Juliana havia ido devolver o cartão black. Ela já tinha organizado todas as coisas de sua casa, pronta para colocar o apartamento à venda assim que encontrasse um novo lugar para morar. No entanto, ao entrar na casa da família Costa, ouviu Bruno dizer: "Foi um gatinho que mordeu." Gatinho? Que gatinho? Levou alguns segundos para sua mente processar o que ele queria dizer. Quando seus olhos se fixaram na marca de mordida no braço de Bruno, o rosto de Juliana imediatamente se corou. Diante daquela cena, o que mais Gustavo precisava entender? Uma raiva feroz surgiu no fundo de seu peito. Ele olhou para Bruno com um olhar fulminante, cerrando os dentes. — Tio, você já tem namorada, não deveria manter distância de outras mulheres? Na última vez em que esteve na casa de Bruno, Gustavo ouvira uma tosse feminina e notara sapatos de mulher na entrada. Tudo indicava que Bruno não estava mais solteiro. Bruno fez um estalo com a língua e olhou para Gustavo com um sorriso enig
Ela já havia gasto quase todas as economias na relação anterior.Agora, o único dinheiro que tinha era o pagamento que Maia havia feito, e enquanto o trabalho não se estabilizasse, ela precisaria ser mais econômica.A cidade A era cara, cada pedaço de terra valia ouro, e alugar um imóvel significava um grande gasto. Além disso, Bruno era uma pessoa influente, e seus amigos certamente pertenciam à mesma classe privilegiada que ele. Não importava o preço do aluguel, com o status deles, seria necessário alugar uma casa? Algo estava estranho ali. — Um apartamento grande, três mil por mês. Juliana ficou chocada. Perfeito, agora a suspeita só aumentava. Um apartamento grande à beira-mar por três mil reais por mês... Bruno achava que ela era ingênua? Com esse valor, na Cidade A, mal se alugava um lugar pequeno e antigo. Após um longo silêncio, Juliana perguntou: — A casa tem algum histórico problemático? — Não, é um imóvel recém-reformado, só que a localização não é das m
Na tela, aparecia um longo texto descritivo.Juliana, lendo rapidamente, captou o detalhe mais chamativo:Divisão de despesas no casamento (AA).Aquilo já não era motivo suficiente para repensar?– Isso é um casamento ou estão procurando um colega de quarto? – Comentou Juliana, com um tom ácido.Ela era uma terapeuta especializada em reparação emocional, mas frequentemente era confundida com uma casamenteira. No início, ainda tentava corrigir o equívoco, mas, com o tempo, ao perceber que o trabalho era bem remunerado, passou a aceitar sem questionar. No fim das contas, o resultado era praticamente o mesmo.– Dá para ouvir daqui, da Cidade A, o som das contas sendo calculadas nesse casamento. – Resmungou Maia. – Não vejo futuro nisso, mas minha prima está cega de paixão e insiste em se casar com ele.A prima em questão era filha do irmão mais novo de sua mãe. Uma garota introvertida, reservada, com uma personalidade que não combinava com paixões tão rápidas. Maia simplesmente não con
Se alguém falasse sobre Juliana, inevitavelmente a descreveriam como uma mulher sem escrúpulos, sem vergonha, alguém que havia se aproveitado da proximidade com Bruno, um homem poderoso. No final, seria ela quem sairia perdendo.– Não tenha pressa. – Disse Bruno, sua voz calma e firme, enquanto tomava um gole de café com aparente indiferença. Então, continuou:– Fui eu quem me apaixonei por ela primeiro, e não permitirei que comentários maldosos a prejudiquem. "Juliana merece tudo de bom que o mundo tem a oferecer", pensou Bruno, com determinação nos olhos.– Então, amigo, você está planejando agir com calma, deixando tudo acontecer aos poucos? Não tem medo de aparecer um cara rico e bonito e roubar a cena? – Paulo provocou, com um sorriso travesso.– Isso não vai acontecer. – Respondeu Bruno, firme, sem hesitação.Paulo insistiu, ainda mais irreverente:– Como não? Afinal, o gosto da Juliana não é lá grande coisa. Ela deixou passar você, um deus grego, e se apaixonou loucamente por
A voz baixa e magnética de Bruno fez Juliana acreditar que havia ouvido errado. Ela já tinha visto os preços dos aluguéis subirem, mas alguém insistir em reduzir o valor? Isso parecia surreal. Será que Bruno tinha enlouquecido, ou era ela quem estava perdendo o juízo?Com a mesma calma de sempre, Bruno continuou:– Meu amigo só precisa desses três mil. Se o valor fosse maior, não conseguiria fechar as contas e teria que se ajoelhar sobre um ouriço em casa.A expressão de Bruno permanecia serena, sem nenhum indício de mentira.Embora a justificativa parecesse absurda, não era impossível.Quem disse que filhos de famílias ricas não podiam ser submisso em casa?Juliana esforçou-se para aceitar aquela explicação. Se recusasse novamente, seria ela a ingrata da história.Além disso, ela não tinha planos de sair da Cidade A no momento.Naquela mesma noite, Juliana assinou o contrato de aluguel.Paulo, o "proprietário" do apartamento, apareceu para formalizar tudo, ainda confuso. Embora não
O dia estava quente, com temperaturas que ultrapassavam os trinta graus.Juliana não tinha planos de sair de casa.Ela havia combinado um jantar com Maia. Do outro lado da ampla janela panorâmica, o mar azul reluzia sob o sol. Sentada em uma poltrona confortável, Juliana segurava seu tablet. Sem pensar muito, tirou uma foto da paisagem e postou nos Stories.Bruno foi o primeiro a curtir.Juliana ficou olhando o nome dele por um bom tempo, até que uma notificação interrompeu seus devaneios: Maia havia enviado um link de transmissão ao vivo.Na live, Maia respondia às perguntas enviadas pelo público. Juliana observou os comentários passando rapidamente, quase todos eram relacionados a divórcios.— Primeiro, reúna provas de que o marido infiel está traindo durante o casamento e, depois, contrate um bom advogado para garantir seus direitos. Os filhos da amante têm direito à herança, isso é legalmente reconhecido.Juliana assistiu por alguns minutos, apoiando o queixo nas mãos, pensativa
Sarah entrou furiosa na sala.Assim que viu Juliana, levantou a mão e lhe deu um tapa, sem hesitar.Porém, as coisas não aconteceram como ela imaginara. Juliana agarrou com firmeza o pulso de Sarah.A dor fez Sarah torcer o rosto.Onde estava a aparência de uma dama da alta sociedade?— Juliana! Você está tentando virar o mundo de cabeça para baixo?! Bateu na Vivi e agora quer bater em mim?Sarah estava ali para defender sua filha Viviane.Todos os seus contatos haviam sido bloqueados por Juliana, e, sem opções, Sarah contratou um detetive particular para investigar os passos de Juliana.Hoje, finalmente, ela conseguiu encontrá-la e se apressou, passando por vários semáforos vermelhos, para chegar até ali.Diante dos gritos e insultos de sua mãe, Juliana manteve a calma, como água.Ela afastou Sarah com um movimento firme de mão, seus olhos, belos e imponentes, transmitindo um toque de ironia cortante.— Lembre-se de tomar seus remédios antes de sair, Sra. Sarah.Ofender alguém sem usa
Ela varreu todos os utensílios da mesa para o chão. O caldo espirrou, manchando a barra da calça de Juliana.Maia, que estava na porta, se esquivou por pouco.— Juliana! Agora você não tem mais a proteção da família Costa! Se eu fosse você, abaixava a cabeça e me comportava! Se não fosse pela bondade da Vivi, acha mesmo que ainda estaria na Cidade A?Viviane era vista como a típica menina ingênua e bondosa, uma verdadeira florzinha frágil.Vagando pelo mundo há mais de vinte anos, ela ainda perdoava generosamente a pessoa que roubou sua vida. Quem a via, não podia deixar de elogiar seu coração compassivo.Nada irritava mais Juliana do que esse tipo de pessoa.— Amplie sua visão. Sem a família Costa, não posso encontrar outro apoio? — Respondeu com indiferença.O silêncio se arrastou por alguns segundos, até que Sarah gritou de repente:— Sem vergonha! Quem, cega de tudo, iria querer você?As ofensas se tornavam cada vez mais pesadas.Maia já não aguentava mais, mas Juliana foi mais ráp