Capítulo 7

O dia amanheceu, e o relógio em cima da pequena mesa onde ficava o abajur marcava 8h da manhã. Uma suave luz dourada entrou no quarto de Rafaella, iluminando delicadamente o ambiente. As cortinas balançavam levemente com a brisa matinal, criando um jogo de sombras nas paredes. Milena, ainda deitada sobre a cama, começou a se mexer lentamente. Seus olhos, pesados de sono, começaram a se abrir, piscando várias vezes antes de se abrirem completamente. Ela sentiu a maciez da coberta que cobria seu corpo, um tecido aconchegante que a envolvia como um abraço, e a suavidade do travesseiro sob sua cabeça.

Milena levantou a cabeça, o lençol deslizando suavemente sobre seu corpo, e olhou para o colchão da cama, sentindo a firmeza confortável que a sustentava. Ela então olhou para a roupa que estava vestida, uma camisola de algodão que lhe dava uma sensação de segurança e conforto. Com um gesto carinhoso, ela passou a mão sobre o colchão, sentindo a textura do tecido sob seus dedos, antes de se levantar.

Com um sorriso no rosto, Milena se lembrou de que não estava mais naquele lugar horrível. Agora, ela estava em um lugar seguro: na casa da pessoa em quem mais confiava. Ela se levantou devagar, sentindo o chão frio sob seus pés descalços, e caminhou até a porta. Com um gesto suave, abriu a porta e caminhou pelo corredor, sentindo a textura da madeira sob seus pés a cada passo.

Ao chegar à cozinha, Milena encontrou Rafaella, que estava de costas, preparando o café da manhã. O aroma de café fresco e ovos fritos enchia o ar, trazendo uma sensação de conforto e normalidade.

— Rafaella... — chamou Milena, com uma voz fraca, mas cheia de felicidade. — Senti sua falta, minha amiga.

Rafaella se virou rapidamente, deixando os ovos fritando na frigideira. Seus olhos se encheram de alívio e alegria ao ver Milena de pé.

— Milena! — exclamou Rafaella, correndo até a amiga. — Como você está se sentindo? Não era para você estar de pé. — disse ela, com a voz carregada de preocupação e alívio.

Milena sorriu, sentindo o calor do abraço de Rafaella.

— Estou melhor — respondeu, enquanto as duas se abraçavam com força, sentindo o conforto e a segurança uma da outra.

Rafaella, ainda segurando Milena pelos ombros, a guiou até uma cadeira.

— Venha, sente-se aqui. — disse ela, puxando uma cadeira e colocando uma almofada macia para que Milena pudesse se sentar confortavelmente.

Milena se sentou, sentindo a suavidade da almofada sob ela, e olhou para Rafaella com gratidão.

— Tem que comer um pouco. — disse Rafaella, voltando para o fogão e servindo um prato de ovos e torradas para Milena.

Enquanto Milena começava a comer, sentindo o sabor reconfortante da comida caseira, Rafaella se sentou ao seu lado, segurando sua mão.

— Estou tão feliz que você está aqui, segura. — disse Rafaella, com os olhos brilhando de emoção.

Milena apertou a mão de Rafaella, sentindo a conexão profunda entre elas.

— Eu também, Rafaella. Eu também. — respondeu, com lágrimas de gratidão nos olhos.

Rafaella começou a comer também, enquanto olhava para Milena com um sorriso no rosto. Assim que terminaram, Rafaella se levantou e foi até o banheiro ajudar a amiga a tomar um banho. O vapor quente preenchia o ar, criando uma sensação de conforto e alívio.

Após o banho, as duas se sentaram no sofá macio da sala, envoltas em uma manta aconchegante. Segundos depois, Rafaella começou, com uma expressão séria no rosto:

— Agora me conte, minha amiga — murmurou, segurando a mão de Milena com firmeza. — O que aconteceu? Quem fez isso com você?

Milena sentiu uma tristeza profunda transbordar seu coração, enquanto pensava nas noites horríveis que passou presa naquele porão escuro e sujo. Seus olhos se encheram de lágrimas, e ela respirou fundo antes de começar a falar:

— Sabe aquela noite que a gente foi até aquele bar? — Perguntou Milena, a voz trêmula. — A gente estava se divertindo e, depois de um tempo, você saiu com um rapaz e eu continuei dançando e me divertindo.

Rafaella assentiu, lembrando-se claramente daquela noite.

— Lembro sim. — Afirmou, com um sorriso suave. — Foi uma noite incrível e inesquecível. Você estava tão feliz naquele dia...

Milena abaixou a cabeça, sentindo o peso das lembranças.

— Então... Essa noite foi mesmo inesquecível e também trouxe e também consequências inesquecívels. — Murmurou Milena, um pouco triste. — Nessa mesma noite, um belo homem veio até mim e então começamos a conversar. Não demorou muito e nós nos beijamos.

Rafaella arregalou os olhos, surpresa.

— Milena... O que aconteceu?

— Não o sei como isso aconteceu, pois tinha bebido muito, mas eu acordei ao lado dele em uma cama. — Explicou a moça, com a voz embargada. — Eu fiquei completamente desesperada! Porém, achei que não haveria consequências...

Rafaella se levantou de repente, com o coração batendo forte.

— Consequência, Amiga? você engravidou daquele homem? — disse com a voz cheia de preocupação.— O bebê...cadê ele?

Milena começou a chorar, as lágrimas escorrendo pelo rosto. Ela suspirou fundo e prosseguiu:

— Quando... Quando meu pai descobriu, ele enlouqueceu de raiva e me trancou no porão... — Disse ela, chorando, enquanto Rafaella se sentou no sofá novamente, abraçando a amiga com força. — Nove meses se passaram e o meu bebê nasceu... E eu ainda estava presa naquele lugar infernal.

Rafaella olhou para Milena, sentindo uma uma mistura de choque e tristeza, enquanto abraçava a amiga com mais força.

— Mas... Cadê ele, Milena? — Sussurou. — Cadê o bebê.

Milena desabou em choro, tentando falar. Ela respirou novamente e respondeu, com a voz quebrada:

— O meu pai pegou ele de mim... Eu não sei onde meu bebê está agora. — Disse ela, as lágrimas escorrendo até seus lábios. — Ontem o meu pai saiu e, essa foi a minha oportunidade de escapar daquele lugar.

Rafaella sentiu uma onda de indignação e tristeza. Ela segurou o rosto de Milena com as mãos, olhando diretamente em seus olhos.

— Milena! O seu pai cometeu dois crimes terríveis! — Afirmou a moça, com a voz firme. — Você tem que denunciar o seu pai por cárcere privado e sequestro.

Milena entrou em lágrimas novamente, balançando a cabeça.

— Não... Eu não posso. Ele é meu pai.

Rafaella ficou em silêncio, não acreditando que depois de tudo isso Milena ainda tentava proteger o pai. Ela disse, com a voz embargada:

— Esqueceu que seu pai te deixou assim? Que foi seu pai que tirou seu filho?

Milena olhou para a amiga e começou a chorar novamente, o corpo tremendo de emoção. Quando Rafaella viu Milena chorar, ela a abraçou com força, pedindo desculpas por ter falado daquela forma.

— Não fica assim, minha amiga... — Murmurou ela, com a voz suave. Ela abraçou Milena, fazendo carinho em suas costas, tentando transmitir todo o conforto e apoio que podia.

— Eu tive um menino, amiga. Eu preciso encontrar meu filho, não importa quanto tempo demore para isso acontecer... mas eu vou ter meu filho de volta...

Sigue leyendo en Buenovela
Escanea el código para descargar la APP

Capítulos relacionados

Último capítulo

Escanea el código para leer en la APP