"Karina, para quem são essas flores?" — Já estão prontas! — O vendedor entregou o buquê para Karina com um sorriso. — Obrigada... — Onde posso pagar? — Aqui, senhor. Ademir foi até o caixa para efetuar o pagamento. Depois de saírem da floricultura, Ademir estendeu a mão para pegar as flores de Karina: — Deixe-me segurar para você. — Não precisa. — Karina balançou a cabeça, hesitando antes de falar. — Você não tem mais nada para fazer? O Bruno pode me acompanhar. — Por quê? — Ademir perguntou, com uma expressão desconfiada e um toque de ciúmes na voz. — O Bruno te acompanhar, ou eu te acompanhar, não são a mesma coisa, não é? — Não é isso. — Karina se apressou em negar. — Eu só... Não quero que você ache chato. Ele pegou o buquê: — Vai visitar alguém falecido? — Você adivinhou? Ademir deu um sorriso cínico: — Crisântemos e cravos, difícil de adivinhar, não? Mas... Quem você vai visitar? Hoje não é um dia especial. — É um dos meus parentes. — Karina mal co
— Desculpe. — Lucas parou apressadamente. — Foi erro meu, foi a minha falta de consideração.— Não diga mais nada! — Karina não queria ouvir mais essas palavras. — Eu não preciso da sua desculpa. A desculpa vai fazer com que o Catarino volte a ser como antes, sem estar machucado?— Karina. — Lucas se lembrou de algo, tirou a carteira do bolso, retirou um cartão e lhe entregou. — Este é o cartão que te dei da última vez, mas você não quis aceitar. Toma, pega.Vendo que Karina não se movia, ele insistiu:— Karina, isso é algo que você precisa.Ele olhou ao redor, suspirou e continuou:— Hoje é um dia tão importante, e você veio sozinha. O Ademir não está aqui com você, o que prova que ele não é tão bom para você. Vocês não vão durar muito. Depois que sair da família Barbosa, você vai precisar de muito dinheiro.Karina hesitou.De fato, o que ele disse fazia total sentido.Então, ela deveria pegar esse dinheiro? A Mansão da família Costa tinha uma parte dela e do Catarino.— Karina, pegue
Ademir, com os olhos fixos, viu a flor que Karina havia comprado. A foto na lápide mostrava uma mulher muito jovem. Seus traços lembravam um pouco os de Karina. Ao olhar para baixo, ele leu as palavras gravadas na pedra: “Mãe, Heloísa...” Mãe.Ademir esboçou um sorriso frio, e uma onda de gelo subiu de seus pés até o coração. O que mais ele precisaria entender? Karina estava visitando o túmulo de sua mãe!Ele a encarou intensamente e, com a voz baixa, perguntou:— Então, essa é a tal “anciana” que você mencionou?Karina fechou os olhos por um momento e, com a voz suave, respondeu:— Ela é minha mãe. Hoje é o aniversário de sua morte.— Agora você finalmente vai contar a verdade?Ademir explodiu, gritando com a fúria de quem não conseguia mais controlar suas emoções. Seu rosto estava pálido de raiva enquanto ele andava de um lado para o outro, incapaz de se acalmar.— Eu sou um idiota! Karina, o que você pensa de mim, afinal?Karina manteve a cabeça baixa, em silêncio.— Karina, eu sou
Ademir segurava o celular, e, por impulso, olhou para a varanda.Hesitou antes de falar:— Vitória, me desculpe, mas não posso ir.— O quê? — Vitória reagiu, completamente surpresa. Quando ela fez a pergunta, jamais imaginou que ele recusaria. Ele não costumava negar nada a ela, especialmente quando se tratava de um pedido seu. E além disso, havia o vínculo da juventude entre eles.— Por quê? — Perguntou ela, ainda sem entender.— Me desculpe. — Respondeu Ademir. — O Catarino acabou de sair do hospital, ainda não está bem, e a Karina não anda com a melhor das emoções. Eu preciso ficar com ela.— Ah, tá. — Vitória respondeu, sua voz mais baixa, com um tom que tentava esconder o desgosto.Será? Vitória riu por dentro, sarcasticamente. Precisava de todo o tempo do dia para ficar com ela? Já não eram casados? Não se viam todos os dias, não passavam o tempo todo juntos? Ela só pedia que ele dedicasse um pouco de tempo a ela e nem isso ele conseguia fazer!Ela apertou as mãos, forçando um s
— Como eu poderia te culpar? — Karina sorriu, com lágrimas nos olhos. — Dr. Felipe, você fez tudo por mim, só tenho gratidão. Muito obrigada, professor.— Não precisa me agradecer. — Felipe também tinha os olhos um pouco marejados. — Se alguém tem que ser agradecido, esse alguém é você. Crescer com tanta força, apesar de todas as dificuldades, foi você quem não desistiu de si mesma.— Sim. — Karina concordou, tocada pelas palavras dele, e acenou com a cabeça.Felipe prosseguiu, com um sorriso caloroso:— Se o pedido para isenção de exames de pós-graduação for bem-sucedido, você se tornará oficialmente médica do Hospital J. Isso significará que tanto sua formação quanto sua carreira estarão encaminhadas para o sucesso. Agora, é só termos paciência e esperarmos pelo resultado.— Sim. — Karina respondeu, cheia de esperança. Depois, saiu do escritório e percebeu que seu celular não parava de tocar em seu bolso.Ainda absorta pela felicidade, ela atendeu ao telefone sem nem sequer ver quem
O resultado foi que ela foi rapidamente puxada para o carro e levada para a Mansão da Família Barbosa. A principal entrada da Mansão da Família Barbosa estava aberta, com sapatos espalhados por todo lado, jaquetas de terno masculinas e gravatas, além de xales femininos, jogados no chão....Karina estava deitada na cama, sem vontade de se mover. No entanto, o suor em seu corpo a fazia se sentir desconfortável. Com os olhos fechados, ela, apenas pelo tato, deu um leve empurrão no homem ao seu lado:— Você não vai tomar banho?Sabendo que ela gostava de se manter limpa, ele também tinha esse hábito.— Eu vou ou você vai primeiro?Karina abriu os olhos e o olhou com raiva:— Vai me deixar tomar banho sozinha!?Ela parecia ter energia para isso? — Tudo bem!Ademir aceitou alegremente e a pegou no colo, levando ela até o banheiro. Ele já a ajudou a tomar banho outras vezes, mas no início foi ele quem sugeriu, pois gostava das brincadeiras no relacionamento. Agora, no entanto, el
Ele fez tantas coisas por ela, pelo menos ela deveria expressar sua gratidão. Karina suspirou, se xingando mentalmente. Como pôde ser tão fácil de se deixar abalar? Ela não tinha tomado a decisão de não se entregar mais aos sentimentos? "Ah, tanto faz, talvez eu não deva dar o presente." Fechou a caixa e se levantou para ir ao banheiro.Quando Ademir voltou, o som da água no banheiro já podia ser ouvido. Sabendo que Karina estava tomando banho, ele não a interrompeu. Trocaram de roupa e ele se sentou no sofá. Seus olhos caíram imediatamente sobre a caixa na mesa.— O que é isso? Ele a pegou distraidamente. Era uma caixa pequena, parecia ser de relógio. Não pensou muito, e logo a abriu. Não era um relógio, mas uma peça artesanal, algo bem refinado, um isqueiro. O isqueiro estava muito bem polido, e na parte inferior estavam gravadas letras minúsculas. Ao se aproximar para olhar de perto, ele conseguiu distinguir o que estava escrito. — Para Ademir... Ademir leu
— Sim. — Ademir acenou com a cabeça. — Não percebi nenhum movimento recente.— Talvez seja porque eles já estejam muito ocupados. — Otávio assentiu, aliviado.— Vovô. — Nesse momento, Karina entrou na sala, empurrando a porta. — A data da cirurgia já foi marcada. Vai ser nesta sexta-feira. No mesmo dia, o senhor vai ser operado, o Dr. Felipe será o responsável principal e eu estarei ajudando. Vovô, vou ficar com o senhor.— Tudo bem. — Otávio sorriu e assentiu com a cabeça. — Com a Karina me acompanhando, não tenho mais nada a temer.Depois de discutir os detalhes da cirurgia, Ademir se despediu e saiu apressado para o trabalho. Karina ficou mais um tempo com Otávio, conversando, e só depois se retirou.Para sua surpresa, encontrou Amílcar no caminho.Amílcar era o psicólogo que Ademir havia contratado para atender Catarino.— Amílcar? — Sra. Barbosa.Amílcar também não esperava encontrar Karina ali. Naquele horário, ele deveria estar na Casa de Repouso Castle Peak. Então, ele explic