível tentando puxá-la de volta ao que mais temia.Ela não conseguia mais suportar ficar ali, esperando passivamente.Respirou fundo e saiu do quarto, movendo-se silenciosamente pelo corredor até encontrar Alaric de costas, ainda segurando o telefone com força, os ombros tensos.– Eu não vou negociar com você, Lucian. Acabou – dizia ele, a voz baixa mas carregada de determinação.Sem hesitar, Ivy deu um passo à frente, os olhos fixos no telefone.– Me dá isso – ordenou, a voz firme.Alaric girou, surpreso, mas não teve tempo de responder antes que Ivy simplesmente arrancasse o aparelho da mão dele. Ele tentou segurá-la pelo braço, mas sua determinação o paralisou por um instante.– Ivy, não... – Alaric começou, mas era tarde demais.Ivy pressionou o telefone contra o ouvido e falou com a intensidade de um trovão.– Lucian, sou
O vento soprava frio através da janela quando Alaric, com expressão séria, encarou Ivy depois do aviso do sentinela.– Fique aqui, Ivy. Vou ver o que está acontecendo. – Ele mal tinha terminado a frase quando já se virou para sair.– Não. – A voz dela foi firme, uma ordem mais do que uma resposta.Alaric parou e olhou para ela por sobre o ombro, uma mistura de cansaço e impaciência.– Não é um pedido. É mais seguro você ficar aqui.– Estou farta de ouvir isso! – Ivy retrucou, aproximando-se dele, os olhos brilhando de frustração. – Farta de ser tratada como se fosse fraca ou inútil. Se isso tem algo a ver com Lucian, eu preciso estar lá.Ele cruzou os braços, o tom baixo, mas intenso.– Você não entende o que está em jogo, Ivy. Minha prioridade agora é proteger você.– E minha prioridade é sobreviver e lutar, Alaric! – Ivy rebateu, sua voz cortante como uma lâmina. – Se eu for ficar parada e esperando por proteção o tempo todo, quem vai enfrentar os monstros da minha própria vida?Alar
Os olhos de Alaric se estreitaram, seu corpo inteiro parecia tenso como uma corda prestes a partir.– Se você tocou naquele baú, Ivy, você precisa me dizer exatamente o que fez. Agora. Alaric não respondeu a pergunta anterior de Ivy, e ela olhava para ele com o terror tomando conta de sua expressão.– Por que isso importa? Por que ele mexe tanto comigo? E como diabos você sabe sobre isso? – Ivy gritou, a dor em sua cabeça ainda a consumindo. Alaric virou-se abruptamente, socando a parede com tanta força que ela recuou, assustada. Ele respirou fundo, mas sua voz saiu afiada como uma lâmina.– Porque se o baú escolheu você, isso significa que não estamos lidando apenas com Lucian ou os rebeldes. Estamos lidando com algo muito pior.Ivy segurou a borda da mesa, os dedos tensos como se aquilo pudesse conter a tempestade de emoções em sua mente.Alaric estava parado à sua frente, sombrio, o olhar fixo em algum ponto indefinido no chão.– Você vai me contar tudo o que sabe, Alaric. – Sua
Ivy sentia seu corpo imóvel, seus braços ainda entrelaçados em torno do peito de Alaric enquanto tentava controlar a tempestade de emoções dentro dela.O cheiro dele parecia envolver seus sentidos, perturbando-a mais do que ela estava disposta a admitir. Não era como o vínculo que ela compartilhava com Lucian, mas algo igualmente potente, arrebatador de maneiras que ela não conseguia compreender.Ela deu um passo para trás, afastando-se abruptamente de Alaric, tentando esconder o rubor que queimava em suas bochechas. Mas ele percebeu.– Ivy. – A voz de Alaric era baixa, mas carregada de intensidade. Ele inclinou a cabeça, os olhos fixos nela. – Você também sente isso... não sente?O coração de Ivy deu um salto no peito. Ela abriu a boca para responder, mas nada saiu no início.O calor da proximidade de Alaric envolvia Ivy como uma chama branda, provocando e ao mesmo tempo confortando. Seus sentidos pareciam divididos: o som da chuva, o murmúrio distante do trovão, o cheiro amadeirado
Alaric ainda estava incrivelmente próximo quando, lá fora, a tempestade pareceu rugir como um lembrete cruel de que a realidade ainda estava lá, esperando para quebrar aquele momento de vulnerabilidade.O trovão ressoou pela casa, quebrando o momento carregado de tensão entre Ivy e Alaric. Ambos recuaram, os olhares ainda fixos, a respiração entrecortada.Era como se o som tivesse arrancado o fôlego de ambos, trazendo-os de volta à realidade cruel.Ivy foi a primeira a desviar os olhos, cruzando os braços como se tentasse proteger a si mesma.– Eu... vou para o meu quarto. Preciso... descansar – disse, a voz trêmula, sem convicção.Antes que Alaric pudesse responder, ela girou nos calcanhares e saiu apressada, sem olhar para trás. Caminhou pelos corredores mal iluminados da casa, o som da chuva acompanhando seus passos apressados.Seu coração estava pesado, dividido entre o presente e as sombras do passado.Assim que entrou no quarto, Ivy trancou a porta e deslizou até o chão, abraçan
O celular de Ivy caiu de suas mãos trêmulas, o brilho da tela iluminando o quarto escuro.Ela leu a mensagem mais uma vez, tentando entender as camadas de ameaça e súplica escondidas nas palavras de Lucian. Por mais que quisesse ignorar o aviso, sabia que ele sempre cumpria suas promessas – para o bem ou para o mal.Com a respiração acelerada, levantou-se da cama, incapaz de permanecer imóvel.Caminhou pelo quarto, tentando clarear os pensamentos. A culpa, o medo e uma faísca de algo que ela se recusava a admitir — preocupação? — a consumiam."Você foi minha salvação uma vez..."As palavras ecoavam em sua mente, trazendo lembranças de momentos que ela preferia esquecer. Lucian não era um monstro, pelo menos não sempre. Mas ele também nunca fora livre de sombras.Ivy decide sair do quarto e caminha até a cozinha da alcateia, há silêncio e escuridão por toda parte. Exceto em um corredor que antecedia a sala de jantar, lá existia uma luz, ainda que tímida.– Ivy. – uma voz grave quebra
O mundo pareceu girar ao contrário. O som das palavras de Alaric ecoou na mente de Ivy, mas foi como se uma parede invisível tivesse se erguido, abafando todos os outros sons ao seu redor. Ela levou uma mão ao peito, como se tentasse impedir o coração de rasgar suas costelas.– Não... – sussurrou ela, as palavras mal saindo de seus lábios. – Ele prometeu...– Lucian nunca honra suas promessas, Ivy – interrompeu Alaric, a voz cheia de raiva. – Eu recebi a notícia esta manhã. – Ele o pegou como uma forma de me forçar a me entregar... – Ivy sussurra para si mesmo, os olhos baixos, cercados pelas lágrimas e ela precisa se apoiar a parede mais próxima, pois suas pernas começaram a trai-la.Ela leva a mão à boca, o coração pesado com um misto de culpa, medo e fúria.– O que ele quer em troca? – perguntou ela, embora já soubesse a resposta.– Você – respondeu Alaric, sem rodeios.O silêncio que se seguiu foi sufocante. Ivy olhou para Alaric, sua mente correndo em busca de uma solução que n
A sala pareceu apertar ao redor deles, cheia de apreensão, ressentimento e emoções não ditas. Ivy manteve o olhar fixo em Lucian, seus punhos cerrados ao lado do corpo, enquanto ele permanecia encostado casualmente na borda da mesa, como se não fosse o centro do furacão que estava prestes a explodir. — Você não vai me manipular de novo, Lucian — Ivy afirmou, a voz mais firme do que ela imaginava que poderia ser. — Quero saber onde está o meu irmão. Não acredito que você quebrou sua promessa. Lucian inclinou ligeiramente a cabeça, o sorriso sem humor crescendo em seus lábios. — Que promessa? A que nós dois fizemos, ou a que você decidiu abandonar primeiro? A acusação pegou Ivy de surpresa, mas não suficiente para fazê-la recuar. — O que isso tem a ver com Ethan? — ela questionou, estreitando os olhos. — Tudo — respondeu ele, a raiva escondida sob o tom controlado. — Você é tão hipócrita, Ivy. Está aqui me acusando de quebrar promessas, mas foi a primeira a virar as costas