Capítulo 15Patrícia voltou para o quarto com passos leves, ainda carregando a leve dor no corpo que a noite anterior havia deixado. Quando abriu a porta, encontrou Augusto sentado na cama, as mãos segurando a cabeça, os olhos fechados e a expressão confusa. Ele parecia estar lutando para entender algo, como se estivesse tentando juntar os pedaços de um quebra-cabeça que não fazia sentido.- Augusto... - ela chamou, sua voz suave, quase como se estivesse tentando não assustá-lo. - Você está bem?Ele abriu os olhos lentamente, olhou para ela, perplexo. A dor de cabeça ainda latejava em suas têmporas, mas algo na presença dela parecia acalmá-lo, mesmo que ele não conseguisse entender exatamente por quê.- Onde estou? - ele perguntou, sua voz rouca, cheia de confusão. - Por que minha cabeça dói tanto? E por que... por que não consigo me levantar?Patrícia se aproximou dele, sentando-se na beirada da cama com cuidado. Ela olhou para ele, com um olhar preocupado, mas também de uma ternura
Capítulo 16Patrícia deixou o escritório com um sorriso discreto nos lábios, ainda emocionada com a cena que acabara de testemunhar entre Augusto e Rafael. O estômago roncou levemente, lembrando-a de que havia acordado faminta. Decidiu então ir até a cozinha para ver se encontrava algo rápido para comer.Ao entrar, cumprimentou os funcionários com um aceno de cabeça e um sorriso amigável. Eles retribuíram o cumprimento, mas continuaram focados em suas tarefas. Patrícia se dirigiu à geladeira, abrindo-a para ver se havia algo pronto. Seus olhos pousaram em um pote transparente com tampa, cheio de lanches naturais, sanduíches leves e wraps frescos, provavelmente preparados para o lanche da tarde.Ela pegou o pote, virando-se para a cozinheira, que estava de costas, ocupada com outra tarefa.— Isso aqui está sendo guardado para o lanche da tarde? — perguntou Patrícia, segurando o pote.A cozinheira se virou rapidamente, surpresa ao ver a senhora da casa na cozinha. Ela limpou as mãos no
Capítulo 17Augusto sentou-se na cadeira do escritório, colocando as muletas de lado com um movimento cuidadoso. Ele cruzou os braços, seus olhos fixos em Rafael, que estava sentado à sua frente. Havia uma determinação em seu olhar, uma necessidade de respostas que não podia ser ignorada.— Eu preciso saber o que aconteceu comigo — Augusto disse, sua voz estava firme e vulnerável.Rafael suspirou profundamente, sabendo que aquela seria uma conversa longa e emocionalmente pesada. Ele começou a explicar tudo, desde o acidente que deixou Augusto em coma, até os meses de incerteza e os esforços para mantê-lo estável. Falou sobre as decisões difíceis que teve que tomar, sobre como assumiu as rédeas dos negócios da família e sobre a esperança que nunca deixou morrer, mesmo nos momentos mais sombrios.Augusto ouviu atentamente, sua expressão séria, mas cheia de compreensão. Ele sabia que Rafael havia passado por muito, sentiu orgulho e tristeza ao ouvir o relato do filho. Quando Rafael termi
Capítulo 18Augusto pegou as muletas e se levantou com um suspiro pesado. Ele sabia que precisava conversar com Patrícia, mas a ideia de ter que explicar tudo o que estava sentindo, e a decisão que havia tomado, o deixava ansioso. Mesmo assim, ele sabia que não podia adiar. Era preciso ser honesto com ela, por mais difícil que fosse.Ele saiu do escritório e se dirigiu ao quarto que compartilhavam, mas ao abrir a porta, percebeu que ela não estava lá. O quarto estava vazio, a cama arrumada e o silêncio tomando conta do ambiente. Augusto franziu a testa. Onde ela estaria?Decidido a encontrá-la, ele se dirigiu ao quarto de hóspedes, onde Patrícia havia se instalado temporariamente enquanto ele se recuperava. Ao chegar à porta, ele bateu levemente, mas não houve resposta. Com um suspiro, ele abriu a porta lentamente.Patrícia estava lá, de costas para a porta, segurando uma toalha que acabara de tirar. Ela estava completamente nua, e o som da porta se abrindo a fez se virar rapidamente,
Capítulo 19Augusto caminhou pelo hall, parando ao pé da escada. Inspirou fundo antes de começar a subida. Seus músculos ainda estavam rígidos, e cada degrau exigia esforço, mas ele não se permitiu hesitar. Passo após passo, alcançou o topo e seguiu pelo corredor até seu quarto.Ao entrar, seus olhos percorreram o ambiente familiar. Tudo estava do jeito que se lembrava, mas parecia diferente. Talvez porque ele próprio estivesse diferente.Dirigiu-se ao closet e parou diante do enorme espelho que cobria a parede de ponta a ponta. Observou seu reflexo com atenção. O rosto estava cansado, marcado pela barba crescida e pelos cabelos mais longos do que jamais permitiu. Ele parecia mais velho do que realmente era.— Pelo visto, Rafael esteve cuidando disso enquanto estava em coma... — murmurou para si mesmo, passando a mão pelo rosto áspero.Virou-se e voltou para o quarto, pegando o interfone.— Richard, arrume o quarto que eu costumava usar. Voltarei a dormir lá.— Sim, senhor. Farei isso
Capítulo 20Patrícia seguiu em direção à sala de jantar, sentindo cada passo que dava, especialmente porque sabia que Augusto estava logo atrás dela. A presença dele era intensa, quase palpável. Seu corpo ficou levemente tenso com a proximidade, e ela teve que se concentrar para não demonstrar nada.Augusto, por sua vez, não desviava o olhar. Seus olhos desceram pelas costas dela até o quadril, e ele precisou segurar a língua para não fazer um comentário impulsivo. Não tinha reparado antes no quanto o corpo dela era bem proporcionado, principalmente aquela curva perfeita que agora se movia à sua frente. Será que ela malhava para manter toda aquela formosura? A ideia o fez sorrir de lado.Patrícia, sem precisar olhar para trás, sabia que ele a observava. Sentia a intensidade do olhar dele queimando em sua pele. Sua mente, no entanto, estava focada em outra coisa: Augusto estava absurdamente lindo. O corte social e a barba bem feita o deixaram com uma aparência mais jovem, como se tives
Capítulo 21O jantar seguia tranquilo até que Richard, o mordomo, apareceu para inspecionar os últimos detalhes e ajudar a servir a sobremesa. Patrícia escolheu um bavarois de chocolate, e Augusto, distraído, passou alguns segundos observando-a comer.Os lábios dela se fechavam suavemente ao redor da colher, e um pequeno suspiro de satisfação escapou quando o sabor rico do chocolate derreteu em sua boca. A cena era tão natural e ao mesmo tempo tão... provocante, que ele se pegou encarando-a sem perceber.Então, sem realmente pensar, simplesmente disse:— Richard, arrume o quarto ao lado do meu para minha esposa. O que tem ligação entre os dois.O silêncio caiu sobre a mesa.Patrícia congelou no meio de um movimento, os olhos arregalados. Rafael, que bebia um gole de vinho, quase engasgou. O próprio Augusto demorou um segundo para perceber o que tinha acabado de falar.— Agora mesmo, senhor — respondeu Richard prontamente, sem questionar a ordem.Augusto pigarreou, tentando se recompor
Capítulo 22Na manhã seguinte, Patrícia acordou com a luz suave do sol entrando pelas cortinas entreabertas. Piscou algumas vezes, sentindo o corpo preguiçoso e a mente ainda confusa pelos eventos da noite anterior. O beijo de Augusto ainda estava fresco em sua memória, assim como o calor que percorreu seu corpo ao sentir a intensidade dele.Suspirando, afastou os lençóis e se levantou. Não podia perder tempo pensando naquilo. Tinha um compromisso com ele, e não pretendia chegar atrasada. Seguiu para o banheiro, onde tomou um banho rápido e vestiu uma roupa confortável, calça jeans e uma blusa de seda azul. Prendeu os cabelos em um coque baixo e finalizou com um perfume suave.No quarto ao lado, Augusto já estava acordado há algum tempo. Seu sono fora leve, perturbado por pensamentos conflitantes sobre Patrícia e o que havia acontecido entre eles. Tentava se convencer de que o beijo foi apenas um momento de fraqueza, um reflexo da carência que sentia após tanto tempo isolado.Ele se l