No dia seguinte, depois de uma noite em claro repleta de dores e pesadelos com cenas do ataque, acordei com o barulho estridente do celular alarmando, tateei o criado mudo, procurando-o e ao encontrá-lo, esfreguei os olhos, tentando enxergar o horário, ainda um tanto sonolenta. Estava confusa por causa dos medicamentos, mas ao perceber que passava das 7h, levantei-me em um salto, quase gritando de dor pelo esforço repentino em minhas costelas fraturadas.
Apesar de tecnicamente ainda estar em período de repouso com atestado até a segunda-feira, depois de muito implorar aos meus pais que permitissem a minha volta às aulas, finalmente deixei um pouco o repouso e tentei retomar a minha vida dentro dos conformes. Sabia que aqueles dias estudando apenas em casa com as anotações que me foram emprestadas não seria o suficiente para acompanhar os conteúdos decorridos nos dias em que fiquei de repouso, mas ao menos dessa forma, ficaria longe daquela m*****a casa onde me sentia acuada todo o tempo.
Coloquei-me diante do espelho de corpo inteiro e fitei meu reflexo, suspirando desanimada pelo estado em que me encontrava, a pele antes branca e sem manchas, nem mesmo do sol, estava avermelhada e com escoriações que expandiam-se do rosto aos braços e tórax, vesti o uniforme tentando ao máximo não fazer muito esforço, abotoei o colarinho até os últimos botões, escondendo parte do meu pescoço e tentei cobrir um pouco das manchas roxas com maquiagem corretiva.
Quando entrei na cozinha, meus pais conversavam aos sussurros provavelmente sobre algo que não planejavam me contar, mas como não me viram, optei por escutá-los escondida atrás do pilar de gesso e para a minha surpresa, percebi que falavam do passado, mais especificamente da época em que o shopping ainda estava em construção.
– Não se preocupe tanto, sabe que as pessoas desse lugar são supersticiosas... – meu pai falava de algo que não consegui acompanhar por não ter escutado o começo da conversa. Não podia vê-lo, mas imaginava que estivesse sentado à mesa, lendo seu jornal enquanto tomava uma xícara de café puro.
– Mas você não sente que há alguma estranheza? - foi a vez de minha mãe falar, aparentando estar alarmada com algo, mas sua voz permanecia inabalada e baixa. – Eles tinham algum motivo bem específico para não aceitar a construção, Edward.
A última frase da minha mãe me situou um pouco na conversa e percebi que se tratava do período em que a empreiteira estava tendo dificuldade em conseguir mão de obra para a construção do shopping, aparentemente os homens nativos da ilha eram contra a chegada de estrangeiros, ainda mais pois, ao que entendi na época, havia uma disputa em relação aos locais entre manter a tradição centenária da pesca e agricultura, ou aceitar a chegada das novas tecnologias e grandes indústrias.
Lembro de ter pensado o quanto essa questão era absurda na época, ingenuamente acreditando que a cultura local não seria prejudicada pela chegada do shopping, mas depois de um ano pronto, percebi que a situação não era tão simples quanto parecia. De certa forma, os protestantes estavam corretos em relação ao impacto do shopping em sua cultura, aos poucos, os jovens em idade de trabalhar começaram a optar por empreendimentos mais voltados à cidade mais próxima e apesar de termos um grande shopping na ilha, pouco se falava sobre ele. Era como se todos estivessem tentando se desvencilhar de sua antiga terra depois de descobrir novas formas de se manter financeiramente.
– Mas é claro, você nunca me escuta! - ouvi minha mãe reclamar, tirando-me dos meus devaneios, sua voz havia subido alguns tons e parecia realmente irritada.
– É sério que está me culpando? - meu pai questionou, irritando-se também, sua voz subindo alguns tons enquanto praticamente batia a xícara na mesa.
Aos poucos, os ânimos começavam a se alterar e uma briga parecia estar prestes a iniciar, possivelmente porque minha mãe ainda estava descontente em permanecerem na ilha já que, ao que entendi quando criança, o plano era retornarmos ao continente assim que a construção estivesse completa e a situação financeira da empresa fosse estabilizada, o que ainda não havia ocorrido em parte por minha causa. Apesar de não me culparem, eu sabia que parte do nosso problema financeiro era em virtude dos meus tratamentos psicológicos e agora, médicos que rendiam cada vez mais gastos para eles.
Para tentar contornar a situação, pigarrei chamando a atenção dos dois enquanto entrava na cozinha pois não aguentava mais vê-los brigar. E ao me ver, seus olhos se arregalaram momentaneamente, mas para disfarçar, minha mãe sorriu pedindo que me sentasse para que pudéssemos tomar o café da manhã juntos.
Vez ou outra, enquanto comia algumas torradas, sentia os olhos deles recaírem sobre mim, claramente tentando descobrir o quanto eu havia ouvido de sua conversa, mas me mantive quieta, fingindo que não sabia de nada. E depois de alguns minutos em um silêncio constrangedor, meu pai sugeriu me levar para o colégio de carro, evitando assim que eu andasse mesmo que apenas alguns minutos. Pela sua expressão, parecia estar com medo de que eu quebrasse a qualquer momento em uma simples caminhada, mas não reclamei pois, realmente ainda sentia muitas dores, principalmente nas costelas sempre que respirava.
Quando paramos em frente aos grandes portões de madeira maciça, seus olhos me fitaram com preocupação por alguns minutos antes de sorrir de canto, tentando apaziguar um pouco aquela situação estranha, em seguida, abriu a porta para que eu descesse e em um gesto raro, beijou-me a testa, pedindo em um sussurro que tomasse cuidado. Foi nesse momento que entendi sua apreensão, ele estava pensando na menina que morreu dias antes e que estudava no mesmo colégio que eu. Vê-lo tão preocupada me fez questionar internamente se ele havia a visto, se ela se parecia comigo e por isso, estava tão inquieto.
– Terei cuidado! - garanti, tentando lhe passar alguma confiança, peguei minha bolsa de suas mãos e agradeci pela carona enquanto o abraçava do melhor modo que pude por causa do braço engessado.
– Não se preocupe que cuidaremos dela! - Karen exclamou surgindo absolutamente do nada, pegou minha bolsa e passou o braço livre sobre meus ombros.
Ele apenas acenou positivamente com a cabeça e entrou no carro, seguindo seu caminho ao trabalho antes que se atrasasse. E Karen arrastou-me para o pátio onde os garotos nos esperavam, jogando uma pequena partida amistosa de basquete, somente eles dois.
– Como você está? - Gabriel questionou esquecendo-se do jogo, e ignorando os gritos do amigo, reclamando pela pausa repentina. – Não imaginei que voltaria às aulas ainda...
– Ela não consegue ficar longe de nós! - Karen gabou-se rindo, e tive que concordar pois, naquele momento o que eu mais precisava era distrair meus pensamentos.
Uma pequena aglomeração de pessoas, de repente formou-se em frente ao telão que ficava no pátio interno onde eram apresentadas notícias ou apresentações de grande produção feita pela escola. Movida pela curiosidade, me aproximei do grupo de estudantes, notando que havia alguns professores também e foquei minha atenção na tela onde uma pequena coletiva de imprensa falava sobre o caso do serial killer.
– O caso ainda está em aberto para mais investigações, mas já podemos afirmar que o suspeito confessou e está sob interrogatório nesse momento! - um policial de bigode espesso, falava com sua voz rouca e séria, ele parecia aqueles agentes dos filmes de ação, explicando sobre o caso, sem sequer piscar.
Poucos minutos após aquele pronunciamento, uma enxurrada de perguntas veio por parte da imprensa, mas o homem nada respondeu, dizendo apenas que aguardassem mais algum tempo para que tudo fosse divulgado corretamente e então, a imagem cortou para uma repórter que explicava as informações recentes que possuíam sobre o caso que aparentemente havia sido solucionado.
Ela falava com propriedade e olhando seriamente para a câmera, explicando que o caso tomara grandes proporções após aparecerem casos em regiões próximas, entre elas estando a pequena ilha em que moramos, sendo o serial killer um possível ex-policial que se utilizava de seus conhecimentos para não ser pego, mas que acabou cometendo um grande deslize ao pensar que estava acima da polícia metropolitana.
Uma professora jovem ao meu lado suspirou de alívio, parecendo agradecer aos céus por aquela notícia. Pela sua idade, imaginei que não tivesse filhas dentro do perfil de predileção do serial killer então, fiquei um pouco impressionada em saber que aquele alivio todo era por nós, suas alunas e isso aqueceu um pouco meu coração.
– Isso significa que estamos seguras! - Karen alegrou-se abraçando-me, quase me sufocando, mas não reclamei apesar da dor que começava a aparecer. – Isso merece uma comemoração…
– Podemos ir para a ilha de Maju! – Mark sugeriu, passando o braço pela cintura da namorada, desgrudando-a um pouco de mim, parecendo enciumado com nosso grude. – Essa época é boa para ver os recifes de coral…
– Isso me parece uma excelente ideia! - Karen concordou e virou-se me lançando uns olhinhos de cachorro que caiu da mudança enquanto juntava as mãos em forma de pedido. – Diga que sim, por favor... você quase morreu, ficamos tão assustados.
– Eu nem posso receber o impacto das ondas... – resmunguei a primeira coisa que me veio à mente, mas a verdade era que imaginava a negativa dos meus pais a aquela ideia. – E vai precisar convencer meus pais a me tirar do repouso.
Eram bons amigos que me ajudaram muito a superar minhas dificuldades, principalmente nos momentos mais delicados quando me sentia deslocada por causa do tratamento psicológico e pela mudança repentina para um lugar desconhecido. Mas, meus pais não confiavam muito neles, ainda mais por vê-los como jovens rebeldes por causa das festinhas que participavam e como era verdade, a única coisa que podia dizer para tentar limpar a imagem deles, era que não se drogavam.
– Então pedirei a eles! - Karen exclamou estufando o peito em sinal de coragem, abriu um sorriso travesso e piscou para o namorado como se planejassem algo mentalmente. – Sua mãe me ama, ela vai deixar e convencer seu pai...
A fitei por alguns minutos impressionada com a segurança com que ela falava e acabei apenas rindo baixo enquanto fazia uma negativa, se ela queria fazer isso, a única coisa que podia desejar-lhe era sorte e esperar que argumentos usaria para convencer meus pais a deixar-me ir para a pequena ilha adjunta.
O sinal da primeira aula ressoou e caminhamos pelo corredor, seguindo os pequenos grupinhos que procuravam suas salas em meio a animação daquela nova notícia, afinal, significava que as aulas não seriam suspensas como era o temor dos veteranos - como era o nosso caso -, e que as pequenas festinhas poderiam retornar ao menos até um horário razoável.
Como a minha mão dominante estava com os dedos quebrados, me limitei a apenas ouvir as explicações dadas pelos professores enquanto meus amigos e namorado se revezavam para fazer anotações no meu caderno, e em poucas horas, as folhas enchiam-se de escritas em cores e modelos diferentes, o que era uma graça de observar.
Para a minha surpresa, enquanto me escoltavam até em casa, temendo que eu quebrasse mais algum osso enquanto andava, Karen realmente falou com minha mãe, argumentando que iriamos os quatro, ficaríamos para dormir somente se o clima mudasse, e assegurou que não ficaríamos sozinhos pois, uma amiga de sua família possuía uma pequena pousada no local. Para tornar sua fala ainda mais aceitável, entregou o cartão com o número da tal dona da pousada, uma pequena folha com a imagem minúscula de uma pousada de fachada branca e portas de madeira negra.
Os olhos esverdeados da dona Amélia, minha mãe, voltaram-se a mim e lhe lancei o mesmo olhar de cachorro abandonado que minha amiga havia usado comigo horas antes, tentando derreter seu coração. Como minha mãe já sabia da prisão do serial killer, eu precisava apenas convencê-la de que não faríamos nenhuma loucura e rapidamente lembrei-me de um argumento convincente.
– Não vou entrar no mar, a senhora sabe que tenho medo dos peixes pedra! - exclamei me enchendo de esperança, juntei as mãos em um pedido e quase pulei de alegria quando a vi rir baixo, concordando.
Planejamos sair cedo na manhã do sábado, assim poderíamos aproveitar boa parte do dia, porém, uma série de contratempos fez com que conseguíssemos sair apenas depois do almoço e precisaríamos ficar para dormir, mas não perderíamos aula na segunda-feira. Fiz uma pequena mala com uma muda de roupas para o caso de uma pequena emergência, coloquei medicamentos e alguns produtos de higiene e sai do quarto, encontrando meus pais de pé na sala fitando-me com seriedade.– No máximo uma cerveja para não cortar o efeito dos remédios! - meu pai começou, sua voz engrossando em alguns tons. – A dona da pousada foi avisada sobre isso...– Tenham muito cuidado e não esqueçam de colocar protetor solar! - minha mãe completou em um tom um pouco mais sereno. – Se divirtam! Concordei com tudo balançando a cabeça e agradeci a confiança enquanto irrompia pela porta, encontrando meus três companheiros de viagem esperando-me em frente a um carro provavelmente dos pais de Mark, que estava sentado como
Depois do jantar maravilhoso que tivemos, nos reunimos ao redor da fogueira com algumas latinhas de refrigerante e começamos a contar algumas histórias de terror incentivados pelos uivos causados pelo vento. Como nenhum dos nativos da pequena ilha parecia estar por perto, logo as histórias enveredaram para um caminho mais polêmico, falando dos antigos sacrifícios feitos em agradecimento à fertilidade do ano.– Ouvi dizer que em noites como esta, de lua cheia, os espíritos dos sacrificados podiam ser ouvidos chorando... – Mark comentava surgindo com um fato novo de repente, o que não era nenhuma novidade em vista de que já demonstrara ser um amante do terror e não era incomum vê-lo carregando algum livro do gênero.– Está supondo que existiram sacrifícios humanos nesta região? - Gabriel questionou fitando-o, suas sobrancelhas franzidas como se achasse o comentário do outro um absurdo. – Nem sabemos se essas histórias de sacrifício são verdadeiras.Nenhum dos dois nascera na ilha, e como
Quando finalmente nossos pensamentos voltaram a funcionar normalmente e lembramos que estávamos praticamente no relento, deitados na área colocando em resto a recente gestante e eu, que ainda não havia me recuperado por completo, decidimos entrar na pousada, que para a nossa sorte, ainda estava com as portas da entrada abertas, mas o senhor Matos, que também parecia ser o segurança, nos olhava torto, então entramos quietinho e subimos para nossos quartos correspondentes.Como não estávamos com sono, tomamos um banho e ficamos alguns minutos sentadas na minha cama conversando sobre os novos planos da futura mamãe. Karen ainda parecia um tanto confusa em relação a isso, mas me explicou que começara a pesquisar sobre os cuidados que precisaria ter e planejava marcar seu primeiro pré-natal em algumas semanas. E, para a minha felicidade, sua tia estava ciente da gravidez e estava incentivando-a a fazer tudo corretamente e inclusive, havia sugerido que marcaria os exames assim que ela decidi
Provavelmente fiquei impressionada com as histórias antigas sobre sacrifícios humanos que conversávamos na praia, pois durante o sono tive sonhos perturbadores. Não era incomum ter pesadelos quando estava com meu emocional tão conturbado, porém, em nenhum momento da minha vida, havia sonhado com cenas tão aterrorizantes como aquelas.No último deles, Karen e eu, participávamos de um tipo de celebração, éramos espectadoras silenciosas, sentadas sobre nossos calcanhares e olhando curiosamente ao nosso redor onde grupos de pessoas formavam um círculo no chão de areia suja das cinzas de dezenas de fogueiras que já haviam sido feitas naquele mesmo local.Era uma casa pequena, mas que me parecia muito familiar, a luminosidade era pouca, fornecida apenas pelas lamparinas a óleo, dispostas nos cantos do cômodo, e imaginei que a falta de lâmpadas era proposital para tornar o ambiente mais místico. Meus olhos atentos, fitavam tudo ao redor com ansiedade, tentando descobrir onde estávamos. Basica
Fui acordada no dia seguinte com uma ligação da minha melhor amiga. Sentei-me na cama ainda um pouco atordoada e tentei entender do que se tratava, me surpreendendo ao descobrir que a conversa teve um resultado ainda pior do que imaginávamos. Karen fora expulsa de casa assim que explicou à mãe que planejava continuar com a gravidez, e depois disso, fizera uma pequena mala e se mudara para a casa da sogra que para a surpresa dos dois, amou a ideia de ser avó. Eu apenas ouvia todas aquelas informações, ficando impressionada, e no final, só pude suspirar de alívio com aquele desfecho.Assim que a ligação foi encerrada, levantei-me para fazer minha higiene matinal, mas antes mesmo de sair do quarto, meu celular tocou novamente em uma nova chamada. Era Gabriel quem ligava me chamando para fazer uma pesquisa na biblioteca. Inicialmente, tenho que admitir, não gostei da ideia pois teria que andar até o outro lado da cidade, mas pensar que além de poder sair um pouco, ainda poderia pesquisar s
Sendo honesta, não estava pronta para as informações que encontraria naquele diário, meu emocional ainda estava um pouco debilitado e depois de ler aqueles trechos, senti um forte aperto no peito, ergui meus olhos, fitando ao redor do quarto e pude imaginar vividamente todos os horrores que aquela moça havia passado no interior daquelas paredes.As descobertas eram chocantes, mas encaixavam-se lentamente dentro de um padrão compreensível. A mulher da parede, se chamava Elise e realmente viera do interior para trabalhar como babá das duas crianças da família, dois meninos gêmeos de seis anos de idade que pareciam a amar incondicionalmente. E apesar de ela adorar as crianças, temia muito o patriarca, a quem referia-se somente como Nodier.Inicialmente, ela falava dessas investidas, insegura, cogitando se eram ações apenas para causar ciúmes a esposa, ou se o homem realmente estava dando-lhe uma atenção pouco apropriada, como ela própria citava. Por um tempo, foram apenas estas situações
Depois de praticamente ser expulsos, retornamos à estrada e pedi a Gabriel que me levasse até o fim do vale, onde ficava o cais, de onde poderíamos ver o mar e as poucas cargas que chegavam de navio para abastecer o comércio da ilha. De todo o lugar, aquele era o único em que me sentia bem e conseguia refletir, era como se fosse meu porto seguro. Parei em frente ao despenhadeiro, notando como a água batia sobre as pedras e suspirei, sentindo minha cabeça se encher novamente de perguntas. Respirei fundo e decidi ler o que estava escrito no diário que a senhora nos entregou, voltei meus olhos a Gabriel, que acendia um cigarro, e ao me ver, o apagou rapidamente, sorrindo amarelo. – Não se preocupe! - murmurei lhe sorrindo de canto, o puxei para perto e lhe dei um selinho enquanto tentava pegar seu cigarro. – Acho que também preciso de um... – Mais nem foden*, seus pais me matam! - ele respondeu jogando o cigarro, que pouco queimou, no despenhadeiro.
Agachei-me na grama, procurando pela minha agenda dentro da bolsa e quando a encontrei, desenhei aquele símbolo, tentando deixar o mais parecido que pude. Mostrei para Gabriel e sorri meio sem graça por imaginar que estivesse mal feito por conta de ansiedade.– O que é isso? - ele questionou, claramente escondendo o riso, mas fitava atentamente os detalhes que tentei passar para a folha de papel.– Desculpe-me! Minha coordenação está meio ruim... – murmurei meio sem graça, apertando as mãos, notando que meu tique nervoso havia retornado.Em resposta, ele acenou positivamente, mostrando que suas brincadeiras eram apenas para tentar diminuir a pressão que recaia sobre nós. Olhou ao redor, observando as dezenas de pequenas pedras rúnicas e em seguida, começou a procurar pelo local, usando meu desenho torto como referência.Procuramos por um bom tempo, cansando nossas colunas pela constante envergadura em direção ao chão, e quando os últimos raios solares começaram a sumir no horizonte, fi