Senti uma lágrima idiota brotando do meu olho e limpei-a com agressividade, chegando a sentir certa dor. Por que porra todo mundo me rejeitava ou traía? Qual o meu problema? Ou melhor, qual o problema dos outros?Talvez a porra da questão de caminhos traçados e almas predestinadas fosse mesmo uma mentira.Suspirei e levantei, ainda sentindo o coração batendo forte. Respirei fundo, sentindo o cheiro do ar puro que vinha das árvores gigantescas e que tomavam conta de praticamente todo aquele lugar.A noite continuava linda e estrelada, me fazendo ir em direção à lagoa contemplá-la. Senti um vento fresco vindo da beira, causando-me frio e consequentemente arrepios.Levantei as duas mãos e com os dedos polegares e indicadores fiz um triângulo, colocando a lua dentro dele. Uma lágrima teimosa voltou a cair quando lembrei da lua sobre o ombro esquerdo de Pedro.Ri, ao mesmo tempo que chorava. Por que pensei que ele era diferente dos outros? O fato de o garoto fazer cursos, se dedicar a ajud
Respirei fundo e dei um passo para trás. Virei em direção à lagoa, observando algumas poucas estrelas que pareciam cair nas águas negras. Observei as ondas pequenas que quebravam com o vento nas madeiras do deck e perguntei, sem virar na direção dele:- Você havia dito que teríamos tempo para isso... E agora está me contando. Devo pensar que nosso tempo acabou? – Senti o coração acelerar.Pedro se aproximou e eu não ouvi nenhum passo sequer dele ou mesmo um som emanando de seu corpo, como um suspiro ou respiração acelerada, por exemplo. Mas sabia que ele estava a centímetros de mim, porque meu corpo sentia o dele assim como o calor que emanava de sua pele. E se aquilo não fosse conexão ou uma alma separada no passado, eu realmente não sabia nada sobre almas gêmeas.Antes mesmo que ele tocasse meus ombros nus, senti o calor de suas mãos e meu corpo arrepiou-se completamente.- Pelo contrário, Clara... Eu contei a verdade porque gostaria que o tempo para nós dois começasse a contar a pa
Os pais de Flora foram nos buscar quando chegamos da excursão, no domingo à tarde. No caminho, ela perguntou, rindo:- Quantos pontos Pedro fez no final de semana?- Vejamos... – sorri – me contou um segredo, fugiu de Anastácia, a desmentiu em público...- O desmenti-la em público não lhe daria 10 pontos?- Sim, ele tem 10 pontos por ter tido a coragem de mostrar na frente de todos que ela estava mentindo.- E defendeu sua honra... Afinal, você seria a corna se ele não tivesse contado a verdade.- Isso o deixa com... 12 pontos. – Somei.- Enquanto Patrick... Perde quanto? – Flora perguntou ansiosa.- Patrick continua com seus 97 pontos.- Isso não é muito justo, Clara! – Tentou defender Pedro, demonstrando insatisfação por Patrick se manter bem acima.- Enquanto ele não fizer algo ruim, continua com os 97. – Confirmei.- Não é justo! – Bufou, jogando-se para trás no banco – Mas não pode negar que Pedro está conquistando você.- Não... Não posso mesmo! – admiti – Eu me sinto muito bem
- Você não é mais um menino. Por que não o enfrenta?- Nossa mãe não ficaria do meu lado. – Renan abaixou o olhar.Deitei novamente e observei as paredes cheias de pôsteres de carros de corrida e bandas de rock:- Sabe o que é mais incrível nisto tudo, Renan?- O quê?- Existem famílias felizes. Só não tivemos a sorte de estar numa delas. Mas talvez se mamãe tivesse se divorciado, poderia ter conhecido alguém legal.- Não acredito nesta porra de felicidade. Casamento é uma droga.Sentei novamente, de forma abrupta:- Se acha isso, por que se envolveu com Flora?- Eu não me envolvi com Flora.- Como não? – Exaltei a voz.- Eu simplesmente dormi com ela.- Então sabia que Flora era virgem.- Nunca duvidei disto.- Você nunca mencionou que gostava dela.- Eu... Não sou apaixonado por sua amiga. Gosto dela... Só isso.- Então por que tirou a virgindade dela?Renan levantou e me encarou:- Acha que para tirar a virgindade de uma garota você precisa estar apaixonado por ela? Onde foi que le
POV PEDROAssim que vi Clara sair do carro e se despedir do instrutor, fui na direção dela. Percebi que ficou surpresa ao me ver, mas logo abriu um sorrisão e correu para mim.Recebi seu abraço apertado e correspondi, com o coração batendo mais forte. Eu gostava do cheiro dela... E da forma como com que me sentia quando estava em sua companhia.Não tinha certeza da marca do xampu que ela usava porque não entendia muito sobre o assunto, mas o cheiro que emanava de seus cabelos era marcante... Adocicado, remetendo ao aroma de flores.Enquanto todas as meninas usavam Adidas, ela usava All Star, pouco se importando em entrar “na modinha” das adolescentes.Clara era ela mesma: autêntica, divertida e ao mesmo tempo trazia uma certa tristeza no olhar que eu não conseguia entender de onde vinha.- Não vai me beijar até cansar? – Levantou o rosto na minha direção, os lábios entreabertos, convidativos, provocantes.Sorri, incapaz de não a beijar até cansar, até que o ar faltasse nos meus pulmõe
Ela gemeu alto e me empurrou, limpando os lábios que estavam inchados. Olhou ao redor e fiz o mesmo, observando um casal conversando ao longe e uma senhora que nos encarava sem disfarçar.- Que pouca vergonha! – A mulher disse e saiu de perto de nós.Começamos a rir e permaneci virado na direção dela, naquela terrível situação em que me via pela primeira vez, de pau duro num local público.- Estou começando a ficar mal-acostumada com você todos os dias vindo me trazer no ponto de ônibus... – tocou meu peito, ainda ofegante.- E eu um pouco viciado em você. – Me ouvi confessando, como se as palavras não me respeitassem, simplesmente saíssem por vontade própria.- E a aula? – estreitou os olhos, preocupada – Se está aqui... Não está lá...- Não se preocupe. Esqueceu que a doidinha aqui é você? – Ri.- E você o sensato. Então não faça besteiras, Pedro Moratti. – Tocou meu peito com o dedo indicador, com força.E claro que teve consequências. No mês seguinte a secretária da escola foi me
POV CLARAPedro estava me convidando para ir dormir na casa dele? Deus, era tudo que eu mais queria.Só nos víamos por alguns minutos depois das minhas aulas e era por pouco tempo. Raramente nos encontrávamos nos finais de semana porque ele tinha tarefas dos cursos e escola e eu também. Sem contar que por estarmos “meio que namorando” já não íamos mais no Baccarath com tanta frequência. E as aulas práticas da autoescola terminariam dentro de dias.Eu, ele e uma casa! Seria perfeito demais!- Farei tudo que estiver ao meu alcance para ir. – Garanti.- Ficarei muito feliz se você for. – Sorriu.- Onde eu dormiria? – Provoquei.- Depende... Onde quiser. – Riu.- Me daria sua cama?- Quereria minha cama?- Sim.Pedro acariciou minha bochecha:- Creio que precisamos muito deste tempo.- Concordo... Só nós...- Sem ninguém ao nosso redor. E com... Uma casa. E um quarto.- Não faremos Laís e Lucas neste tempo. – Fui sincera.Pedro gargalhou:- Como bem sabe, é possível impedir de fazer bebês
- Clara, sua vez. – Meu instrutor avisou.Levantei-me, esperando que minhas pernas não respondessem aos meus comandos, mas para minha surpresa, elas me obedeceram. Fui até o automóvel e o avaliador me cumprimentou, dizendo seu nome, que um segundo depois eu esqueci, o que poderia ter sido o efeito da droga de folha de melissa, vulgo maconha.- Clara, você entrará no carro e tem o tempo que precisar para ajeitar os espelhos, banco e o que mais precisar para se sentir segura e confortável. Assim que ligar o carro, oficialmente a prova estará iniciada. Tem alguma pergunta?- Sim. O senhor já ouviu falar de uma erva chamada Melissa?O homem de meia-idade, calvo, baixo e de barba me olhou de forma estranha:- Não! Nunca ouvi falar. Você tem alguma pergunta com relação à prova, senhorita Versiani?- Não.Virei a cabeça para dentro do carro e tentei focar. Tudo parecia tranquilo comigo. Ajeitei os espelhos, levantei o banco no máximo que consegui e girei a chave, ligando o carro.- Pode desl