A babá do milionário: destinos entrelaçados.
A babá do milionário: destinos entrelaçados.
Por: Lira
Capítulo 1

Milena Roald, uma jovem de 20 anos, cresceu seguindo fielmente os costumes do pai, Leonardo, um homem religioso que tem costumes absurdos. Isso nunca foi um problema para Milena, até chegar em sua adolescência, onde ela via suas amigas com roupas modernas e bonitas, tendo os melhores celulares podendo ir e vir sem ser castigadas pelos pais.

Com muito custo ela conseguiu terminar seus estudos, seu pai a levava para escola e quando dava o horário ele estava de prontidão a esperando no fim da aula. Milena mal conseguia respirar sem ter os olhos do pai em cima dela, fazendo assim ela ter dificuldades para encontrar um amigo ou até mesmo alguém para amar.

Leonardo vinha tendo muitos problemas financeiros, onde permitiu Milena a trabalhar numa respeitada empresa. Todo o dinheiro era entregue para o pai, que dizia que ela não precisava dele, pois sua religião não permitia vaidade.

Em uma noite de insônia, Milena sai do seu quarto. Ao caminhar em direção à cozinha o cheiro de café recém-passado misturava-se à tensão que parecia sempre pairar naquele espaço, especialmente quando seu pai, Leonardo, estava presente. Ele estava inclinado sobre o balcão, mexendo distraidamente em uma xícara com uma colher, sua expressão fechada e pensativa.

Milena entrou na cozinha com passos hesitantes. Ela vestia uma camisa de mangas curtas, algo simples, mas que já seria motivo para julgamento. Ao avistá-la, Leonardo ergueu o olhar, e a desaprovação imediata refletiu-se em suas sobrancelhas franzidas e na tensão em sua mandíbula.

— Você não vai sair assim, não é, Milena? — perguntou ele, com uma voz firme e cortante, enquanto repousava a colher com um barulho seco sobre o balcão. Seus olhos analisavam cada detalhe das mangas da camisa da filha, como se fossem um insulto direto à sua autoridade.

Milena parou, surpresa pela hostilidade repentina, e apertou a bolsa contra o peito como se fosse um escudo. Engoliu em seco, sentindo uma onda de frustração e cansaço acumulados subir à sua garganta. Olhou para suas mangas, tentando ignorar o calor que subia por seu rosto, resultado tanto da vergonha quanto da raiva.

— Isso foi o melhor que você encontrou em seu guarda-roupa? — continuou ele, a voz carregada de ironia. A cozinha parecia ainda menor diante do peso do julgamento, como se as paredes se fechassem ao redor dela.

Ela levantou o olhar lentamente, encarando-o. Seus olhos, que costumavam transmitir uma certa submissão, agora estavam cheios de mágoa e indignação. Sua voz saiu baixa, mas firme.

— Por que não? Estou bem assim. — Milena respondeu, tentando disfarçar o tremor em suas mãos enquanto segurava a bolsa. — Está fazendo muito calor. Já não basta ter que usar essas saias?… — Ela segurou a barra da saia com um movimento abrupto. — Essas coisas parecem mais vestimentas de freiras! — disparou, sua voz carregada de cansaço e revolta acumulados.

Leonardo bufou, cruzando os braços, o rosto transformado por uma expressão de ultraje. Ele abriu a boca para falar, mas hesitou, como se tentasse escolher as palavras com cuidado. Um lampejo de raiva contida passou por seu rosto.

— Você parece uma... uma... — gaguejou ele, procurando por algo suficientemente condenador. Sua mão tremia levemente, mas seus olhos não desviavam dela.

Milena deu um passo à frente, aproximando-se do pai como se desafiasse o espaço entre eles. Seu pescoço esticou para encará-lo ainda mais diretamente, e sua voz saiu carregada de sarcasmo e dor.

— O que, pai? Uma prostituta? — perguntou ela, com as palavras cuspidas como um veneno. Sua voz tremeu, mas ela não recuou. — É isso que você quer dizer? — Sua respiração estava pesada, e seu peito subia e descia em um ritmo rápido.

Leonardo arregalou os olhos brevemente, mas logo voltou à expressão severa. Ele levantou o dedo, apontando para ela como se estivesse prestes a repreendê-la com ainda mais força.

— Milena, não fale assim! Sou o seu pai! — exclamou, com a voz cortante. O dedo trêmulo indicava tanto autoridade quanto nervosismo. — Você sabe que o diabo está te usando para mostrar seu corpo. — Sua voz tornou-se um pouco mais baixa, mas não menos impositiva. — Eu só quero o melhor para você. No quer se tornar uma mulher leviana igual a sua mãe, não é? — Ele inclinou-se levemente para frente, tentando usar a mesma manipulação de sempre, mas algo em seu olhar parecia menos seguro do que de costume.

Milena ficou imóvel por alguns segundos, as palavras do pai ecoando em sua mente como um trovão. Seus olhos encheram-se de lágrimas, mas ela se recusou a deixá-las cair. Suas mãos se apertaram com tanta força na bolsa que os nós dos dedos ficaram brancos.

— O melhor para mim? — repetiu Milena, a voz carregada de dor, quase um sussurro engasgado. Seu peito subia e descia irregularmente, enquanto ela apertava a bolsa com força contra o corpo. — Pai, você nem me conhece! — A frustração e mágoa transbordavam em cada palavra, os olhos dela brilhando com lágrimas que teimavam em não cair. — Não consegue ver que eu não sou igual à mulher que te traiu e me abandonou?

Milena parou por alguns segundos e continuou, a voz oscilando entre raiva e desespero. Ela balançou a cabeça devagar, quase incrédula, e deixou escapar uma risada curta e triste.

— Tudo o que você quer é me apagar!

As palavras ecoaram na cozinha, como um trovão em um ambiente sufocado pelo silêncio tenso. Leonardo tentou reagir, sua boca se movendo em um esforço para articular algo, mas nada saiu. Por um momento, ele pareceu pequeno, desarmado pela explosão da filha. A mão dele, que segurava o cabo da xícara, tremia levemente, mas seu semblante rapidamente se fechou em uma máscara de irritação.

Milena não esperou por uma resposta. O peso no peito era insuportável, e antes que seu pai pudesse dizer qualquer coisa, ela girou nos calcanhares e saiu da cozinha quase correndo. Seus passos ecoaram pela casa enquanto ela ignorava completamente os chamados incessantes de Leonardo. A porta se fechou com um estrondo atrás dela, e a jovem encostou as costas contra a madeira fria, lutando para recuperar o fôlego.

Do lado de fora, a respiração de Milena estava pesada, e suas mãos tremiam. Ela pressionou os dedos contra as têmporas, tentando controlar a torrente de emoções. Seu coração parecia estar apertado por um punho invisível. "Eu não queria falar assim... não de novo", pensou, a culpa e a frustração misturando-se em seu peito. Mas ao mesmo tempo, ela sabia que estava sufocando. Viver sob as expectativas e o controle do pai era como carregar uma âncora que a puxava para o fundo.

O dia de trabalho não trouxe alívio algum. No escritório, o humor do chefe era ainda pior que o normal, e cada palavra que ele dizia parecia calculada para humilhar Milena. Ela abaixava a cabeça e fingia não ouvir, mordendo o interior da bochecha até sentir o gosto de sangue. Não era só pelo emprego. Era também porque seu pai não a deixaria sequer pensar em mudar. "Aguente, apenas aguente", ela repetia para si mesma, como um mantra amargo.

Ao final do dia, Milena subiu no ônibus e sentou-se no fundo, como fazia sempre. Com a testa encostada no vidro da janela, ela observava as pessoas ao redor, a maioria mergulhada em seus celulares, sorrindo ou enviando mensagens animadamente. Era uma cena simples, mas que a fazia sentir ainda mais deslocada. Apesar de não se importar muito com tecnologia, ela sentia como se estivesse presa em uma outra era, parada no tempo enquanto o mundo seguia em frente.

Quando o ônibus finalmente parou na rua da casa de Rafaella, sua melhor amiga, Milena desceu com passos rápidos. Assim que Rafaella abriu a porta, Milena praticamente desabou no sofá da sala, como se o peso que carregava o dia inteiro finalmente encontrasse um lugar para cair.

— O que houve, minha amiga? — Rafaella perguntou, a voz doce e preocupada. Seus olhos sondaram o rosto cansado de Milena, procurando respostas.

Milena suspirou profundamente, jogando a cabeça para trás e deixando seus longos cabelos cacheados caírem soltos.

— O dia foi horrível, amiga. Briguei com meu pai mais uma vez. Eu tento evitar, mas... parece impossível. — Sua voz era carregada de cansaço, os ombros caídos em resignação.

Com um sorriso terno, Rafaella sentou-se ao lado dela. Ela afastou gentilmente os cabelos do rosto de Milena, como um gesto de carinho.

— Parece que você precisa de uma distração. Que tal irmos a um barzinho novo que abriu no centro da cidade?

Milena soltou uma risada sem humor, deixando os olhos se fecharem por um momento.

— Eu? Ir a um bar? — perguntou, sua voz repleta de incredulidade. — Você quer enterrar meu pai ou quer que ele me enterre viva?

Rafaella riu suavemente, mas logo lançou um olhar cheio de tristeza e empatia para a amiga. Observando Milena ali, tão jovem e já carregando um peso tão grande. Rafaella sentiu uma pontada de angústia no peito. Era injusto ver alguém com tanto potencial preso em uma vida de repressão.

Milena, não aproveitou nada de

sua vida. Pois, se dedicava apenas ao trabalhalho a igreja e a casa.

Os olhos de Rafaella se fixaram nos de Milena, e naquele instante, ela viu algo que a fez estremecer: um pedido de socorro silencioso, um grito abafado que ninguém mais parecia ouvir. Rafaella respirou fundo, sentindo o peso da dor da amiga, e então, como se uma ideia tivesse iluminado sua mente, levantou-se de repente.

— Vem comigo! — disse Rafaella, puxando Milena pela mão com determinação. Milena, confusa, deixou-se levar, tropeçando levemente enquanto era arrastada até o banheiro.

Dentro do pequeno espaço, Rafaella fechou a porta com um movimento decidido e virou-se para Milena, com um brilho travesso nos olhos.

— Toma um banho longo, daqueles que lavam até a alma. E, por favor, depila essas pernas que já dá pra fazer trança nesse pelo todo aí. — Rafaella apontou para as pernas de Milena, que arregalou os olhos, surpresa, antes de soltar uma risada involuntária. — E se tiver mais algum lugar parecendo a Mata Atlântica, depila também! — completou Rafaella, piscando com humor.

Milena gargalhou, sentindo uma leveza que há muito não experimentava. Enquanto tirava as roupas, Rafaella saiu do banheiro, deixando-a sozinha. Assim que ligou o chuveiro, a água morna caiu sobre seu corpo, trazendo um alívio imediato. O vapor encheu o ambiente, e os aromas dos produtos de higiene, com fragrâncias florais e cítricas, a envolveram. Milena hesitou por um momento, mas logo começou a passar o sabonete pelo corpo, sentindo a espuma deslizar pela pele. Era como se, a cada movimento, ela estivesse lavando não apenas a sujeira, mas também as camadas de repressão que a sufocavam.

Quando terminou, Milena saiu do banheiro enrolada em uma toalha, o rosto levemente corado de vergonha. Rafaella estava esperando do lado de fora, com um sorriso animado.

— Agora é minha vez de fazer mágica! — exclamou Rafaella, puxando Milena para o quarto. Ela abriu o guarda-roupa com um gesto dramático e começou a jogar vestidos sobre a cama, um após o outro.

— Anda, vem cá! Vou te transformar! — disse Rafaella, os olhos brilhando de entusiasmo.

Milena sentou-se na beira da cama, observando Rafaella com um misto de curiosidade e nervosismo. Rafaella pegou o secador e começou a trabalhar nos cachos de Milena, que aos poucos ganharam forma e volume, realçando ainda mais sua beleza natural. Depois, aplicou uma maquiagem leve, apenas o suficiente para destacar os olhos e os lábios. Por fim, escolheu um vestido vermelho curto e justo, que caiu perfeitamente no corpo de Milena, moldando suas curvas que haviam ficado escondidas por tanto tempo.

— Esse vestido está muito curto — protestou Milena, puxando a barra para baixo, desconfortável. — E olha meu busto, está quase saindo para fora!

— Amiga! — interrompeu Rafaella, segurando os ombros de Milena e olhando-a nos olhos. — Confia em mim, tá? Agora, fecha os olhos.

Milena obedeceu, embora relutante. Quando Rafaella a virou de frente para o espelho e pediu que abrisse os olhos, Milena ficou sem palavras. Ela levou as mãos à boca, os olhos arregalados de surpresa.

— Meu Deus... Essa sou eu? — murmurou, a voz embargada pela emoção e felicidade que estava sentindo.

Rafaella sorriu, abraçando-a com força.

— Essa sempre foi você, Milena. Só estava escondida atrás das crenças que você não escolheu seguir.

Milena olhou para o reflexo novamente, sentindo uma mistura de alegria e tristeza. Pela primeira vez, ela viu uma versão de si mesma que parecia livre, mesmo que apenas por um momento.

Sigue leyendo en Buenovela
Escanea el código para descargar la APP
capítulo anteriorcapítulo siguiente

Capítulos relacionados

Último capítulo

Escanea el código para leer en la APP