Vitória ficou sem palavras.Ela olhou, incrédula, para as coisas que sua mãe havia trazido. Eram todas coisas de bebê. Vitória olhou para o pai, sem acreditar no que via.— Pai, isso é verdade? — Ela não conseguiu esconder a surpresa. — Você tem uma amante? E... tem um filho agora?Não era de se espantar que sua mãe estivesse desconfiada; isso realmente parecia muito suspeito!— Vitória... — Eunice, ao ouvir a pergunta, começou a chorar novamente. — Por que minha vida é tão difícil?Lucas franziu a testa, mas, como sempre, repetiu a mesma frase:— Não é nada disso.— E esses...? — Vitória não conseguia entender. O comportamento do pai não parecia forçado, mas então, por que ele teria comprado essas coisas?— Eu comprei para dar de presente. — Lucas se viu obrigado a tentar dar uma explicação.— Não escute ele falando besteira! — Eunice imediatamente rejeitou a explicação de Lucas. Ela sabia muito bem quem eram os parentes e amigos com quem a família mantinha contato, e estava bem cient
Essa frase fez Vitória se lembrar. Era verdade, ainda não era hora de se render. Vitória não queria perder Ademir, e ainda tinha uma carta na manga! As lágrimas secaram instantaneamente. — Já está tarde, vamos descansar no quarto. — Está bem. Os dois se viraram juntos, de mãos dadas, subindo as escadas. Porém, o caminho foi bloqueado por uma pilha de itens de bebê. Eunice, de repente, levantou o pé e começou a dar vários chutes nos itens, se sentindo muito irritada. — Seu pai está com uma doença no fígado, e agora nem a cabeça está funcionando direito! Ele acha que, antes de morrer, se ele se arrepender, vai fazer alguma diferença? — Mãe... — Vitória teve uma ideia e alertou a mãe. — Depois que o papai adoeceu, ele não é mais o mesmo, tem que ficar atenta. — O que você quer dizer com isso? — Eunice não percebeu a gravidade da situação. — O seu pai seria capaz de sair por aí com outra mulher? Com o corpo dele... — Não é isso. — Vitória balançou a cabeça, falando co
Karina soltou Ademir, acenando com a mão enquanto dizia: — Espere até sairmos. — Certo. Ela se virou e entrou na sala de cirurgia. A porta da sala foi lentamente fechada. Do lado de fora, ninguém sabia o que estava acontecendo dentro, só restando esperar. Ademir nunca havia sentido o tempo passar tão lentamente, como se cada segundo fosse um tormento... Já era quase meio-dia quando Júlio se aproximou e falou com Ademir: — Ademir, a cirurgia ainda pode demorar. Vai lá comer alguma coisa. Ademir balançou a cabeça: — Não preciso, não estou com fome. Ele realmente não conseguia comer nada. Quando alguém estava excessivamente tenso, a fome desaparecia por completo. Ademir olhou ansiosamente para o relógio, com a testa franzida, sempre com o semblante tenso. — Por que está demorando tanto? Karina havia dito ao Ademir que a cirurgia do avô, para o Dr. Felipe, não seria um procedimento tão complexo. Se tudo corresse bem, ele poderia sair até o meio-dia. Mas agor
No centro da sala de plantão, havia um banco de madeira, usado pelos médicos e enfermeiros para se trocarem. Agora, Karina estava deitada nele, já sem consciência. Além de Ademir, a enfermeira que o acompanhava também estava em choque.— O que aconteceu com a Dra. Costa? — Karina. — Ademir correu até ela, se ajoelhando rapidamente e levantando ela nos braços. — Por favor, me ajude a chamar um médico! Minha esposa está grávida! — Claro! — A enfermeira assentiu apressadamente. — Já vou chamar...Mas antes que ela terminasse de falar, a pessoa nos braços de Ademir fez uma expressão de desconforto e gemeu levemente. Ademir congelou, sem acreditar no que estava ouvindo: — Karina? Karina lentamente abriu os olhos, olhando confusa para ele, depois observando ao redor, até perceber que estava na sala de plantão do centro cirúrgico. — Como você entrou aqui? Ademir já estava tão poderoso que nem mesmo temia invadir uma sala de cirurgia? — Você acordou? — Ademir não respondeu à p
— Entre. A mulher não disse uma palavra, apenas acenou com a cabeça e empurrou a porta.Dentro do quarto, já havia duas pessoas, dois homens: um magro e um gordo. Quando a mulher entrou, ambos se levantaram. O homem magro acenou com a cabeça e, sendo direto, perguntou:— Você trouxe o dinheiro?Esta era a Feira da Ladra, o mercado de transações subterrâneas da Cidade J. Aqui, qualquer negociação que não pudesse ser feita de forma pública ocorria sem problemas. A regra era simples: só aceitavam pagamento em dinheiro.A mulher acenou com a cabeça, já tinha tudo preparado. Ela pegou sua mala de viagem e a colocou sobre a mesa.O homem magro olhou para o gordo e, juntos, se aproximaram para abrir a mala. Após uma inspeção cuidadosa, confirmaram que tudo estava certo.O homem magro então falou:— Tudo certo. O que você quer que façamos, nós entendemos.— Ótimo. — A mulher acenou com a cabeça, dizendo. — Quando o serviço for concluído, voltarei aqui para lhe entregar o restante
Karina estava completamente tensa. Ela apertou com força o celular nas mãos. O homem daquela noite no Hotel Dynasty... Na verdade, Karina já tinha tentado ao máximo evitar pensar sobre o ocorrido, mas, como uma farpa cravada em seu coração, a lembrança sempre estava ali, pronta para a incomodar. Mas o que Vitória queria dizer com isso? Será que a Vitória sabia a verdade sobre o que havia acontecido? Karina imediatamente ligou para Vitória. Do outro lado da linha, Vitória atendeu rapidamente. — O que você sabe? — Karina estava ansiosa para descobrir a verdade. — Quem era o homem daquela noite? — Calma. — Vitória respondeu com um sorriso suave. — Eu estou indo para a Universidade J agora. Vamos nos encontrar lá, e eu vou te contar tudo o que sei. — Certo. Karina não hesitou nem por um segundo em aceitar. Naquele momento, ela já havia saído do hospital, e com certeza Bruno iria acompanhá-la. Seguindo o endereço enviado por Vitória, Karina foi até um restaurante atr
— Ele... É... De repente, Vitória se inclinou para frente, cobrindo a testa com as mãos, como se estivesse muito mal. — O que aconteceu? — Karina franziu a testa e perguntou. — Não sei... — Vitória balançou a cabeça. — Minha cabeça está muito tonta, não consigo enxergar direito. Karina sentiu que algo estava muito errado. Em pouco tempo, ela também começou a sentir sua cabeça ficando cada vez mais pesada, e sua visão se tornando turva. Ela sacudiu a cabeça com força, tentando aliviar a sensação, mas nada funcionou. De repente, um som de algo caindo ecoou, e quando Karina levantou os olhos, viu que Vitória havia perdido os sentidos e estava caída sobre a mesa. O que estava acontecendo? — Vitória! — Karina segurou o braço de Vitória, tentando acordá-la. — Acorda, não durma! Mas logo Karina também não conseguiu mais se sustentar. Sua visão escureceu rapidamente, e, assim como Vitória, ela desabou sobre a mesa. O espaço reservado ficou em um silêncio profundo. Não dem
Júlio fixou o olhar no rosto impassível de Ademir, sem ousar dizer uma palavra. O carro continuava a avançar pela estrada. — E o Bruno? — Ademir também parecia tenso. Júlio entendeu imediatamente e, sem hesitar, pegou o celular para ligar para Bruno. Mas...— Ademir, o Bruno não está atendendo o celular! A situação era grave. Isso só poderia significar que Bruno também estava em apuros. A melhor hipótese era que ele estivesse com Karina. O pior cenário, no entanto, era que Bruno e Karina tivessem se separado. Isso complicaria ainda mais as coisas! O que fazer? Júlio não ousava pressionar. O tempo estava se esgotando. Ademir refletiu por um longo momento, pegou o celular e fez uma ligação para Filipe. — Filipe, sou eu. — Ele disse, de forma concisa, resumindo o que havia acontecido. Filipe entendeu imediatamente: — Você quer que eu vá até a Karina? Quase sem hesitar, Ademir respondeu: — Isso mesmo. — Eu posso fazer isso. — Filipe, sendo seu irmão, certa