Catarino não soltou imediatamente, mas Ademir não o pressionou. Ele simplesmente permaneceu em silêncio, aguardando, dando-lhe o tempo que precisava. Com o tempo, Catarino finalmente relaxou e soltou. Os médicos e enfermeiros rapidamente se aproximaram, e Karina foi a primeira a chegar, abraçando Catarino com força.— Não tenha medo, Catarino. A irmã está aqui, a irmã está aqui com você.Comparado a antes, Catarino parecia bem mais calmo. Embora ainda não reagisse, também não tentava mais se afastar.— Sra. Barbosa, precisamos aplicar os medicamentos no Catarino e também orientá-lo.— Certo. — Karina soltou Catarino, entregando ele aos cuidados dos médicos e enfermeiros.Ao olhar para trás, percebeu que Ademir estava com a mão sobre o braço, e o sangue escorria entre seus dedos.— Venha aqui. — Karina franziu a testa, pegou ele pelo braço e o conduziu até o sofá. — Fique aí, espere um pouco.Como estavam no hospital, os materiais estavam ao alcance, facilitando tudo.Karina foi até u
— O que aconteceu comigo?! Você não sabe? — Karina mordia os dentes, a voz tremeu incontrolavelmente assim que abriu a boca. — Não precisa saber! Só te peço uma coisa: se for para morrer, morra logo! Quem sabe, por você ter me dado uma vida, eu até possa me lembrar de você!Com isso, ela desligou o telefone.Levantou a cabeça, piscou os olhos e se esforçou para conter as lágrimas que estavam prestes a cair.Nenhum deles, além do Catarino, fosse Lucas ou Ademir, conseguiria fazer com que ela derramasse uma única lágrima!...Nos dois dias seguintes, Karina permaneceu no hospital ao lado de Catarino. A lesão na cabeça dele não era grave; bastava trocar o curativo todos os dias. O psicólogo contratado por Ademir era excelente, e Catarino estava se recuperando melhor do que ela imaginava. Embora ainda não falasse, ela sabia que não deveria apressar as coisas. Isso tinha que ser feito aos poucos.Era manhã, por volta das dez horas.Karina observava Catarino enquanto ele recebia o cura
"Karina, para quem são essas flores?" — Já estão prontas! — O vendedor entregou o buquê para Karina com um sorriso. — Obrigada... — Onde posso pagar? — Aqui, senhor. Ademir foi até o caixa para efetuar o pagamento. Depois de saírem da floricultura, Ademir estendeu a mão para pegar as flores de Karina: — Deixe-me segurar para você. — Não precisa. — Karina balançou a cabeça, hesitando antes de falar. — Você não tem mais nada para fazer? O Bruno pode me acompanhar. — Por quê? — Ademir perguntou, com uma expressão desconfiada e um toque de ciúmes na voz. — O Bruno te acompanhar, ou eu te acompanhar, não são a mesma coisa, não é? — Não é isso. — Karina se apressou em negar. — Eu só... Não quero que você ache chato. Ele pegou o buquê: — Vai visitar alguém falecido? — Você adivinhou? Ademir deu um sorriso cínico: — Crisântemos e cravos, difícil de adivinhar, não? Mas... Quem você vai visitar? Hoje não é um dia especial. — É um dos meus parentes. — Karina mal co
— Desculpe. — Lucas parou apressadamente. — Foi erro meu, foi a minha falta de consideração.— Não diga mais nada! — Karina não queria ouvir mais essas palavras. — Eu não preciso da sua desculpa. A desculpa vai fazer com que o Catarino volte a ser como antes, sem estar machucado?— Karina. — Lucas se lembrou de algo, tirou a carteira do bolso, retirou um cartão e lhe entregou. — Este é o cartão que te dei da última vez, mas você não quis aceitar. Toma, pega.Vendo que Karina não se movia, ele insistiu:— Karina, isso é algo que você precisa.Ele olhou ao redor, suspirou e continuou:— Hoje é um dia tão importante, e você veio sozinha. O Ademir não está aqui com você, o que prova que ele não é tão bom para você. Vocês não vão durar muito. Depois que sair da família Barbosa, você vai precisar de muito dinheiro.Karina hesitou.De fato, o que ele disse fazia total sentido.Então, ela deveria pegar esse dinheiro? A Mansão da família Costa tinha uma parte dela e do Catarino.— Karina, pegue
Ademir, com os olhos fixos, viu a flor que Karina havia comprado. A foto na lápide mostrava uma mulher muito jovem. Seus traços lembravam um pouco os de Karina. Ao olhar para baixo, ele leu as palavras gravadas na pedra: “Mãe, Heloísa...” Mãe.Ademir esboçou um sorriso frio, e uma onda de gelo subiu de seus pés até o coração. O que mais ele precisaria entender? Karina estava visitando o túmulo de sua mãe!Ele a encarou intensamente e, com a voz baixa, perguntou:— Então, essa é a tal “anciana” que você mencionou?Karina fechou os olhos por um momento e, com a voz suave, respondeu:— Ela é minha mãe. Hoje é o aniversário de sua morte.— Agora você finalmente vai contar a verdade?Ademir explodiu, gritando com a fúria de quem não conseguia mais controlar suas emoções. Seu rosto estava pálido de raiva enquanto ele andava de um lado para o outro, incapaz de se acalmar.— Eu sou um idiota! Karina, o que você pensa de mim, afinal?Karina manteve a cabeça baixa, em silêncio.— Karina, eu sou
Ademir segurava o celular, e, por impulso, olhou para a varanda.Hesitou antes de falar:— Vitória, me desculpe, mas não posso ir.— O quê? — Vitória reagiu, completamente surpresa. Quando ela fez a pergunta, jamais imaginou que ele recusaria. Ele não costumava negar nada a ela, especialmente quando se tratava de um pedido seu. E além disso, havia o vínculo da juventude entre eles.— Por quê? — Perguntou ela, ainda sem entender.— Me desculpe. — Respondeu Ademir. — O Catarino acabou de sair do hospital, ainda não está bem, e a Karina não anda com a melhor das emoções. Eu preciso ficar com ela.— Ah, tá. — Vitória respondeu, sua voz mais baixa, com um tom que tentava esconder o desgosto.Será? Vitória riu por dentro, sarcasticamente. Precisava de todo o tempo do dia para ficar com ela? Já não eram casados? Não se viam todos os dias, não passavam o tempo todo juntos? Ela só pedia que ele dedicasse um pouco de tempo a ela e nem isso ele conseguia fazer!Ela apertou as mãos, forçando um s
— Como eu poderia te culpar? — Karina sorriu, com lágrimas nos olhos. — Dr. Felipe, você fez tudo por mim, só tenho gratidão. Muito obrigada, professor.— Não precisa me agradecer. — Felipe também tinha os olhos um pouco marejados. — Se alguém tem que ser agradecido, esse alguém é você. Crescer com tanta força, apesar de todas as dificuldades, foi você quem não desistiu de si mesma.— Sim. — Karina concordou, tocada pelas palavras dele, e acenou com a cabeça.Felipe prosseguiu, com um sorriso caloroso:— Se o pedido para isenção de exames de pós-graduação for bem-sucedido, você se tornará oficialmente médica do Hospital J. Isso significará que tanto sua formação quanto sua carreira estarão encaminhadas para o sucesso. Agora, é só termos paciência e esperarmos pelo resultado.— Sim. — Karina respondeu, cheia de esperança. Depois, saiu do escritório e percebeu que seu celular não parava de tocar em seu bolso.Ainda absorta pela felicidade, ela atendeu ao telefone sem nem sequer ver quem
O resultado foi que ela foi rapidamente puxada para o carro e levada para a Mansão da Família Barbosa. A principal entrada da Mansão da Família Barbosa estava aberta, com sapatos espalhados por todo lado, jaquetas de terno masculinas e gravatas, além de xales femininos, jogados no chão....Karina estava deitada na cama, sem vontade de se mover. No entanto, o suor em seu corpo a fazia se sentir desconfortável. Com os olhos fechados, ela, apenas pelo tato, deu um leve empurrão no homem ao seu lado:— Você não vai tomar banho?Sabendo que ela gostava de se manter limpa, ele também tinha esse hábito.— Eu vou ou você vai primeiro?Karina abriu os olhos e o olhou com raiva:— Vai me deixar tomar banho sozinha!?Ela parecia ter energia para isso? — Tudo bem!Ademir aceitou alegremente e a pegou no colo, levando ela até o banheiro. Ele já a ajudou a tomar banho outras vezes, mas no início foi ele quem sugeriu, pois gostava das brincadeiras no relacionamento. Agora, no entanto, el