Capítulo 17Augusto sentou-se na cadeira do escritório, colocando as muletas de lado com um movimento cuidadoso. Ele cruzou os braços, seus olhos fixos em Rafael, que estava sentado à sua frente. Havia uma determinação em seu olhar, uma necessidade de respostas que não podia ser ignorada.— Eu preciso saber o que aconteceu comigo — Augusto disse, sua voz estava firme e vulnerável.Rafael suspirou profundamente, sabendo que aquela seria uma conversa longa e emocionalmente pesada. Ele começou a explicar tudo, desde o acidente que deixou Augusto em coma, até os meses de incerteza e os esforços para mantê-lo estável. Falou sobre as decisões difíceis que teve que tomar, sobre como assumiu as rédeas dos negócios da família e sobre a esperança que nunca deixou morrer, mesmo nos momentos mais sombrios.Augusto ouviu atentamente, sua expressão séria, mas cheia de compreensão. Ele sabia que Rafael havia passado por muito, sentiu orgulho e tristeza ao ouvir o relato do filho. Quando Rafael termi
Capítulo 18Augusto pegou as muletas e se levantou com um suspiro pesado. Ele sabia que precisava conversar com Patrícia, mas a ideia de ter que explicar tudo o que estava sentindo, e a decisão que havia tomado, o deixava ansioso. Mesmo assim, ele sabia que não podia adiar. Era preciso ser honesto com ela, por mais difícil que fosse.Ele saiu do escritório e se dirigiu ao quarto que compartilhavam, mas ao abrir a porta, percebeu que ela não estava lá. O quarto estava vazio, a cama arrumada e o silêncio tomando conta do ambiente. Augusto franziu a testa. Onde ela estaria?Decidido a encontrá-la, ele se dirigiu ao quarto de hóspedes, onde Patrícia havia se instalado temporariamente enquanto ele se recuperava. Ao chegar à porta, ele bateu levemente, mas não houve resposta. Com um suspiro, ele abriu a porta lentamente.Patrícia estava lá, de costas para a porta, segurando uma toalha que acabara de tirar. Ela estava completamente nua, e o som da porta se abrindo a fez se virar rapidamente,
Capítulo 19Augusto caminhou pelo hall, parando ao pé da escada. Inspirou fundo antes de começar a subida. Seus músculos ainda estavam rígidos, e cada degrau exigia esforço, mas ele não se permitiu hesitar. Passo após passo, alcançou o topo e seguiu pelo corredor até seu quarto.Ao entrar, seus olhos percorreram o ambiente familiar. Tudo estava do jeito que se lembrava, mas parecia diferente. Talvez porque ele próprio estivesse diferente.Dirigiu-se ao closet e parou diante do enorme espelho que cobria a parede de ponta a ponta. Observou seu reflexo com atenção. O rosto estava cansado, marcado pela barba crescida e pelos cabelos mais longos do que jamais permitiu. Ele parecia mais velho do que realmente era.— Pelo visto, Rafael esteve cuidando disso enquanto estava em coma... — murmurou para si mesmo, passando a mão pelo rosto áspero.Virou-se e voltou para o quarto, pegando o interfone.— Richard, arrume o quarto que eu costumava usar. Voltarei a dormir lá.— Sim, senhor. Farei isso
Capítulo 20Patrícia seguiu em direção à sala de jantar, sentindo cada passo que dava, especialmente porque sabia que Augusto estava logo atrás dela. A presença dele era intensa, quase palpável. Seu corpo ficou levemente tenso com a proximidade, e ela teve que se concentrar para não demonstrar nada.Augusto, por sua vez, não desviava o olhar. Seus olhos desceram pelas costas dela até o quadril, e ele precisou segurar a língua para não fazer um comentário impulsivo. Não tinha reparado antes no quanto o corpo dela era bem proporcionado, principalmente aquela curva perfeita que agora se movia à sua frente. Será que ela malhava para manter toda aquela formosura? A ideia o fez sorrir de lado.Patrícia, sem precisar olhar para trás, sabia que ele a observava. Sentia a intensidade do olhar dele queimando em sua pele. Sua mente, no entanto, estava focada em outra coisa: Augusto estava absurdamente lindo. O corte social e a barba bem feita o deixaram com uma aparência mais jovem, como se tives
Capítulo 21O jantar seguia tranquilo até que Richard, o mordomo, apareceu para inspecionar os últimos detalhes e ajudar a servir a sobremesa. Patrícia escolheu um bavarois de chocolate, e Augusto, distraído, passou alguns segundos observando-a comer.Os lábios dela se fechavam suavemente ao redor da colher, e um pequeno suspiro de satisfação escapou quando o sabor rico do chocolate derreteu em sua boca. A cena era tão natural e ao mesmo tempo tão... provocante, que ele se pegou encarando-a sem perceber.Então, sem realmente pensar, simplesmente disse:— Richard, arrume o quarto ao lado do meu para minha esposa. O que tem ligação entre os dois.O silêncio caiu sobre a mesa.Patrícia congelou no meio de um movimento, os olhos arregalados. Rafael, que bebia um gole de vinho, quase engasgou. O próprio Augusto demorou um segundo para perceber o que tinha acabado de falar.— Agora mesmo, senhor — respondeu Richard prontamente, sem questionar a ordem.Augusto pigarreou, tentando se recompor
Capítulo 22Na manhã seguinte, Patrícia acordou com a luz suave do sol entrando pelas cortinas entreabertas. Piscou algumas vezes, sentindo o corpo preguiçoso e a mente ainda confusa pelos eventos da noite anterior. O beijo de Augusto ainda estava fresco em sua memória, assim como o calor que percorreu seu corpo ao sentir a intensidade dele.Suspirando, afastou os lençóis e se levantou. Não podia perder tempo pensando naquilo. Tinha um compromisso com ele, e não pretendia chegar atrasada. Seguiu para o banheiro, onde tomou um banho rápido e vestiu uma roupa confortável, calça jeans e uma blusa de seda azul. Prendeu os cabelos em um coque baixo e finalizou com um perfume suave.No quarto ao lado, Augusto já estava acordado há algum tempo. Seu sono fora leve, perturbado por pensamentos conflitantes sobre Patrícia e o que havia acontecido entre eles. Tentava se convencer de que o beijo foi apenas um momento de fraqueza, um reflexo da carência que sentia após tanto tempo isolado.Ele se l
Capítulo 23Após tomar um banho e se vestir, o casal acabou se encontrando na sala de estar. Patrícia ficou surpresa ao vê-lo ali, já que nos últimos dois dias Augusto passava as tardes no escritório.Ele entrou com passos mais firmes, segurando a bengala com naturalidade. Patrícia observou satisfeita o progresso dele em tão pouco tempo. Seu trabalho estava dando resultado.Augusto a cumprimentou com um aceno discreto e seguiu até o bar para preparar um drink. Ela não disse nada, embora soubesse que o médico havia recomendado moderação no álcool. Como ele nunca exagerava, preferiu não intervir.— Você é uma caixinha de surpresas, Pequeno Tesouro.Patrícia arqueou uma sobrancelha.— Por que diz isso?Ele colocou uma pedra de gelo no whisky e girou o líquido no copo antes de responder:— De enfermeira para fisioterapeuta… Como consegue ser tão profissional em tantas áreas?Ela sorriu levemente, pegando uma almofada no sofá e a ajeitando no colo.— É simples. Sempre ajudei meu avô. As ma
Capítulo 24Na manhã seguinte, Patrícia já estava pronta na academia da mansão quando Augusto entrou, vestindo uma camiseta de treino e calça esportiva. Seu andar estava mais firme, mas ainda dependia da bengala. Ela notou que, com os treinos diários, ele já demonstrava sinais de melhora, e isso a deixava satisfeita.— Pronto para mais um dia produtivo? — ela perguntou com um sorriso desafiador.Ele bufou levemente, ajustando a postura.— Desde que você não me faça correr uma maratona, pequeno tesouro.Ela riu e se aproximou, entregando-lhe um par de halteres leves.— Vamos começar com um pouco de resistência. Apenas algumas repetições.Augusto aceitou os pesos e começou a levantá-los conforme a orientação dela. No início, estava tudo bem, mas depois de uma série de exercícios, seu corpo começou a demonstrar sinais de exaustão. O suor escorria por sua testa, e a respiração estava pesada.— Acho que já deu por hoje — ele disse, tentando disfarçar o cansaço ao colocar os pesos no chão.