Cassidy precisava de mais um incentivo para se acalmar. Eu sabia que minha mulher ficaria daquele jeito, não era esperado, mas, ainda assim, a felicidade me dominava.Corri até a joalheria mais próxima, buscando algo que a fizesse sorrir. Precisava ser perfeito. Então, encontrei: um colar delicado, desenhado para mães. No pingente, duas pequenas figuras – um menino e uma menina, irmãos. Era um sinal. Eu sentia, lá no fundo, que estávamos esperando um menino. Não sabia como, era cedo demais para ter certeza, mas eu simplesmente sabia.Teríamos um casal.A euforia tomou conta de mim. Pedi à atendente que caprichasse na embalagem e escolhi um cartão para escrever à mão. Precisava ser especial.Com tudo pronto, entrei no carro e segui de volta para casa, mas, no meio do caminho, meu celular tocou. Era Joshua.— Kai, está tudo bem por aí?— Sim, tudo certo. Por quê?— Olívia saiu para ver Cassidy. Ela disse que Cass não estava bem e precisava dela.Franzi a testa.— Entendi. Eu não estou e
O almoço transcorreu entre risadas e conversas leves, mas minha mente ainda estava presa na imagem daquela mensagem. Daquela foto.Cassidy parecia melhor, e eu queria manter a tranquilidade daquela noite, mas um instinto primal latejava dentro de mim. A sensação de ser observado. Depois do jantar, enquanto todos estavam entretidos, chamei Olivia para conversar no corredor. — Preciso falar com você. — falei baixo. Ela arqueou a sobrancelha, intrigada.— Aconteceu alguma coisa?Respirei fundo, conferindo se ninguém estava por perto.— Antonella Rizzo. Acho que ela está me seguindo. E eu preciso que você fique de olho na sua casa, eu estive lá hoje de manhã. A expressão de Olivia mudou instantaneamente. Seus ombros enrijeceram, e o olhar se tornou alerta.— Você tem certeza?Peguei o celular e mostrei a foto. Ela segurou o aparelho, os olhos se estreitando enquanto analisava a imagem.— Isso foi hoje?Assenti.— Na saída da joalheria onde fui comprar um presente para Cassidy. Ela es
Eu estava eufórica com o presente. Era a coisa mais linda que eu já tinha visto na vida. O pingente repousava contra minha pele, como se já pertencesse a mim desde sempre. Deitada na cama ao lado de Kai, eu sentia seu abraço firme me envolvendo, seus lábios quentes deslizando lentamente pelo meu ombro, deixando arrepios por onde passavam. Meu coração ainda pulsava rápido, mas agora era por um motivo completamente diferente. — Está mais relaxado? — provoquei, sorrindo. Ele soltou um suspiro pesado, satisfeito. — Amor, você foi perfeita. Eu poderia dormir agora mesmo. Ri baixinho, passando a mão pelos cabelos dele. — Então durma, estamos de férias, não é? Pelo menos por esses dias. — Tenho uma ideia melhor — murmurou contra minha pele. — Vamos tomar um banho relaxante na banheira. Antes que eu pudesse responder, Kai me pegou no colo com facilidade, me arrancando uma risada surpresa. Segurei em seus ombros enquanto ele nos levava até o banheiro. A água começou a encher a
Logo pela manhã, Kai e Joshua seguiram para a delegacia. Enquanto isso, Olivia ficou comigo, determinada a garantir que eu estivesse bem. Michael também apareceu, reforçando o apoio que eu nem sabia que precisava, contei a ele a novidade sobre minha gestação e vi a felicidade em seus olhos, isso era tudo para mim. Mas, mesmo cercada por eles, minha inquietação era incontrolável. Cada segundo de espera parecia uma eternidade. Eu precisava saber o que estava acontecendo. O que haviam descoberto? O que Kai e Joshua estavam enfrentando lá dentro? — Já chega! — Olivia se levantou, cruzando os braços com firmeza. — Estamos todos tensos, mas você, Cassidy, está à beira de um colapso! Parece que estamos esperando uma notícia terrível. E se for? O que vai mudar você se consumir de ansiedade agora? Não é assim que vamos resolver isso! Eu respirei fundo, mas antes que eu conseguisse argumentar, ela continuou: — Vamos para minha casa. Passamos a tarde na piscina, e eu chamo o papai
Quando nossa pequena confraternização chegou ao fim, Kai e eu decidimos voltar para casa. O dia havia sido leve, mas minha mente ainda estava presa na tensão da manhã. Eu precisava saber o que havia acontecido na delegacia. Precisava entender o que estava se desenrolando ao nosso redor.Rubi dormia tranquilamente em seu bebê conforto no banco de trás, o rosto sereno, completamente alheia ao turbilhão de sentimentos que nos cercava. No banco da frente, eu me ajeitei, lançando um olhar discreto para Kai, que dirigia em silêncio, os dedos tamborilando no volante.O comportamento dele me dizia tudo. Algo não estava certo.— Algo ruim? — Quebrei o silêncio, tentando controlar a ansiedade. — Você e Joshua demoraram.Kai soltou um suspiro pesado, mantendo os olhos fixos na estrada.— Não é ruim, exatamente… — Hesitou por um momento. — Mas é estranho.Franzi o cenho.— Estranho como?Ele engoliu em seco, apertando um pouco mais o volante.— Eles acham que não é Antonella.Minha respiração fal
Cassidy Anos atrás — Você é linda, Cassidy. Eu sempre quis você. Posso te beijar?” Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Kai Hoke, minha paixão platônica, estava se declarando para mim. Ele segurava minha cintura, sua boca estava próxima à minha, e aquele olhar cheio de desejo me arrepiava, eu quis gritar e afirmar que sim, mas minha voz trêmula apenas conseguiu dizer: “— Me beije, Kai, por favor — supliquei.” “— Seu desejo é uma ordem, meu doce — sussurrou, inclinando o rosto para me beijar.” Não tive tempo de sentir o gosto de seus lábios. O som do alarme tocou, e aquela imagem dele me segurando começou a se dissipar. Não... não... foi um sonho? Eu sonhei de novo com Kai Hoke me beijando? Bufei, inconformada, e desliguei o alarme do telefone. Levantei-me, arrastando os pés, frustrada. — Isso está me enlouquecendo — murmurei para mim mesma. Caminhei até o banheiro, pronta para começar o dia e tentar aproveitá-lo sem fantasiar com um amor proibido. Hoje é o meu anive
Kai Hoke— Kai, vamos precisar viajar em breve, tudo bem? — Dylan, meu irmão, entrou na minha sala e afirmou. — Para onde? — Nova York, irmão. Início da fiscalização das obras do empreendimento do hospital. Teremos que ir, porque o cliente quer os responsáveis diretos lá, e não apenas "algum encarregado". — Fez aspas com os dedos e revirou os olhos. — Insuportável — murmurei. — Concordo, mas assinamos o contrato. Temos que ir — enfatizou. — Quando? — Semana que vem. Podemos passar no apartamento e ver como os meninos estão — sugeriu. — Sim, pelo menos não vai ser uma viagem totalmente perdida — ri. Mike já está lá há quase dois anos, e Cassidy foi no início desse ano, os dois são irmãos da minha cunhada e eu gostei deles logo que os conheci. Faz bastante tempo que não vejo os dois. Aqueles irmãos são como sobrinhos de verdade. Eu os amo como se fossem parte da minha família. Ir visitá-los não será tão chato assim. Podemos ver se estão precisando de alguma co
Cassidy Algumas coisas não mudam. O tempo passa, eu tenho mais oportunidades de viver minha vida, mas continuo presa nos meus pensamentos, imaginando como deve ser estar no lugar das mulheres nas fotos ao lado de Kai. Minha última aula terminou e eu estava indo para casa quando senti uma mão em meu ombro. Parei e me virei. — Cass. — Oi, Peter. — sorri, surpresa. Peter e eu trocamos poucas palavras neste ano, e quase não tivemos interações além de olhares e, como Mike diria, "um clima". — Então, vai rolar uma festa hoje. Topa? — perguntou. Pisquei, surpresa com o convite. Nunca tivemos intimidade além de um simples "bom dia". — Ah, obrigada, mas não sei se vou conseguir, tenho muito o que estudar — respondi, sorrindo sem graça. — Tudo bem, se mudar de ideia, esse é meu número. Até mais. — Ele me entregou um papel e sorriu. Peter tocou meu ombro antes de se afastar. Fiquei alguns segundos tentando entender a situação, mas logo dei de ombros e segui meu caminho.