A voz baixa e magnética de Bruno fez Juliana acreditar que havia ouvido errado. Ela já tinha visto os preços dos aluguéis subirem, mas alguém insistir em reduzir o valor? Isso parecia surreal. Será que Bruno tinha enlouquecido, ou era ela quem estava perdendo o juízo?Com a mesma calma de sempre, Bruno continuou:– Meu amigo só precisa desses três mil. Se o valor fosse maior, não conseguiria fechar as contas e teria que se ajoelhar sobre um ouriço em casa.A expressão de Bruno permanecia serena, sem nenhum indício de mentira.Embora a justificativa parecesse absurda, não era impossível.Quem disse que filhos de famílias ricas não podiam ser submisso em casa?Juliana esforçou-se para aceitar aquela explicação. Se recusasse novamente, seria ela a ingrata da história.Além disso, ela não tinha planos de sair da Cidade A no momento.Naquela mesma noite, Juliana assinou o contrato de aluguel.Paulo, o "proprietário" do apartamento, apareceu para formalizar tudo, ainda confuso. Embora não
O dia estava quente, com temperaturas que ultrapassavam os trinta graus.Juliana não tinha planos de sair de casa.Ela havia combinado um jantar com Maia. Do outro lado da ampla janela panorâmica, o mar azul reluzia sob o sol. Sentada em uma poltrona confortável, Juliana segurava seu tablet. Sem pensar muito, tirou uma foto da paisagem e postou nos Stories.Bruno foi o primeiro a curtir.Juliana ficou olhando o nome dele por um bom tempo, até que uma notificação interrompeu seus devaneios: Maia havia enviado um link de transmissão ao vivo.Na live, Maia respondia às perguntas enviadas pelo público. Juliana observou os comentários passando rapidamente, quase todos eram relacionados a divórcios.— Primeiro, reúna provas de que o marido infiel está traindo durante o casamento e, depois, contrate um bom advogado para garantir seus direitos. Os filhos da amante têm direito à herança, isso é legalmente reconhecido.Juliana assistiu por alguns minutos, apoiando o queixo nas mãos, pensativa
Sarah entrou furiosa na sala.Assim que viu Juliana, levantou a mão e lhe deu um tapa, sem hesitar.Porém, as coisas não aconteceram como ela imaginara. Juliana agarrou com firmeza o pulso de Sarah.A dor fez Sarah torcer o rosto.Onde estava a aparência de uma dama da alta sociedade?— Juliana! Você está tentando virar o mundo de cabeça para baixo?! Bateu na Vivi e agora quer bater em mim?Sarah estava ali para defender sua filha Viviane.Todos os seus contatos haviam sido bloqueados por Juliana, e, sem opções, Sarah contratou um detetive particular para investigar os passos de Juliana.Hoje, finalmente, ela conseguiu encontrá-la e se apressou, passando por vários semáforos vermelhos, para chegar até ali.Diante dos gritos e insultos de sua mãe, Juliana manteve a calma, como água.Ela afastou Sarah com um movimento firme de mão, seus olhos, belos e imponentes, transmitindo um toque de ironia cortante.— Lembre-se de tomar seus remédios antes de sair, Sra. Sarah.Ofender alguém sem usa
Ela varreu todos os utensílios da mesa para o chão. O caldo espirrou, manchando a barra da calça de Juliana.Maia, que estava na porta, se esquivou por pouco.— Juliana! Agora você não tem mais a proteção da família Costa! Se eu fosse você, abaixava a cabeça e me comportava! Se não fosse pela bondade da Vivi, acha mesmo que ainda estaria na Cidade A?Viviane era vista como a típica menina ingênua e bondosa, uma verdadeira florzinha frágil.Vagando pelo mundo há mais de vinte anos, ela ainda perdoava generosamente a pessoa que roubou sua vida. Quem a via, não podia deixar de elogiar seu coração compassivo.Nada irritava mais Juliana do que esse tipo de pessoa.— Amplie sua visão. Sem a família Costa, não posso encontrar outro apoio? — Respondeu com indiferença.O silêncio se arrastou por alguns segundos, até que Sarah gritou de repente:— Sem vergonha! Quem, cega de tudo, iria querer você?As ofensas se tornavam cada vez mais pesadas.Maia já não aguentava mais, mas Juliana foi mais ráp
O silêncio tomou conta do ambiente.Todos os olhares estavam voltados para Juliana e Gustavo.Ela abaixou os olhos para o cheque caído no chão.Gustavo continuou:— Não é dinheiro que você quer? Então pega isso, leva sua amiguinha e some da minha frente!Depois do que aconteceu com a família Costa, o desprezo de Gustavo por Juliana era absoluto. Só de olhar para aquele rosto, sentia a raiva subir imediatamente.Entre a multidão, começaram os cochichos, mas Juliana ignorou completamente.No instante seguinte, ela se abaixou e pegou o cheque.Maia entrou em pânico.— Ju...Antes que pudesse terminar a frase, Juliana rasgou o cheque em pedaços com um movimento rápido e preciso.O rosto de Gustavo fechou-se na hora. Seus punhos se apertaram até os nós dos dedos estalarem.— Juliana!— Sr. Gustavo, eu não sou surda. Pode falar mais baixo. — Dizendo isso, Juliana deixou os fragmentos do cheque flutuarem no ar, até caírem suavemente ao chão.Foi a primeira vez que Gustavo sofreu uma humilhaç
Quando Juliana ouviu a notícia, já estava saindo da emergência, acompanhada de Maia. A mulher estava pálida, com o rosto coberto de suor, e o corpo todo apoiado nela. Minutos antes, ainda discutiam com energia, mas agora uma crise de gastrite a havia derrubado.— Maia, amanhã peça um dia de folga e fique em casa descansando.Maia soltou um gemido fraco de concordância e a seguiu até a sala de infusão.— George mereceu! Ainda não morreu… Esse desgraçado tem mais vidas que um gato!Maia resmungava sem parar, enquanto Juliana apenas murmurava um ou outro comentário em concordância. Depois de ajeitá-la, Juliana saiu para comprar água.No corredor, parou diante da máquina de vendas, pegou duas garrafas e, assim que concluiu o pagamento, percebeu uma sombra se aproximando por trás dela.— Juliana… O que aconteceu com o George… Tem algo a ver com você?Gustavo acabara de sair do quarto de Viviane. Ele, Viviane e George se conheciam há muito tempo e já haviam sido interrogados pela polícia
A questão parecia uma farpa cravada no coração de Gustavo. Sempre que a lembrava, um incômodo insuportável se apoderava dele.— Gustavo, se não sabe falar, cale a boca! — Juliana o repreendeu com frieza, olhando para ele como se fosse lixo.— O quê? Acertei em cheio e agora ficou irritadinha? — Gustavo provocou, convicto de que estava certo. Seu olhar, afiado e repleto de sarcasmo, estava carregado de desprezo. Ninguém diria que esses dois haviam sido um casal por sete anos.Paulo observava a cena com certo divertimento.— Gustavo, não seja hipócrita.O caso de Gustavo patrocinando os estudos de Viviane já tinha causado grande alvoroço na alta sociedade. Era óbvio que aquela mulher não era flor que se cheirasse, mas Gustavo caía feito um pato.Paulo nunca se interessou em saber como a relação deles havia começado. Apenas achava tudo um grande show de horrores. Desprezar uma noiva como Juliana para se envolver com alguém como Viviane? Agora, ainda teve a cara de perguntar à Juliana
— Sr. Paulo, tem mais alguma coisa?— Na verdade, tem sim. — Paulo não enrolou. — Ontem, eu te falei pelo WhatsApp sobre a minha amiga do meu amigo que está brava. Como faz para acalmá-la?Juliana assentiu com a cabeça.— Então, o que a gente faz para acalmá-la?Paulo realmente estava pedindo conselhos. Ele nunca havia tentado acalmar alguém antes, e não tinha a menor experiência com isso.O problema é que ele não sabia o motivo da raiva da Isabella. Toda vez que perguntava, ela dizia que não estava brava, mas o tom de sua resposta era gelado, completamente diferente da Isabella de antes, que sempre usava figurinhas fofas no final das mensagens.Paulo não conseguia entender. Não seria por causa da menstruação, né? Mas ele lembrava que Isabella tinha ficado livre disso há poucos dias.Acostumado a levar a vida de forma leve, Paulo estava tendo insônia pela primeira vez em dias.— Esse tipo de coisa precisa de uma abordagem específica. Você pode organizar tudo o que aconteceu e me envi