Maia tinha plena certeza de uma coisa, Bruno gostava de Juliana.Quanto a Benjamin... Talvez ele tivesse algum interesse?Mas até agora, nunca havia dito claramente que queria conquistá-la.Os cinco saíram do restaurante um atrás do outro.Camila hesitou por alguns segundos, mas, por fim, parou diante de Juliana.Seus olhos brilhavam agora com uma nova luz, uma força diferente.— Ju, obrigada por tudo o que fez por mim. Se não fosse você, eu teria destruído metade da minha vida. Amanhã vou deixar Cidade A... Antes disso, quero te entregar um presente.Sem o ciclo tóxico daquele ex-namorado manipulador, Camila finalmente parecia alguém da sua idade, jovem, com brilho nos olhos e alma leve.Maia estava profundamente aliviada.Dessa vez, Juliana realmente tinha salvado a pátria pra ela.Ela dizia que não ia mais se meter... Mas por dentro, morria de preocupação.Ver uma garota que ajudou a criar sendo iludida por um cafajeste dava uma sensação de impotência comparável a engolir veneno.Be
O som da ambulância cortava o céu da Cidade A, ecoando entre os prédios como um grito de desespero.Bruno jazia coberto de sangue sobre a maca, os olhos cerrados, enquanto médicos e enfermeiros corriam apressados rumo à sala de emergência.— Abram caminho! Saiam da frente! — Gritavam em uníssono.A notícia do acidente se espalhou como fogo em campo seco.As mídias digitais logo transformaram a tragédia em espetáculo, com manchetes sensacionalistas pipocando em tempo recorde. Em poucos minutos, o caso já era o assunto mais comentado da internet.[Filho mais velho da poderosa família Mendes sofre grave acidente de carro. estado crítico (URGENTE!)]A seção de comentários fervilhava de teorias mirabolantes:[Tenho certeza que foi acerto de contas. Que história é essa de o carro capotar do nada? Essas tretas de família rica são de arrepiar!][Será que o Bruno mexeu no bolo de alguém importante?][Hoje em dia o povo tá muito sem paciência… Qualquer coisa já vira tragédia. Bruno, pelo amor de
— Juliana, ficar aqui esperando vai mudar o quê? Quer que o tio Bruno sinta pena de você? Para de sonhar acordada. As palavras cortaram o ar como lâmina. Mesmo que não fosse sua intenção, Gustavo soou cruel.Desviou o olhar logo em seguida, desconfortável, com o rosto tenso e os ombros rígidos.Joana respirou fundo, contendo o impulso de dar um tapa no filho, e voltou a tentar convencer a jovem com delicadeza:— Ju, escuta… Vai cuidar desses machucados, tá? Eu fico aqui, juro que te aviso se acontecer qualquer coisa. Prometo.Juliana encarou a luz vermelha da placa “Cirurgia em andamento” por alguns segundos. Respirou fundo.— Tá bom.Ela virou-se devagar e começou a caminhar pelo corredor, os passos mancando, arrastados.Quando já estava quase na metade do caminho, Gustavo veio atrás. Talvez por já conhecer a língua afiada da moça, resolveu se adiantar:— Foi minha mãe que me obrigou a vir atrás de você. Não se acha.De novo… Não era isso que ele queria dizer. Mas era o que saía.Ju
Juliana ergueu os olhos na direção dele.O olhar, antes apenas frio e distante, agora carregava também um traço nítido de desprezo.A mão de Gustavo ficou suspensa no ar, congelada no meio do gesto.O rosto dele escureceu na hora mais fechado que tampa de panela fervendo.— Juliana!A voz saiu grave, tensa, carregada de irritação contida.Mesmo naquele estado, toda machucada, ela ainda fazia questão de manter a pose. Dura, orgulhosa, teimosa.Para quê tudo isso?Se não fosse pela insistência da mãe dele, Gustavo nem teria se dado ao trabalho de vir atrás!Juliana era o retrato perfeito da expressão "não sabe reconhecer um gesto de boa vontade".O tempo… O tempo tinha esse dom cruel de transformar pessoas próximas em completos estranhos.Gustavo se lembrava bem do começo do namoro.Naquela época, Juliana fazia questão de parecer frágil. Frágil em tudo.Chegava a exagerar, como quando não conseguia abrir nem uma tampinha de garrafa sozinha.E ele? Ele caía direitinho. Adorava se sentir
Juliana segurava o copo de papel com delicadeza.Seus cílios longos caíam sobre os olhos, ocultando o turbilhão de pensamentos que se agitava por dentro.Helena não insistiu. Ficou em silêncio, como se já soubesse que a resposta não viria.Virou-se devagar, encostando os braços no corrimão de ferro gelado.A postura era de uma calma preguiçosa, quase displicente, mas os olhos… Os olhos estavam atentos. A mente, sempre alerta.— Eu acho que foi de propósito. — Disse ela, como quem comenta sobre o tempo. — Ouvi uns boatos… Parece que meu primo mexeu com o bolo de alguém.A frase foi dita num tom casual, mas acendeu imediatamente um alerta em Juliana.Seu pensamento voou direto para Felipe.Ergueu os olhos, encarando Helena.A garota não devia ter mais de dezessete, dezoito anos… Mas a maturidade no olhar era afiada demais pra idade.Parecia enxergar muito mais do que deixava transparecer.O tempo passou devagar. Minuto a minuto, como se a madrugada estivesse suspensa no ar.Foi só quando
Cidade A já estava no terceiro dia seguido de chuva.Juliana havia pedido folga da plataforma de lives e, desde então, se dividia entre casa e hospital num vai e vem exaustivo.As escoriações no corpo começaram a cicatrizar, formando casquinhas.As mais profundas exigiam trocas diárias de curativos e aplicação de pomadas. Uma rotina dolorosa, mas necessária.Bruno continuava internado na UTI.Nesses três dias, tanto os que tinham boa relação com a família Mendes quanto os que não se davam tão bem apareceram para fazer uma visita.Sem exceção, todos foram barrados por Joana.— Ju, você não precisa ficar vindo e voltando todo dia... — Disse com carinho. — Os médicos já falaram que o Bruno tá fora de perigo. Faz o que eu digo, vai pra casa e descansa um pouco.As olheiras profundas sob os olhos de Juliana não mentiam.Estava claro, ela mal havia dormido bem nos últimos dias.O coração de Joana apertava só de olhar.Do lado da polícia, o relatório oficial apontava que o motorista responsáv
Catarina foi ao hospital acompanhando o irmão, Vitor.Desde o episódio constrangedor no instituto, dias atrás, ela vinha se isolando no quarto, sem querer trocar uma palavra com ninguém.No momento em que soube do acidente de carro de Bruno, o coração de Catarina entrou em conflito.Bruno tinha humilhado Catarina na frente de todo mundo. Se agora ela aparecesse no hospital, não ia parecer que estava correndo atrás dele feito uma boba? Uma verdadeira puxa-saco sem amor-próprio?E se isso chegasse aos ouvidos do pessoal do meio? Que moral Catarina ainda teria?Ela hesitou por um bom tempo.Mas, ao saber que Vitor ia ao hospital, acabou cedendo ao impulso e foi junto.Ao entrar no elevador, Catarina virou-se para Vitor e avisou:— Se o Bruno perguntar o que eu estou fazendo aqui, diz que foi você quem me arrastou à força, entendeu, Vitor?Era o mínimo para tentar preservar um pingo de dignidade.Vitor já não aguentava mais ouvir aquilo. Desde que saíram de casa até chegarem ao hospital,
Cinco minutos depois.Paulo se endireitou, mantendo a expressão serena e controlada, e disse:— O caso do Bruno pode ter sido causado por um impacto externo no cérebro, o que acabou gerando uma confusão de memória.— E agora? Como resolve isso? — Joana franziu a testa, visivelmente preocupada.Confundir a ex-noiva do sobrinho com a própria esposa? Até pra novela mexicana isso já era demais.— Não me atrevo a dar um prazo pra recuperação. Mas, no geral, confusão de memória não costuma atrapalhar a vida cotidiana. — Respondeu Paulo, sem rodeios.Mal ele terminou, Gustavo lançou um olhar carregado de desconfiança, e a voz saiu seca:— Então quer dizer que ele pode nunca voltar ao normal?Paulo sacou na hora a hostilidade ali.Ergueu uma sobrancelha, mantendo a calma:— Não foi isso que eu disse. Mas também, né... A gente não é Deus. Tem coisa que só o tempo resolve. Pode melhorar amanhã, pode levar anos... A real é que ninguém sabe.O quarto mergulhou num silêncio pesado.Joana passou a m