O coração de Rafaella batia descontroladamente, enquanto suas mãos suavam frio. Ela deitou Milena com cuidado sobre o sofá velho e desgastado da sala, cujas almofadas estavam desbotadas pelo tempo. A luz fraca da lâmpada pendurada no teto lançava sombras inquietantes nas paredes. Rafaella correu para a cozinha, tropeçando nos móveis, em busca de um pano molhado. Ao encontrar o pano, ela o molhou rapidamente na pia, sentindo a água gelada escorrer por seus dedos trêmulos. Voltou apressada para a sala e se ajoelhou ao lado da amiga, começando a passar o pano úmido sobre o rosto pálido de Milena. Enquanto fazia isso, lágrimas silenciosas escorriam por seu rosto, e ela sussurrava para si mesma:— Oh, minha amiga... Quem fez isso com você? — Murmurou, sentindo uma dor aguda no peito. — Você vai ficar bem logo, eu prometo...Milena começou a recobrar a consciência, sentindo o frescor do pano úmido em sua pele. Seus olhos se abriram lentamente, e ela olhou para Rafaella com um olhar perdido
O dia amanheceu, e o relógio em cima da pequena mesa onde ficava o abajur marcava 8h da manhã. Uma suave luz dourada entrou no quarto de Rafaella, iluminando delicadamente o ambiente. As cortinas balançavam levemente com a brisa matinal, criando um jogo de sombras nas paredes. Milena, ainda deitada sobre a cama, começou a se mexer lentamente. Seus olhos, pesados de sono, começaram a se abrir, piscando várias vezes antes de se abrirem completamente. Ela sentiu a maciez da coberta que cobria seu corpo, um tecido aconchegante que a envolvia como um abraço, e a suavidade do travesseiro sob sua cabeça.Milena levantou a cabeça, o lençol deslizando suavemente sobre seu corpo, e olhou para o colchão da cama, sentindo a firmeza confortável que a sustentava. Ela então olhou para a roupa que estava vestida, uma camisola de algodão que lhe dava uma sensação de segurança e conforto. Com um gesto carinhoso, ela passou a mão sobre o colchão, sentindo a textura do tecido sob seus dedos, antes de se
Rafaella ainda estava conturbada com a decisão da amiga, mas decidiu respeitar. Ela olhou profundamente nos olhos de Milena e disse, com uma voz suave e cheia de esperança:— Conte comigo, amiga. Eu prometo que vou te ajudar a encontrar seu bebê. Vamos procurar nos orfanatos, perguntar em hospitais, tenho alguns amigos nessas áreas que poderão nos ajudar. — Rafaella falou ajeitando uma mecha de cabelo da amiga, tentando transmitir conforto e segurança. — Agora preciso que você esteja bem para quando estiver com seu filho nos braços.Milena segurou as mãos de Rafaella com força, sentindo-se grata pela presença e apoio da amiga. Seus olhos, ainda marejados, refletiam um misto de tristeza e esperança.— Enxuga essas lágrimas — continuou Rafaella, com um sorriso encorajador. Rafaella segurou o braço de Milena com carinho, puxando-a gentilmente para se levantar. Elas estavam na sala de estar da casa de Rafaella, um ambiente acolhedor com móveis de madeira escura e cortinas claras que deix
Ela sentiu seu coração disparar. Milena estava com medo, mas respirou aliviada ao ver a imagem da amiga, ainda dentro da loja, vindo ao seu encontro.Rafaella, saindo da loja apressada. Seus olhos varreram o shopping, claramente preocupada com Milena. Não demorou muito até ela chegar até Milena a qual estava conversando com o Sir George.— Milena! — gritou Rafaella, sua voz carregada de alívio e preocupação. — Fiquei tão preocupada. Eu pensei que você estava me esperando dentro da loja. Quase infartei quando não vi você lá. — Ela disse, tentando sorrir, mas a tensão ainda visível em seu rosto.Milena levantou a cabeça rapidamente, seus olhos encontrando os de Rafaella. — Desculpa, minha amiga. Eu acabei saindo da loja para ajudar o senhor George... — Ela gesticulou em direção ao homem ao seu lado, apresentando-o a Rafaella.Rafaella respirou fundo, tentando acalmar seu coração acelerado. — Oh! Compreendo agora. — murmurou, olhando para Milena com um olhar de compreensão e depois se
O dia amanheceu com um brilho suave, e enquanto Milena enfrentava seus desafios e recomeçava sua vida, Dominic estava em sua luxuosa mansão. Antes de chegar à imponente residência, havia um maravilhoso jardim, com árvores meticulosamente cuidadas e canteiros encantadores que exalavam um perfume doce e acolhedor. Dominic estava sentado no sofá de couro marrom na sala de estar, cercado por móveis elegantes e obras de arte que refletiam sua riqueza. Ele estava inquieto, tamborilando os dedos no braço do sofá, seus olhos fixos em um ponto distante, perdido em pensamentos sobre a decisão de seu avô.— Babá!? — Perguntou ele, com a voz carregada de incerteza, enquanto franzia a testa. — Tem certeza que precisamos de uma babá para cuidar do meu filho?Sir George balançou a cabeça e respondeu com um tom calmo e firme, mas com um leve sorriso nos lábios.— Acredito que sim, Dominic. — Ele fez uma pausa, observando a reação de Dominic antes de continuar. — Todos os funcionários daqui têm suas
Uma semana depois, Milena já estava se sentindo muito melhor. Seu corpo estava mais forte e uma pequena esperança de encontrar seu filho havia surgido. Ela também estava pronta para começar a trabalhar como babá na mansão de Dominic, pois precisava ajudar Rafaella nas despesas da casa.As duas amigas estavam compartilhando a cama, e Milena acordou primeiro, pois era o seu primeiro dia de trabalho e ela não queria se atrasar. Com cuidado, ela tirou a coberta de seu corpo e levantou da cama devagar para não acordar Rafaella. Ainda de pijama, ela foi até o banheiro para escovar os dentes e tomar um banho.Enquanto escovava os dentes, Milena se olhava no espelho. Seus olhos refletiam uma mistura de ansiedade e determinação. Seu coração batia forte, e ela respirava fundo, tentando acalmar os nervos. "Vai dar tudo certo", murmurou para si mesma, tentando se convencer. Depois de um tempo se olhando no espelho, ela entrou no chuveiro, deixando a água quente relaxar seus músculos tensos.Após
Milena, ainda um pouco assustada, continuou olhando para Rafaella com os olhos arregalados, como se a qualquer momento fosse ser surpreendida por algo terrível. Ela encarou os fundos dos olhos de Rafaella, como se procurasse ali alguma resposta, alguma verdade, e perguntou novamente, a voz trêmula de medo e tristeza:— O que tem ele, Rafaella? — A pergunta saiu quase como um sussurro, enquanto Milena sentia uma pontada afiada de medo e tristeza atravessar seu peito.Rafaella pegou nas mãos geladas da amiga, respirou fundo para encontrar forças, e respondeu com a voz carregada de pesar e preocupação:— Eu vi o seu pai ontem... — murmurou, sem soltar as mãos de Milena. — Você estava dormindo quando ele chegou... Ele veio até a minha porta e perguntou se eu tinha alguma notícia de você. — Explicou Rafaella, enquanto Milena começava a olhar freneticamente para os lados, como se tentasse escapar dos próprios medos que a cercavam.— Como assim?... Ele... Ele vai me achar, Rafaella. — A voz
— Olha... Olha para aquela casa... — disse Rafaella, apontando ansiosamente para a mansão que se erguia majestosa à distância. O sol poente tingia a fachada com tons de dourado, destacando ainda mais sua beleza. Do terceiro andar do apartamento de Rafaella, a vista era privilegiada, permitindo que elas apreciassem cada detalhe da mansão.Milena sorriu timidamente, mas seu olhar parecia distante. Ela virou-se para a amiga, tentando compartilhar o entusiasmo, mas logo desviou o olhar de volta para o apartamento. Seus ombros caíram, e ela soltou um suspiro profundo antes de falar.— É linda mesmo... — respondeu Milena, com a voz carregada de melancolia. Ela se acomodou no aconchegante sofá, encolhendo os pés debaixo do corpo, buscando conforto em meio à turbulência emocional. Rafaella permaneceu em pé, seus olhos ainda fixos na casa, mas a expressão em seu rosto começava a mudar.— Sabe, Rafa... Eu não consigo mais ver beleza nas coisas... — As palavras de Milena saíram como um sussurro