Milena passou a noite em um dos quartos da mansão. Ela começou a se remexer e suar em cima da cama, agarrando o lençol com força, enquanto as lembranças amargas invadiam seus sonhos. Seu coração disparava com as memórias daquela noite cruel. A dor de ter seu filho arrancado de seus braços consumia seu corpo completamente. Milena finalmente despertou assustada e gritou: — Não!... — Meu filho não... Por favor, devolve o meu bebê. — Exclamou, não muito alto, mas o suficiente para expressar a dor que estava sentindo. — Meu pequeno... Cadê você? Ela se levantou da cama, sentindo uma pontada no coração. Abriu a porta do quarto e saiu, em direção ao quarto de Andrew. Ainda com os olhos marejados, Milena deu leves passos em direção ao pequeno berço do bebê. Quando chegou bem perto dele, tocou seu rosto com carinho e ternura. Uma lágrima solitária escapou de seu rosto novamente. Ela a enxugou com uma das mãos, colocou os longos cabelos para trás e depois deu um beijo no rosto do menino
Milena continuou sorrindo, mas seu sorriso carregava uma mistura de nervosismo e ternura. As palavras de Dominic ecoavam em sua mente como uma melodia inesperada. Ela jamais imaginou que ele pudesse ser tão vulnerável, tão carinhoso. Era como se uma nova faceta de Dominic surgisse diante dela, uma que ela ainda não conhecia completamente, mas que aquecia seu coração. Ela fixou o olhar nos profundos olhos dele, sentindo o impacto do momento. Seus próprios olhos cintilaram com um brilho de emoção contida, enquanto sua respiração acelerava levemente, refletindo o turbilhão que sentia em seu peito. Com uma mão trêmula, Milena segurou a barra do vestido, buscando uma âncora para a torrente de emoções.— Eu... — murmurou ela, a voz saindo num fio hesitante, quase inaudível. Fechou os olhos por um breve instante, como quem buscava coragem para continuar. Ao abri-los, soltou um pequeno suspiro. — Obrigada... Você também tem um sorriso lindo... Dom. Dominic não conteve um leve sorriso. Era u
Milena Roald, uma jovem de 20 anos, cresceu seguindo fielmente os costumes do pai, Leonardo, um homem religioso que tem costumes absurdos. Isso nunca foi um problema para Milena, até chegar em sua adolescência, onde ela via suas amigas com roupas modernas e bonitas, tendo os melhores celulares podendo ir e vir sem ser castigadas pelos pais.Com muito custo ela conseguiu terminar seus estudos, seu pai a levava para escola e quando dava o horário ele estava de prontidão a esperando no fim da aula. Milena mal conseguia respirar sem ter os olhos do pai em cima dela, fazendo assim ela ter dificuldades para encontrar um amigo ou até mesmo alguém para amar.Leonardo vinha tendo muitos problemas financeiros, onde permitiu Milena a trabalhar numa respeitada empresa. Todo o dinheiro era entregue para o pai, que dizia que ela não precisava dele, pois sua religião não permitia vaidade.Em uma noite de insônia, Milena sai do seu quarto. Ao caminhar em direção à cozinha o cheiro de café recém-pass
Milena e Rafaella saíram para o barzinho, e o lugar estava em seu auge. O som pulsante da música eletrônica preenchia o ambiente, as luzes multicoloridas piscavam em um ritmo hipnotizante, refletindo-se nos rostos suados de quem dançava. O cheiro agridoce de drinques misturava-se ao perfume das pessoas. A beleza das duas amigas era notável, como se um holofote as seguisse onde quer que fossem. Olhares curiosos as acompanhavam, alguns discretos, outros mais ousados, mas elas pareciam imersas na própria bolha de diversão.Depois de alguns goles em seus drinques, Rafaella puxou Milena para a pista de dança. As risadas delas se misturavam à batida da música. Milena, que até então hesitava em se soltar, começou a se deixar levar. Seus movimentos tornaram-se mais fluidos, seus braços erguidos capturavam a luz intermitente. Havia um sorriso em seu rosto que era raro e precioso, carregado de uma felicidade genuína.— Estou me divertindo tanto! — exclamou Milena, sobrepondo sua voz à música, s
A luz solar entrava pela janela, inundando o quarto com um brilho dourado que anunciava um dia ensolarado. Milena abriu os olhos lentamente, a luz intensa invadindo seu campo de visão como uma lâmina afiada. Sua cabeça latejava, cada batida pulsante ecoando dolorosamente em sua mente. Ela olhou ao redor, desorientada, tentando se familiarizar com o ambiente estranho.O quarto era simples, mas elegante. Cortinas brancas ondulavam suavemente na brisa, criando sombras dançantes nas paredes. Um quadro moderno, com cores vibrantes, adornava a parede oposta. O lençol branco, macio como seda, cobria seu corpo nu, e seus dedos deslizaram sobre a textura fria, enviando arrepios pela sua espinha.Milena levantou a cabeça lentamente, esforçando-se para lembrar da noite anterior. Mas sua mente estava um vazio absoluto. O homem ao seu lado respirava profundamente, seu peito subindo e descendo em um ritmo constante e tranquilizador. O pânico começou a crescer dentro dela. Seus olhos varreram o quar
Um dia depois que Milena deu à luz, do outro lado da cidade, em um bairro nobre de São Paulo, adentrando uma bela mansão, estava Dominic. Ele era um homem de 26 anos, alto, com cabelos claros, olhos azuis penetrantes e uma aparência impecável. Dominic era um milionário, um grande empresário e CEO de uma das maiores empresas do país. Apesar de sua riqueza e sucesso, ele era um homem profundamente solitário. Dominic já havia sido casado. Por alguns anos, ele compartilhou sua vida com uma mulher por quem tinha grande afeição. Ela era brilhante e ambiciosa, traçando um caminho claro em sua carreira. No entanto, essas ambições acabaram distanciando os dois. Ela decidiu seguir sua carreira acima de tudo, e, inevitavelmente, o casamento chegou ao fim quando ela pediu o divórcio. Dominic lutou para salvar a relação, mas não conseguiu convencê-la a ficar. A separação o deixou em uma tristeza avassaladora, e o sentimento de abandono tornou-se um peso constante em sua vida. Desde então, ele se
Enquanto Dominic olhava para o pequeno ser em seus braços com carinho, seu avô, Sr. George, caminhou lentamente até a estante de vidro. O ambiente estava silencioso, exceto pelo leve som do vento batendo nas janelas da imponente mansão. Sr George pegou o celular com mãos trêmulas e acionou a polícia para iniciar uma rápida investigação sobre quem poderia ter deixado a criança na porta. A preocupação estava estampada em seu rosto enrugado.Após a ligação, não demorou muito para que a polícia chegasse. Os policiais, vestidos em uniformes impecáveis, começaram a checar as câmeras de segurança, incluindo a principal, que ficava perto da entrada da mansão. No entanto, para a frustração de todos, não encontraram nada. Dominic, inquieto, começou a andar de um lado para o outro, seus passos ecoando pelo chão de mármore.Dominic entrou em seu quarto, o ambiente decorado com móveis elegantes e uma leve fragrância de madeira polida. Ele vestiu uma roupa elegante, ajustando a gravata com mãos fir
O coração de Rafaella batia descontroladamente, enquanto suas mãos suavam frio. Ela deitou Milena com cuidado sobre o sofá velho e desgastado da sala, cujas almofadas estavam desbotadas pelo tempo. A luz fraca da lâmpada pendurada no teto lançava sombras inquietantes nas paredes. Rafaella correu para a cozinha, tropeçando nos móveis, em busca de um pano molhado. Ao encontrar o pano, ela o molhou rapidamente na pia, sentindo a água gelada escorrer por seus dedos trêmulos. Voltou apressada para a sala e se ajoelhou ao lado da amiga, começando a passar o pano úmido sobre o rosto pálido de Milena. Enquanto fazia isso, lágrimas silenciosas escorriam por seu rosto, e ela sussurrava para si mesma:— Oh, minha amiga... Quem fez isso com você? — Murmurou, sentindo uma dor aguda no peito. — Você vai ficar bem logo, eu prometo...Milena começou a recobrar a consciência, sentindo o frescor do pano úmido em sua pele. Seus olhos se abriram lentamente, e ela olhou para Rafaella com um olhar perdido