— Entre. A mulher não disse uma palavra, apenas acenou com a cabeça e empurrou a porta.Dentro do quarto, já havia duas pessoas, dois homens: um magro e um gordo. Quando a mulher entrou, ambos se levantaram. O homem magro acenou com a cabeça e, sendo direto, perguntou:— Você trouxe o dinheiro?Esta era a Feira da Ladra, o mercado de transações subterrâneas da Cidade J. Aqui, qualquer negociação que não pudesse ser feita de forma pública ocorria sem problemas. A regra era simples: só aceitavam pagamento em dinheiro.A mulher acenou com a cabeça, já tinha tudo preparado. Ela pegou sua mala de viagem e a colocou sobre a mesa.O homem magro olhou para o gordo e, juntos, se aproximaram para abrir a mala. Após uma inspeção cuidadosa, confirmaram que tudo estava certo.O homem magro então falou:— Tudo certo. O que você quer que façamos, nós entendemos.— Ótimo. — A mulher acenou com a cabeça, dizendo. — Quando o serviço for concluído, voltarei aqui para lhe entregar o restante
Karina estava completamente tensa. Ela apertou com força o celular nas mãos. O homem daquela noite no Hotel Dynasty... Na verdade, Karina já tinha tentado ao máximo evitar pensar sobre o ocorrido, mas, como uma farpa cravada em seu coração, a lembrança sempre estava ali, pronta para a incomodar. Mas o que Vitória queria dizer com isso? Será que a Vitória sabia a verdade sobre o que havia acontecido? Karina imediatamente ligou para Vitória. Do outro lado da linha, Vitória atendeu rapidamente. — O que você sabe? — Karina estava ansiosa para descobrir a verdade. — Quem era o homem daquela noite? — Calma. — Vitória respondeu com um sorriso suave. — Eu estou indo para a Universidade J agora. Vamos nos encontrar lá, e eu vou te contar tudo o que sei. — Certo. Karina não hesitou nem por um segundo em aceitar. Naquele momento, ela já havia saído do hospital, e com certeza Bruno iria acompanhá-la. Seguindo o endereço enviado por Vitória, Karina foi até um restaurante atr
— Ele... É... De repente, Vitória se inclinou para frente, cobrindo a testa com as mãos, como se estivesse muito mal. — O que aconteceu? — Karina franziu a testa e perguntou. — Não sei... — Vitória balançou a cabeça. — Minha cabeça está muito tonta, não consigo enxergar direito. Karina sentiu que algo estava muito errado. Em pouco tempo, ela também começou a sentir sua cabeça ficando cada vez mais pesada, e sua visão se tornando turva. Ela sacudiu a cabeça com força, tentando aliviar a sensação, mas nada funcionou. De repente, um som de algo caindo ecoou, e quando Karina levantou os olhos, viu que Vitória havia perdido os sentidos e estava caída sobre a mesa. O que estava acontecendo? — Vitória! — Karina segurou o braço de Vitória, tentando acordá-la. — Acorda, não durma! Mas logo Karina também não conseguiu mais se sustentar. Sua visão escureceu rapidamente, e, assim como Vitória, ela desabou sobre a mesa. O espaço reservado ficou em um silêncio profundo. Não dem
Júlio fixou o olhar no rosto impassível de Ademir, sem ousar dizer uma palavra. O carro continuava a avançar pela estrada. — E o Bruno? — Ademir também parecia tenso. Júlio entendeu imediatamente e, sem hesitar, pegou o celular para ligar para Bruno. Mas...— Ademir, o Bruno não está atendendo o celular! A situação era grave. Isso só poderia significar que Bruno também estava em apuros. A melhor hipótese era que ele estivesse com Karina. O pior cenário, no entanto, era que Bruno e Karina tivessem se separado. Isso complicaria ainda mais as coisas! O que fazer? Júlio não ousava pressionar. O tempo estava se esgotando. Ademir refletiu por um longo momento, pegou o celular e fez uma ligação para Filipe. — Filipe, sou eu. — Ele disse, de forma concisa, resumindo o que havia acontecido. Filipe entendeu imediatamente: — Você quer que eu vá até a Karina? Quase sem hesitar, Ademir respondeu: — Isso mesmo. — Eu posso fazer isso. — Filipe, sendo seu irmão, certa
Vitória rastejava lentamente, como uma criatura frágil, avançando com dificuldade em direção à porta. "Ademir, Ademir, estou aqui, aqui!"A distância era de apenas alguns metros, mas parecia um abismo imenso.De repente, Vitória congelou, os olhos arregalados, enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto. "Que cheiro é esse?"Ela parecia ter percebido o cheiro de algo queimado. Ao olhar para cima, notou que, do lado de fora da janela, havia chamas. Os olhos dela se abriram ainda mais, o fogo estava lá! Não, não! Vitória começou a balançar a cabeça freneticamente, as lágrimas não cessavam, e o medo tomou conta de seu coração. "Como isso aconteceu? Como pode haver fogo aqui?" Ela estava sem palavras, suas mãos e pés estavam amarrados, e a pergunta ecoava em sua mente: será que iria morrer queimada aqui? Lutar não adiantava. Vitória se deitou no chão, chorando desesperada.— Ademir! — Gritou Júlio, enquanto outros chegavam para ajudar. — Todos chegaram! Já mandei que procurassem com
— Júlio, pegue! — Júlio não teve tempo de reagir, e Ademir já havia passado a pessoa que estava em seus braços para ele.E logo Ademir se lançou novamente para dentro.— Ademir!Júlio ficou assustado. O que Ademir estava fazendo? Uma ação tão perigosa! Ele até conseguia entender o motivo de Ademir ter ido até lá por causa de Vitória, mas e agora? O que o fazia correr tanto risco novamente?Ao entrar, Ademir foi imediatamente envolvido pela densa fumaça.Ele se agachou, procurando ao redor no chão, com a expressão profundamente preocupada.Sussurrou para si mesmo:— Onde foi parar o meu isqueiro? Não pode ser que eu tenha perdido, né?De repente, seus olhos pararam. Ele avistou, entre as chamas, o pequeno objeto que havia perdido.Era o isqueiro que Karina lhe havia dado!Ademir se iluminou de alegria e exclamou:— Eu encontrei!Sem hesitar, avançou rapidamente e estendeu o braço em direção ao fogo. O calor e a dor eram intensos, fazendo com que seu rosto se contorcesse, mas Ademir não
Em seguida, ele correu rapidamente em direção ao exaustor.O tempo estava muito apertado, e colocar uma roupa em Karina não ajudava muito. O principal era sair de lá o mais rápido possível.Bruno observou as linhas e, com as mãos, cortou o fio do exaustor.Esperou até que o exaustor parasse de funcionar lentamente, então tirou do bolso da calça uma faca multifuncional dobrável e começou a desmontar o aparelho.Meia hora depois, o exaustor estava completamente desmontado.Bruno correu alegremente em direção a Karina.Estava prestes a falar, quando ouviu Karina aparentemente falando.— O quê? Karina, o que você disse?— Ademir, Ademir...Se aproximando, Bruno conseguiu entender: Karina estava chamando o nome de Ademir.— Karina, você está com saudades do Ademir? Eu vou te tirar daqui, vamos encontrar o Ademir.Bruno a levantou nos braços, e Karina, ainda inconsciente, se encostou no peito dele.Com uma expressão de preocupação, ela murmurou:— Está frio.Bruno ficou surpreso por um momen
O médico da emergência fez os exames em Karina, e suas condições vitais estavam estáveis. No entanto, como ela estava grávida, seria necessário chamar um especialista para realizar exames mais detalhados.Enquanto isso, Ademir permanecia do lado de fora, esperando.— Bruno.— Estou aqui, Ademir.Como Bruno havia estado com Karina o tempo todo, Ademir precisava perguntar o que havia acontecido:— O que aconteceu? Pode me contar tudo.Bruno imediatamente assumiu a culpa e disse:— Ademir, me desculpe. Foi minha culpa não ter protegido a Karina.Então, ele relatou todo o ocorrido em detalhes.Após ouvir, Ademir franziu a testa.— Você está dizendo que desmaiou depois de beber o café que a Vitória te deu?— Sim. — Bruno confirmou com a cabeça. — Eu fui ingênuo, achei que, por ser a Srta. Vitória, o café não teria problema.Mas ele logo acrescentou:— Ademir, não estou dizendo que foi a Srta. Vitória quem fez isso! Quero dizer que ela pode ter sido usada também.A razão era simples.No iníc