Capítulo 6
Rafael voltou para o escritório satisfeito com o andamento da reunião das nove, mas sua mente logo foi tomada pela preocupação. Por que diabos eu inventei essa mentira sobre meu pai ter uma esposa? Ele passou as mãos pelos cabelos, frustrado. Era simples: não queria Estela por perto, nunca mais. Mas agora precisava lidar com as consequências dessa história. Então, algo em sua mente se acendeu. Patrícia. A lembrança veio de repente. Ele se recordou da pessoa que havia indicado a jovem como enfermeira. Na ocasião, essa pessoa mencionou que Patrícia estava desesperada por um emprego para pagar o hospital onde o avô estava internado. Rafael pegou o telefone e ligou para seu contato, indo direto ao ponto: — O que o avô dela tem? Do outro lado da linha, houve um breve silêncio antes da resposta: — Está morrendo. Patrícia só quer diminuir o sofrimento dele. Rafael ficou em silêncio, digerindo a informação. Uma ideia começou a se formar em sua mente, algo que poderia resolver dois problemas ao mesmo tempo. Rafael decidiu que conversaria com Patrícia assim que chegasse na mansão. Por ora, deu o assunto por encerrado e olhou para o relógio. Ainda tinha outra reunião antes do almoço. Suspirando, voltou a se concentrar no trabalho. Precisava limpar a mesa o mais rápido possível para evitar acumular pendências para o dia seguinte. Enquanto isso… Patrícia deslizava as mãos delicadamente pelos ombros de Augusto Avelar. Aplicava uma leve pressão, tentando aliviar a rigidez dos músculos, mesmo sem saber se ele conseguia sentir. Ela queria acreditar que sim. — O senhor sempre recebia massagens, não é? — murmurou, lembrando do que ouvira na cozinha. — Espero que goste dessa também. Conforme descia pelos braços, notou algo que a fez parar por um instante. Poderia jurar que sentiu uma leve contração nos músculos. Foi imaginação dela ou ele realmente reagiu? Patrícia mordeu o lábio inferior e voltou a massageá-lo, agora descendo para os antebraços e mãos. Ela terminou a massagem e, mesmo relutante, decidiu tomar o desjejum. Precisava manter as forças para continuar cuidando de Augusto. Sentou-se à mesa e levou o copo de suco aos lábios, mas sua mente estava longe dali. Ela realmente tinha visto aquele movimento ou foi apenas sua imaginação? Se fosse real, significava que ele estava reagindo aos estímulos, e isso era uma grande esperança. Mas e se fosse apenas um reflexo involuntário? Suspirou, pegando um pedaço de mamão com o garfo. Ela precisava acreditar. Foi tirada de seus pensamentos pelo mordomo, que entrou no quarto com sua postura impecável. — Senhorita Patrícia, o grupo médico está a caminho. Devem chegar antes do almoço. Ela arregalou os olhos. — Tão cedo? — O senhor Rafael pediu urgência. Patrícia assentiu, sentindo o coração disparar. Era agora. Às onze em ponto, o grupo médico entrou no quarto. Cada movimento era meticulosamente calculado, como se todos soubessem que este momento era decisivo. Patrícia, vestida com seu jaleco branco, ficou ao lado da cama do senhor Avelar. Seus olhos estavam fixos nele, como se estivesse disposta a captar o menor sinal de movimento. Cada minuto parecia uma eternidade. O médico responsável, o Dr. Costa, aproximou-se da cama com uma expressão séria. Sua equipe seguiu-o com cuidado, preparando-se para os procedimentos finais. Ele observou o paciente por um momento, mexendo nos equipamentos e verificando os monitores. Após os exames, que parecia uma eternidade, ele olhou para ela, seu olhar cauteloso refletia um certo. — Senhora, o senhor Avelar não está mais em coma. Ele está dormindo, o quadro é estável. Podemos esperar que ele acorde a qualquer momento — disse o médico, com calma. Ela respirou fundo, sentindo um nó se desfazer em seu peito. — Ele vai acordar? — perguntou, a voz trêmula. — Sim, mas vamos precisar de cautela. A remoção das máquinas e da alimentação intravenosa é necessária, mas ainda precisamos monitorar cada detalhe. O despertar dele pode ser gradual — respondeu o Dr. Costa, com uma leve hesitação. — Vamos manter tudo sob controle. Com a confirmação do diagnóstico, a equipe iniciou a remoção das máquinas que o haviam mantido vivo durante todo aquele período angustiante. O som do "bip" das máquinas desapareceu aos poucos, e a maçã, que ele usava como sinal de alimentação intravenosa, foi cuidadosamente retirada. Ela não conseguia desviar os olhos do senhor Avelar. A cada segundo, ela esperava que ele abrisse os olhos, que os sinais de vida, ainda tímidos, se transformassem em um despertar pleno. Mas, por enquanto, ele continuava quieto, repousando como se estivesse simplesmente em um sono profundo. — Você vai acordar, senhor — sussurrou ela, segurando sua mão com mais força, como se sua presença fosse um farol para ele voltar à realidade. Os minutos seguintes foram silenciosos. Após acomodarem o senhor Avelar na cama e retirarem todos os equipamentos do quarto, Patrícia se viu sozinha com ele, observando-o de pé no meio do cômodo. A angústia da espera a consumia. Pegou o celular e ligou para o senhor Rafael, relatando tudo o que havia acontecido. Assim que desligou, o mordomo apareceu à porta, convidando-a para o almoço. Relutante, ela aceitou e saiu do quarto. No exato momento em que Patrícia atravessava a porta, Augusto franziu a sobrancelha, como se estivesse perdido em um sonho. Patrícia caminhou até a cozinha com passos apressados. Apesar da fome, sua mente estava inquieta, temendo que algo mudasse enquanto estivesse fora. O almoço já estava servido. Ela tentou se alimentar, mas cada garfada parecia insossa diante da preocupação que a consumia. O tempo parecia arrastar-se, e cada minuto longe do senhor Avelar era uma tortura. Assim que terminou o prato, recusou a sobremesa educadamente e se levantou. — A senhorita não quer descansar um pouco? — sugeriu o mordomo. — O senhor Avelar estará bem. — Eu prefiro voltar para o quarto dele. Qualquer mudança pode acontecer a qualquer momento. O mordomo suspirou, mas não insistiu. Patrícia saiu apressada, atravessando os corredores da mansão até alcançar a porta do quarto. Ao entrar, parou por um instante, prendendo a respiração. Augusto Avelar continuava imóvel, mas algo estava diferente. Seu rosto parecia menos rígido, e sua respiração mais profunda. Patrícia se aproximou e, instintivamente, pegou sua mão, apertando de leve. — Estou de volta… — murmurou, sentindo um aperto no peito. Ela se acomodou na poltrona ao lado da cama e segurou a outra mão dele entre as suas, aguardando. O tempo parecia se arrastar naquele quarto silencioso. Patrícia manteve-se atenta a qualquer mínimo movimento do senhor Avelar, mas. O dia passou devagar, entre pequenas tarefas, como ajeitar os travesseiros e refrescar o ambiente. Sempre que podia, falava com Augusto, contando-lhe sobre o noticiário ou qualquer assunto aleatório, na esperança de que ele a ouvisse. Até que voltou a ler. Quando o sol começou a se pôr, ela ouviu o som do motor de um carro se aproximando. Rafael estava de volta. Minutos depois, o mordomo apareceu na porta do quarto. — Senhorita Patrícia, o senhor Rafael pediu que a senhorita o encontre no escritório. Ela assentiu, lançando um último olhar para Augusto antes de sair. Seu coração acelerou um pouco. Embora soubesse que Rafael queria falar sobre o pai, a seriedade do pedido a deixou tensa. Ao chegar ao escritório, bateu levemente na porta entreaberta. — Com licença. Rafael ergueu os olhos dos papéis que folheava e indicou a cadeira à sua frente. — Entre, Patrícia. Sente-se. Ela obedeceu e cruzou as mãos sobre o colo, esperando. — Como ele passou o dia? — Rafael perguntou, recostando-se na cadeira. — Igual, mas… — Patrícia hesitou por um instante. — Hoje de manhã, achei que ele reagiu à massagem. Foi um movimento sutil, mas pode ter sido um reflexo involuntário. Rafael assentiu, pensativo. — Os médicos acham que há boas chances de ele despertar logo. Mas, enquanto isso… eu queria falar sobre outra coisa. Ela franziu o cenho. — Outra coisa? Ele respirou fundo e a encarou com seriedade. — Eu tenho uma proposta para você. Algo um pouco… incomum. Patrícia permaneceu em silêncio, intrigada, esperando que ele continuasse.Capítulo 7Rafael apoiou os cotovelos na mesa e entrelaçou os dedos, observando Patrícia com intensidade.- Sei que você está aqui porque precisa do trabalho - começou ele, sem rodeios. - Seu avô está doente e os custos hospitalares são altos.Patrícia sentiu um aperto no peito. Não esperava que ele soubesse sobre sua situação.- Sim - respondeu com cautela.Rafael assentiu, como se já esperasse aquela resposta.- Preciso que você aceite um acordo comigo.Ela franziu o cenho.- Que tipo de acordo?Ele respirou fundo antes de continuar:- Meu pai, Augusto Avelar, pode acordar a qualquer momento. Mas tem uma pessoa que não quero que se aproxime dele de jeito nenhum. E, para garantir isso, eu preciso que você finja ser... a esposa dele.O silêncio que se seguiu foi absoluto.Patrícia piscou, achando que tinha entendido errado.- O quê? - perguntou, boquiaberta.Rafael manteve a postura firme.- Sei que parece absurdo, mas essa mulher, Estela, não pode voltar para a vida do meu pai. Ele e
Capítulo 8Rafael assentiu com a cabeça, o sorriso se suavizando enquanto ele se preparava para sair do quarto.- Boa noite - disse ele, deu um último olhar para o pai e para ela antes de sair, deixando-os sozinhos. A porta se fechou silenciosamente atrás dele, deixando Patrícia sozinha no quarto com o futuro marido.Ela se aproximou da cama, sentindo um nó apertar em seu peito. A partir do dia seguinte, ele seria oficialmente seu marido, a realidade a envolveu de maneira suave. O silêncio no quarto era quase palpável, a única luz vindo da lâmpada ao lado da cama, iluminando suavemente os contornos dos objetos.Patrícia se deitou ao lado dele, sentindo a maciez dos lençóis, mas a sensação de desconforto ainda permanecia. Ela olhou para ele, observando os contornos de seu rosto, que agora parecia mais sereno, quase em paz.O cansaço parecia ter tomado conta de seu corpo, mas havia algo ali que ainda a fazia ficar acordada, perdida em pensamentos.Era difícil imaginar que, em apenas alg
Capítulo 9O dia transcorreu tranquilamente, e Patrícia tentou se acostumar com sua nova realidade. Agora que era oficialmente a senhora Avelar, guardou o jaleco e vestiu roupas comuns, algo mais confortável.Quando a fome começou a incomodá-la, desceu até a cozinha para pegar algo para comer. No entanto, assim que entrou, o mordomo a viu e imediatamente se aproximou, mantendo seu tom educado e respeitoso.— Senhora Avelar, permita-me acompanhá-la até a sala de jantar.Patrícia piscou, surpresa.— Ah… eu só ia pegar algo rápido…— Com todo respeito, senhora, agora sua posição nesta casa é diferente. A sala de jantar está pronta para recebê-la.Ela hesitou por um instante, ainda se sentindo deslocada com essa mudança repentina de status, mas logo cedeu e assentiu com um pequeno sorriso.— Tudo bem, então. Obrigada.O mordomo indicou o caminho e Patrícia o seguiu. Ao entrar na imponente sala de jantar, sentiu um leve frio na barriga. A mesa estava perfeitamente posta, e a louça refinada
Capítulo 10Após o jantar com o filho do marido Patrícia voltou para o quarto, ele havia se mexido novamente um braço estava perto do rosto.Ficou feliz, pois ele está quase despertando, se aproximou e sentou do lado dele.— Você precisa fazer a barba e cortar um pouco o cabelo... Não que assim não está lindo... Acredito que é lindo de qualquer jeito — falou afastando uma mexa do cabelo dele.O contato foi breve, mas suficiente para fazê-la sentir um pequeno arrepio percorrer sua pele.Patrícia rapidamente puxou a mão de volta, sentindo-se um pouco tola por esse gesto impulsivo. Ficou ali, apenas observando-o, sua respiração calma e estável, os lábios ligeiramente entreabertos.De repente, um pensamento lhe ocorreu.Eles não se beijaram.Não houve um beijo no casamento. Nenhuma troca simbólica que selasse aquela união inesperada.E agora? Como fariam?Seu olhar deslizou até os lábios dele.O coração acelerou ao considerar a possibilidade. O que aconteceria quando ele finalmente acorda
Capítulo 11Augusto respirou fundo, sentindo seu coração bater mais forte. Seu olhar voltou para a mulher adormecida ao seu lado. Aquele corpo delicado, mas cheio de curvas, mexia com algo dentro dele. Mas quem era ela?Ele estendeu a mão hesitante, afastando devagar os cabelos que cobriam o rosto dela. Assim que seus dedos roçaram sua pele macia, ela se remexeu levemente, soltando um pequeno suspiro antes de se virar na cama.Foi então que ele finalmente viu o rosto dela.Seus olhos se estreitaram. Ela não lhe era familiar. Quem era aquela mulher?Antes que pudesse formular mais perguntas, um estalo veio à sua mente: e se ele realmente tivesse perdido a memória de algo importante?Sentindo um aperto no peito, tentou puxar alguma lembrança recente, mas sua mente era um borrão.Foi nesse momento que a mulher abriu os olhos devagar, piscando algumas vezes antes de focá-lo. O susto estampou-se em seu rosto.— Você… acordou? — a voz dela soou trêmula, quase um sussurro.Ele permaneceu em
Capítulo 12Augusto sentiu o coração bater mais forte, como se cada batida ecoasse no silêncio do quarto. Seus dedos, que antes hesitavam, agora deslizavam suavemente pela pele dela, como se temessem quebrar algo frágil e precioso. Ele não era um homem de muitos romances, nem de envolvimentos passageiros. Sua vida sempre fora regida por uma certa distância emocional, uma barreira que ele mesmo construíra para se proteger. Mas ali, naquele momento, com aquela mulher de olhos profundos e voz suave, ele sentia algo diferente. Algo que o fazia questionar todas as suas certezas.— Você é real? — ele sussurrou, sua voz quase sumindo no ar pesado entre eles. A pergunta saiu involuntária, como se ele ainda não conseguisse acreditar que aquilo não era um sonho.Ela olhou para ele, seus olhos brilhando com ternura e algo mais profundo, algo que ele não conseguia nomear.— Eu sou real — ela respondeu, sua voz tão suave quanto o toque de seus dedos ao roçar o rosto dele. — E você também é.Ele fe
Capítulo 13Do outro lado da porta do quarto, o mordomo, um homem de meia-idade com postura impecável e expressão sempre serena, passava pelo corredor carregando uma bandeja com chá e biscoitos. Ele havia sido encarregado de verificar se o patrão Rafael precisava de algo, como fazia todas as noites. No entanto, ao se aproximar da porta, ele ouviu algo que o fez parar abruptamente.Um grito suave, seguido de um gemido profundo e intenso, ecoou do quarto. O mordomo piscou várias vezes, como se tentasse processar o que acabara de escutar. Suas sobrancelhas se ergueram, e uma expressão de surpresa e confusão tomou conta de seu rosto normalmente impassível.— Meu Deus... — ele murmurou para si mesmo, segurando a bandeja com mais firmeza, como se precisasse de algo para se apoiar. — Será que ele acordou?Por um momento, o mordomo ficou paralisado, sua mente trabalhando rapidamente para entender a situação. Se o patrão pai havia acordado, isso era uma notícia extraordinária.Preocupado e cur
Capítulo 14Patrícia sentia cada centímetro de Augusto entrando e saindo dela, seus movimentos ritmados e precisos, como se ele conhecesse cada curva do seu corpo melhor do que ela mesma. Seus lábios pareciam ter vida própria, incapazes de se conter, deixando escapar gemidos que ecoavam pelo quarto, misturando-se à respiração ofegante de ambos. "Que homem gostoso... que pau gostoso...", o pensamento passou pela mente dela, embora ela mal conseguisse formular palavras naquele momento. Tudo o que ela sentia era ele, o calor, a intensidade.- Ahh... Ahh... - ela gemeu, suas mãos agarrando-se às costas dele, as unhas cravando-se levemente em sua pele, como se precisasse de algo para se segurar.Augusto, com os olhos fixos nela, observando cada reação, cada tremor, cada suspiro, sorriu satisfeito. Ele se inclinou sobre ela, seus lábios próximos ao seu ouvido, e sussurrou com a voz rouca e carregada de promessas:- Goza de novo pra mim, pequena... quero te sentir toda molhada...As palavra