Capítulo 54

A luz fraca da madrugada entrava pelas janelas do carro, criando sombras tênues que dançavam nas paredes internas do veículo conforme Nicolas dirigia pelas ruas quase vazias. O silêncio dentro do carro era tão denso quanto a fumaça que eu havia respirado algumas horas antes. Ainda podia sentir o cheiro estéril do hospital impregnado na pele, uma lembrança da minha alta apressada, assinada quase à força porque eu não suportava a ideia de passar mais tempo ali. Tudo parecia surreal.

Eu me sentia estranhamente leve, como se parte do meu corpo ainda estivesse presa em algum lugar entre o pânico e a realidade. Meus dedos acariciavam distraidamente o tecido da calça que Nicolas havia providenciado para mim, uma substituição ao vestido destruído no incêndio. Eu estava grata, mas, ao mesmo tempo, desconfortável. Ele estava tão perto, guiando o carro com uma expressão impassível que contrastava com a tempestade que eu sabia estar crescendo dentro de mim.

— Você não precisa me levar até em casa
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