- E então, pai, o que houve? - Theo perguntou novamente, vendo Anderson se sentar. Seu rosto não tinha expressão nenhuma, e isso apenas aumentou a inquietação de Elizabeth, cuja imaginação já não lhe dava tréguas. - Papai. - Repetiu, agora impaciente e com um toque de rudeza. Não percebeu a respiração acelerada, nem o coração batendo forte no peito, mas já começava a se desesperar.
A menina, conhecida como a mais pessimista da família, sentia as mãos trêmulas e suadas. O coração pulsava como se quisesse rasgar seu peito. A sensação ruim da manhã estava de volta, ainda mais forte. "Calma", dizia a si mesma. "Não pensa besteira." Mas sua mente não lhe obedecia. Dentro dela, uma voz gritava, chorava, se debatia como se já soubesse o que estava por vir. Mesmo sem nenhuma certeza, o medo a sufocava. - Não sei por onde começar… não me preparei para isso. - A voz de Anderson soou baixa, cansada. Ele suspirou longo e pesado, os olhos baixos, evitando o olhar dos filhos. Para Theo e Elizabeth, aquilo pareceu estranho. Muito estranho. - O que tenho para dizer não é fácil, mas quero que saibam que sempre estaremos juntos. Eu sempre vou cuidar de vocês. - Aquelas palavras fizeram uma lágrima rolar silenciosamente pelo rosto de Elizabeth. Sua mente acelerou, arquitetando milhões de possibilidades ruins. - E-eu... s-sua mãe... - Anderson começou a gaguejar, tremeu, respirou fundo e tentou se recompor. Fosse como fosse, ele precisava lhes transmitir a informação. E pela primeira vez na vida, Elizabeth viu seu pai hesitar tanto, tropeçar nas palavras como se elas fossem pedras afiadas. O medo em seus olhos cresceu. - Sua mãe sofreu um... um acidente. Se é que podemos chamar assim. - Acrescentou. Ele disse acidente. Acidente. A palavra reverberou dentro de Elizabeth como um trovão. - Ela está bem? Em que hospital está? - Elizabeth perguntou rapidamente. Seu tom era de urgência, mas não vacilou. Queria a verdade. Anderson abaixou ainda mais o olhar, como se tivesse vergonha. Sim, Mariana tinha sofrido um acidente. Sim, estava em um hospital. Mas havia mais. Algo que não conseguia digerir. - Pai... - Theo chamou, sentindo um calafrio na espinha. Seus olhos esbugalhados não piscavam. - Ela... está morta. - As palavras saíram como um sussurro pesado, uma confissão amarga. Um silêncio cortante tomou conta da sala.Os braços largados ao lado do corpo, demonstravam bem o quanto ele tinha de força naquele instante, ou seja, nada - Eu sinto muito, meus filhos. - Anderson murmurou antes de se mover e abraçar a mais nova. Elizabeth sentiu o contacto, ouviu a voz sussurando palavras em seu ouvido, que sua mente lhe alertou, eram de conforto, mas não se moveu, não conseguiu. Estática. Queria gritar, mas a voz não saía. "Não pode ser verdade. Mamãe morreu? Minha doce, adorável mãe morreu? Não pode ser. Eu a vi essa manhã... Ela estava linda. Não pode ser verdade." Ela queria acordar. Por favor, que fosse um pesadelo. Suplicava ao seu subconsciente. Queria que lhe dissesse que era um sonho, ou um pesadelo, e ela viveria com vergonha dele pelo resto da vida, mas que tudo ficaria bem quando acordasse. Seu pai não estaria dizendo aquelas palavras e... - Não pode ser verdade, isso é ridículo! - Theo se exaltou, inconformado. Elizabeth mal percebeu quando caiu sentada no sofá, mas as lágrimas escorriam incontroláveis, os soluços escapavam como se estivessem sendo arrancados à força, e o ar parecia lhe faltar. Viu a cara de derrota do pai e a expressão inconformada do irmão, mas era tão difícil acreditar, entender ou suportar. Ela só queria sua mãe. - Não dá para acreditar nisso, pai. Esse homem está mentindo! - Theo apontou para a porta, transtornado. - Deve não, ele está mentindo, Papai. - Reformulou transtornado. Se sentia tonto, confuso e com medo de que estivesse certo o homem desconhecido. - É impossível que mamãe, que minha mãe esteja...- Ofegante, se esforçava para não chorar. Ele não iria chorar por algo que considerava falso. Não quando sua mãe havia lhe ensinado a não se deixar levar por mentiras ou boatos - Theo... - Anderson tentou intervir. - É impossível que minha mãe esteja… - Sua voz falhou novamente. Ele não conseguia terminar a frase. - Morta. - Elizabeth completou.Dizer aquela palavra em voz alta foi como cortar a própria pele, mas era o que sua mente gritava. - Cale a boca, Elizabeth! - Theodor gritou, exaltado. - Como pode pensar em absurdos dessa proporção? - Questionou alterado. Ela o olhou nos olhos e, pela primeira vez, viu seu irmão despedaçar diante dela. Ele tentava lutar contra a verdade, mas estava perdendo. - Já pedi para não ser tão idiota. - Theodor ainda não queria aceitar. Eram tantas as opções que o impediam, e na maioria delas, lágrimas e saudades estavam envolvidas. O medo. A dor. A raiva. Tudo misturado no olhar de Theodor , enquanto Elizabeth afundava cada vez mais no luto que se impôs sobre eles. [...] Horas depois, com o rosto abatido e mãos húmidas de suor, Anderson seguiu até o quarto que costumava dividir com Mariana. Seus passos eram arrastados, os ombros curvados como se carregassem um peso insuportável, era a exata expressão de um homem derrotado. Vagarosamente afastou a porta, e acendeu a lâmpada. O cheiro doce do perfume de Mariana não o invadiu daquela vez. E saber que nunca mais o invadiria, estava lhe deixando pertubado. Não havia mais nada ali. E o vazio o atingiu como um soco. Sua companheira havia partido. Sem aviso prévio, sem despedida, carta de recomendação ou indemnização, apenas apagou as luzes e foi embora. Ele se sentou na beira da cama, passando as mãos pelo rosto. Se perguntou se havia transmitido bem a notícia, se poderia ter sido mais "amável", ou se realmente havia um jeito bom de dar aquela notícia para alguém. Pensava nos filhos e nas reações de cada um. Theodor estava inconformado, revoltado, até certo ponto, agressivo.Gritou com a irmã e depois subiu ao próprio quarto esmurrando a porta sem dizer mais uma palavra. Anderson tinha medo do que ele poderia fazer no calor do momento. Elizabeth... ah, Elizabeth. Ela chorou como nunca antes. Se encolheu no sofá até adormecer, mas Anderson sabia que, quando ela acordasse, nada teria mudado, então Elizabeth nunca mais seria a mesma. Anderson se sentia inútil por não conseguir fazer nada, além de ver os filhos despedaçar. Suspirou outra vez, por minutos desejou desaparecer, recuar o tempo ou apagar memórias. Desejava que não estivessem todos vivendo aquele tormento. Sentiu lágrimas silenciosas descerem por seus olhos, no entanto, as perguntas surgiam em sua mente. O que Mariana não lhe disse naquela noite? Porquê estava tão estranha nos últimos meses, ou porquê preferiu ignorar? E quanto ao que descobriu, seria melhor se esquecesse? Anderson não sabia o que fazer. Ele não possuía a "magia" que as mães tinha para confortar, menos ainda a de solucionar. Ele não sabia como ser tão bom pai quanto sua esposa era boa mãe. Anderson era médico, mas não sabia como curar. Não aquele tipo de dor, não quando também estava ferido. Sem muito pensar, pegou o telefone e discou um número. — Anderson? —A voz sonolenta atendeu do outro lado. — Anderson. — Ana repetiu bastante confusa pelo silêncio absoluto que recebeu. Afastou o aparelho da orelha para confirmar se ainda estava ligado, confirmou, e então voltou a posicionar.— Anderson, está tudo bem? — Questionou inquieta. —Ana, aconteceu uma tragédia. — A voz dele falhou. Lentamente aquelas palavras atingiram o cérebro de sua melhor amiga a fazendo esquecer do sono e entrar em estado de alerta. Saiu debaixo dos lençóis, e se sentou esperando pelo que viria a seguir. — O que aconteceu? — Em um fio de voz, Ana insistiu. — Encontraram a Mariana morta. — Contou. Silêncio. Depois, um som abafado. — Meu Deus… — Ana murmurou, a mão tapando a boca. — Anderson, eu sinto muito. — Falou com pesar. — Ela não se despediu dos filhos, Ana. Só disse para eles terem um bom dia. — Lágrimas escorriam pelo rosto de Anderson. — Ana, o que vou fazer agora? Como vou cuidar dessas crianças? — Perguntou desesperado Do outro lado da linha, Ana respirou fundo. Sabia que ninguém estava preparado para perder quem ama. Mas também sabia que Elizabeth e Theo precisavam dele mais do que nunca. [...] Na manhã seguinte, Elizabeth despertou no próprio quarto, sem saber como havia ido parar ali. Tudo estava confuso em sua cabeça e a única coisa de que se lembrava bem, era que lhe doía a alma. O resto parecia um borrão, ou talvez uma péssima piada. Lembrava do peso esmagador em seu peito. "Foi um pesadelo?" Mas o vazio dizia que não. Seu pai não mentiria, e Theo não gritaria por nada. Então era mesmo verdade, uma triste e cruel verdade, que abalava sua família e lhe fazia amaldiçoar a realidade. Sentido o corpo fraco e a boca seca, foi tirada de seu devaneios quando do outro lado da porta, seu irmão batia de forma hesitante. Ele não estava bem, mas se esforçava para ficar em pé. — Entra. — Elizabeth consentiu. Theo entrou devagar, vestindo moletom e chinelos. Seu rosto estava abatido, as olheiras profundas, e no coração uma ferida que acreditava, nunca iria sarar. — Bom dia, Lizy. — Ele se sentou na beira da cama. Não havia dormido a noite inteira, mas também como conseguiria, se a verdade lhe causava insónia? — Bom dia. — Elizabeth respondeu fraco, e como se aquele fosse o gatilho, sentiu os olhos marejarem — Vem aqui. — Ele a puxou para um abraço. E então ela desabou.Theo a apertou contra o peito, sentindo sua dor como se fosse a própria. E de certa forma, era. — Vamos passar por isso juntos. — Garantiu com firmeza. Ter passado a noite inteira acordado, além de lhe garantir uma boa dor de cabeça, lhe deu tempo para entender melhor a situação que agora viviam. Sua mãe estava morta, ela havia sido assassinada. Mas aquilo não foi a única coisa que entendeu. Eles não tinham mais mãe. Mas ele ainda tinha uma irmã. E daria tudo para protegê-la. Daria a vida se necessário, mas cuidaria para que mesmo sentido a dor que sentiam, ela pudesse voltar a sorrir algum dia. — Papai, onde ele está? — Perguntou a menina. Saiu do abraço, deitou o corpo e colocou a cabeça no colo do irmão. — Foi buscar a Nana no aeroporto. — Theodor respondeu, fazendo carinho nos cabelos da irmã. Era um gesto bobo, que bagunçava seu cabelo. Mas era algo que a mãe sempre fazia, e pensando que nunca mais a teria baguncando seu cabelo, desejou nunca ter reclamado de quando ela o fazia. — Papai ligou para ela ontem contando que mamãe... — Não terminando seu raciocínio, parou de falar. Havia entendido, estava se habituando e esperava aceitar que perdeu a mãe, mas ainda não conseguia dizer tais palavras. — Já deve ter chegado. — Continuou de forma calma. Anderson, precisou ficar só, chorar no silêncio do seu carro e ser consolado por alguém sem trazer mais dor ou desespero ao seus filhos, ele só precisava, ainda que por pouco tempo, se afastar. — Hm. — Elizabeth balbuciou. — Sinto muito ter gritado ontem, não deveria ter reagido daquela maneira, eu sinto muito. — Pediu Theo. Levando a mão da caçula até sua boca, depositou lá um beijo. — Tudo bem, afinal isso não é o tipo de coisa para a qual estamos prontos ou formados. — Elizabeth falou lentamente tentando não se derramar em mais lágrimas. — Tá, agora vá tomar um banho e desça para tomar o café.— Theo retribui retirando a cabeça de seus pés para em seguida se levantar. — Vou estar na cozinha. — Falou se dirigindo a porta. Estava correndo dela, não porque sua namorada estava sozinha no andar de baixo, mas porque queria parar em algum lugar entre o corredor e as escadas, longe dos olhos de todos, e chorar. Como uma criança chateada, um jovem destruído e um ser humano com o coração quebrado. Elizabeth fechou os olhos. Sentiu um aperto no peito. E soube que sua vida nunca mais seria a mesma.Ainda longe do meio dia, a casa dos Molina era preenchida pela voz de Miranda, que irritada, tentava convencer o marido a não lhe deixar. Dentro do quarto, Clara tentava não se abalar pela mais recente briga dos pais. Guardava esperança de que seu pai reconsideraria e que ficassem todos junto. Sua mãe não sofreria e sua família seguiria unida.Talvez fosse imaturo pensar assim, mas não perdia a esperança na família já foram. — Então é isso, vai mesmo sair de casa e me deixar? — Embora estivesse vendo as malas que ele carregava, Miranda não conseguia acreditar que seu casamento estava acabado, ainda amava o marido e esperava resolver as divergências. — Vai deixar a sua família, não se preocupa nem um pouco com a sua filha? — Voltou a questionar. Tinha as mãos na cintura, e o nervosismo estampado no rosto. — Miranda, entenda por favor. Esse casamento não está dando certo. — Miguel-Angel rebateu. Fazia gestos pausados e realmen
Com o semblante abatido e o corpo cansado, Theo fugiu das pessoas que no andar de baixo procuravam entregar suas condolências, lhe consolar e até se mostrar amigas, para subir as escadas. Disse a sua namorada que iria descansar, e que ela poderia ir descansar também, e mesmo relutante, a moça ruiva concordou indo para casa se trocar.Subindo um e mais outro degrau, estava pronto para encontrar o isolamento que fornecia seu quarto em tons de preto e vermelho, mas a porta entre aberta do quarto em que antes dormia sua mãe chamou sua atenção.Não tinha o costume de entrar no quarto dos pais, ainda mais quando não estivessem lá, mas daquela vez, seus pés o conduziram automaticamente.Afastou vagarosamente a porta com a mão, tão lento que parecia que não queria entrar, mas acabou parando no limite. Um pé a frente, outro a trás. Havia uma certa esitação, então mesmo do lado de fora observou o que podia sobre o quarto.Simples e li
Deitado sobre a cama, pés tocando o piso e olhos vidrados no teto, Theodor tinha sobre o peito um porta retrato. Um ano, era o tempo que fazia desde que tiraram aquela última fotografia. Era em família, e naquele verão em que viajavam pelas cidades de Alura, completos e felizes, ele não desejou nada mais para a vida. Apenas que estivessem juntos, e felizes assim. Mas já não estariam todos juntos, e seu coração jovem quase sufocava. Tinha apenas vinte e um anos, era cedo demais, e não acreditava que tivesse aproveitado o bastante com a mãe. Então em silêncio, chorava. — Entre. — Permitiu quando passos se aproximaram de sua porta, fracos, os punhos tocaram a madeira que a revestia. A porta foi aberta, revelando sua donzela. — Achei que tivesse ido para casa. — Comentou se sentando. Kimberly foi até ele e o abraçou. — Estava indo, mas acabei desistindo. — Respondeu segurando uma de suas mãos. Theo ha
— Vai querer alguma coisa para beber? — Gentil, Ana perguntou ao capitão da delegacia de homicídios que acabava de chegar em sua casa. Eduardo Simas, era este o nome do homem de terno cinza. — Não obrigado, pretendo ser breve. — Educado, o homem recusou se acomodando no lugar indicado. Assim como Anderson, estava na casa dos 40, mas diferente deste, Simas já possuía alguns traços da "velhice" em sua cabeça. — Trouxe o relatório da autopsia. — Comunicou estendendo o envelope amarelo ao dono da casa. Atentos, seus filhos o olharam ler o material, ao mesmo tempo que se perguntaram se aquele era o procedimento padrão, se sempre deixavam os familiares das vítimas ler o laudo médico. E porquê o capitão de uma divisão inteira estava lá, investigando aquele caso? — Diz que Mariana morreu instantaneamente após uma facada no coração. — Comunicou o médico. Mas aquilo, todos já sabiam. — E que o agressor é destro. — Acrescentou calmamente. Elizabeth
Seis anos haviam se passado.Seis longos anos desde Mariana havia sido assassinada.O assassino ainda estava a monte, e eles viviam silenciosamente sobre uma guerra declarada. Uma família se quebrou naqueles anos de dor, raiva e incerteza. Até tentaram, mas nunca mais foram os mesmos.De um lado, estavam os filhos obstinados a descobrir a verdade por trás da morte da mãe, e do outro, um marido que já havia aceitado aquele desfecho. Firmes, cada lado defendia seus interesses, e muitas vezes, a doce madrinha, foi apanhada no meio.Theodor não se deteve e contratou, com o dinheiro que lhe deu seu tio, um detetive particular três meses após a morte de Mariana, mas esse não teve êxito. E a razão era só uma, Simas. O capitão convenceu o detetive contratado a abandonar o caso de Mariana, porque segundo ele, nunca chegaria ao fim. O detetive recuou, como se fosse apenas preciso uma opinião para desistir de toda uma investigação. O caso foi mais uma
— Barbie. — Elizabeth saudou adentrando a sala, que em tamanho e decoração ganhava da sua. Suas salas deixavam bem claro quem trabalhava com o quê. — Raquel. — Alegre, Clara retribuiu deixando o computador de lado, pousando os cotovelos sobre a mesa, apoiou o rosto nele sorrindo de forma amigável. Sem esperar por convite, Elizabeth sentou em uma das cadeiras de frente a sua. — Estou vendo uma pitada de satisfação nesse seu rosto, o que é? Andou falando mal de mim, ou é só do casamento? — Elizabeth perguntou bem humorada. — Nenhum dos dois, apenas relaxando para não ter rugas. — Clara respondeu . — E você, está melhor? — Retornou bastante atenciosa. Mas Elizabeth estranhou aquele "melhor"... — Estou perguntando porque ontem foi um dia difícil, e não atendeu minhas chamadas. — Esclareceu. — Eu estou bem, querida Clara. — Elizabeth garantiu. O dia anterior, marcava exatamente seis anos desde que Mariana havia partido. E como já era de se esperar, Elizabeth estava distraída e pouco
Muito mais cedo do que o normal, Elizabeth chegou á empresa. Dentro do vestido justo e rabo de cavalo alto, saudou os seguranças que ficavam do lado de fora do estabelecimento, e depois adentrou. O saguão vazio e as luzes ainda apagadas a receberam.— Está atrasada. — Clara declarou assim que a outra passou pelo balcão da recepção, que pelas horas, estava vazio. — Não sabe ser mais rápida? — Implicou.Estava parada junto ao elevador ostentando um semblante pouco simpático.— O que estou fazendo aqui? Não deveria pedir a ajuda da Cléo, ou da Margarida? — Elizabeth perguntou antes de levar a boca o copo que lhe foi oferecido. Café. — Eu deveria, mas a Margarida conhece a noiva, e a Cléo é nossa amiga, deixe ela descansar um pouco. — Clara chamou o elevador. Perante a resposta, a morena só conseguiu pensar que sua amiga era uma desgraçada.— E o que exatamente eu vou fazer? — Elizabeth voltou a questionar, desta vez adentrando o ele
— Alô. — Elizabeth respondeu ao telefona que sabia vir da recepção.— Liz, seu irmão está subindo. — Laura anunciou.— Obrigado por avisar. — Agradeceu antes de desligar.- Theo está subindo. — Anunciou para Clara voltando a sentar no lugar anterior.— Boa! Faz uma semana que não o vejo. — Clara devolveu com foco total nas peças de dominó que empilhava. Montava uma torre com sete andares. — É verdade? — Perguntou o querido irmão. Havia entrado sem bater.— Olha só o que fez. — Clara bradou. Sua torre havia caído, fruto do susto que levou com a entrada repentina de Theo. — Theo. — Resmungou começando a reagrupar as peças espalhadas pela mesa. Aquele era seu hobby, e depois que foi tudo ao chão, tinha uma expressão de quase choro.— Liz, é verdade, sim ou não? — Ignorando Clara e seus resmungos descontentes, voltou a perguntar. Daquela vez, menos afobado.— Não bate na porta, derruba meu projeto, nem bom dia dá,