Ademir segurava o celular, e, por impulso, olhou para a varanda.Hesitou antes de falar:— Vitória, me desculpe, mas não posso ir.— O quê? — Vitória reagiu, completamente surpresa. Quando ela fez a pergunta, jamais imaginou que ele recusaria. Ele não costumava negar nada a ela, especialmente quando se tratava de um pedido seu. E além disso, havia o vínculo da juventude entre eles.— Por quê? — Perguntou ela, ainda sem entender.— Me desculpe. — Respondeu Ademir. — O Catarino acabou de sair do hospital, ainda não está bem, e a Karina não anda com a melhor das emoções. Eu preciso ficar com ela.— Ah, tá. — Vitória respondeu, sua voz mais baixa, com um tom que tentava esconder o desgosto.Será? Vitória riu por dentro, sarcasticamente. Precisava de todo o tempo do dia para ficar com ela? Já não eram casados? Não se viam todos os dias, não passavam o tempo todo juntos? Ela só pedia que ele dedicasse um pouco de tempo a ela e nem isso ele conseguia fazer!Ela apertou as mãos, forçando um s
— Como eu poderia te culpar? — Karina sorriu, com lágrimas nos olhos. — Dr. Felipe, você fez tudo por mim, só tenho gratidão. Muito obrigada, professor.— Não precisa me agradecer. — Felipe também tinha os olhos um pouco marejados. — Se alguém tem que ser agradecido, esse alguém é você. Crescer com tanta força, apesar de todas as dificuldades, foi você quem não desistiu de si mesma.— Sim. — Karina concordou, tocada pelas palavras dele, e acenou com a cabeça.Felipe prosseguiu, com um sorriso caloroso:— Se o pedido para isenção de exames de pós-graduação for bem-sucedido, você se tornará oficialmente médica do Hospital J. Isso significará que tanto sua formação quanto sua carreira estarão encaminhadas para o sucesso. Agora, é só termos paciência e esperarmos pelo resultado.— Sim. — Karina respondeu, cheia de esperança. Depois, saiu do escritório e percebeu que seu celular não parava de tocar em seu bolso.Ainda absorta pela felicidade, ela atendeu ao telefone sem nem sequer ver quem
O resultado foi que ela foi rapidamente puxada para o carro e levada para a Mansão da Família Barbosa. A principal entrada da Mansão da Família Barbosa estava aberta, com sapatos espalhados por todo lado, jaquetas de terno masculinas e gravatas, além de xales femininos, jogados no chão....Karina estava deitada na cama, sem vontade de se mover. No entanto, o suor em seu corpo a fazia se sentir desconfortável. Com os olhos fechados, ela, apenas pelo tato, deu um leve empurrão no homem ao seu lado:— Você não vai tomar banho?Sabendo que ela gostava de se manter limpa, ele também tinha esse hábito.— Eu vou ou você vai primeiro?Karina abriu os olhos e o olhou com raiva:— Vai me deixar tomar banho sozinha!?Ela parecia ter energia para isso? — Tudo bem!Ademir aceitou alegremente e a pegou no colo, levando ela até o banheiro. Ele já a ajudou a tomar banho outras vezes, mas no início foi ele quem sugeriu, pois gostava das brincadeiras no relacionamento. Agora, no entanto, el
Ele fez tantas coisas por ela, pelo menos ela deveria expressar sua gratidão. Karina suspirou, se xingando mentalmente. Como pôde ser tão fácil de se deixar abalar? Ela não tinha tomado a decisão de não se entregar mais aos sentimentos? "Ah, tanto faz, talvez eu não deva dar o presente." Fechou a caixa e se levantou para ir ao banheiro.Quando Ademir voltou, o som da água no banheiro já podia ser ouvido. Sabendo que Karina estava tomando banho, ele não a interrompeu. Trocaram de roupa e ele se sentou no sofá. Seus olhos caíram imediatamente sobre a caixa na mesa.— O que é isso? Ele a pegou distraidamente. Era uma caixa pequena, parecia ser de relógio. Não pensou muito, e logo a abriu. Não era um relógio, mas uma peça artesanal, algo bem refinado, um isqueiro. O isqueiro estava muito bem polido, e na parte inferior estavam gravadas letras minúsculas. Ao se aproximar para olhar de perto, ele conseguiu distinguir o que estava escrito. — Para Ademir... Ademir leu
— Sim. — Ademir acenou com a cabeça. — Não percebi nenhum movimento recente.— Talvez seja porque eles já estejam muito ocupados. — Otávio assentiu, aliviado.— Vovô. — Nesse momento, Karina entrou na sala, empurrando a porta. — A data da cirurgia já foi marcada. Vai ser nesta sexta-feira. No mesmo dia, o senhor vai ser operado, o Dr. Felipe será o responsável principal e eu estarei ajudando. Vovô, vou ficar com o senhor.— Tudo bem. — Otávio sorriu e assentiu com a cabeça. — Com a Karina me acompanhando, não tenho mais nada a temer.Depois de discutir os detalhes da cirurgia, Ademir se despediu e saiu apressado para o trabalho. Karina ficou mais um tempo com Otávio, conversando, e só depois se retirou.Para sua surpresa, encontrou Amílcar no caminho.Amílcar era o psicólogo que Ademir havia contratado para atender Catarino.— Amílcar? — Sra. Barbosa.Amílcar também não esperava encontrar Karina ali. Naquele horário, ele deveria estar na Casa de Repouso Castle Peak. Então, ele explic
Se Karina não conseguia obter informações diretamente de Amílcar, ela sabia que conseguiria descobrir tudo sozinha.— Isso...Vendo que Bruno ainda hesitava, Karina, determinada, falou diretamente:— Venha comigo. Se eu estiver mentindo, você me pega e me leva embora.Ela pediu, quase com um tom de súplica:— Eu espero que você aceite, Bruno. O Túlio é meu amigo, e ele provavelmente está muito doente. É muito sério.— Tá bom. Não conseguindo resistir ao pedido de Karina, Bruno acabou concordando.Ele não foi embora, mas se manteve a uma distância segura, acompanhando Karina sem que ela percebesse, para caso algo acontecesse, ele pudesse intervir rapidamente.Karina conhecia bem o hospital e, em pouco tempo, chegou à emergência, pegou o prontuário de Túlio e o examinou com atenção.Quando terminou de ler, ela ficou paralisada.Túlio tinha um histórico de depressão de três anos!Além disso, ele tinha marcas de cortes antigos no pulso esquerdo, cicatrizes permanentes que eram claras evid
Bruno percebeu que Karina não estava se sentindo bem e, rapidamente, estendeu a mão para apoiá-la:— Karina, você está bem?Karina balançou a cabeça.Karina estava bem.Era Karina quem já tinha amado, e ainda amava, a pessoa que estava doente, e tão gravemente! Bruno não conseguiu ficar tranquilo, então logo a levou de volta para a Mansão da família Barbosa, onde a entregou a Wanessa e ao tio Denis. Em seguida, fez uma ligação para Ademir para informar sobre o ocorrido.Fez questão de enfatizar:— A Karina não viu o Túlio, ela apenas olhou o prontuário médico dele.— Eu entendi.Após desligar o telefone, Ademir ficou pensando por um bom tempo. Será que o Túlio tinha depressão?À noite, Ademir voltou para a Mansão da família Barbosa, e Karina já estava dormindo. Ele se sentou ao lado da cama e a observou em silêncio. Seus olhos ainda estavam levemente vermelhos, como se tivesse chorado com intensidade.A esposa de Ademir, chorando por outro homem.— Está tudo bem. — Ademir murmurou para
Vitória ficou sem palavras.Ela olhou, incrédula, para as coisas que sua mãe havia trazido. Eram todas coisas de bebê. Vitória olhou para o pai, sem acreditar no que via.— Pai, isso é verdade? — Ela não conseguiu esconder a surpresa. — Você tem uma amante? E... tem um filho agora?Não era de se espantar que sua mãe estivesse desconfiada; isso realmente parecia muito suspeito!— Vitória... — Eunice, ao ouvir a pergunta, começou a chorar novamente. — Por que minha vida é tão difícil?Lucas franziu a testa, mas, como sempre, repetiu a mesma frase:— Não é nada disso.— E esses...? — Vitória não conseguia entender. O comportamento do pai não parecia forçado, mas então, por que ele teria comprado essas coisas?— Eu comprei para dar de presente. — Lucas se viu obrigado a tentar dar uma explicação.— Não escute ele falando besteira! — Eunice imediatamente rejeitou a explicação de Lucas. Ela sabia muito bem quem eram os parentes e amigos com quem a família mantinha contato, e estava bem cient