— Não precisa, eu posso voltar sozinha. — Faça o que eu digo. — Ademir não deixou espaço para recusa. — Deixe o Enzo te levar, as coisas já estão suficientemente complicadas. Não me deixe ficar ainda mais preocupado, está bem?— Então, vou ouvir você. — Vitória assentiu docilmente, aceitando a sugestão.Depois que a viu partir, o semblante de Ademir ainda estava tenso. Seus pensamentos estavam ocupados com as palavras de Vitória. Eunice encontrou o Catarino sozinho... Mas por que ele estava sozinho? O que havia acontecido antes disso?...No quarto, tudo estava quieto.Catarino, já medicado, ainda não havia acordado. Karina, debruçada sobre a cama, também havia adormecido.Ademir se aproximou, se curvou e cuidadosamente levantou Karina, colocando-a sobre o sofá-cama ao lado.Karina franziu a testa, emitindo um som baixo.Ademir se assustou, achando que havia acordado ela.Mas Karina não despertou. Ela logo se acalmou novamente, embora continuasse com as sobrancelhas franzidas, como se
Bruno ficou assustado e, rapidamente, falou:— Hoje, ouvi a Srta. Vitória dizendo à Karina que vocês se encontraram hoje, e que ainda tinham marcado de almoçarem juntos...Ademir ficou chocado. Como assim? Isso realmente aconteceu? Agora entendia o motivo de Karina estar tão fria e resistente a ele. Tentou controlar suas emoções, mas a raiva ainda não conseguia ser reprimida.— Por que não me disse isso antes?Bruno, se sentindo injustiçado, respondeu:— Eu não consegui encontrar uma oportunidade para falar sobre isso. Sempre que não estava com a Karina, estava com a Vitória. Não queria me intrometer.— Tudo bem, eu entendi.Pelo menos Bruno foi esperto e, no final, acabou falando sobre isso. Caso contrário, ele nem saberia por quanto tempo ainda ficaria perdido....Na sala do hospital, o som de um grito desesperado do jovem ecoou. Em seguida, o barulho de objetos caindo, um som caótico e estridente.— Catarino! — A voz de Karina estava abafada pelas lágrimas. — Eu sou sua irmã! Cata
Catarino não soltou imediatamente, mas Ademir não o pressionou. Ele simplesmente permaneceu em silêncio, aguardando, dando-lhe o tempo que precisava. Com o tempo, Catarino finalmente relaxou e soltou. Os médicos e enfermeiros rapidamente se aproximaram, e Karina foi a primeira a chegar, abraçando Catarino com força.— Não tenha medo, Catarino. A irmã está aqui, a irmã está aqui com você.Comparado a antes, Catarino parecia bem mais calmo. Embora ainda não reagisse, também não tentava mais se afastar.— Sra. Barbosa, precisamos aplicar os medicamentos no Catarino e também orientá-lo.— Certo. — Karina soltou Catarino, entregando ele aos cuidados dos médicos e enfermeiros.Ao olhar para trás, percebeu que Ademir estava com a mão sobre o braço, e o sangue escorria entre seus dedos.— Venha aqui. — Karina franziu a testa, pegou ele pelo braço e o conduziu até o sofá. — Fique aí, espere um pouco.Como estavam no hospital, os materiais estavam ao alcance, facilitando tudo.Karina foi até u
— O que aconteceu comigo?! Você não sabe? — Karina mordia os dentes, a voz tremeu incontrolavelmente assim que abriu a boca. — Não precisa saber! Só te peço uma coisa: se for para morrer, morra logo! Quem sabe, por você ter me dado uma vida, eu até possa me lembrar de você!Com isso, ela desligou o telefone.Levantou a cabeça, piscou os olhos e se esforçou para conter as lágrimas que estavam prestes a cair.Nenhum deles, além do Catarino, fosse Lucas ou Ademir, conseguiria fazer com que ela derramasse uma única lágrima!...Nos dois dias seguintes, Karina permaneceu no hospital ao lado de Catarino. A lesão na cabeça dele não era grave; bastava trocar o curativo todos os dias. O psicólogo contratado por Ademir era excelente, e Catarino estava se recuperando melhor do que ela imaginava. Embora ainda não falasse, ela sabia que não deveria apressar as coisas. Isso tinha que ser feito aos poucos.Era manhã, por volta das dez horas.Karina observava Catarino enquanto ele recebia o cura
"Karina, para quem são essas flores?" — Já estão prontas! — O vendedor entregou o buquê para Karina com um sorriso. — Obrigada... — Onde posso pagar? — Aqui, senhor. Ademir foi até o caixa para efetuar o pagamento. Depois de saírem da floricultura, Ademir estendeu a mão para pegar as flores de Karina: — Deixe-me segurar para você. — Não precisa. — Karina balançou a cabeça, hesitando antes de falar. — Você não tem mais nada para fazer? O Bruno pode me acompanhar. — Por quê? — Ademir perguntou, com uma expressão desconfiada e um toque de ciúmes na voz. — O Bruno te acompanhar, ou eu te acompanhar, não são a mesma coisa, não é? — Não é isso. — Karina se apressou em negar. — Eu só... Não quero que você ache chato. Ele pegou o buquê: — Vai visitar alguém falecido? — Você adivinhou? Ademir deu um sorriso cínico: — Crisântemos e cravos, difícil de adivinhar, não? Mas... Quem você vai visitar? Hoje não é um dia especial. — É um dos meus parentes. — Karina mal co
— Desculpe. — Lucas parou apressadamente. — Foi erro meu, foi a minha falta de consideração.— Não diga mais nada! — Karina não queria ouvir mais essas palavras. — Eu não preciso da sua desculpa. A desculpa vai fazer com que o Catarino volte a ser como antes, sem estar machucado?— Karina. — Lucas se lembrou de algo, tirou a carteira do bolso, retirou um cartão e lhe entregou. — Este é o cartão que te dei da última vez, mas você não quis aceitar. Toma, pega.Vendo que Karina não se movia, ele insistiu:— Karina, isso é algo que você precisa.Ele olhou ao redor, suspirou e continuou:— Hoje é um dia tão importante, e você veio sozinha. O Ademir não está aqui com você, o que prova que ele não é tão bom para você. Vocês não vão durar muito. Depois que sair da família Barbosa, você vai precisar de muito dinheiro.Karina hesitou.De fato, o que ele disse fazia total sentido.Então, ela deveria pegar esse dinheiro? A Mansão da família Costa tinha uma parte dela e do Catarino.— Karina, pegue
Ademir, com os olhos fixos, viu a flor que Karina havia comprado. A foto na lápide mostrava uma mulher muito jovem. Seus traços lembravam um pouco os de Karina. Ao olhar para baixo, ele leu as palavras gravadas na pedra: “Mãe, Heloísa...” Mãe.Ademir esboçou um sorriso frio, e uma onda de gelo subiu de seus pés até o coração. O que mais ele precisaria entender? Karina estava visitando o túmulo de sua mãe!Ele a encarou intensamente e, com a voz baixa, perguntou:— Então, essa é a tal “anciana” que você mencionou?Karina fechou os olhos por um momento e, com a voz suave, respondeu:— Ela é minha mãe. Hoje é o aniversário de sua morte.— Agora você finalmente vai contar a verdade?Ademir explodiu, gritando com a fúria de quem não conseguia mais controlar suas emoções. Seu rosto estava pálido de raiva enquanto ele andava de um lado para o outro, incapaz de se acalmar.— Eu sou um idiota! Karina, o que você pensa de mim, afinal?Karina manteve a cabeça baixa, em silêncio.— Karina, eu sou
Ademir segurava o celular, e, por impulso, olhou para a varanda.Hesitou antes de falar:— Vitória, me desculpe, mas não posso ir.— O quê? — Vitória reagiu, completamente surpresa. Quando ela fez a pergunta, jamais imaginou que ele recusaria. Ele não costumava negar nada a ela, especialmente quando se tratava de um pedido seu. E além disso, havia o vínculo da juventude entre eles.— Por quê? — Perguntou ela, ainda sem entender.— Me desculpe. — Respondeu Ademir. — O Catarino acabou de sair do hospital, ainda não está bem, e a Karina não anda com a melhor das emoções. Eu preciso ficar com ela.— Ah, tá. — Vitória respondeu, sua voz mais baixa, com um tom que tentava esconder o desgosto.Será? Vitória riu por dentro, sarcasticamente. Precisava de todo o tempo do dia para ficar com ela? Já não eram casados? Não se viam todos os dias, não passavam o tempo todo juntos? Ela só pedia que ele dedicasse um pouco de tempo a ela e nem isso ele conseguia fazer!Ela apertou as mãos, forçando um s