O olhar de Catarina repousava logo atrás de Juliana. Por fora, nada transparecia, suas emoções estavam cuidadosamente ocultas sob uma aparência imperturbável.Ela era infinitamente mais controlada do que Viviane jamais seria.— Ei, é com você mesmo! Não ouviu o que a professora Catarina perguntou? — Disparou um dos rapazes ao lado, já se metendo. — Você tem uma cara bem estranha... Quem te deixou entrar aqui?Habituado a puxar saco, o rapaz viu ali uma chance de brilhar diante da professora.Enquanto falava, estendeu a mão, tentando agarrar o braço de Juliana.Mas, ao ver a mão se aproximando, Juliana mudou por completo.Seus olhos gelaram num segundo, e ela deu dois passos pra trás, evitando o toque.O gesto, sutil, mas cheio de firmeza, não passou despercebido.Alguns ali trocaram olhares, desconcertados. E, percebendo o leve desagrado no rosto de Catarina, começaram a atacar Juliana sem cerimônia:— Esse lugar não é para qualquer uma. Aproveita que a professora Catarina tá sendo gen
Os olhos por trás dos óculos de Bruno brilhavam com uma frieza tão intensa, tão firme, que ninguém teve coragem de encará-lo.Nem mesmo Catarina.Ela, que o conhecia havia tantos anos, ficou paralisada.Nunca o tinha visto perder o controle.Bruno sempre foi absurdamente calmo, daquele tipo que mantém a compostura até no meio de um incêndio.Jamais imaginou vê-lo se exaltar… Por causa de uma mulher.Foi como se algo tivesse atravessado seu peito. A dor veio rápida e aguda, fazendo sua cabeça girar.Bruno passou por Catarina como se ela fosse parte da mobília.Nem olhou.Nem um aceno.Nem um gesto de reconhecimento.Como se ela simplesmente… Não existisse.Parou apenas ao lado de Juliana.Abaixou levemente a cabeça, fitou seus olhos com suavidade e disse:— Me desculpa. Eu deveria ter vindo te buscar pessoalmente.Aquela frase caiu como uma bomba no meio do saguão.Samuel e Juliana permaneceram tranquilos, quase como se já esperassem por aquilo.Mas os outros… Estavam em estado de choqu
As palavras de Catarina até faziam algum sentido.E, como esperado, os bajuladores ao redor dela começaram a concordar com entusiasmo.Mas Bruno... Não demonstrava nem um traço de simpatia.Colocou-se à frente de Juliana, como se fosse um escudo humano.E, com um olhar gélido, encarou Catarina.Sua posição era clara.Ele estava do lado de Juliana.Ao perceber isso, Catarina sentiu o ar sumir dos pulmões.A sensação de sufocamento foi tão forte que chegou a ficar tonta.Então Bruno falou, a voz grave e completamente destituída de calor:— E por que eu deveria levar em consideração o seu pedido? Nós somos íntimos, por acaso?A frase, dita com uma frieza cortante, foi um golpe brutal.O rosto de Catarina perdeu toda a cor num piscar de olhos.Bruno a havia humilhado… Na frente de todos. Sem rodeios. Sem piedade.A mensagem era clara.Ela não significava absolutamente nada para ele.E para Catarina, aquilo era pior do que qualquer tapa.Todo o instituto sabia que ela era apaixonada por Bru
Num piscar de olhos, Juliana foi envolvida por uma sombra.Ergueu o rosto devagar.— Sr. Bruno…A posição em que estava a deixava estranhamente pressionada.Ainda mais ao lembrar de certas… Imagens. Nada apropriadas, diga-se de passagem.Talvez percebendo isso, Bruno se abaixou diante dela, ficando na altura do seu pescoço.— Srta. Juliana, posso pedir um favor?Seus olhos escuros pareciam um redemoinho hipnótico. Daqueles que puxam qualquer um pra dentro sem chance de fuga.Juliana fechou os punhos, discretamente. Por fora, mantinha a postura fria de sempre.Mas por dentro… Seu coração disparava.Seu rosto seguia sereno, com traços delicados e cílios longos, parecendo penas negras.Por trás deles, os olhos refletiam o rosto absurdamente bonito de Bruno.— Que favor? — Perguntou ela, mantendo o tom neutro.— Esse botão... Ficou preso numa linha. Pode me ajudar a soltar?Sob o sobretudo caramelo, ele usava uma camisa fina.O primeiro botão da gola estava aberto, revelando um pouco da pe
Juliana ficou vermelha na hora, como se tivesse sido atingida por uma onda de calor.Ela não se levantou de imediato. Permaneceu naquela posição meio caindo nos braços dele e, com a voz baixa, sussurrou:— Sr. Bruno, por favor, não se mexa... Minhas pernas estão dormentes. Preciso de um tempinho.Maldito corpo e suas reações involuntárias!Sem dúvida, aquele tinha sido o dia mais vergonhoso da vida dela.Pensando bem... Com o nível de TOC do Bruno, ele provavelmente ia tomar um banho de desinfetante assim que chegasse em casa, não?Cinco minutos depois.Juliana se levantou rapidamente, cabeça baixa, tentando esconder as bochechas que ainda queimavam de vergonha.O humor de Bruno, por outro lado, estava surpreendentemente bom.Ele ajeitou o colarinho amarrotado da camisa e comentou com naturalidade:— Se não conseguiu abrir, tudo bem. Deixa para lá.Como se nada tivesse acontecido.E de fato, não tocou mais no assunto.Juliana soltou um longo suspiro de alívio. Só conseguiu relaxar de v
Catarina sabia exatamente o que estava acontecendo.Desde a primeira vez que se declarou para Bruno e foi rejeitada, ela já percebia claramente a oposição da família Moreira.E era uma rejeição tão escancarada que chegava a ser absurda.Cada membro da família veio conversar com ela separadamente, como se fossem embaixadores de alguma missão diplomática, tentando convencê-la a desistir da ideia. Todos diziam a mesma coisa: que ela devia procurar outro amor, que não valia a pena insistir logo no Bruno.Mesmo depois de tantos anos, a postura da família continuava a mesma.Mariana, por sua vez, não respondeu de imediato à pergunta.Tentou mudar de assunto. Mas hoje, Catarina estava decidida. Teimosa como nunca, queria ouvir a verdade. E apenas a verdade.Sem saída, Mariana suspirou fundo. E com o olhar pesaroso de quem sabe que vai machucar, disse:— Catarina, sentimentos não podem ser forçados. Não me leve a mal... Mas o Bruno... Ele simplesmente não gosta de você desse jeito.Bruno semp
Mariana estendeu a ela um lenço de papel.— Catarina, escuta o que eu estou te dizendo... Esquece o Bruno, por favor.Enquanto Bruno não sentisse o mesmo, eles jamais teriam futuro.No centro da cidade da Cidade A.Bruno havia reservado com antecedência uma mesa em um restaurante sofisticado de culinária internacional.Assim que entrou, um garçom se aproximou com prontidão para guiá-los até o local.A sala privativa ficava no terceiro andar, com uma vista privilegiada do skyline deslumbrante da cidade à noite, toda iluminada, vibrante, quase mágica.Bruno tirou o paletó e o pendurou casualmente no cabideiro. Em seguida, com todo o cavalheirismo, puxou a cadeira para Juliana.Os dois se sentaram frente a frente.O ambiente era tão silencioso que qualquer som parecia amplificado.O aviso de mensagem no celular de Juliana soou alto demais, chamando a atenção.Ela abaixou os olhos e começou a responder Maia.[Compartilhamento de Localização][Ju, esse restaurante aqui é ótimo! Vamos juntas
Os tomatinhos no prato estavam vermelhos de um jeito quase gritante, chamavam atenção demais.A mão de Juliana, que segurava o garfo e a faca, congelou no ar. Um leve espanto surgiu em seu olhar.— Como você sabe disso?Alergia a tomate não era algo comum. As pessoas próximas sabiam, claro, e ela não achava estranho que soubessem.Mas Benjamin…Eles quase não tinham tido contato. Ainda era tudo muito distante, quase como dois desconhecidos.Aquilo, no mínimo... Soava estranho.Os três à mesa voltaram os olhos imediatamente para Benjamin.E entre todos, o olhar de Bruno era, de longe, o mais frio. O mais carregado.Benjamin, no entanto, permaneceu calmo. Seu rosto simpático, bem-apessoado, manteve o mesmo sorriso sereno.— Eu vi uma vez, na festa de aniversário da universidade.Com receio de que Juliana pensasse que ele era algum tipo de obcecado, Benjamin se apressou em explicar:— Alergia a tomate não é algo que a gente vê todo dia... Você foi a primeira pessoa que conheci com isso. A