Se Karina não conseguia obter informações diretamente de Amílcar, ela sabia que conseguiria descobrir tudo sozinha.— Isso...Vendo que Bruno ainda hesitava, Karina, determinada, falou diretamente:— Venha comigo. Se eu estiver mentindo, você me pega e me leva embora.Ela pediu, quase com um tom de súplica:— Eu espero que você aceite, Bruno. O Túlio é meu amigo, e ele provavelmente está muito doente. É muito sério.— Tá bom. Não conseguindo resistir ao pedido de Karina, Bruno acabou concordando.Ele não foi embora, mas se manteve a uma distância segura, acompanhando Karina sem que ela percebesse, para caso algo acontecesse, ele pudesse intervir rapidamente.Karina conhecia bem o hospital e, em pouco tempo, chegou à emergência, pegou o prontuário de Túlio e o examinou com atenção.Quando terminou de ler, ela ficou paralisada.Túlio tinha um histórico de depressão de três anos!Além disso, ele tinha marcas de cortes antigos no pulso esquerdo, cicatrizes permanentes que eram claras evid
Bruno percebeu que Karina não estava se sentindo bem e, rapidamente, estendeu a mão para apoiá-la:— Karina, você está bem?Karina balançou a cabeça.Karina estava bem.Era Karina quem já tinha amado, e ainda amava, a pessoa que estava doente, e tão gravemente! Bruno não conseguiu ficar tranquilo, então logo a levou de volta para a Mansão da família Barbosa, onde a entregou a Wanessa e ao tio Denis. Em seguida, fez uma ligação para Ademir para informar sobre o ocorrido.Fez questão de enfatizar:— A Karina não viu o Túlio, ela apenas olhou o prontuário médico dele.— Eu entendi.Após desligar o telefone, Ademir ficou pensando por um bom tempo. Será que o Túlio tinha depressão?À noite, Ademir voltou para a Mansão da família Barbosa, e Karina já estava dormindo. Ele se sentou ao lado da cama e a observou em silêncio. Seus olhos ainda estavam levemente vermelhos, como se tivesse chorado com intensidade.A esposa de Ademir, chorando por outro homem.— Está tudo bem. — Ademir murmurou para
Vitória ficou sem palavras.Ela olhou, incrédula, para as coisas que sua mãe havia trazido. Eram todas coisas de bebê. Vitória olhou para o pai, sem acreditar no que via.— Pai, isso é verdade? — Ela não conseguiu esconder a surpresa. — Você tem uma amante? E... tem um filho agora?Não era de se espantar que sua mãe estivesse desconfiada; isso realmente parecia muito suspeito!— Vitória... — Eunice, ao ouvir a pergunta, começou a chorar novamente. — Por que minha vida é tão difícil?Lucas franziu a testa, mas, como sempre, repetiu a mesma frase:— Não é nada disso.— E esses...? — Vitória não conseguia entender. O comportamento do pai não parecia forçado, mas então, por que ele teria comprado essas coisas?— Eu comprei para dar de presente. — Lucas se viu obrigado a tentar dar uma explicação.— Não escute ele falando besteira! — Eunice imediatamente rejeitou a explicação de Lucas. Ela sabia muito bem quem eram os parentes e amigos com quem a família mantinha contato, e estava bem cient
Essa frase fez Vitória se lembrar. Era verdade, ainda não era hora de se render. Vitória não queria perder Ademir, e ainda tinha uma carta na manga! As lágrimas secaram instantaneamente. — Já está tarde, vamos descansar no quarto. — Está bem. Os dois se viraram juntos, de mãos dadas, subindo as escadas. Porém, o caminho foi bloqueado por uma pilha de itens de bebê. Eunice, de repente, levantou o pé e começou a dar vários chutes nos itens, se sentindo muito irritada. — Seu pai está com uma doença no fígado, e agora nem a cabeça está funcionando direito! Ele acha que, antes de morrer, se ele se arrepender, vai fazer alguma diferença? — Mãe... — Vitória teve uma ideia e alertou a mãe. — Depois que o papai adoeceu, ele não é mais o mesmo, tem que ficar atenta. — O que você quer dizer com isso? — Eunice não percebeu a gravidade da situação. — O seu pai seria capaz de sair por aí com outra mulher? Com o corpo dele... — Não é isso. — Vitória balançou a cabeça, falando co
Karina soltou Ademir, acenando com a mão enquanto dizia: — Espere até sairmos. — Certo. Ela se virou e entrou na sala de cirurgia. A porta da sala foi lentamente fechada. Do lado de fora, ninguém sabia o que estava acontecendo dentro, só restando esperar. Ademir nunca havia sentido o tempo passar tão lentamente, como se cada segundo fosse um tormento... Já era quase meio-dia quando Júlio se aproximou e falou com Ademir: — Ademir, a cirurgia ainda pode demorar. Vai lá comer alguma coisa. Ademir balançou a cabeça: — Não preciso, não estou com fome. Ele realmente não conseguia comer nada. Quando alguém estava excessivamente tenso, a fome desaparecia por completo. Ademir olhou ansiosamente para o relógio, com a testa franzida, sempre com o semblante tenso. — Por que está demorando tanto? Karina havia dito ao Ademir que a cirurgia do avô, para o Dr. Felipe, não seria um procedimento tão complexo. Se tudo corresse bem, ele poderia sair até o meio-dia. Mas agor
No centro da sala de plantão, havia um banco de madeira, usado pelos médicos e enfermeiros para se trocarem. Agora, Karina estava deitada nele, já sem consciência. Além de Ademir, a enfermeira que o acompanhava também estava em choque.— O que aconteceu com a Dra. Costa? — Karina. — Ademir correu até ela, se ajoelhando rapidamente e levantando ela nos braços. — Por favor, me ajude a chamar um médico! Minha esposa está grávida! — Claro! — A enfermeira assentiu apressadamente. — Já vou chamar...Mas antes que ela terminasse de falar, a pessoa nos braços de Ademir fez uma expressão de desconforto e gemeu levemente. Ademir congelou, sem acreditar no que estava ouvindo: — Karina? Karina lentamente abriu os olhos, olhando confusa para ele, depois observando ao redor, até perceber que estava na sala de plantão do centro cirúrgico. — Como você entrou aqui? Ademir já estava tão poderoso que nem mesmo temia invadir uma sala de cirurgia? — Você acordou? — Ademir não respondeu à p
— Entre. A mulher não disse uma palavra, apenas acenou com a cabeça e empurrou a porta.Dentro do quarto, já havia duas pessoas, dois homens: um magro e um gordo. Quando a mulher entrou, ambos se levantaram. O homem magro acenou com a cabeça e, sendo direto, perguntou:— Você trouxe o dinheiro?Esta era a Feira da Ladra, o mercado de transações subterrâneas da Cidade J. Aqui, qualquer negociação que não pudesse ser feita de forma pública ocorria sem problemas. A regra era simples: só aceitavam pagamento em dinheiro.A mulher acenou com a cabeça, já tinha tudo preparado. Ela pegou sua mala de viagem e a colocou sobre a mesa.O homem magro olhou para o gordo e, juntos, se aproximaram para abrir a mala. Após uma inspeção cuidadosa, confirmaram que tudo estava certo.O homem magro então falou:— Tudo certo. O que você quer que façamos, nós entendemos.— Ótimo. — A mulher acenou com a cabeça, dizendo. — Quando o serviço for concluído, voltarei aqui para lhe entregar o restante
Karina estava completamente tensa. Ela apertou com força o celular nas mãos. O homem daquela noite no Hotel Dynasty... Na verdade, Karina já tinha tentado ao máximo evitar pensar sobre o ocorrido, mas, como uma farpa cravada em seu coração, a lembrança sempre estava ali, pronta para a incomodar. Mas o que Vitória queria dizer com isso? Será que a Vitória sabia a verdade sobre o que havia acontecido? Karina imediatamente ligou para Vitória. Do outro lado da linha, Vitória atendeu rapidamente. — O que você sabe? — Karina estava ansiosa para descobrir a verdade. — Quem era o homem daquela noite? — Calma. — Vitória respondeu com um sorriso suave. — Eu estou indo para a Universidade J agora. Vamos nos encontrar lá, e eu vou te contar tudo o que sei. — Certo. Karina não hesitou nem por um segundo em aceitar. Naquele momento, ela já havia saído do hospital, e com certeza Bruno iria acompanhá-la. Seguindo o endereço enviado por Vitória, Karina foi até um restaurante atr