Catarina sabia exatamente o que estava acontecendo.Desde a primeira vez que se declarou para Bruno e foi rejeitada, ela já percebia claramente a oposição da família Moreira.E era uma rejeição tão escancarada que chegava a ser absurda.Cada membro da família veio conversar com ela separadamente, como se fossem embaixadores de alguma missão diplomática, tentando convencê-la a desistir da ideia. Todos diziam a mesma coisa: que ela devia procurar outro amor, que não valia a pena insistir logo no Bruno.Mesmo depois de tantos anos, a postura da família continuava a mesma.Mariana, por sua vez, não respondeu de imediato à pergunta.Tentou mudar de assunto. Mas hoje, Catarina estava decidida. Teimosa como nunca, queria ouvir a verdade. E apenas a verdade.Sem saída, Mariana suspirou fundo. E com o olhar pesaroso de quem sabe que vai machucar, disse:— Catarina, sentimentos não podem ser forçados. Não me leve a mal... Mas o Bruno... Ele simplesmente não gosta de você desse jeito.Bruno semp
Mariana estendeu a ela um lenço de papel.— Catarina, escuta o que eu estou te dizendo... Esquece o Bruno, por favor.Enquanto Bruno não sentisse o mesmo, eles jamais teriam futuro.No centro da cidade da Cidade A.Bruno havia reservado com antecedência uma mesa em um restaurante sofisticado de culinária internacional.Assim que entrou, um garçom se aproximou com prontidão para guiá-los até o local.A sala privativa ficava no terceiro andar, com uma vista privilegiada do skyline deslumbrante da cidade à noite, toda iluminada, vibrante, quase mágica.Bruno tirou o paletó e o pendurou casualmente no cabideiro. Em seguida, com todo o cavalheirismo, puxou a cadeira para Juliana.Os dois se sentaram frente a frente.O ambiente era tão silencioso que qualquer som parecia amplificado.O aviso de mensagem no celular de Juliana soou alto demais, chamando a atenção.Ela abaixou os olhos e começou a responder Maia.[Compartilhamento de Localização][Ju, esse restaurante aqui é ótimo! Vamos juntas
Os tomatinhos no prato estavam vermelhos de um jeito quase gritante, chamavam atenção demais.A mão de Juliana, que segurava o garfo e a faca, congelou no ar. Um leve espanto surgiu em seu olhar.— Como você sabe disso?Alergia a tomate não era algo comum. As pessoas próximas sabiam, claro, e ela não achava estranho que soubessem.Mas Benjamin…Eles quase não tinham tido contato. Ainda era tudo muito distante, quase como dois desconhecidos.Aquilo, no mínimo... Soava estranho.Os três à mesa voltaram os olhos imediatamente para Benjamin.E entre todos, o olhar de Bruno era, de longe, o mais frio. O mais carregado.Benjamin, no entanto, permaneceu calmo. Seu rosto simpático, bem-apessoado, manteve o mesmo sorriso sereno.— Eu vi uma vez, na festa de aniversário da universidade.Com receio de que Juliana pensasse que ele era algum tipo de obcecado, Benjamin se apressou em explicar:— Alergia a tomate não é algo que a gente vê todo dia... Você foi a primeira pessoa que conheci com isso. A
Maia tinha plena certeza de uma coisa, Bruno gostava de Juliana.Quanto a Benjamin... Talvez ele tivesse algum interesse?Mas até agora, nunca havia dito claramente que queria conquistá-la.Os cinco saíram do restaurante um atrás do outro.Camila hesitou por alguns segundos, mas, por fim, parou diante de Juliana.Seus olhos brilhavam agora com uma nova luz, uma força diferente.— Ju, obrigada por tudo o que fez por mim. Se não fosse você, eu teria destruído metade da minha vida. Amanhã vou deixar Cidade A... Antes disso, quero te entregar um presente.Sem o ciclo tóxico daquele ex-namorado manipulador, Camila finalmente parecia alguém da sua idade, jovem, com brilho nos olhos e alma leve.Maia estava profundamente aliviada.Dessa vez, Juliana realmente tinha salvado a pátria pra ela.Ela dizia que não ia mais se meter... Mas por dentro, morria de preocupação.Ver uma garota que ajudou a criar sendo iludida por um cafajeste dava uma sensação de impotência comparável a engolir veneno.Be
O som da ambulância cortava o céu da Cidade A, ecoando entre os prédios como um grito de desespero.Bruno jazia coberto de sangue sobre a maca, os olhos cerrados, enquanto médicos e enfermeiros corriam apressados rumo à sala de emergência.— Abram caminho! Saiam da frente! — Gritavam em uníssono.A notícia do acidente se espalhou como fogo em campo seco.As mídias digitais logo transformaram a tragédia em espetáculo, com manchetes sensacionalistas pipocando em tempo recorde. Em poucos minutos, o caso já era o assunto mais comentado da internet.[Filho mais velho da poderosa família Mendes sofre grave acidente de carro. estado crítico (URGENTE!)]A seção de comentários fervilhava de teorias mirabolantes:[Tenho certeza que foi acerto de contas. Que história é essa de o carro capotar do nada? Essas tretas de família rica são de arrepiar!][Será que o Bruno mexeu no bolo de alguém importante?][Hoje em dia o povo tá muito sem paciência… Qualquer coisa já vira tragédia. Bruno, pelo amor de
— Juliana, ficar aqui esperando vai mudar o quê? Quer que o tio Bruno sinta pena de você? Para de sonhar acordada. As palavras cortaram o ar como lâmina. Mesmo que não fosse sua intenção, Gustavo soou cruel.Desviou o olhar logo em seguida, desconfortável, com o rosto tenso e os ombros rígidos.Joana respirou fundo, contendo o impulso de dar um tapa no filho, e voltou a tentar convencer a jovem com delicadeza:— Ju, escuta… Vai cuidar desses machucados, tá? Eu fico aqui, juro que te aviso se acontecer qualquer coisa. Prometo.Juliana encarou a luz vermelha da placa “Cirurgia em andamento” por alguns segundos. Respirou fundo.— Tá bom.Ela virou-se devagar e começou a caminhar pelo corredor, os passos mancando, arrastados.Quando já estava quase na metade do caminho, Gustavo veio atrás. Talvez por já conhecer a língua afiada da moça, resolveu se adiantar:— Foi minha mãe que me obrigou a vir atrás de você. Não se acha.De novo… Não era isso que ele queria dizer. Mas era o que saía.Ju
Juliana ergueu os olhos na direção dele.O olhar, antes apenas frio e distante, agora carregava também um traço nítido de desprezo.A mão de Gustavo ficou suspensa no ar, congelada no meio do gesto.O rosto dele escureceu na hora mais fechado que tampa de panela fervendo.— Juliana!A voz saiu grave, tensa, carregada de irritação contida.Mesmo naquele estado, toda machucada, ela ainda fazia questão de manter a pose. Dura, orgulhosa, teimosa.Para quê tudo isso?Se não fosse pela insistência da mãe dele, Gustavo nem teria se dado ao trabalho de vir atrás!Juliana era o retrato perfeito da expressão "não sabe reconhecer um gesto de boa vontade".O tempo… O tempo tinha esse dom cruel de transformar pessoas próximas em completos estranhos.Gustavo se lembrava bem do começo do namoro.Naquela época, Juliana fazia questão de parecer frágil. Frágil em tudo.Chegava a exagerar, como quando não conseguia abrir nem uma tampinha de garrafa sozinha.E ele? Ele caía direitinho. Adorava se sentir
Juliana segurava o copo de papel com delicadeza.Seus cílios longos caíam sobre os olhos, ocultando o turbilhão de pensamentos que se agitava por dentro.Helena não insistiu. Ficou em silêncio, como se já soubesse que a resposta não viria.Virou-se devagar, encostando os braços no corrimão de ferro gelado.A postura era de uma calma preguiçosa, quase displicente, mas os olhos… Os olhos estavam atentos. A mente, sempre alerta.— Eu acho que foi de propósito. — Disse ela, como quem comenta sobre o tempo. — Ouvi uns boatos… Parece que meu primo mexeu com o bolo de alguém.A frase foi dita num tom casual, mas acendeu imediatamente um alerta em Juliana.Seu pensamento voou direto para Felipe.Ergueu os olhos, encarando Helena.A garota não devia ter mais de dezessete, dezoito anos… Mas a maturidade no olhar era afiada demais pra idade.Parecia enxergar muito mais do que deixava transparecer.O tempo passou devagar. Minuto a minuto, como se a madrugada estivesse suspensa no ar.Foi só quando