Ela varreu todos os utensílios da mesa para o chão. O caldo espirrou, manchando a barra da calça de Juliana.Maia, que estava na porta, se esquivou por pouco.— Juliana! Agora você não tem mais a proteção da família Costa! Se eu fosse você, abaixava a cabeça e me comportava! Se não fosse pela bondade da Vivi, acha mesmo que ainda estaria na Cidade A?Viviane era vista como a típica menina ingênua e bondosa, uma verdadeira florzinha frágil.Vagando pelo mundo há mais de vinte anos, ela ainda perdoava generosamente a pessoa que roubou sua vida. Quem a via, não podia deixar de elogiar seu coração compassivo.Nada irritava mais Juliana do que esse tipo de pessoa.— Amplie sua visão. Sem a família Costa, não posso encontrar outro apoio? — Respondeu com indiferença.O silêncio se arrastou por alguns segundos, até que Sarah gritou de repente:— Sem vergonha! Quem, cega de tudo, iria querer você?As ofensas se tornavam cada vez mais pesadas.Maia já não aguentava mais, mas Juliana foi mais ráp
O silêncio tomou conta do ambiente.Todos os olhares estavam voltados para Juliana e Gustavo.Ela abaixou os olhos para o cheque caído no chão.Gustavo continuou:— Não é dinheiro que você quer? Então pega isso, leva sua amiguinha e some da minha frente!Depois do que aconteceu com a família Costa, o desprezo de Gustavo por Juliana era absoluto. Só de olhar para aquele rosto, sentia a raiva subir imediatamente.Entre a multidão, começaram os cochichos, mas Juliana ignorou completamente.No instante seguinte, ela se abaixou e pegou o cheque.Maia entrou em pânico.— Ju...Antes que pudesse terminar a frase, Juliana rasgou o cheque em pedaços com um movimento rápido e preciso.O rosto de Gustavo fechou-se na hora. Seus punhos se apertaram até os nós dos dedos estalarem.— Juliana!— Sr. Gustavo, eu não sou surda. Pode falar mais baixo. — Dizendo isso, Juliana deixou os fragmentos do cheque flutuarem no ar, até caírem suavemente ao chão.Foi a primeira vez que Gustavo sofreu uma humilhaç
Quando Juliana ouviu a notícia, já estava saindo da emergência, acompanhada de Maia. A mulher estava pálida, com o rosto coberto de suor, e o corpo todo apoiado nela. Minutos antes, ainda discutiam com energia, mas agora uma crise de gastrite a havia derrubado.— Maia, amanhã peça um dia de folga e fique em casa descansando.Maia soltou um gemido fraco de concordância e a seguiu até a sala de infusão.— George mereceu! Ainda não morreu… Esse desgraçado tem mais vidas que um gato!Maia resmungava sem parar, enquanto Juliana apenas murmurava um ou outro comentário em concordância. Depois de ajeitá-la, Juliana saiu para comprar água.No corredor, parou diante da máquina de vendas, pegou duas garrafas e, assim que concluiu o pagamento, percebeu uma sombra se aproximando por trás dela.— Juliana… O que aconteceu com o George… Tem algo a ver com você?Gustavo acabara de sair do quarto de Viviane. Ele, Viviane e George se conheciam há muito tempo e já haviam sido interrogados pela polícia
A questão parecia uma farpa cravada no coração de Gustavo. Sempre que a lembrava, um incômodo insuportável se apoderava dele.— Gustavo, se não sabe falar, cale a boca! — Juliana o repreendeu com frieza, olhando para ele como se fosse lixo.— O quê? Acertei em cheio e agora ficou irritadinha? — Gustavo provocou, convicto de que estava certo. Seu olhar, afiado e repleto de sarcasmo, estava carregado de desprezo. Ninguém diria que esses dois haviam sido um casal por sete anos.Paulo observava a cena com certo divertimento.— Gustavo, não seja hipócrita.O caso de Gustavo patrocinando os estudos de Viviane já tinha causado grande alvoroço na alta sociedade. Era óbvio que aquela mulher não era flor que se cheirasse, mas Gustavo caía feito um pato.Paulo nunca se interessou em saber como a relação deles havia começado. Apenas achava tudo um grande show de horrores. Desprezar uma noiva como Juliana para se envolver com alguém como Viviane? Agora, ainda teve a cara de perguntar à Juliana
— Sr. Paulo, tem mais alguma coisa?— Na verdade, tem sim. — Paulo não enrolou. — Ontem, eu te falei pelo WhatsApp sobre a minha amiga do meu amigo que está brava. Como faz para acalmá-la?Juliana assentiu com a cabeça.— Então, o que a gente faz para acalmá-la?Paulo realmente estava pedindo conselhos. Ele nunca havia tentado acalmar alguém antes, e não tinha a menor experiência com isso.O problema é que ele não sabia o motivo da raiva da Isabella. Toda vez que perguntava, ela dizia que não estava brava, mas o tom de sua resposta era gelado, completamente diferente da Isabella de antes, que sempre usava figurinhas fofas no final das mensagens.Paulo não conseguia entender. Não seria por causa da menstruação, né? Mas ele lembrava que Isabella tinha ficado livre disso há poucos dias.Acostumado a levar a vida de forma leve, Paulo estava tendo insônia pela primeira vez em dias.— Esse tipo de coisa precisa de uma abordagem específica. Você pode organizar tudo o que aconteceu e me envi
A noite estava no auge.O estacionamento estava silencioso, com apenas o som das cigarras e os passos de um homem se aproximando.O barulho repentino fez Juliana se tencionar.Ela apertou os punhos, se virou e, ao ver que era Bruno, soltou um suspiro de alívio.— Desculpa, te assustei?Bruno percebeu a expressão de tensão no rosto dela e, como um cavalheiro, pediu desculpas.— Não tem problema. — Juliana fez um gesto com a mão e levantou os olhos, encontrando o olhar dele. — Sr. Bruno, veio ao hospital tão tarde, está com o estômago ruim de novo?Com a luz do poste ao lado, ela pôde ver claramente o rosto pálido de Bruno.Era belo e sereno, como um deus descendo do céu.— Não, vim procurar o Paulo.Enquanto esperava, Bruno já havia planejado uma desculpa bem elaborada.Paulo trabalhava no hospital, e os dois eram bons amigos, o que o tornava o álibi perfeito.O alvo dele sempre foi Juliana.Juliana apenas fez um gesto afirmativo com a cabeça, e o ambiente se tornou mais tenso.Os canto
A situação entre Juliana e a família Rodrigues, naquele momento, foi completamente culpa dela mesma.— Eu não sei direito, o que aconteceu entre a Ju e ele?Viviane fingiu não saber, mas seu rosto, visivelmente tomado pela inveja, estava descontrolado.— Nada... — Respondeu Gustavo, com uma expressão impassível.Ele levantou os olhos involuntariamente, e as palavras seguintes desapareceram de sua mente.A raiva dele voltou com força total, uma onda escarlate que fazia qualquer um se sentir involuntariamente amedrontado.Do seu ângulo, ele conseguia ver metade do rosto de Juliana, que estava com um homem que não era Paulo, numa atitude íntima e afetuosa.— Gustavo, Gustavo... O que aconteceu aí?A voz aflita de Viviane o fez retomar a compostura.Gustavo não deu explicações, apenas respondeu de forma evasiva e encerrou a ligação bruscamente.Porém, ao levantar os olhos novamente, os dois já haviam sumido.Depois de pegar Maia, o coração de Juliana ainda batia descompassado.Sua mente es
Na escada escura, a atmosfera estava carregada de tensão.Ela sentiu a mão quente do homem a envolver, seus corpos tão próximos que a respiração se entrelaçava, criando uma sintonia íntima. As sombras na parede se misturavam, dando ao ambiente um toque sensual e carregado de desejo.— Ju, me ajuda a tirar os óculos...A voz de Bruno, rouca e sedutora, tinha um tom suave de provocação. Ele beijava a clavícula dela enquanto seu hálito quente percorria sua pele, causando uma onda de sensações que desciam até a base de sua coluna.Os longos cílios de Juliana tremiam levemente. Seu braço, tão branco quanto a neve, repousava sobre o ombro largo de Bruno, enquanto um suspiro involuntário escapava de seus lábios.Ela estava completamente entregue ao momento, fazendo o que Bruno pedia sem pensar. Os óculos foram retirados e, com isso, ele a beijava com ainda mais liberdade, subindo lentamente, enquanto Juliana se entregava totalmente à sua ternura.De repente...— Juliana! Sua mulher fútil! V