— Vai querer alguma coisa para beber? — Gentil, Ana perguntou ao capitão da delegacia de homicídios que acabava de chegar em sua casa. Eduardo Simas, era este o nome do homem de terno cinza.
— Não obrigado, pretendo ser breve. — Educado, o homem recusou se acomodando no lugar indicado. Assim como Anderson, estava na casa dos 40, mas diferente deste, Simas já possuía alguns traços da "velhice" em sua cabeça. — Trouxe o relatório da autopsia. — Comunicou estendendo o envelope amarelo ao dono da casa. Atentos, seus filhos o olharam ler o material, ao mesmo tempo que se perguntaram se aquele era o procedimento padrão, se sempre deixavam os familiares das vítimas ler o laudo médico. E porquê o capitão de uma divisão inteira estava lá, investigando aquele caso? — Diz que Mariana morreu instantaneamente após uma facada no coração. — Comunicou o médico. Mas aquilo, todos já sabiam. — E que o agressor é destro. — Acrescentou calmamente. Elizabeth piscou algumas vezes. Era só aquilo? Aquela leitura monótona, como um relatório de compras ou como se estivesse lendo a carta de um velho amigo? Era tudo o que Anderson tinha para mostrar? Entendia que como médico, Anderson tentasse sempre ser o mais objectivo possível, mas aquele não era um de seus tantos casos no hospital. Era a sua mãe, a esposa dele. Então queria que ele fosse menos médico, e mais um marido enlutado. — Exatamente. — Afirmou o capitão. — E não encontramos a arma do crime, o que nos faz acreditar que o assassino tenha levado.— Acrescentou Simas, fazendo acelerar alguns corações. Tinha olhos rasgados, e o terno muito bem alinhado. — E já têm alguma pista, algum ponto de partida? — Agitado, Theodor questionou. Tentava não transparecer o que sentia, mas falhava miseravelmente. — Não concretamente. — Respondeu o homem que atendia pelo nome de Eduardo. — O que isso quer dizer, já se passaram três dias, não têm nada? — Ana disparou. — Desculpa, me alterei um pouco. — Envergonhada, desviou o olhar dos olhos sérios do detetive. — Não precisa se desculpar senhora, é totalmente aceitável sua preocupação. — Simas tranquilizou com certa gentileza. — Voltando ao assunto, não temos um um ponto de partida devido à natureza do roubo, e acreditamos que... — Roubo? — Elizabeth se sobressaltou. Confuso com a explosão da menor, Simas afirmou movendo levemente a cabeça. — Mamãe foi apunhalada, os cartões multibanco estavam com ela, e o carro também. O que roubaram então? — Questionou cheia de uma nova determinação. — Se fosse um roubo, não acha que teriam levado o carro e os cartões? — Retornou irritada. "Como ele poderia ser tão, tão... idiota?" — Por isso mesmo, Senhorita Elizabeth. — Envolto em uma calma cirúrgica, Simas afirmou. Confusa, a adolescente olhou para o irmão se perguntando qual seria a explicação lógica para aquilo? — O agressor levou apenas a pulseira de prata que a vítima usava e um valor menor a 2 mil, e isso nos leva a crer que o assassino seja alguém viciado em drogas. — Acrescentou. — O quê? — Theo inqueriu. Incredulidade bem presente em sua voz. — Passou três dias investigando só para chegar a essa conclusão? Já procurou por testemunhas, registros telefónicos, ligações com algum caso? Ao menos já tomou nosso depoimento? — Disparou. — Theo. — A voz de Anderson parecia pedir para que o filho se acalmasse, ao que ele responde com um suspirar alto. Elizabeth por sua vez, achou ser difícil encontrar a palavra certa para descrever tudo o que ouviu, mas se procurasse bem, talvez fosse dizer que estúpida, era a palavra certa. — O telefone da vítima não estava no carro, não existem testemunhas , e quanto aos depoimentos, Dr.Anderson me disse tudo o que necessário saber sobre a vítima. — Simas argumentou, mas para os irmãos d'Almeida, só parecia que ele queria se justificar. E como assim Anderson havia lhe dito tudo o que era necessário saber sobre a vítima? — Isso não faz sentido algum. — Theo se manifestou. Parecia exausto, e não apenas pelas noites mal dormidas, mas porque não aguentava aquela história. Seus ouvidos não conseguiam acreditar no que ouviam. — Sei que é difícil aceitar a morte de um ente querido, ainda mais por motivos tão banais. Mas foi isso o que aconteceu, sinto muito. —Simas assegurou. — O que o senhor está dizendo? Não tem relação alguma com não aceitar, é que não faz mesmo sentido. — Theo se defendeu. Não estava sendo um idiota irracional, esperava não estar sendo, mas verdade fosse dita, aquele homem e sua explicação meia boca, não faziam o menor sentido. — Talvez até faça. — Ana concordou para ver seus afilhados a olharam incrédulos. — O assassino não levou o carro e nem os cartões porque apenas precisava de uma pequena quantia, e devido ao efeito ou falta de drogas acabou atacando Mariana. — Explicou o que vinha em sua mente. — Ah, por favor. — Theodor resmunguou contrariado. E Elizabeth se espantou com a facilidade com a qual ela estava acreditando em Simas. — É exatamente isso que concluí na investigação. — Falou o ser, que rapidamente, Elizabeth descobriu odiar. A máscara de homem sério escondendo o profissional incompetente. O julgou um mau carácter naquele momento. — E como explica o carro dela parado no meio da estrada? — Cerrando os punhos, Elizabeth tentava se conter. Não ser mais rude do que provavelmente seu rosto estava sendo... — Ela deve ter parado ao avistar o indivíduo, e ninguém viu por ser uma estrada pouco movimentada. — Parecendo incerto quanto a possibilidade de ser real, Simas explicou. — E o indivíduo? — Theo perguntou em modo automático. — Não encontramos impressões digitais e provavelmente nunca encontraremos. — Simas respondeu. Elizabeth o olhava concentrada, com repulsa o olhava, e se questionava como alguém poderia ficar tão satisfeito com a própria incompetência. — E por isso, o caso foi encerrado. — Despejou. — Encerrado? — Elizabeth rebateu instantaneamente. Piscou algumas vezes, questionando seriamente sua audição e percepção. O que ele havia dito? — Como? — Se levantando bruscamente do sofá, Theo perguntou surpreso. — Isso mesmo, esse caso não vai dar em nada, então decidi encerra-lo aqui. — E como se tivesse certeza de todas as coisas no mundo, Simas falou. "Pessoa detestável" E mais uma vez, a menina simpática de olhos castanhos estava sendo rude em sua cabeça. — Esse caso? A quem o senhor está se referindo como assim? — Aborrecido, Theodor confrontou. — Theodor. — Segurando o braço do filho, Anderson lhe instruía a ter calma. Brusco, Theo se desvenciliou do pai antes de suspirar alto na tentativa de se acalmar. — Não podem fazer isso. — Fragilizada, Elizabeth apelou. — Papai. — Com os olhos marejados, se voltou para o pai. Um pedido silencioso de ajuda. — Senhorita Elizabeth, entendo que seja difícil aceitar. — Afirmou o capitã. Como poderia afirmar que entendia, se não era ele recebendo uma explicação idiota para a maior perda de sua vida, como se atrevia a dizer que entendia? — Mas pense que será melhor assim. Prolongar essa investigação, é exatamente o mesmo que prolongar a dor que está sentindo, tente entender que assim será melhor. — Suas palavras deslizavam, doces e meigas, eram tentadoras. Afinal, que mal faria? Acreditar, fazer seu coração descansar, enterrar a ansiedade, sumir com a incerteza. Acordaria de manhã, e saberiam que sua mãe partiu por um infortúnio. Que estava no lugar errado na hora errada. Mas então se questionaria porquê Mariana estava naquela estrada vazia, porquê não pela rota normal? Então não poderia dormir a noite. Viraria de um lado, e depois do outro. Se perguntaria se alguém havia lhe atraído até lá por maldade, se tinha relação com algum caso antigo ou até o novo. Elizabeth não conseguiria aguentar as incertezas. Então não, nunca aceitaria aquele desfecho estranho que lhe dava Simas. — Agora preciso ir. — Simas anunciou pondo-se em pé. Ajeitou o casaco do terno no corpo, antes de reaver a autópsia. — Acompanho-lhe até a porta. — Anderson ofereceu. — Obrigado por tudo, Eduardo. — Prestando atenção, seus filhos notaram quando agradeceu apertando a mão de Simas. Não entenderam pelo que agradecia, mas também não interferiram. — Não precisa agradecer Anderson, estou apenas fazendo meu trabalho. — Simas retribuiu e segundos depois já não estava na casa. — Papai. — Elizabeth chamou-o quando pretendia subir as escadas. Ainda de costas, Anderson moveu sutilmente a cabeça indicando que prosseguisse. — Porquê não disse nada, vai deixar as coisas assim? Vai permitir que encerrem assim? Sem um culpado, sem uma explicação plausível? — Indignada, procurou saber. Movendo o corpo, se colocou em pé com a pretensão de ir até onde estava o progenitor. — E o que quer que faça, Elizabeth? — Devolveu o médico. Não havia traço algum do tom de voz meigo ao qual estava habituada, muito pelo contrário. Sua voz grave estava fria e seca.— Quer que eu vá de beco em beco procurar pelo assassino de Mariana? — Sua voz já carregava mais emoção quando voltou a perguntar. Desta vez, a encarrando. — Não. — Respondeu apressada. — Mas quero que obrigue aquele capitão a fazer o trabalho do modo certo, e que ele pare de atribuir a culpa a seres inexistentes. — Despejou em um só fôlego. — Está dizendo que o Capitão da delegacia de homicídios de Alura, inventou um culpado? Porquê inventaria? — Anderson questionou. Elizabeth engoliu em seco sem coragem para responder. — Então quem acha que matou Mariana, me diga Elizabeth, me diga quem matou minha esposa. - Exigiu irritado. Novamente Elizabeth engoliu em seco. — Não vai responder, Elizabeth? — Sua voz ressoou fria se aproximando da filha. — Porquê está perguntando isso para ela? Exiga ao seu amigo que faça direito o trabalho dele d tera respostas. — Theodor se intrometeu também em pé. Ana suspirou presenciando tamanha tensão. — Elizabeth. — Ignorando seu primogénito, Anderson chamou com dor na voz. Cansado, colocou as mãos em seus ombros. — Sua mãe morreu. — Despejou. Olho no olho, Elizabeth sentiu que lhe caia uma tonelada em cima. — E mesmo que encontrem o culpado e o condenem a tantos anos de prisão, ela não vai voltar. — Seus olhos negros marejaram com sua própria fala. — O que nós temos que fazer é seguir em frente. — Acrescentou enxugando as lágrimas que escorriam pelo rosto da filha. — Como assim seguir em frente , do que o senhor está falando? — Irritada, Elizabeth afastou a mão do pai de seu rosto, e por consequência, se afastou dele também. — Quem o senhor está tão apresado para esquecer? — Disparou a menor. Anderson suspirou, moveu os olhos para Theo e depois para Ana. — Nunca esquecerei sua mãe. — Anderson determinou. — Mas ela morreu, um idiota qualquer a matou, nada do que fizermos vai fazer o tempo voltar. Então aceitem e mesmo que seja difícil no início , em algum momento, vamos seguir em frente. — Acrescentou. Theodor se colocou atrás da irmã lhe segurando pelos ombros, porque ao seu ver, ela estava prestes a ceder. — A sua esposa foi assassinada, a mulher para quem estava fazendo um jantar especial a menos de uma semana, e não quer saber porquê? — Confuso quanto a reação do pai, Theo questionou. Anderson prosseguiu, inabalável, não desviava o olhar. — O senhor acha isso muito estranho? — Retornou. — O que é estranho? — Anderson questionou. — Uma advogada foi assassinada no mesmo dia em que ela venceu um caso importante. Mas não fomos chamados para prestar depoimento, o capitão parece não estar fazendo nada, e como se não bastasse, o senhor não se importa. Eu não consigo entender. — Comentou. Sua voz denunciando o choro que reprimia. — O que você não quer entender Theodor? Acidentes acontecem, Mariana estava no lugar errado. — Anderson argumentou. — Isso não foi um acidente, alguém apunhalou a minha mãe! — Theo bradou. — Um viciado em drogas, existem milhares na cidade, vá procurá-lo então. — Deixando fluir o quanto estava irritado, retribuiu o médico. — Anderson. — A voz de Ana pareceu um raio de sol depois de um dia de tempestade, e desarmando seu amigo. — Vamos parar e nos acalmar, brigar não vai nos levar a lado nenhum. — Pediu. — Perdi a minha mulher a menos de uma semana Theo, o tanto que isso me afeta, é difícil descrever... — Parecendo mais calmo, o médico começou por dizer. — O capitão fez o trabalho dele, e diferente de vocês, eu não preciso de uma explicação grandiosa ou de uma conspiração para preencher o vazio que ela deixou, nada disso vai trazê-la de volta. Então eu não quero ouvir mais nada sobre esse assunto. — Severo, pontuou antes de começar a se afastar. — Nós vamos descobrir o que aconteceu com a nossa mãe. — Theodor soltou antes que ele subisse o ultimo lance de escada. — Seus medos não vão nos impedir. — Pontuou quando seu pai lhe dirigiu o olhar. Uma chama queimando em seu coração, o desejo pela verdade lhe conduzindo e uma promessa silenciosa. Eles descobriram o que havia acontecido com Mariana.Seis anos haviam se passado.Seis longos anos desde Mariana havia sido assassinada.O assassino ainda estava a monte, e eles viviam silenciosamente sobre uma guerra declarada. Uma família se quebrou naqueles anos de dor, raiva e incerteza. Até tentaram, mas nunca mais foram os mesmos.De um lado, estavam os filhos obstinados a descobrir a verdade por trás da morte da mãe, e do outro, um marido que já havia aceitado aquele desfecho. Firmes, cada lado defendia seus interesses, e muitas vezes, a doce madrinha, foi apanhada no meio.Theodor não se deteve e contratou, com o dinheiro que lhe deu seu tio, um detetive particular três meses após a morte de Mariana, mas esse não teve êxito. E a razão era só uma, Simas. O capitão convenceu o detetive contratado a abandonar o caso de Mariana, porque segundo ele, nunca chegaria ao fim. O detetive recuou, como se fosse apenas preciso uma opinião para desistir de toda uma investigação. O caso foi mais uma
— Barbie. — Elizabeth saudou adentrando a sala, que em tamanho e decoração ganhava da sua. Suas salas deixavam bem claro quem trabalhava com o quê. — Raquel. — Alegre, Clara retribuiu deixando o computador de lado, pousando os cotovelos sobre a mesa, apoiou o rosto nele sorrindo de forma amigável. Sem esperar por convite, Elizabeth sentou em uma das cadeiras de frente a sua. — Estou vendo uma pitada de satisfação nesse seu rosto, o que é? Andou falando mal de mim, ou é só do casamento? — Elizabeth perguntou bem humorada. — Nenhum dos dois, apenas relaxando para não ter rugas. — Clara respondeu . — E você, está melhor? — Retornou bastante atenciosa. Mas Elizabeth estranhou aquele "melhor"... — Estou perguntando porque ontem foi um dia difícil, e não atendeu minhas chamadas. — Esclareceu. — Eu estou bem, querida Clara. — Elizabeth garantiu. O dia anterior, marcava exatamente seis anos desde que Mariana havia partido. E como já era de se esperar, Elizabeth estava distraída e pouco
Muito mais cedo do que o normal, Elizabeth chegou á empresa. Dentro do vestido justo e rabo de cavalo alto, saudou os seguranças que ficavam do lado de fora do estabelecimento, e depois adentrou. O saguão vazio e as luzes ainda apagadas a receberam.— Está atrasada. — Clara declarou assim que a outra passou pelo balcão da recepção, que pelas horas, estava vazio. — Não sabe ser mais rápida? — Implicou.Estava parada junto ao elevador ostentando um semblante pouco simpático.— O que estou fazendo aqui? Não deveria pedir a ajuda da Cléo, ou da Margarida? — Elizabeth perguntou antes de levar a boca o copo que lhe foi oferecido. Café. — Eu deveria, mas a Margarida conhece a noiva, e a Cléo é nossa amiga, deixe ela descansar um pouco. — Clara chamou o elevador. Perante a resposta, a morena só conseguiu pensar que sua amiga era uma desgraçada.— E o que exatamente eu vou fazer? — Elizabeth voltou a questionar, desta vez adentrando o ele
— Alô. — Elizabeth respondeu ao telefona que sabia vir da recepção.— Liz, seu irmão está subindo. — Laura anunciou.— Obrigado por avisar. — Agradeceu antes de desligar.- Theo está subindo. — Anunciou para Clara voltando a sentar no lugar anterior.— Boa! Faz uma semana que não o vejo. — Clara devolveu com foco total nas peças de dominó que empilhava. Montava uma torre com sete andares. — É verdade? — Perguntou o querido irmão. Havia entrado sem bater.— Olha só o que fez. — Clara bradou. Sua torre havia caído, fruto do susto que levou com a entrada repentina de Theo. — Theo. — Resmungou começando a reagrupar as peças espalhadas pela mesa. Aquele era seu hobby, e depois que foi tudo ao chão, tinha uma expressão de quase choro.— Liz, é verdade, sim ou não? — Ignorando Clara e seus resmungos descontentes, voltou a perguntar. Daquela vez, menos afobado.— Não bate na porta, derruba meu projeto, nem bom dia dá,
— Então está me dizendo que quando voltar da viagem, não terei mais sobrinha. É isso mesmo? — Do outro lado do país, caminhando com os auriculares presos aos ouvidos, Donavan escutava atentamente seu sobrinho. — Isso mesmo, vou me tornar um assassino. — Theo respondeu. Já com um humor melhor, e já começava a fazer o jantar. — Sabe que está confessando seu futuro crime para um advogado, não é mesmo? — Don, como era frequentemente chamado, questionou achando aquela conversa bastante inusitada. — Estou falando com o meu tio, se tiver algum advogado, isso eu não sei. — Esperto, rebateu o menor. — Está certo, mas o que fez a sua irmã para que tivesse se chateado? — Devolveu curioso. Palavras como: ela é uma traidora, está me deixando mal, não presta e algo mais foram proferidas, mas o motivo, ainda não sabia. — Eu sei que o senhor vai dizer que uma coisa não tem relação com a outra, e que trabalho é trabalho, mas
— Theo abra a porta, sei que está em casa. — Elizabeth gritou batendo na porta do apartamento pela quarta vez. — Preciso falar com você, é importante. — Pediu. Novamente silêncio. —Theo. — Chamou começando a se perguntar se ele realmente estava em casa.— O que quer? — Seco, Theo perguntou ao abrir a porta. Seus olhos a analisaram, e sua postura gritava o quanto estar chateado.— Conversar. — Elizabeth declarou lhe afastando com a mão antes de entrar na casa. — Tenho boas notícias. — Animada, o seguiu até a cozinha. Diferente do seu apartamento, a cozinha de Theo não era no formato americano, na verdade se parecia com a casa dos pais, e ficava no final do corredor.— Aquela sua amiga morreu? — Perguntou expectante. — Então o que é? – Retornou amargo após ter recebido um não.— Simas saiu do cargo. — Contente, Elizabeth via o irmão se mover pelo espaço.— Hm. — Confuso, Theo balbuciou lhe passando dois pratos, que ela supôs, eram para o jantar. — Qual Simas? — Perguntou vascu
Theodor d'Almeida, era arquiteto. Havia desenhado a planta da clínica de seu pai, participou do projeto habitacional proposto pelo Prefeito local, e fez as plantas das casas de alguns dos maiores empresários da cidade.Trabalhava em uma empresa local de arquitectura e engenharia, mas pouco se fazia presente no local de trabalho. Seu contrato era diferenciado, e lhe permitia aparecer lá só quando se fizesse necessário.Ou seja, quando encontravam para ele um novo projecto. Quando queria concorrer em um, quando um novo cliente ia até lá solicitar o seu trabalho...e depois trabalhava de casa, ou onde estivesse. Tinha um vida estável. Dirigia o carro que era de sua falecida mãe, e morava em um apartamento bem mobiliado.Poderia estar casado e com filhos, mas seu coração estava desocupado.Poderia ser uma jovem de 27 anos como muitos outros, mas o fantasmas do passado ainda lhe perseguiam, então parecia estar preso a algo.— Uau, pensei que
Adentrando o recinto húmido e pouco iluminado que compunha a sala de arquivos do 15º distrito de Alura, o novo detetive tentava não se mostrar abatido. Afinal era novo lá, e se estava recebendo um caso, ainda que antigo, daria tudo de si para resolver. E pensou também que talvez aquele fosse um teste para sua competência e disciplina, então não reclamaria.Fechou a porta atrás de si, ligou as lâmpadas que piscaram uma ou duas vezes em reconhecimento e então inalou o cheiro a humidade. O local não estava caindo aos pedaços como acreditou que pudesse estar, mas certamente precisava que trocassem aquelas lâmpadas, e melhor organizassem.Enfim, alguém poderia pensar sobre mais tarde. Ele tinha um trabalho para fazer...as caixas de arquivos estavam organizados de forma cronológica, então só precisou seguir as prateleiras até o ano de 2012, e depois procurar pela letra M, e em seguida pelo nome Mariana.Encontrada, pegou na caixa um tanto qua