Júlio fixou o olhar no rosto impassível de Ademir, sem ousar dizer uma palavra. O carro continuava a avançar pela estrada. — E o Bruno? — Ademir também parecia tenso. Júlio entendeu imediatamente e, sem hesitar, pegou o celular para ligar para Bruno. Mas...— Ademir, o Bruno não está atendendo o celular! A situação era grave. Isso só poderia significar que Bruno também estava em apuros. A melhor hipótese era que ele estivesse com Karina. O pior cenário, no entanto, era que Bruno e Karina tivessem se separado. Isso complicaria ainda mais as coisas! O que fazer? Júlio não ousava pressionar. O tempo estava se esgotando. Ademir refletiu por um longo momento, pegou o celular e fez uma ligação para Filipe. — Filipe, sou eu. — Ele disse, de forma concisa, resumindo o que havia acontecido. Filipe entendeu imediatamente: — Você quer que eu vá até a Karina? Quase sem hesitar, Ademir respondeu: — Isso mesmo. — Eu posso fazer isso. — Filipe, sendo seu irmão, certa
Vitória rastejava lentamente, como uma criatura frágil, avançando com dificuldade em direção à porta. "Ademir, Ademir, estou aqui, aqui!"A distância era de apenas alguns metros, mas parecia um abismo imenso.De repente, Vitória congelou, os olhos arregalados, enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto. "Que cheiro é esse?"Ela parecia ter percebido o cheiro de algo queimado. Ao olhar para cima, notou que, do lado de fora da janela, havia chamas. Os olhos dela se abriram ainda mais, o fogo estava lá! Não, não! Vitória começou a balançar a cabeça freneticamente, as lágrimas não cessavam, e o medo tomou conta de seu coração. "Como isso aconteceu? Como pode haver fogo aqui?" Ela estava sem palavras, suas mãos e pés estavam amarrados, e a pergunta ecoava em sua mente: será que iria morrer queimada aqui? Lutar não adiantava. Vitória se deitou no chão, chorando desesperada.— Ademir! — Gritou Júlio, enquanto outros chegavam para ajudar. — Todos chegaram! Já mandei que procurassem com
— Júlio, pegue! — Júlio não teve tempo de reagir, e Ademir já havia passado a pessoa que estava em seus braços para ele.E logo Ademir se lançou novamente para dentro.— Ademir!Júlio ficou assustado. O que Ademir estava fazendo? Uma ação tão perigosa! Ele até conseguia entender o motivo de Ademir ter ido até lá por causa de Vitória, mas e agora? O que o fazia correr tanto risco novamente?Ao entrar, Ademir foi imediatamente envolvido pela densa fumaça.Ele se agachou, procurando ao redor no chão, com a expressão profundamente preocupada.Sussurrou para si mesmo:— Onde foi parar o meu isqueiro? Não pode ser que eu tenha perdido, né?De repente, seus olhos pararam. Ele avistou, entre as chamas, o pequeno objeto que havia perdido.Era o isqueiro que Karina lhe havia dado!Ademir se iluminou de alegria e exclamou:— Eu encontrei!Sem hesitar, avançou rapidamente e estendeu o braço em direção ao fogo. O calor e a dor eram intensos, fazendo com que seu rosto se contorcesse, mas Ademir não
Em seguida, ele correu rapidamente em direção ao exaustor.O tempo estava muito apertado, e colocar uma roupa em Karina não ajudava muito. O principal era sair de lá o mais rápido possível.Bruno observou as linhas e, com as mãos, cortou o fio do exaustor.Esperou até que o exaustor parasse de funcionar lentamente, então tirou do bolso da calça uma faca multifuncional dobrável e começou a desmontar o aparelho.Meia hora depois, o exaustor estava completamente desmontado.Bruno correu alegremente em direção a Karina.Estava prestes a falar, quando ouviu Karina aparentemente falando.— O quê? Karina, o que você disse?— Ademir, Ademir...Se aproximando, Bruno conseguiu entender: Karina estava chamando o nome de Ademir.— Karina, você está com saudades do Ademir? Eu vou te tirar daqui, vamos encontrar o Ademir.Bruno a levantou nos braços, e Karina, ainda inconsciente, se encostou no peito dele.Com uma expressão de preocupação, ela murmurou:— Está frio.Bruno ficou surpreso por um momen
O médico da emergência fez os exames em Karina, e suas condições vitais estavam estáveis. No entanto, como ela estava grávida, seria necessário chamar um especialista para realizar exames mais detalhados.Enquanto isso, Ademir permanecia do lado de fora, esperando.— Bruno.— Estou aqui, Ademir.Como Bruno havia estado com Karina o tempo todo, Ademir precisava perguntar o que havia acontecido:— O que aconteceu? Pode me contar tudo.Bruno imediatamente assumiu a culpa e disse:— Ademir, me desculpe. Foi minha culpa não ter protegido a Karina.Então, ele relatou todo o ocorrido em detalhes.Após ouvir, Ademir franziu a testa.— Você está dizendo que desmaiou depois de beber o café que a Vitória te deu?— Sim. — Bruno confirmou com a cabeça. — Eu fui ingênuo, achei que, por ser a Srta. Vitória, o café não teria problema.Mas ele logo acrescentou:— Ademir, não estou dizendo que foi a Srta. Vitória quem fez isso! Quero dizer que ela pode ter sido usada também.A razão era simples.No iníc
Júlio só pôde responder assim:— Ainda não sabemos exatamente o que aconteceu, só especulamos que pode estar relacionado com o País G.Karina escutava em silêncio, mas Júlio não continuava a falar."É só isso mesmo?"Karina estava confusa, com a testa franzida, pois Júlio havia evitado responder à sua segunda pergunta."O que aconteceu com a Vitória?"— Karina, descanse bem, eu vou ficar na porta. Se precisar de algo, é só me chamar.— Está bem.Karina acenou com a cabeça, mas a sensação de dúvida em seu peito só aumentava.Por que Karina sentia que Júlio estava evitando encará-la? Algo ainda mais estranho aconteceu.Ademir ainda não havia aparecido.Por que isso estava acontecendo?Júlio havia dito que Ademir estava lidando com alguns problemas, mas que tipo de problema seria esse, que afetou tanto Ademir a ponto de ele não ser capaz de vir até Karina?Não fazia sentido. Algo estava muito errado.Karina se levantou da cama e, com dificuldade, se apoiou para sair.— Sra. Barbosa... —
Devido aos ferimentos, o ombro de Vitória estava exposto, e do seu braço esquerdo até o queixo, tudo estava envolto em bandagens. Seu cabelo, cortado abruptamente para tratar os ferimentos, estava bagunçado, sem nenhum estilo. Além disso, como Vitória continuava chorando, ela parecia completamente desleixada. Ademir, com cuidado, segurou Vitória e, erguendo a mão, enxugou as lágrimas dela: — Não chore, se a lágrima molhar a ferida, vai piorar. — Ademir... — Vitória fechou os olhos, se jogando no peito do homem, chorando enquanto dizia: — O que eu vou fazer? O que vai ser de mim, depois de tudo isso? — Não tenha medo. — A voz de Ademir era suave, baixa. — Vai dar tudo certo, a medicina está muito avançada, com certeza vão conseguir te curar. — E se não conseguirem? — Vitória levantou o olhar, perguntando. — E se nunca puderem me curar? Tudo pode acontecer, não é? Ademir ficou em silêncio, sem responder por um bom tempo. — Você também não pode garantir, não é? — Vitória con
Porque Karina já tinha visto tudo.Então, Karina continuou a falar:— A partir de agora, vamos voltar a ser como antes, quanto ao futuro mais distante...— Espere. — Karina mal tinha terminado essas palavras, e o rosto de Ademir já estava cerrado de raiva.Ele perguntou, com um tom de escárnio:— Como éramos antes? O que é isso?— O quê? — Karina ficou chocada. — Você não entende? O que quero dizer é que vamos voltar a ser um casal superficial, apenas por nome, sem nos envolvermos um com o outro.Ademir soltou uma risada fria, com um tom sarcástico:— A comida que você já comeu, ainda consegue vomitar?"O que isso significa?"Karina franziu a testa, confusa:— Você não concorda? Por quê?— Por quê? — Ademir estava furioso, mordendo os dentes. — Você ainda me pergunta o porquê?Quase... Quase ele não conseguiu se controlar!Mas Ademir se conteve.Segurando a raiva, tentando controlar suas emoções, disse:— Karina, você está me culpando por não ter ido até você na hora?Antes que Karina