— Chloe não está na cidade e Pietra quase não aparece em casa. — Então a casa está praticamente vazia. — Wendy comentou, ajustando a alça da bolsa enquanto seguia Theo pelo estacionamento do aeroporto. — Exato. — Ele confirmou, destravando o carro. — O que significa que você pode ficar lá sem ninguém te incomodar. Wendy parou ao lado do veículo e o encarou. — Theo… — Não quero ouvir desculpas. Você voltou para Londres e não faz sentido se enfiar em um hotel quando o seu quarto espera por você na mansão da família. Ela suspirou, passando a mão pelos cabelos. — Eu não sei se é uma boa ideia… — Por quê? — Ele cruzou os braços. — Quer ir para o apartamento do Ethan? Wendy bufou, revirando os olhos. — Claro que não. — Então qual o problema? Ela apertou os lábios, desviando o olhar. — Eu só... não quero estresse com as gêmeas. Domingo eu volto para a Itália e não quero confusão antes disso. Theo soltou um riso sem humor. — Wendy, pelo amor de Deus. Você acha mesmo que Chloe e
Ethan estava sentado no banco do camarim, os cotovelos apoiados nas coxas, os dedos entrelaçados enquanto encarava o próprio reflexo no espelho. O ar pesado do ambiente parecia vibrar com a expectativa que pairava no ar. O barulho abafado da multidão ecoava pelos corredores, um lembrete constante de que, em poucos minutos, ele estaria no centro do octógono, lutando não apenas por uma vitória, mas por algo muito maior. Clifton, seu treinador, estava de pé ao lado, os braços cruzados sobre o peito. Ele observava Ethan com um olhar firme, porém, carregado de uma determinação quase feroz. — Essa é a oportunidade do século para nós dois, irmão. — Clifton disse, sua voz rouca cortando o silêncio. — Se vencer essa luta, não só você se consagra como o maior dessa geração, mas nós provamos que todo o esforço valeu a pena. E vai conseguir sua vingança pessoal. Ethan soltou um suspiro, passando a mão pelo rosto suado. O peso do momento era esmagador, mas não era isso que o inquietava. Seu cor
Round 4 A luta virou. Maddox dominava agora. Cada golpe parecia pesar o dobro. Ethan tentava respirar fundo, recuperar o ritmo, mas o cansaço se instalava. Maddox viu a oportunidade e atacou sem piedade. Ele acertou um uppercut brutal, jogando Ethan contra a grade. O árbitro quase interveio, mas Ethan ergueu os punhos, mostrando que ainda estava na luta. A campainha soou, e Ethan caminhou para o seu canto sentindo o gosto metálico do sangue na boca. Clifton falava com ele, mas os sons estavam abafados. Round 5 - O Último O round começou com Maddox impiedoso. Ele estava sedento pela vitória. Ethan tentava se defender, mas seus movimentos estavam lentos. Então, aconteceu. Maddox girou o quadril e desferiu um chute alto, atingindo Ethan na têmpora. O impacto foi como um trovão. Seu corpo cedeu, e ele desabou no chão, deslizando até a grade do octógono. Por um instante, tudo ficou em silêncio. A arena pareceu desaparecer. E então, ele ouviu. — Levanta! A voz perfurou sua consci
O barulho dos pequenos pés correndo pelo quintal arrancou um sorriso de Ethan. Ele se recostou na espreguiçadeira, observando Wendy correr atrás da criança de cabelos escuros e riso fácil. Jasper soltava risadas altas, a pequena camiseta amassada pelo calor da brincadeira. Ele corria o mais rápido que suas perninhas de três anos permitiam, desviando de Wendy com agilidade surpreendente. — Você não vai me pegar, vovó Wendy! — ele gritou, a voz infantil cheia de travessura. — Ah, é o que veremos! — Wendy respondeu, acelerando os passos e pegando Jasper nos braços. Ele soltou uma gargalhada enquanto ela girava no ar com ele. Ethan balançou a cabeça, sorrindo. Era uma cena que ele nunca imaginou viver, mas ali estava ele: vendo seu neto crescer, sentindo o calor do sol em sua pele e o coração leve como há muito tempo não sentia. Jasper se contorcia nos braços de Wendy, tentando escapar, e quando finalmente conseguiu, correu na direção de Ethan. — Vovô, me salva! Ethan abriu os braç
Londres, 2013. — Isso é ridículo! Eu não posso aparecer na frente de toda aquela gente, usando essa coisa horrenda. — Seu pai escolheu. Você está mais do que careca que saber, que as decisões do seu pai são irrefutáveis. Wendy encara o espelho mais uma vez e cruza os braços, extremamente irritada. Ela chega à conclusão de que seu pai só pode enxergá-la como uma palhaça, para fazer com que vista aquele vestido roxo todo armado e com mangas bufantes. — É meu aniversário de quinze anos. Eu deveria ter pelo menos o direito de escolher o que vestir. Abby, a babá de Wendy, apenas encolhe os ombros e sorri para a menina através do espelho. — Você sabe que não é apenas o seu aniversário. — a velha mulher diz, abraçando a garota de lado. — E não importa a roupa que você vista, menina. Você sempre estará linda. — Sua opinião não vale, babá. Eu duvido que Steve vá me achar bonita dentro desse troço enorme e roxo. — Claro que... Abby teve sua fala cortada, pela presença de uma das em
Londres, 2023. — Por dirigir alcoolizada, não respeitar o sinal vermelho e quase atropelar um homem na calçada, cinco mil dólares. — O QUE? ISSO É... — Sem gritos, senhorita Montenegro. Isso aqui não é a sua casa. Wendy fecha os olhos e respira fundo. Não era sua intenção sair presa da corte. — Desculpe, meritíssimo. Eu só... eu não tenho esse dinheiro. Não tenho de onde tirar. O homem de cabelos brancos e paciência zero, encara Wendy de cima a baixo. Geralmente ele enviaria a pessoa diretamente para a cadeia, devido a gravidade da multa, mas ele sentiu um pouco de empatia por Wendy. Talvez fosse os olhos lacrimejados; talvez a expressão genuína de arrependimento em seu rosto, ou a percepção de que ela não representava uma ameaça direta à sociedade. O juiz pondera por um momento antes de falar: — Senhorita Montenegro, suas ações foram extremamente irresponsáveis e poderiam ter causado danos irreversíveis. No entanto, considerando que esta é sua primeira ofensa e levando em cont
Passaram-se muitos anos desde a última vez que Wendy tinha visto seu pai pela última vez. A vida a havia levado por caminhos diferentes dos planos que ele tinha para ela, e isso havia causado um distanciamento entre os dois. No entanto, agora, ela estava prestes a enfrentar uma visita ao cemitério da família para o enterro de seu pai. Wendy estava nervosa enquanto dirigia pelo caminho familiar que a levava ao cemitério. A paisagem ao redor estava repleta de memórias de sua infância, as quais havia tentado suprimir ao longo dos anos. Mas agora, elas vinham à tona com força total. Ao chegar ao cemitério, Wendy sentiu um aperto no peito. O ambiente tranquilo e sereno transmitia uma sensação de solenidade, ecoando o peso do momento que estava por vir. Ela desceu do carro que lhe fora enviado e respirou fundo, buscando coragem para enfrentar a situação. Ao adentrar o cemitério, Wendy caminhou entre os túmulos da família. Cada lápide era um lembrete tangível de suas raízes, uma conexão c
Assim que o advogado terminou a leitura, a sala se tornou um completo silêncio. Aquilo durou apenas alguns segundos, até que Wendy soltou uma gargalhada alta e estridente, fazendo com que todos os seus irmãos a olhassem. — Muito bom. — ela diz, ainda rindo. — Eu não sei com qual intuito vocês fizeram essa pegadinha comigo, mas foi boa. — Pegadinha? — Pietra pergunta, encarando sua gêmea. — Wendy, nós não temos nada a ver com isso. Ao perceber que seus irmãos mantinham o semblante sério, tão confusos quanto ela com aquele final de testamento, ela se vira para o advogado. — Então foi uma pegadinha do meu pai. Não foi, Guilhermo? Guilhermo não precisava reler aquele documento, para responder à pergunta de Wendy. Ele era advogado da família há tantos anos, que esteve em todas as reuniões que Oliver teve. Principalmente aquela em que fora incluído o adendo do testamento. — O seu pai sempre foi um homem muito sério e odiava brincadeiras sem graça. O testamento é válido. Cada lacu