Com o semblante abatido e o corpo cansado, Theo fugiu das pessoas que no andar de baixo procuravam entregar suas condolências, lhe consolar e até se mostrar amigas, para subir as escadas. Disse a sua namorada que iria descansar, e que ela poderia ir descansar também, e mesmo relutante, a moça ruiva concordou indo para casa se trocar.
Subindo um e mais outro degrau, estava pronto para encontrar o isolamento que fornecia seu quarto em tons de preto e vermelho, mas a porta entre aberta do quarto em que antes dormia sua mãe chamou sua atenção. Não tinha o costume de entrar no quarto dos pais, ainda mais quando não estivessem lá, mas daquela vez, seus pés o conduziram automaticamente. Afastou vagarosamente a porta com a mão, tão lento que parecia que não queria entrar, mas acabou parando no limite. Um pé a frente, outro a trás. Havia uma certa esitação, então mesmo do lado de fora observou o que podia sobre o quarto. Simples e livre de excessos, a cama kingsize era coberta por lençóis marrons, as paredes em tom pastel, e o restante da mobília era feita de uma madeira lustrosa. Era o maior quarto da casa, e pelo que se lembrava da época em que costumava brincar lá, o closet dos pais tinha a metade do tamanho de seu quarto. Mariana não sabia muito sobre decoração, mas tinha uma atenção especial que deixava as coisas mais bonitas. Theo sabia, todo e qualquer pedaço daquela casa, sua mãe havia organizado, e muito lhe doía pensar que ela nunca mais voltaria a entrar pela porta. Sorrir para ele e lhe abraçar. Sentindo os olhos marejarem, Theodor finalmente deu o passo decisivo que o fez adentrar o recinto que muito mais que outras partes, era de sua mãe. E diferente do que lembrava, não estava inundando pelo perfume bom dela. Cheirava a desinfectante ou algo similar, e com isso, se sentiu magoado. Mais uma vez seus pés se moveram, e desta, a penteadeira foi seu destino. Se sentou no banquinho e passou a observar a variedade de produtos disposto sobre ela. Lágrimas verteram de seus olhos. — A senhora não fazia ideia, não é mesmo? — Questionou abaixando o rosto. — Claro que não, se a senhora pudesse impedir, tenho certeza que não teria nos deixado. — Lamentou enquanto as lágrimas molhavam sua calça. Theo era chamado de "o menino da mamãe", porque era muito apegado a sua progenitora. Costumava reclamar quando Elizabeth o chamava assim, ou quando dizia que ele era mimado, mas ouviria tudo de novo, só para ter sua mãe lhe defendendo das acusações. Mariana o inspirava, o elogiava e o amava. Era mimado, mas só porque tinha a mãe do seu lado. E não pensou que pudesse deixar de ter a doce mulher que fazia festinhas em seu cabelo algum dia. Não estava preparado. — A senhora deveria ser eterna, ou então estar aqui para me dizer como prosseguir. Disse que sou forte, mas mãe, eu não consigo ser. Não quando a senhora não está aqui para sorrir para mim. — Desabafou. — E eu estou tentando mamãe, pela Liz, pelo papai, por todos... mas eu não quero deixar de ser a sua criança, não se isso significar que perdi a senhora. — Prosseguiu em meio às lágrimas. O som do quarto era preenchido pelo som abafado do choro, até que Theodor ouviu passos, e ao mover a cabeça para o lado, encontrou Helena, saindo do closet de sua mãe. Ela pareceu se assustar ao vê-lo, mas rapidamente se recompôs. E Theo, nem se preocupou em perguntar o que ela fazia ali. — Tenho certeza que ela também não queria te deixar. — Helena comentou emocionada. — Mariana nunca teria escolhido isso. — Acrescentou. Theo se levantou, e em um impulso, a abraçou. — Nós vamos sentir muito a falta dela. — Desabafou esfregando suas costas. [...] Tenha um bom dia Elizabeth. Elizabeth repassava na cabeça pela milésima vez àquela manhã a última frase que lhe dirigiu a mãe quando ouviu a porta de seu quarto ser cautelosamente aberta. Era Ana. — Liz querida, já estamos prontos. — Avisou assim que seus olhos se encontraram. Ana tinha o cabelo preso, um vestido preto simples, e nos pés sandálias da mesma cor. — Já vou. — Sem ânimo, Elizabeth concordou balançando freneticamente os pés. Embora devesse se despedir da mãe, Elizabeth não sentia vontade alguma de ir para qualquer lugar. No momento, queria apenas ficar em casa e esquecer que o mundo existia. Pensava que assim, talvez a dor fosse diminuir. — O que foi? — A voz de Ana foi captada com certa rouquidão quando sentou na beirada da cama. Os olhos estavam na afilhada. Elizabeth podia sentir, no entanto preferiu continuar encarrando as mãos trémulas. — Não quero ir Naninha. — Elizabeth admitiu com a voz embargada. — Não quero ter que me despedir. — Confessou limpando as lágrimas com as costas das mãos. — Querida. — "Naninha", soltou com pesar lhe abraçando de lado. — Eu sei que está doendo, mas você precisa ser forte, sim? — Sua voz sempre firme e doce, soou um pouco mais fraca. — Não sei se consigo. — Elizabeth se soltou do abraço. — Não quero ficar sem minha mãe. — Falou desesperada, começando com outra crise de choro. Soluços, lágrimas e dor. Era o que melhor lhe caracterizava no momento. — Liz, olhe para mim. — Ana pediu, e foi o que fez a menina. Os olhos da enfermaria estavam marejados e ela precisou limpar a lágrima solitária que desceu por seu rosto quando piscou... — Eu sei que está sendo difícil e até mesmo insuportável, mas você precisa tentar seguir em frente. — Pediu. — Pode parecer que sim, mas o mundo não acaba aqui. — Retornou mais séria. — Se precisar, chore, grite ou então quebre algumas coisas... — O sorriso doce esteve presente quando ela voltou a falar. Fraco, mas esteve lá, e Elizabeth gostou de o vizualizar. — Pouquíssimas coisas de preferência. — Continuou divertida lhe fazendo dar uma pequena risada. — Mas quando terminar Elizabeth, volte a vida. Porque meu bem, há ainda muita coisa para se viver, e eu estou ansiosa para ver você vivendo. Posso contar com isso? — Perguntou amavelmente. Sem pressão, apenas um incentivo para sua menina "chocolate." — Prometo tentar. — Absorvendo o que lhe foi dito, Elizabeth assegurou sorrindo fraco. — Posso me contentar com isso por hora. — Devolveu Ana antes de beliscar levemente sua bochecha . - Agora, vamos lá? — Perguntou. Tinha um tom paciente, ao que sua afilhada assentiu em concordância. Lhe deu a mão, e desceram as escadas. Seu amigo e afilhado já as esperavam no andar de baixo. Anderson estava impecável em seu terno preto, como uma forma de última "homenagem" a sua esposa, fazendo a filha lembrar de todas as vezes que ouviu sua mãe dizer que adorava vê-lo assim. Um médico se vestindo como um advogado, Mariana adorava ajeitar a gravata para ele, colocar os vincos na calça ou simplesmente lhe elogiar. Costumava sorrir de forma boba e depois fingia que se abanava, Elizabeth lembrava com detalhes de algumas datas. Já Theodor, assim como Elizabeth, estava vestido de maneira casual: calça preta, camisa e tênis brancos, sendo a única diferença nas vestimentas, Elizabeth usar sandálias. — Desculpe a demora, já podemos ir. — Ana comunicou. Ainda segurava a mão da afilhada, e não pretendia soltar tão cedo. — Tudo bem Ana, ainda temos tempo. — O médico a tranquilizou. — Pronta para ir, Elizabeth? — Perguntou carinhosamente voltando seus olhos para a filha. — Sim. — Elizabeth respondeu antes de passar os olhos por Theodor. Ele estava escorado em um canto no sofá, seus olhos fixos em algum ponto a sua frente. Silêncio. Era tudo o que vinha dele. [...] A cerimônia fúnebre decorreu como previsto: tranquila.Super organizada e cheia de flores. E claro lotada. Havia muito mais pessoas do que acharam que teria. Alguns advogados que trabalhavam com Mariana, clientes, amigos da época da faculdade, e até alguns conhecidos. E entre eles, estava o pai de Clara. Também alguns vizinhos, os amigos e colegas de escola dos filhos, os colegas de hospital de Anderson, e outro tanto de pessoas de quem não conseguiriam se lembrar depois. Anderson fez o elogio fúnebre, e após ele, Clara, que chorou tanto quanto Elizabeth. Olhos curiosos procuraram por Theodor, mas ele saiu mal seu pai começou a falar. Kimberly também não sabia onde ele estava, apenas que havia ido ao banheiro, e depois não mais voltou. Seu pai estava começando a ficar preocupado, mas quando o encontrou do lado de fora do carro ao final do funeral, pode finalmente respirar aliviado. — Onde esteve? — Anderson preguntou após estacionar o carro na garagem de casa. — Por aí. — Theodor respondeu, evasivo abriu o cinto de segurança e saiu logo em seguida do veículo. Anderson não exigiu uma resposta mais elaborada, se limitou a um menear de cabeça. Não com detalhes, mas sabia o que se passava na cabeça do primogénito então decidiu lhe conceder algum tempo. — Vou estar no meu quarto. — Anunciou, com pressa subiu as escadas assim que os demais lhe alcançaram na sala. — Venha comer alguma coisa antes. — Ana o convidou pousando a pequena bolsa sobre o sofá. O nariz estava vermelho e os olhos inchados pelas lágrimas que derramou, e pelas que não também, mas ainda se preocupava com eles. Ela sempre se preocuparia. — Depois, agora preciso ir para o meu quarto. — Theo respondeu, não deixando espaço para protestos. Elizabeth o viu sumir no final da escada, e novamente se sentiu mal. Não só por ter se tornado órfã, mas também por Theo , que partilhava a mesma realidade. Mariana o chamava de principe, e Theo, alegre respondia a chamando de rainha.Como viveria? — Vou fazer alguma coisa para o almoço. — Ana anunciou indo em direção a cozinha assim que conseguiu tirar os olhos da escada por onde Theodor havia subido. Queria ter ido atrás, mas desistiu. Ana estava triste, mais por eles do que por Mariana, mas em todo caso aquela situação era demasiado pesada. Não havia dormido no dia anterior, consolou Anderson durante toda madrugada. Estava cansada e com dor de cabeça, mas ainda se levantava, e tentava ajeitar tudo por eles. — Eu ajudo. — Anderson ofereceu seguindo-a. Ninguém o viu derramar nenhuma lágrima, mas viam em seus olhos o quanto sua alma estava quebrada. Cansada de pensar sobre a dor que estavam sentindo, ou sobre como lidavam com ela, Elizabeth deitou sobre o sofá. El silêncio, olhava o teto até sentir seu telefone vibrar. Haviam chegado duas mensagens. "Clara me contou o que houve, sinto muito por você e pela sua mãe." A este respondeu com um simples obrigado. A outra mensagem, era de Clara. E com esta, se permitia falar mais, afinal, Clara era quase uma irmã. — Liz, como está agora?— Clara questionou. Acabava de chegar á casa e realmente esperava não encontrar sua mãe chorando. — Oi Clara, estou me aguentando. — Respondeu fazendo menção a sua pergunta. — Como está sua mãe agora? — Devolveu lembrando que Clara só não estava com ela naquele instante, porque Miranda não se sentia bem. — Está melhor, parece estar falando com seu advogado.— Clara respondeu deduzindo que era com ele que falava sua mãe quando espreitou o escritório e ela segurava um telefone. — Espero que ela melhore logo. — Elizabeth escreveu. Clara vivia preocupada e ansiosa em relação a saúde da mãe, não que Miranda estivesse doente, mas a menina não deixava de se preocupar com estado de tristeza que ela vivia. Desconfiava até, que Miranda estivesse deprimida. — E você não fique muito triste, ligue para mim se precisar...— Clara pediu carinhosa. —Tenho que ir agora, mas talvez passe pela sua casa mais tarde. — Avisou vendo a mãe ir até si. — Só não apareça de madrugada. — Elizabeth brincou fazendo menção as visitas em plena madrugada, mas depois lembrou que do motivo por trás, se arrependendo do que disse. _Mas esse é o melhor horário para se visitar— .Clara devolveu bem humorada. E após isso, não houveram mais conversas. Elizabeth ficou sozinha com seus pensamentos deprimentes até que o sono foi lhe fazer uma visita.Deitado sobre a cama, pés tocando o piso e olhos vidrados no teto, Theodor tinha sobre o peito um porta retrato. Um ano, era o tempo que fazia desde que tiraram aquela última fotografia. Era em família, e naquele verão em que viajavam pelas cidades de Alura, completos e felizes, ele não desejou nada mais para a vida. Apenas que estivessem juntos, e felizes assim. Mas já não estariam todos juntos, e seu coração jovem quase sufocava. Tinha apenas vinte e um anos, era cedo demais, e não acreditava que tivesse aproveitado o bastante com a mãe. Então em silêncio, chorava. — Entre. — Permitiu quando passos se aproximaram de sua porta, fracos, os punhos tocaram a madeira que a revestia. A porta foi aberta, revelando sua donzela. — Achei que tivesse ido para casa. — Comentou se sentando. Kimberly foi até ele e o abraçou. — Estava indo, mas acabei desistindo. — Respondeu segurando uma de suas mãos. Theo ha
— Vai querer alguma coisa para beber? — Gentil, Ana perguntou ao capitão da delegacia de homicídios que acabava de chegar em sua casa. Eduardo Simas, era este o nome do homem de terno cinza. — Não obrigado, pretendo ser breve. — Educado, o homem recusou se acomodando no lugar indicado. Assim como Anderson, estava na casa dos 40, mas diferente deste, Simas já possuía alguns traços da "velhice" em sua cabeça. — Trouxe o relatório da autopsia. — Comunicou estendendo o envelope amarelo ao dono da casa. Atentos, seus filhos o olharam ler o material, ao mesmo tempo que se perguntaram se aquele era o procedimento padrão, se sempre deixavam os familiares das vítimas ler o laudo médico. E porquê o capitão de uma divisão inteira estava lá, investigando aquele caso? — Diz que Mariana morreu instantaneamente após uma facada no coração. — Comunicou o médico. Mas aquilo, todos já sabiam. — E que o agressor é destro. — Acrescentou calmamente. Elizabeth
Seis anos haviam se passado.Seis longos anos desde Mariana havia sido assassinada.O assassino ainda estava a monte, e eles viviam silenciosamente sobre uma guerra declarada. Uma família se quebrou naqueles anos de dor, raiva e incerteza. Até tentaram, mas nunca mais foram os mesmos.De um lado, estavam os filhos obstinados a descobrir a verdade por trás da morte da mãe, e do outro, um marido que já havia aceitado aquele desfecho. Firmes, cada lado defendia seus interesses, e muitas vezes, a doce madrinha, foi apanhada no meio.Theodor não se deteve e contratou, com o dinheiro que lhe deu seu tio, um detetive particular três meses após a morte de Mariana, mas esse não teve êxito. E a razão era só uma, Simas. O capitão convenceu o detetive contratado a abandonar o caso de Mariana, porque segundo ele, nunca chegaria ao fim. O detetive recuou, como se fosse apenas preciso uma opinião para desistir de toda uma investigação. O caso foi mais uma
— Barbie. — Elizabeth saudou adentrando a sala, que em tamanho e decoração ganhava da sua. Suas salas deixavam bem claro quem trabalhava com o quê. — Raquel. — Alegre, Clara retribuiu deixando o computador de lado, pousando os cotovelos sobre a mesa, apoiou o rosto nele sorrindo de forma amigável. Sem esperar por convite, Elizabeth sentou em uma das cadeiras de frente a sua. — Estou vendo uma pitada de satisfação nesse seu rosto, o que é? Andou falando mal de mim, ou é só do casamento? — Elizabeth perguntou bem humorada. — Nenhum dos dois, apenas relaxando para não ter rugas. — Clara respondeu . — E você, está melhor? — Retornou bastante atenciosa. Mas Elizabeth estranhou aquele "melhor"... — Estou perguntando porque ontem foi um dia difícil, e não atendeu minhas chamadas. — Esclareceu. — Eu estou bem, querida Clara. — Elizabeth garantiu. O dia anterior, marcava exatamente seis anos desde que Mariana havia partido. E como já era de se esperar, Elizabeth estava distraída e pouco
Muito mais cedo do que o normal, Elizabeth chegou á empresa. Dentro do vestido justo e rabo de cavalo alto, saudou os seguranças que ficavam do lado de fora do estabelecimento, e depois adentrou. O saguão vazio e as luzes ainda apagadas a receberam.— Está atrasada. — Clara declarou assim que a outra passou pelo balcão da recepção, que pelas horas, estava vazio. — Não sabe ser mais rápida? — Implicou.Estava parada junto ao elevador ostentando um semblante pouco simpático.— O que estou fazendo aqui? Não deveria pedir a ajuda da Cléo, ou da Margarida? — Elizabeth perguntou antes de levar a boca o copo que lhe foi oferecido. Café. — Eu deveria, mas a Margarida conhece a noiva, e a Cléo é nossa amiga, deixe ela descansar um pouco. — Clara chamou o elevador. Perante a resposta, a morena só conseguiu pensar que sua amiga era uma desgraçada.— E o que exatamente eu vou fazer? — Elizabeth voltou a questionar, desta vez adentrando o ele
— Alô. — Elizabeth respondeu ao telefona que sabia vir da recepção.— Liz, seu irmão está subindo. — Laura anunciou.— Obrigado por avisar. — Agradeceu antes de desligar.- Theo está subindo. — Anunciou para Clara voltando a sentar no lugar anterior.— Boa! Faz uma semana que não o vejo. — Clara devolveu com foco total nas peças de dominó que empilhava. Montava uma torre com sete andares. — É verdade? — Perguntou o querido irmão. Havia entrado sem bater.— Olha só o que fez. — Clara bradou. Sua torre havia caído, fruto do susto que levou com a entrada repentina de Theo. — Theo. — Resmungou começando a reagrupar as peças espalhadas pela mesa. Aquele era seu hobby, e depois que foi tudo ao chão, tinha uma expressão de quase choro.— Liz, é verdade, sim ou não? — Ignorando Clara e seus resmungos descontentes, voltou a perguntar. Daquela vez, menos afobado.— Não bate na porta, derruba meu projeto, nem bom dia dá,
— Então está me dizendo que quando voltar da viagem, não terei mais sobrinha. É isso mesmo? — Do outro lado do país, caminhando com os auriculares presos aos ouvidos, Donavan escutava atentamente seu sobrinho. — Isso mesmo, vou me tornar um assassino. — Theo respondeu. Já com um humor melhor, e já começava a fazer o jantar. — Sabe que está confessando seu futuro crime para um advogado, não é mesmo? — Don, como era frequentemente chamado, questionou achando aquela conversa bastante inusitada. — Estou falando com o meu tio, se tiver algum advogado, isso eu não sei. — Esperto, rebateu o menor. — Está certo, mas o que fez a sua irmã para que tivesse se chateado? — Devolveu curioso. Palavras como: ela é uma traidora, está me deixando mal, não presta e algo mais foram proferidas, mas o motivo, ainda não sabia. — Eu sei que o senhor vai dizer que uma coisa não tem relação com a outra, e que trabalho é trabalho, mas
— Theo abra a porta, sei que está em casa. — Elizabeth gritou batendo na porta do apartamento pela quarta vez. — Preciso falar com você, é importante. — Pediu. Novamente silêncio. —Theo. — Chamou começando a se perguntar se ele realmente estava em casa.— O que quer? — Seco, Theo perguntou ao abrir a porta. Seus olhos a analisaram, e sua postura gritava o quanto estar chateado.— Conversar. — Elizabeth declarou lhe afastando com a mão antes de entrar na casa. — Tenho boas notícias. — Animada, o seguiu até a cozinha. Diferente do seu apartamento, a cozinha de Theo não era no formato americano, na verdade se parecia com a casa dos pais, e ficava no final do corredor.— Aquela sua amiga morreu? — Perguntou expectante. — Então o que é? – Retornou amargo após ter recebido um não.— Simas saiu do cargo. — Contente, Elizabeth via o irmão se mover pelo espaço.— Hm. — Confuso, Theo balbuciou lhe passando dois pratos, que ela supôs, eram para o jantar. — Qual Simas? — Perguntou vascu